3. AVRUPA’DA TERÖRĠZM
3.4. ĠTALYA VE KIZIL TUGAYLAR (BRĠGATE ROSSE)
A produção de energia elétrica mediante utilização de elementos radioativos (plutônio, urânio e outros) em usinas nucleares constitui-se numa das mais importantes fontes primárias de conversão de energia do mundo.
Malheiros (1996) aponta até 1996 a existência de 437 usinas nucleares em operação e 39 em construção, em todo o mundo. Países como Japão, EUA, Alemanha, França, Inglaterra e os da CEI (Comunidade de Estados Independentes – ex-União Soviética), concentram a maior parte dos geradores movidos a energia nuclear. Os EUA, têm a maior concentração de usinas nucleares do planeta, com aproximadamente 109 reatores. Porém eles respondem por apenas 19% de toda a energia gerada naquele país. A Alemanha possui 19 usinas nucleares, e, segundo Rosa et al. (1998), a França possuí 56 reatores, responsáveis por mais de 75% da energia elétrica gerada no país.
Na América Latina, somente três países possuem reatores nucleares, México, Brasil e Argentina, com dois reatores cada um. No Brasil, as usinas nucleares estão localizadas em Angra dos Reis – RJ e respondem por menos de 3 % de toda a energia elétrica gerada no país.
Os materiais radioativos, utilizados como combustíveis nessas usinas, estão classificados em fontes de energia não-renovável. No entanto, do ponto de vista de impactos ambientais mais imediatos, como por exemplo, emissões diretas de gases e cinzas, entende-se que estas usinas provocam um impacto relativamente menor do que outras plantas energéticas, tais como as que utilizam derivados de petróleo ou carvão fóssil.
Para Reis e Silveira (2000), a energia nuclear, embora não seja renovável, constitui-se numa das principais alternativas futuras de geração de energia elétrica. O maiores problemas relacionados a este tipo de produção, como segurança e descarte de resíduos radioativos, tendem a uma solução aceitável. Sofisticados processos tecnológicos devem resolver em parte o problema dos resíduos radioativos.
Quanto à segurança, ocorrências de acidentes em usinas nucleares são extremamente pequenas, cerca de 10-4 por reator/ano. Porém, as conseqüências de um
acidente desta natureza são extremamente graves. Acidentes com materiais radioativos geram emissões de radiação que permanecem afetando o meio ambiente e a população por centenas de anos. Pessoas que estiveram em contato direto com altos níveis de radiação estão sujeitas a inúmeros problemas de saúde. Além disso, a exposição a radiação pode provocar modificações genéticas nos organismos vivos, e, essas podem ser transferidas aos seus descendentes.
Devido ao temor de um grande acidente, nenhuma outra forma de produção de energia elétrica enfrenta tantas pressões mundiais quanto as usinas nucleares. Segundo Rosa e Shaeffer (IN ROSA et al., 1988), isto se deve, principalmente, ao forte impacto na percepção mundial causada pelos acidentes de Three Miles Island (EUA - 1979) e Chernobyl (Ucrânia - 1986). Para os autores, no Brasil, os riscos de acidentes com hidroprojetos são bem maiores se comparados à mesma probabilidade das usinas de Angra I e II.
Algumas possíveis razões para a resistência popular a projetos de plantas nucleares foram levantadas no início da década de setenta pelo pesquisador Gast (1973) (IN ROSA et al.,1988). Entre estas destacam-se:
- Em hidroprojetos é freqüente o caso em que a maior parte dos
beneficiários das obras moram e trabalham em áreas geograficamente distantes, onde o risco é praticamente nulo;
- É fácil entender o princípio de funcionamento de uma hidrelétrica. Dessa maneira, é mais simples admitir que os técnicos responsáveis pela mesma “sabem” o que estão fazendo;
- O público aceita o pequeno risco de uma barragem, uma vez
que ele está calculado em uma experiência histórica, ao contrário de usinas nucleares para as quais esta experiência inexiste. (GAST, IN ROSA et al., 1988p. 182-183)
Ainda segundo Rosa et al.(1988), diferente dos técnicos, o grande público avalia e aceita de modo negativo os diferentes riscos inerentes a projetos de plantas nucleares. Devido a estas diferentes percepções entre os técnicos e a população, o processo de investimento em usinas nucleares acaba sendo muito mais político do que técnico. Os acordos realizados, no período da ditadura militar, entre Brasil-EUA e Brasil-Alemanha na área nuclear só foram possíveis devido ao sigilo absoluto sobre a questão.
Vários autores (Malheiros, 1996 e Rosa et al. 1988) analisam que os investimentos brasileiros na área nuclear foram realizados sobretudo devido à lógica da transferência da tecnologia. Para o governo, o domínio da tecnologia nuclear poderia desempenhar um papel chave nos planos de desenvolvimento do país. Além do mais, na época, a energia nuclear representava a energia do futuro em substituição aos derivados do petróleo. Não é demais ressaltar que o domínio da tecnologia nuclear possibilitaria ao país, caso tivesse interesse, a produção de armamentos bélicos.
Esta lógica da transferência de tecnologia pode explicar os altos investimentos realizados pelo governo em projetos de plantas nucleares. Isto porque os custos finais na produção de energia elétrica em uma usina nuclear, no caso brasileiro, são bem maiores do que os custos finais de uma grande hidrelétrica. Além disso, existem os problemas relacionados à dependência externa, bem nítidos quanto à questão da produção e manutenção dos equipamentos e da utilização do urânio. Este material tem que passar por diversos processos industriais antes de ser utilizado nos reatores das usinas, processo conhecido como enriquecimento do urânio. Porém, poucos países possuem esta tecnologia, entre estes destacamos os EUA, Japão, Rússia e Alemanha.
Quanto à questão dos resíduos radioativos, talvez este hoje seja o maior desafio deste tipo de tecnologia. Anualmente, milhares de toneladas de resíduos são dispostos em grandes depósitos, devido ao alto índice de radiação residual. Atualmente, estão
sendo pesquisadas várias maneiras de estocar estes materiais com segurança e de minimizar a radiação residual nos dejetos das usinas.
Uma das formas atualmente em estudo para diminuir a quantidade de resíduos está em desenvolver reatores que aproveitem os combustíveis com radiação residual. Caso este estudo demonstre que esta alternativa seja viável técnica e economicamente, existe a possibilidade de um novo “boom” de procura por esta tecnologia.
Por último, destacamos que o tipo de reator utilizado no Brasil, um PWR (Pressurized Water Reactor), utiliza no seus sistema de refrigeração a água captada de fontes externas. O principal problema ambiental decorrente da utilização desta água está no aumento da temperatura que ela sofre. No caso brasileiro, não existem estudos que destaquem os impactos que a micro-flora e micro-fauna da região costeira de Angra dos Reis sofre devido a este aumento sensível na temperatura da água.
I.2.3.5 – Geração de energia elétrica através de fontes alternativas de energia (solar