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Ürdün Meliki Abdullah’ın Türkiye’yi Ziyareti ve Bunun Basına Yansımaları

3.9. TÜRKİYE-ÜRDÜN İLİŞKİLERİ

3.9.1. Ürdün Meliki Abdullah’ın Türkiye’yi Ziyareti ve Bunun Basına Yansımaları

Como visto anteriormente, a teoria dos custos de transação nos diz que se as trocas entre os atores econômicos apresentam incertezas, se são freqüentes, ou se requerem um volume significativo de investimentos em ativos específicos, pode haver, em algum momento, uma elevação proibitiva dos custos de transação (WILLIAMSON, 1985 e 1990; BARNEY,1999). Por serem significativos, esses custos podem impelir as empresas a suprimir as transações do mercado e a transferi-las para formas alternativas de governança – hierarquia, governança bilateral ou estruturas híbridas com contratos de prazo mais longo, como algumas das formas de quase mercado.

Pela abordagem mais ortodoxa da economia dos custos de transação, portanto, que sugere o surgimento da firma justamente pela motivação de reduzir os custos de transação, não há espaço para se pensar em algo fundamental: a de que as transações, se repetidas ao longo do tempo em condições favoráveis às partes contratantes, poderiam facilitar o surgimento de formas mais estáveis e menos frágeis de confiança, reduzindo os custos de coordenação e de transação, à medida que avançasse o relacionamento entre as empresas.

Em relação às interfaces entre custos de transação, economias de aprendizagem e evolução das formas de confiança entre os agentes econômicos, há dúvida sobre a validade de uma conjectura clássica, isto é, a proposição de que os custos de contratação podem tornar-se proibitivos em certos casos, forçando a firma a examinar com atenção a verticalização de certas atividades e processos, buscando uma posição mais eficiente no que tange à coordenação das suas atividades. Em estudo relativamente recente, DYER (1997) começou a dirigir algumas críticas à ortodoxia desse princípio, cujas razões foram em parte confirmadas nesta pesquisa de tese.

Comparando as relações de fornecimento entre montadoras japonesas e americanas, DYER (1997) descobriu que, apesar de os investimentos em ativos específicos serem mais intensos no caso das empresas nipônicas, estas experimentavam custos de transação menores quando comparados aos de suas concorrentes americanas.

Na amostra japonesa, a montadora que possuía o maior número de fornecedores especializados - caso da Toyota – apresentava os menores custos de transação comparativamente à Nissan, que mantinha um número menor de fornecedores especializados.

Os resultados da pesquisa de DYER (1997) poderiam ser contestados, argumentando-se que fatores legais ou institucionais, bem como a natureza do controle e das sanções previstas em lei podem influenciar a intensidade do comportamento oportunista dos agentes.

Seria legítimo pensar, nesse caso, que os investimentos em ativos específicos são mais intensos e os custos de transação são menores para uma empresa como a Toyota, em virtude, digamos, do ambiente institucional japonês, por conta de algumas estruturas como as dos keiretsus no âmbito das cadeias produtivas. Mas essa perspectiva exclusivamente institucionalista de tratar o problema pode não ser uma resposta válida, pelo menos não para todos os casos.

Tomemos o caso norte-americano, comparando a GM e a Chrysler. À GM interessava pulverizar seus pedidos de compras entre um número mais amplo de fornecedores, inclinando-se ao regime de tipo arm´s length. À Chrysler, por seu turno, interessava estabelecer regimes de parceria com seus fornecedores mais importantes. Ambas atuavam constrangidas por um mesmo “ambiente institucional” e, no entanto, apresentaram custos de transação diferentes, sugerindo que o peso do ambiente institucional não pode ser considerado como decisivo ou determinante dos custos de transação.

Afinal, por que os custos de transação das montadoras japonesas com suas fornecedoras mostraram-se menores do que os custos de transação das firmas ocidentais, no estudo de DYER (1997)?

Há fortes indícios de que a especialização de ativos entre as empresas da rede explicaria parte da maior competitividade das montadoras japonesas frente às três grandes de Detroit. DYER (1997) demonstrou que os ativos específicos tiveram efeitos especialmente importantes na performance das empresas, daí surgindo seu interesse em relacionar ativos físicos, geográficos e humanos a quatro variáveis de performance: qualidade, velocidade no desenvolvimento de novos produtos, custos dos inventários e lucros. Antecipou, com sua pesquisa, questões muito interessantes:

1. Transações recorrentes com grupos menores de fornecedores: o custo e o

risco de se adotar um comportamento oportunista tendem a ser maiores quanto mais significativos se revelam o volume de trocas e a expectativa de vigência dos contratos, dada a relevância do negócio para as partes. Além disso, a expectativa de continuidade da transação faz com que um fornecedor, percebendo uma eventual ausência de eqüidade no desenrolar da transação no presente, aguarde confiante a identificação e a correção de tal distorção nos contratos a serem renegociados no futuro com o mesmo contratante;

2. Economias de escala na transação: quanto maiores forem as economias de

escala na relação de fornecimento, tanto mais o contratante deve coletar um conjunto mais estável de informações com seus fornecedores, o que pode gerar um efeito sensível na redução dos custos ex ante e ex post dos contratos;

3. Maior compartilhamento de informações entre as partes: o fato de a

empresa contratante compartilhar maior gama de informações com seus fornecedores faz com que as assimetrias de informação sejam menores, o que funciona como vantagem competitiva fundamental em várias frentes, como nos processos de inovação e na coordenação logística;

4. Utilização de mecanismos alternativos para o controle do oportunismo: um

importante postulado da teoria dos custos de transação defende a idéia de que quanto mais sofisticado o modo de governança - do mercado à

hierarquia - mais custosa será a solução desse modelo em termos econômicos, porém mais eficaz do ponto de vista do controle do oportunismo na relação. Existem, porém, outras formas de contenção do comportamento oportunista, como a propriedade cruzada de ações ou a edificação de formas menos frágeis de confiança entre os atores;

5. Redução dos custos de transação e elevação do nível de investimentos em ativos: durante os primeiros estágios de relacionamento, os custos de

transação tendem a aumentar à medida que vão sendo intensificados os esforços dos agentes na definição de salvaguardas para proteção dos investimentos realizados em ativos específicos. Porém, com o passar do tempo, com a amortização dos primeiros investimentos e o bom desenvolvimento da relação, o clima de confiança entre as partes pode crescer, e isso pode favorecer tanto uma trajetória de redução dos custos de transação quanto, simultaneamente, a impulsão de economias de aprendizagem e de rendas organizacionais entre as empresas.

Esta quinta e última questão levantada em DYER (1997), demonstrando uma interface entre custos de transação e economias de aprendizagem, vem apresentada na FIG. 13 e na 14, a seguir:

Alto Baixo Baixo Alto Custos de Transação Investimentos em ativos específicos DYER, 1997. P. FONTE: Alto Baixo Baixo Alto Custos de Transação Investimentos em ativos específicos DYER, 1997. P. FONTE:

FIGURA 13 Relação entre custos de transação e ativos específicos segundo os postulados da TCT

FIGURA 14 Relação entre custos de transação e ativos específicos, levando-se em consideração as condições particulares de relacionamento anterior entre as firmas

Esses dados são bastante úteis ao demonstrarem ser possível às redes industriais alcançar os benefícios de um maior investimento em ativos específicos (garantindo também a maior especialização dos agentes em fases ou segmentos do processo produtivo) e, de forma concomitante, reduzir os custos de transação em diferentes vínculos da rede. Essa possibilidade tem certamente um efeito prático e pode ser transformada em vantagem competitiva crucial a ser explorada de forma mais adequada pelas empresas.

Além de representar um limite propriamente teórico que precisaria ser ultrapassado na teoria dos custos de transação, existe também um desdobramento mais pragmático, do ponto de vista da ação gerencial: a hierarquia pode ser uma solução custosa e muito burocrática para organizar transações em uma era de rápidas mudanças tecnológicas, enquanto o mercado - em sua forma mais radical - simplesmente não representa uma estrutura de governança favorável à ampliação da troca de conhecimento. Sobretudo de conhecimento tácito, em que o objetivo pode ser o de viabilizar as economias de aprendizagem e os processos de inovação entre as empresas de um mesmo cluster e campo interorganizacional (LIPPARINI, 1998; COOKE & MORGAN, 1998 ; EBERS, 1997; SOBRERO, 1996).

2.2 A coordenação da atividade econômica como um processo de criação de