5. TÜRKİYE’DE ESKİÇAĞ TARİHÇİLİĞİNİN AVRUPAMERKEZCİ GELİŞİMİ
5.2. Üniversite Eğitiminde Avrupamerkezci Yaklaşımlar
Aplicando-se a teoria dos bens complementares locais de Hennart em um racional inverso, infere-se que operações realizadas pelas multinacionais dentro da mesma região onde já atuam tenderiam a ser realizadas via greenfield, dado que, como já estão instaladas na própria região, não seria necessário “conquistar” novos acessos (embutidos em empresas já atuantes) aos bens complementares de que precisam em novas regiões. Da mesma forma, dado que seu know-how continuaria de difícil acesso, mas os bens complementares locais não, tenderiam a realizar investimentos por meio de subsidiárias integrais.
De fato, percebe-se que a grande maioria das operações realizadas pelos grupos multinacionais nas mesmas regiões onde já atuavam, no período analisado, deu-se por meio de greenfields (76) e WOS (61). Esse foi o caso, por exemplo, das operações
realizadas pelo Wal-Mart, Dixie-Toga, Dana, Whirlpool, após a sua consolidação nos mercados onde atuavam, e, exclusivamente com relação aos greenfields, da AES.
O Wal-Mart, posteriormente à JV inicial e as aquisições em outras regiões já mencionadas, e após ganhar experiência e consolidar de vez suas atividades nos mercados locais, tornando-se importante player do setor em âmbito nacional, passou também a realizar apenas investimentos via greenfields e WOS, com a abertura de novas unidades (com filiais e centros de distribuição em diversas cidades) e expansão de suas linhas de atuação.
Por sua vez, os grupos Dixie-Toga, Dana e Whirlpool, que iniciaram suas atividades por meio de JVs com grupos nacionais e, posteriormente, adquiriram o restante das participações das empresas e converteram suas atividades em WOS. A Dana, por exemplo, iniciou suas atividades no país via aquisição/JV ao adquirir, em 1957, participação na Albarus, empresa brasileira já consolidada no setor de autopeças. Dez anos depois, adquiriu o controle acionário da operação. Nesses casos, poderia também ser aplicada a teoria dos ativos complementares de Hennart no sentido que, para acessar os bens complementares de que precisava, em posse de grupos brasileiros, as mencionadas multinacionais firmaram parcerias com aqueles, e posteriormente, já com acesso consolidado e facilitado aos bens complementares (e, de outro lado, ainda de posse absoluta de seu próprio know-how), optaram por assumir integralmente o negócio de seus parceiros.
Cite-se ainda a AES, que iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma série de aquisições e JVs iniciadas em 1996 no setor de energia elétrica brasileiro, altamente regulado e recém saído de uma época de transformações e privatizações. Dentre aquelas, podemos citar as aquisições: de parte do capital votante da estatal Light, em 1996 (em um consórcio com a francesa Electricité de France -EDF e a estadunidense Houston Industries Energy) e da CEMIG, em 1997 (em outro consorcio com a também estadunidense Southern Eletric e o banco brasileiro Opportunity); da Companhia Centro-Oeste de Distribuição de Energia Elétrica (posteriormente, AES Sul), em 1997; do controle da Eletropaulo Metropolitana, em 1998 (em consórcio com a Houston, EDF
e a brasileira Companhia Siderúrgica Nacional - CSN); e da Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, em 1999 (posteriormente, AES Tietê). Por fim, em 2003, criou a holding Companhia Brasiliana de Energia, que controla os negócios do grupo, tendo como sócio o BNDESPAR.
Após tais aquisições, a AES realizou todas as operações no período por meio de greenfields. Percebe-se, assim, que a escolha inicial do grupo pela entrada via aquisições foi o modo encontrado para acessar os ativos locais dos quais precisava, tendo em vista a possibilidade de acessar, mais rapidamente, determinados requisitos regulatórios (como, no caso, licenças para exploração e distribuição de energia elétrica) essenciais às suas atividades, sendo que, nos anos seguintes, já de posse dos bens necessários à sua atividade, houve apenas uma consolidação de suas atividades no país.
4.2.2 Aquisições/JVs
Não obstante as explicações acima, verificou-se, no entanto, que alguns dos grupos, mesmo expandindo-se dentro das regiões onde já atuavam, realizaram JVs e aquisições. De fato, em operações realizadas de 2004 a 2013 dentro da mesma região, 25 foram aquisições e 40 JVs.
A realização dessas aquisições e JVs traz evidência de que, além da região, outros fatores podem ser subsidiariamente elencados como balizadores das escolhas de expansão das multinacionais. Mais especificamente, pela apreciação do contexto total das operações realizadas, incluindo outras características apresentadas no mercado local como as próprias de cada setor, verificamos que outros fatores podem dificultar o acesso das multinacionais aos bens complementares de que precisa, levando as empresas a optarem pela realização de aquisições e/ou JVs para acessá-los, como, por exemplo:
(i) dificuldades intrínsecas aos setores de atuação, como setores “pressionados” entre fornecedores e consumidores, ou regulados (que precisam da obtenção de licenças e autorizações),
Como exemplo, cite-se o caso da Dixie-Toga (Bemis), que, inicialmente, realizou sua entrada e consolidação no mercado nacional por meio de aquisições e JVs, como, por exemplo, a criação da Laminor em conjunto com a empresa finlandesa Huhtamaki e a aquisição de divisões de embalagem de outros grupos multinacionais (como Alcoa e Alcan, em 2004 e 2010).
Isso poderia ser explicado pelo próprio setor em que atua – sendo o elo “pressionado” da cadeia, entre fornecedores e clientes com alto poder de barganha (FIPE, 2008) – onde os fornecedores de matéria-prima e a rede de consumidores/distribuidores seriam ativos complementares de difícil acesso para novos entrantes, obrigando-os a consolidar-se por meio de aquisições e JVs.
Não obstante, cite-se ainda o caso da AES, atuante em setor regulado, que, como já mencionado, para entrar no mercado brasileiro realizou diversas aquisições e JVs, com grupos brasileiros e estrangeiros, e ainda da Alcoa, que para atuar no setor de energia, realizou JVs (Consórcio Machadinho, Consórcio Estreito Energia – CESTE e Maesa) e, para consolidar algumas atividades dentro do seu próprio setor, investiu em joint ventures como o Consórcio Alumar.
(ii) entrada da multinacional em novas atividades, que não a sua predominante
Mencione-se aqui as operações realizadas pela Cargill, atualmente o 5º maior exportador dentre as empresas localizadas no Brasil16 e, dentre as multinacionais
analisadas, a que mais realizou aquisições e operações em geral, tendo como uma das causas a própria competitividade e dinâmica do setor em que atua, que apresentou rápido crescimento nos últimos anos.
16 Fonte: MDIC/SECEX, 2013.
O grupo, quando investiu em atividades que não as onde predominantemente atua, realizou aquisições e joint ventures, como é o caso de seus investimentos em usinas de açúcar e álcool - quando realizou sua entrada nesse setor brasileiro via aquisições e JVs com o grupo brasileiro Moema, em 2006, para a construção da Usina Bom Jardim, com o pool de fornecedores de cana-de-açúcar Canagril, após a aquisição de parte da CEVASA e em 2007, com a Moema e outros fornecedores, na Usina Itapagipe e ainda com o grupo brasileiro USJ, após aquisição de participação nos negócios do grupo - e dos terminais exportadores (no TIS, firmou JV com os grupos brasileiros Crystalsev e Ultra, no Terminal Exportador de Álcool de Santos S.A., entrou por meio aquisição de uma participação em JV com a Cosan e a Crystalsev, no Terminal Exportador do Guarujá Ltda, firmou JV com o grupo francês Louis Dreyfus).
Cite-se aqui, novamente, as operações realizadas no setor de energia pela Alcoa, acima mencionadas, e ainda: da DOW, para consolidação no setor de produção de milho (com a aquisição da Agromen e Coodetec); e da DuPont, que realizou uma JV com o grupo estrangeiro Bunge para exportação e importação de commodities. Da mesma forma, nas empresas que atuam em setores com maior concentração (conforme Tabela 3.2, caso da extração mineral e metalurgia, energia elétrica, supermercadista e de eletrodomésticos, representados respectivamente pela Alcoa, AES, Wal-Mart e Whirlpool), exclusivamente com relação à expansão realizada dentro do próprio setor e região em que predominantemente atuam, percebeu-se igualmente movimento no sentido de realizar aquisições e JVs para entrar e se consolidar nos setores em que atuam e, posteriormente, quando já estão em posição dominante no mercado (e já plenamente possuidores dos acessos aos bens complementares locais), realizar basicamente investimentos greenfield.
Mostra-se aqui também que, mesmo mantendo suas características próprias (considerando seus FSAs) e mantendo-se na mesma região onde já atuam, nos casos apresentados, houve uma alteração na estratégia das empresas, causada pelas características dos mercados em que atuam, que determinam a facilidade ou dificuldade no acesso aos bens complementares de que precisam.
4.3 Outros resultados
Adicionalmente, as operações realizadas por alguns dos grupos também forneceram evidências às teorias tradicionais, no sentido de que o aumento de experiência da multinacional no país hospedeiro aumentaria também seu comprometimento, passando a realizar operações em WOS. Nesse quesito, citamos os casos da Dixie- Toga, Dana, Wal-Mart e Whirlpool, que iniciaram suas atividades por meio de JVs e, posteriormente, adquiriam o restante das participações das empresas e converteram suas atividades em WOS. Tal característica, porém, foi notada em quatro dos grupos analisados, sendo ainda que em alguns dos casos empresas com muitos anos de atividade no Brasil continuaram a realizar JVs (a exemplo da Cargill).
Tais resultados, no entanto, não anulam as evidências acerca da aplicação da teoria de Hennart. Em verdade, poder-se-ia dizer também que as duas correntes, nesses casos, são complementares - a experiência no país hospedeiro facilitaria o próprio acesso aos bens complementares locais, levando as multinacionais a estabelecer WOS, razão pela qual ambas as teorias se acomodam no caso concreto.
Já no que tange à teoria de Harzing (2002), notamos que empresas com produção mais “globalizada” apresentam, de fato, algumas características em sua expansão que as diferenciam de outras com estratégias mais “multidomésticas”. Percebe-se, nos casos analisados, que empresas como a Alcoa, Cargill, DOW e DuPont, mais exportadoras e com atividades globalizadas, tem maior tendência à realização de operações (JVs e aquisições) em âmbito mundial (ou regional, nas Américas, Europa etc.), que acabam por refletir de forma direta ou indireta nas operações no país hospedeiro. No entanto, com base na análise realizada, não foi possível confirmar a teoria de que tais empresas tenderiam a realizar greenfields ou vice-versa, ou que tenderiam, em sua expansão, a “voltar” ao modo de expansão de sua preferência.
5 CONCLUSÃO
Pela análise das operações realizadas pelos dez maiores grupos estadunidenses atuantes no Brasil no período de 2004 a 2013, pode-se concluir que as características dos mercados (regiões e setores) onde atuam são, de fato, cruciais à decisão de expansão e influenciam consideravelmente o modo pelo qual a expansão é realizada.
Tanto assim que as mesmas multinacionais vão escolhendo caminhos diferentes ao longo de sua expansão, a depender dos locais e objetivos pretendidos e do momento da operação – um mesmo grupo pode realizar sua entrada por greenfield ou aquisição, ou JV ou WOS, e realizar outras novas operações de expansão por métodos totalmente distintos dos inicialmente escolhidos (e não necessariamente o mesmo).
Verificou-se que, não obstante a escolha predominante das multinacionais analisadas ser expandir-se dentro da(s) mesma(s) região(ões) onde já atuam, as cinco operações de expansão realizadas para outras regiões foram aquisições, do que pode-se depreender que a entrada em uma nova região levaria a multinacional a ter que “conquistar” novos acessos aos bens complementares que precisa. Tendo em vista as características próprias do mercado brasileiro, e supondo que os bens complementares estavam, em sua maioria, “embutidos” dentro de outras empresas já atuantes, e ainda podiam ser facilmente integrados aos ativos já detidos, o método escolhido foi a expansão via aquisições.
Percebemos ainda que, para expansões dentro das próprias regiões onde já atuam, as multinacionais tendem a realizar greenfields, dado que, como já estão instaladas na própria região, não seria necessário “conquistar” novos acessos (embutidos em empresas já atuantes). No entanto, outros fatores também podem dificultar o acesso das multinacionais aos bens complementares de que precisa, como, por exemplo, dificuldades intrínsecas aos setores de atuação e a entrada da multinacional em novas atividades, que não a sua predominante, levando as empresas a optarem pela realização de aquisições e/ou JVs.
Assim, encontramos indícios de que a questão sobre a facilidade ou dificuldade no acesso aos ativos complementares necessários às atividades que pretende desempenhar, na forma da teoria dos ativos complementares elaborada por Hennart (2009), é, com efeito, um forte determinante da escolha do modo de realização dessas novas operações. As operações analisadas para a elaboração do presente estudo confirmam a teoria de Hennart, em especial no sentido de que a dificuldade no acesso aos bens complementares locais pelas multinacionais influencia efetivamente seu modo de expansão, levando-as a realizar aquisições e JVs para obter esse acesso.
Especificamente no caso das JVs, viu-se ainda que as JVs firmadas pelas multinacionais para viabilizar tal acesso aos bens complementares nem sempre possuem como contraparte grupos nacionais, podendo ser constituídas com outros grupos estrangeiros que já detenham acesso aos ativos complementares locais.
Por outro lado, de acordo com os resultados obtidos, não se pode, entretanto, dizer que as teorias tradicionais (que afirmam que o tempo de experiência da multinacional no país influenciaria o seu comprometimento nos países hospedeiros e, assim, as firmas tenderiam, posteriormente, ao estabelecimento de subsidiárias integrais) foram confirmadas, já que em apenas quatro dos casos pôde-se fazer tal afirmação. Tal resultado confirma, também, que a movimentação das multinacionais entre os quadrantes, a sua expansão, está muito mais relacionada à dificuldade ou facilidade no acesso aos bens complementares necessários às suas atividades.
Ademais, notou-se que as empresas com produção mais globalizada e com produção “multi-doméstica”, na forma do quanto definido por Harzing (2002), de fato apresentam estratégias diferentes quando da realização de sua expansão, não se podendo, no entanto, afirmar que tal diferenciação levaria à realização de mais aquisições ou greenfields por parte de uma ou de outra.
Mencione-se, por fim, que o presente estudo não tem como objetivo esgotar o tema pretendido, já que outros métodos, principalmente quantitativos, e outras variáveis podem ser utilizadas para chegar a conclusões mais generalizadas acerca da
compatibilidade da teoria dos ativos complementares com as atividades desempenhadas pelas multinacionais para expansão em território brasileiro.
Ainda, mencione-se como limitações do presente estudo o próprio período analisado, dado que é relativamente pequeno quando comparado ao tempo de atividade da maior parte dos grupos no Brasil (como nos casos da DOW, que entrou no Brasil em 1956, e da DuPont, em 1937), e assim, desconsidera todas as operações realizadas anteriormente (em uma possível fase de “aprendizado” e adequação às próprias características nacionais e regionais) e, ainda, o fato de que eventuais efeitos decorrentes do ambiente macroeconômico, brasileiro e internacional, foram desconsiderados.
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