2. İKİNCİ BÖLÜM ÜÇÜNCÜ YAŞ TURİZMİ
2.2. Üçüncü Yaş Turistler
2.2.2. Üçüncü Yaş Turistlerde Turizm Motivasyonu
2.2.2.3. Üçüncü Yaş Turistlerin Seyahat Motivasyonlarına İlişkin Çalışmalar
É possível perceber que o vocabulário é um aspecto importante no processo de ensino e aprendizagem e na comunicação. A proficiência em LE, segundo Read (2000), reside em explorar o conhecimento lexical e gramatical de maneira efetiva com foco na comunicação. Além disso, o autor afirma que os alunos devem mostrar que sabem usar palavras apropriadamente em seu discurso e em sua escrita, e não apenas entender o que uma palavra significa.
No entanto, os processos que envolvem a fala podem ser resumidos como o acondicionamento linguístico e discursivo de ideias que o falante quer expressar e assim, são múltiplos e complexos, conforme afirma Hilton (2008). Os psicolinguistas descrevem o planejamento conceitual e discursivo como um processo de ordem mais alta (higher-order), relacionado ao significado (meaning-related). Já os aspectos mais formais da codificação linguística, tais como a seleção lexical e a codificação morfossintática, são descritos como processos de ordem mais baixa (lower-order), de acordo com Hilton (op.cit.). Tais processos são altamente automáticos quando a produção oral é em língua materna (LM). Ou seja, segundo Hilton (op.cit., p. 153-154),
Em conversas do dia-a-dia em LM, por exemplo, não temos que „prestar atenção‟ em como vamos articular uma palavra, conjugar um verbo, ou posicionar um advérbio em um enunciado. Verificamos que, às vezes, podemos „procurar‟ uma palavra ou forma na língua que nos escapa por um momento, mas isso é relativamente raro, considerando-se milhares de palavras que produzimos em nossa LM diariamente.39
Dessa maneira, a complexidade da produção oral em LE pode estar atribuída à dificuldade com relação aos dados de caráter oral enfocados em pesquisas sobre vocabulário em LE. Além disso, cabe lembrar que as pesquisas são predominantemente conduzidas com relação à compreensão em leitura e à linguagem escrita em geral, segundo Read e Nation (2006), havendo, assim, a lacuna na área de proficiência oral e vocabulário.
No que concerne ao vocabulário na proficiência oral em LE, definida em termos de objetivos ou padrões para designar “a capacidade de usar a competência” (SCARAMUCCI, 2000, p. 12), pressupõe-se que ela abarca muito além dos conhecimentos linguísticos e psicolinguísticos. São consideradas ainda capacidades como a de negociação de significados e, também, a competência estratégica (TEIXEIRA DA SILVA, 2000).
A competência estratégica, conforme exposto anteriormente e de acordo com Canale (1983), é parte da competência comunicativa, juntamente com a gramatical, a sociolinguística e a discursiva. Dentre as quatro formas de competências propostas, é a competência estratégica que é acionada no momento em que o indivíduo apresenta desconhecimento de um determinado tópico de vocabulário ou problemas com as regras da língua.
Com relação ao estudo de Bachman e Palmer (1996), Read (2000) aponta que o conhecimento de vocabulário é um elemento expressivo em muitas outras categorias da língua que não a de vocabulário especificamente e assim faz parte do conhecimento sociolinguístico,
39 No original: In everyday conversation in our L1, for example, we do not have to „pay attention‟ to how we are going to articulate a word, conjugate a verb, or place an adverb in an utterance. We may occasionally find ourselves actively „looking for‟ a word or language form that momentarily escapes us, but this is relatively rare, considering how many thousands of words we produce in our L1 every day.
por exemplo. Em oposição ao conceito de conhecimento, Scaramucci (1995, p.81) cita a competência lexical como a incorporação dos vários aspectos do conceito rico de vocabulário em um mesmo conceito, adicionando aos níveis lexical, sintático, morfológico e semântico um nível discursivo-pragmático, que inclui a capacidade de uso. Scaramucci (op.cit.) ressalta que o conceito rico de vocabulário que fora outrora usado na literatura se referia à caracterização da competência lexical de um falante nativo, e ainda se constituía em um conceito estático por não se referir à capacidade de uso, estando restrito ao papel semântico e não o nível pragmático-discursivo.
A competência lexical é definida, de acordo com o Summer Institute of Linguistics40, como a “habilidade em reconhecer e usar palavras em uma língua do modo como os falantes dessa língua as usam”41
. Conforme exposto anteriormente, não basta que as palavras sejam conhecidas, mas sim que sejam usadas de forma adequada para que haja a competência lexical.
No entanto, para se medir essa competência, é necessário mencionar as medidas de vocabulário, que se baseiam em modelos implícitos dedutíveis e também reducionistas, nos quais conhecer uma palavra é conhecer um significado com formas equivalentes em duas línguas ou lembrar uma definição. Dessa maneira, consideram apenas a extensão do vocabulário do aprendiz (size) ou as palavras conhecidas e desconhecidas (breadth).
Scaramucci (op. cit.) apresenta o conceito de vocabulário rico de Richards (1976; apud SCARAMUCCI, op.cit.) que se constitui em uma tentativa de se ampliar o conceito reducionista e faz referência ao conhecimento lexical que incorpora vários aspectos do conceito rico de vocabulário, como os níveis lexical, sintático, morfológico, semântico, acrescentando um nível discursivo-pragmático bem como a dimensão de uso, considerando a interação entre a dimensão linguística e a de uso. Segundo a autora, a dimensão de uso enfoca
40
www.sil.org
41 No original: Lexical competence is the ability to recognize and use words in a language in the way that speakers of the language use them.
as habilidades necessárias ao acesso a significados de palavras por meio do reconhecimento automático ou não automático, ou seja, habilidades de decodificação, assim como procedimentos usados na construção do sentido.
Read (2000) considera conceitos como a densidade lexical, variação lexical e sofisticação lexical como os componentes de riqueza lexical (Lexical Richness), em uma visão global a respeito de procedimentos estatísticos para a análise de vocabulário. Posteriormente, Read e Nation (2006) afirmam que para se analisar a qualidade lexical, pesquisadores utilizam uma grande variedade de procedimentos estatísticos lexicais mais voltados para análise de textos escritos do que orais. Entretanto, tais procedimentos, segundo os autores, têm grande valor para a análise de características de produção oral de vocabulário do ponto de vista estatístico, pois podem proporcionar comparações úteis entre os níveis de proficiência de examinandos em situações de teste oral.
Assim, Read e Nation (op.cit.) apresentam os procedimentos que identificam as principais qualidades de vocabulário a serem medidas: a densidade lexical, a variação lexical e a sofisticação lexical.
A densidade lexical (lexical density), por exemplo, é operacionalizada como a proporção de palavras em um texto. Ou seja, dado seu caráter abstrato, é definida de forma a ser medida de uma maneira prática e, segundo os autores, tem sido usada para distinguir a densidade relativa entre textos escritos e textos orais, que normalmente tendem a ter uma porcentagem menor de substantivos, verbos e adjetivos.
A variação lexical (lexical variation), conforme afirmam Read e Nation (op.cit.) é simplesmente a proporção de palavras diferentes usadas em um texto. É uma maneira de se medir o termo frequentemente mencionado como Vocabulary Range, traduzido neste estudo por abrangência de vocabulário. Tradicionalmente, calcula-se a variação lexical por meio do
método type-token ratio, no entanto, os autores advertem que esse método apresenta um problema acerca da suscetibilidade em se medir textos de extensões diferentes.
A sofisticação lexical (lexical sophistication) é definida como a porcentagem de palavras de baixa frequência, também conhecidas como incomuns ou raras (READ, op.cit., p. 200). Uma das maneiras de se examinar a sofisticação lexical é pela medida Beyond 2000 de Laufer (1995), que se refere à porcentagem de palavras em um texto que não estão entre as 2.000 mais frequentes da língua. Outra maneira de se investigar as palavras utilizadas por examinandos é pelo programa RANGE, utilizado nesta pesquisa, que produz um perfil do vocabulário de um texto, transcrito a partir de gravações, baseado no nível de frequência. É neste tipo de procedimento estatístico para a análise lexical que esta tese se baseia, pois considera-se a frequência das palavras no sentido de que quanto mais palavras de baixa frequência são utilizadas, mais sofisticado é o vocabulário, em contrapartida, as palavras de alta frequência correspondem a um vocabulário menos sofisticado e portanto mais comum.
Dentre outros procedimentos amplamente utilizados em pesquisas do gênero, cabe citar o corpus CANCODE, desenvolvido entre 1994 e 2001 pela Cambridge University Press e a Universidade de Nottingham, no Reino Unido, conta com dados gravados a partir de contextos orais informais na Grã-Bretanha e Irlanda. Nos estudos sobre a elaboração do corpus, McCarthy (1998) e Adolphs e Schmitt (2003) afirmam que o conhecimento de 2.000 Famílias de palavras contribui para que um aluno consiga estabelecer uma comunicação simples. Já o conhecimento de 3.000 Famílias de palavras é o ideal para que o aluno tenha uma boa base para falar em inglês com proficiência.
Portanto, é importante ressaltar que esta pesquisa considera os aspectos que envolvem o conceito de vocabulário rico, que de acordo com Read (2000) envolve a densidade, a variação e a sofisticação lexical, bem como o conceito de Scaramucci (1997) que reúne vários aspectos do conceito rico de vocabulário, como os níveis lexical, sintático, morfológico,
semântico, com um nível discursivo-pragmático na dimensão de uso, e que assim considera a interação entre a dimensão linguística e a de uso.
Na dimensão de sofisticação lexical, que envolve a frequência de palavras utilizadas, a análise estatística desenvolvida neste estudo para avaliar a competência lexical fez uso do programa RANGE, que compara textos com listas bases de vocabulário que trazem, cada uma, 1.000 palavras mais frequentes da LI. Os detalhes desse programa estão descritos no capítulo de metodologia da pesquisa.
No entanto, é importante assinalar algumas considerações teóricas a respeito das três categorias de contagem deste programa, denominadas de Tokens, Types e Families. De acordo com Singleton (2000), Read (2000), Leech, Rayson e Wilson (2001), os Tokens são todas as palavras e expressões que aparecem no texto e sempre que aparecem são contadas; os Types correspondem às palavras ou expressões que são contadas somente uma vez, não importando quantas vezes elas apareçam no texto; e as Families, categoria em que se conta somente a base da palavra, como em um dicionário, não importando tempo verbal e derivações, e assim são contadas somente as raízes das palavras, de forma a indicar quantas palavras diferentes o aluno realmente utilizou.
É possível concluir que o vocabulário é um dos aspectos fundamentais da língua, sendo também um dos aspectos básicos da comunicação e um componente necessário para o desenvolvimento do aluno de LE. Assim, nas próximas subseções, apresenta-se uma breve discussão a respeito do lugar do vocabulário no processo de ensino e aprendizagem, bem como na avaliação de proficiência oral.