1.2.3. Geçmişi Kaydetmek: Açıklamalar ve Bakış Açıları
1.2.3.1.1. Öyküleme Metin Tipi
Têm-se aqui dois casos interessantes na trajetória das municipalizações. No primeiro, MHFP Monteiro Lobato, nota-se quanto sua temática e patrono alcançaram apropriação por sua comunidade local, a ponto de os gestores municipais optarem pela permanência de sua nomenclatura à época da doação do acervo a Taubaté. Quanto ao segundo, MHP D. Pedro I e Dona Leopoldina, observa-se a vontade municipal de obter a posse de seu acervo, visto que aceitou passar por duas longas etapas da municipalização (a primeira, no início dos anos 2000).
Ambas as instituições, como acima mencionado, possuem quadro de profissionais significativo, diferentemente do que vigora nos demais museus desta rede e, da mesma forma, tal pessoal é provido unicamente pelas Prefeituras Municipais. Quanto à sua dotação orçamentária, imprescindível à estruturação destes museus, ambos contam com tal auxílio dos entes de gestão municipal e, embora necessitem de muito mais recursos, possuem o mínimo necessário para o desenvolvimento de suas atividades museológicas. Sobre sua frequência de visitação, há também resultados satisfatórios nos últimos anos. No entanto, quais destes fatos seriam frutos diretos da municipalização?
É certo que o fato de deter a posse legal de seus acervos dá a estas instituições, por um lado, legitimidade legal para investimentos municipais visando à sua conservação e salvaguarda. Do mesmo modo, fornece legitimidade, também, para a
158 | P á g i n a deliberação sobre o destino destes acervos, sua gestão, cuidados e formas de extroversão. Por outro lado, a posse efetiva destas coleções ratifica a responsabilidade dos municípios em prover seu sustento e cuidados, como a contratação de funcionários e suprimento de materiais e equipamentos necessários à sua salvaguarda. Além de tudo, a posse destes acervos pelos municípios viabiliza que a comunidade local tenha maior influência sobre as deliberações ligadas a seu patrimônio, bem como tenha acesso à gestão direta destes museus, facilitando a realização de suas reivindicações e cobranças aos gestores sobre melhorias nestes equipamentos culturais. Certamente, são ganhos expressivos para a gestão destes acervos.
Todavia, ao que tudo indica, as consequências advindas da municipalização, nestes dois casos, trata-se muito mais das mudanças ocasionadas pelo processo das doações em si, do que de seus resultados finais, ou seja, a transmissão da posse legal dos acervos estaduais aos municípios. De fato, ambas as instituições museológicas já haviam sido absorvidas pela gestão municipal antes das tratativas de municipalização, como aconteceu com praticamente todos os Museus Históricos e Pedagógicos do Estado.
No caso do Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico Monteiro Lobato, que desde a década de 1980 foi absorvido informalmente pela gestão municipal, mais importante do que os resultados da assinatura do termo final de doação do acervo, em 2013, foi o que precedeu esta municipalização. O processo, neste caso, entendido como as etapas necessárias à realização da doação, ligadas tanto às questões técnicas de estruturação da instituição para recepção de fato do acervo estadual, bem como aos procedimentos que envolveram diálogo e sensibilização dos gestores municipais às causas museológicas e chamaram a comunidade a discutir sobre o destino deste acervo.
A administração por meio de uma OS, sem sombra de dúvida, preparou a instituição para a recepção e gestão do acervo estadual; por meio das ações desenvolvidas entre 2008 e 2011, ligadas à estrutura física do museu, ações de comunicação, conservação, documentação e capacitação dos profissionais locais, instrumentalizou o museu, fortaleceu-o e qualificando-o para que, nesse momento de transição da gestão permanecesse firme e continuasse, por intermédio de seus próprios artifícios e métodos, oferecendo um trabalho de qualidade à comunidade. Segundo entrevista cedida por Maria Cristina Lopes, o maior impacto da administração
159 | P á g i n a do MHFP Monteiro Lobato por uma OS foi a profissionalização que esta última trouxe à instituição.
Em relação à municipalização, no dizer de Tina Lopes, tratou-se da simples formalização “por direito”, de uma situação que já existia “de fato” há muitos anos. No entanto, trouxe um impacto político positivo, diretamente ligado aos diálogos entre município e Estado sobre as necessidades e futuro do museu. Da mesma forma, as tratativas e realização da audiência pública para deliberação sobre o aceite, ou não, do acervo estadual pelo município, acarretou um olhar mais atento dos munícipes e órgãos públicos envolvidos, ponto muito positivo à instituição, sendo que esta precisa constantemente de apoiadores e parceiros no município para a continuidade de suas atividades e sua melhoria.
No caso do Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e Dona Leopoldina, que está passando pelos trâmites de municipalização pela segunda vez, nota-se também que já há muito foi absorvido pela gestão municipal, porém, após sua primeira etapa de municipalização, no início dos anos 2000, passou a receber maior atenção por parte da Prefeitura. Tal fato se torna nítido quando são avaliados os relatórios de atividades da instituição, antes mesmo da finalização de seu último restauro e reabertura ao público (2008), onde há registros de todas as ações desempenhadas pela Prefeitura Municipal de cuidados prediais, infraestrutura para os funcionários, contratação de estagiários, contratação de serviços especializados para documentação do acervo, agenda cultural e dotação orçamentária fixa.
Atualmente, os reflexos da nova etapa de municipalização, chamada de “regularização”, assim como no MHFP Monteiro Lobato, ligam-se muito mais ao processo da doação do acervo do que à sua formalização legal. Por ocasião da retomada de tal processo, a instituição passou a manter maior contato com o Sistema Estadual de Museus, reabrindo um canal de diálogo entre Estado e município. Também nesse momento, visando a fortalecer e estruturar a instituição para a conclusão desta transição de gestão, participou do projeto de assessoramento técnico do SISEM-SP, resultando na concepção de um planejamento museológico em 2012.
Há ainda uma série de mudanças que vêm sendo observadas nas instituições museológicas que estão passando pela municipalização e, entre elas, a possibilidade que tal processo vem abrindo da constituição de um corpo funcional técnico estável, ou seja, o provimento de cargos efetivos para o trabalho nos museus, algo raro no
160 | P á g i n a contexto atual destas instituições do interior paulista. Tais instituições normalmente são equipadas com funcionários provenientes de diversas áreas do funcionalismo público municipal, e na maioria dos casos tais profissionais não possuem formação na área museológica, nem mesmo em disciplinas correlatas.
Nos dois casos aqui analisados, a inserção de cargos efetivos para os museus no quadro das prefeituras ainda não foi possível, mas em Taubaté já há tratativas para tal ação. Há outros casos, que no momento não foram estudados pela limitação de tempo, mas pode-se mencionar o exemplo do MHP Dr. Cesário Motta Júnior (Capivari), cujo termo de doação final do acervo estadual ao município foi assinado recentemente, em maio de 2014. Esse MHP, desde o início da retomada de sua municipalização, em 2010, foi concebido por decreto municipal como um museu para receber o acervo do Estado, e nesta ocasião conseguiu inserir um corpo técnico básico ao museu. Meses depois, o município conseguiu promover um concurso público e contratou, como corpo estável da prefeitura, uma técnica em museu e um historiador.
Tal fato se mostra de extrema importância a essas instituições, pois um de seus maiores problemas é a instabilidade de seus funcionários e a falta de capacitação museológica, inviabilizando assim o amadurecimento e qualificação de suas ações.
De maneira geral, toda a articulação gerada entre municípios, seus gestores de museus e Secretaria de Estado da Cultura, exigida pelo processo da municipalização, embora alcance resultados diversos em cada município, tem se apresentado, na maioria dos casos, positiva. Obviamente, não se pode ignorar que há outras políticas no âmbito museológico que vêm favorecendo esta discussão sobre os museus brasileiros, sua importância, necessidades e, acima de tudo, profissionalização. Experimenta-se um momento muito fecundo para tais discussões nos últimos anos, desde a criação do Instituto Brasileiro de Museus em 2009, do Estatuto de Museus também neste ano, e mais recentemente, a regulamentação do estatuto em 2013.
161 | P á g i n a
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora muito já tenha sido dito aqui, ainda são necessárias algumas reflexões sobre o processo de municipalização dos Museus Históricos e Pedagógicos, analisando seus possíveis impactos e mudanças nestes museus paulistas.