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Örgütsel İletişimin Örgütsel Bağlılık Üzerindeki Etkilerine Yönelik

3.3. BULGULAR VE YORUMLAR

3.3.4. Varsayımlara İlişkin Bulgular

3.3.4.2. Örgütsel İletişimin Örgütsel Bağlılık Üzerindeki Etkilerine Yönelik

A segunda atividade exploratória foi realizada com um grupo distinto daquele que participou da primeira atividade relatada, mas pertencentes à mesma faixa etária (de 14 a 16 anos) e ao mesmo nível de escolarização (cursando o 1º ano do Ensino Médio).

Foi solicitado aos estudantes que fizessem um trabalho de expressão artística

autoral, com características do movimento expressionista24 e cujo tema ou conteúdo

fosse pertinente ao século XXI. A escolha pelo movimento expressionista foi devida ao fato de que ele já havia sido estudado anteriormente em classe e, portanto, esta produção seria usada como avaliação dos conteúdos trabalhados.

Os alunos poderiam escolher entre várias linguagens artísticas tais como: desenho, fotografia, pintura, escultura, música, teatro, literatura, vídeo, performance, dança. Os elementos das obras tanto poderiam ser criados pelos alunos como ser pesquisados em fontes diversas e usados em uma montagem, contanto que se identificassem as fontes de pesquisa. Deveriam usar linguagem conotativa em suas obras e poderiam trabalhar individualmente ou em grupo sem definição de limite de componentes.

24 O Expressionismo como movimento artístico refere-se à arte alemã do final do século XIX e início do século XX, possui obras de conteúdo geralmente negativo e uso de uma linguagem simbólica para representar a realidade, mas como corrente estilística “... o Expressionismo funda-se sobretudo na intensificação de nossas emoções. Podemos - em certos períodos culturais ou mesmo em visões pessoais – querer comunicar este estado de exaltação” (OSTROWER, 1984, p.316).

Foi explicado ao grupo que a avaliação seria feita da seguinte forma: o trabalho seria exposto e o autor não se manifestaria enquanto os outros alunos não autores estivessem relatando suas impressões sobre o mesmo, voluntariamente ou a partir de minha indicação. Estes deveriam responder a algumas questões básicas: primeiramente, se consideravam que o trabalho em questão se adequava à estética expressionista, segundo as características do movimento artístico. Se a resposta fosse afirmativa, o aluno com a palavra deveria identificar o tema do trabalho em avaliação e as possibilidades simbólicas do mesmo.

Abaixo foram reproduzidas duas das diversas imagens trazidas como produções para a proposta:

Figura 55: desenho de autoria de estudante Figura 56: montagem fotográfica de autoria de estudante

A figura 55 foi associada ao tema da destruição do meio ambiente e a figura 56 à fome na África, assuntos que os alunos consideraram pertinentes à realização de uma obra com características expressionistas, por serem negativos e permitirem abordagens conotativas e emocionais.

Ainda nesta etapa, não foram aplicados questionários. Os objetivos desta atividade foram verificar os seguintes aspectos:

- as melhores formas de exposição das imagens coletadas pelos estudantes, para que fossem apreciadas sem interferências que modificassem a visualização clara e nítida das mesmas;

- o espaço físico em que a pesquisa seria realizada, para que todos os estudantes visualizassem de forma semelhante as imagens, de modo que possíveis

distorções decorrentes da posição em que os mesmos se encontrassem durante as sessões não produzissem mudanças na visualização das mesmas;

- o nível de proficiência em leitura de imagens que os estudantes teriam que apresentar para que as atividades ocorressem de forma adequada e não fossem prejudicadas pela necessidade de serem instrumentalizados para isso no decorrer da pesquisa;

- o nível de ruído suportável para que os discursos gravados fossem perfeitamente audíveis e transcritos.

- os períodos mais favoráveis às sessões, isto é, que disposição das aulas no cronograma semanal favoreceria a participação dos alunos.25 Verificou-se que as

aulas mais adequadas eram as segundas e terceiras aulas do dia, quando os estudantes se mostravam menos dispersos que nas aulas iniciais ou finais do período de estudo;

- quais seriam as atitudes de um novo grupo de estudantes no ambiente de discussão dirigida em grupo e se as observações e métodos usados com o primeiro grupo seriam válidos com o novo grupo;

- se a mudança de espaço da pesquisa modificaria o desenvolvimento da atividade. Para esta atividade foi ocupada uma sala de aula cuja área era aproximadamente metade da área da sala de aula usada na primeira atividade, levando os adolescentes a se sentarem muito próximos uns dos outros e também mais próximos à parede onde as imagens foram projetadas em relação ao primeiro grupo. Este espaço se revelou mais adequado, favorecendo a escuta dos depoimentos dos participantes e criando um clima mais amigável de proximidade física entre os adolescentes, o que facilitou a realização das discussões.

- como os estudantes se comportariam ao ter seus discursos registrados em um gravador. As falas foram gravadas pelos próprios estudantes empunhando o gravador que também foi posicionado, algumas vezes, no centro da sala. Já que configurava uma situação inédita em aula, a gravação foi um evento que fez alguns estudantes se mostrarem um pouco constrangidos com o uso do gravador enquanto que outros manifestaram muito entusiasmo com a utilização do mesmo. Com a

25 A organização das aulas nesta escola se dá na seguinte forma: cinco aulas diárias, sendo três aulas das 7h20min às 9h50min, seguidas de um intervalo de vinte minutos, e mais duas aulas das 10h10min às 11h50.

repetição do uso do gravador nas sessões, sua presença foi se tornando mais aceita e até natural nas aulas.

Depois que as condições de interferência na pesquisa foram avaliadas procedeu-se à segunda etapa, ou seja, pesquisa-ação propriamente dita, que é o tema do próximo capítulo.

CAPÍTULO 5

PESQUISA DE CAMPO PROPRIAMENTE DITA

5. 1. Desenvolvimento da pesquisa de campo

A pesquisa de campo propriamente dita foi composta por três etapas distintas: a primeira realizou-se a partir da seleção espontânea de imagens pelos estudantes; a segunda etapa utilizou imagens relacionadas a temas elencados em classe, e a terceira fase baseou-se em ilustrações dos livros didáticos.

Inicialmente houve a seleção dos estudantes que apresentavam boas condições para participar da pesquisa. Diferentemente das turmas que integraram as atividades exploratórias de 2012, os grupos que participaram da pesquisa em 2013 não foram escolhidos aleatoriamente entre as sete turmas de 1º ano de Ensino Médio que a escola oferece, mas selecionados segundo critérios observados após um mês de aulas: frequência e participação em classe. Além disso, demonstravam um relacionamento amistoso entre si, o que facilitou o entrosamento dos grupos e a realização da pesquisa.

Estes aspectos que talvez pareçam insignificantes e desnecessários para quem não é familiarizado com o ambiente escolar podem inviabilizar uma pesquisa, o que de fato ocorreu quando a mesma foi proposta a estudantes da mesma faixa etária e grau de escolarização de uma escola de ensino médio da Secretaria Municipal da Educação, onde a frequência irregular dos estudantes prejudicou o desenvolvimento do trabalho.

Após a seleção das turmas participantes, os estudantes foram informados sobre a pesquisa e sobre os critérios pelos quais eles haviam sido escolhidos. Alguns adolescentes questionaram sobre qual seria a finalidade do trabalho, indagando se o mesmo seria para alguma instituição ou para algum tipo de curso.

Foi esclarecido que a pesquisa era destinada a incorporar um trabalho de doutorado em Educação e que seriam observadas as identificações motivadas pelas imagens e as possíveis interferências que o consumo de imagens traria para a formação das identidades adolescentes. Para tanto seria feito um trabalho de seleção e leitura de imagens.

Informou-se ainda que a participação não era obrigatória e que se algum dos estudantes não desejasse participar poderia recusar-se sem nenhum prejuízo para suas avaliações e notas, uma vez que as atividades da pesquisa, embora fizessem

parte do programa curricular enquanto leitura de imagens, não seriam utilizadas para fins de avaliação formal do processo de ensino aprendizagem em artes.

Apenas uma das estudantes declarou que não gostaria de participar da pesquisa e questionou se poderia se retirar das aulas durante a realização das atividades, o que não foi possível devido ao regimento próprio escolar. Esta adolescente, apesar de não responder aos questionários nem trazer as imagens solicitadas participou ativamente das discussões durante as sessões de leitura de imagens.

Posteriormente, durante o processo da pesquisa de campo, a maioria dos alunos se mostrou muito participativa e receptiva, demonstrando um grande envolvimento com a mesma, trazendo muitas imagens sempre que solicitados, respondendo aos questionários, colaborando com a organização dos debates e ouvindo a argumentação dos colegas.

Depois desta pequena apresentação foram distribuídas aos estudantes participantes uma autorização onde os mesmos concordavam com os termos da pesquisa e pedia também a concordância de seus responsáveis para a realização da mesma (anexo A).

Foram realizadas inicialmente, algumas atividades de leitura de imagens variadas, relativas ao conteúdo que estava sendo trabalhado no início daquele ano: símbolos, logotipos e logomarcas de empresas e seus possíveis significados. As figuras abaixo são exemplos dos exercícios mencionados:

Figura 57: símbolo e logotipo do governo do

Alguns estudantes apresentam dificuldade em distinguir significados simultâneos numa mesma imagem e essa é uma competência a ser desenvolvida também na escola já que uma boa leitura depende de intertextualidades e quanto mais conhecimento o sujeito possuir, mais leituras ele poderá fazer de um determinado texto imagético.

Mesmo no caso de imagens como as das figuras 57 e 58, cujos significados

são relativamente evidentes, alguns necessitaram de mediação para “ver” na figura

57 as imagens simultâneas da bandeira e do mapa geometrizado de São Paulo. Talvez isso se deva a uma forma de “desidentificação” ou identificação negada, porque as imagens remetem ao governo do estado de São Paulo e os adolescentes relataram uma certa aversão à “política” como tema. Para os estudantes, a política foi associada a valores negativos, e portanto a logomarca do governo do estado seria também “ruim” e pobre de significados. O mesmo não ocorreu com a figura 58, que apresenta um contexto com o qual vários estudantes se identificaram: a ideia de solidariedade e de proteção.

A figura 58, mesmo apresentando problemas na apresentação dos elementos26, foi mais facilmente decodificada do que a figura 57, formalmente

impecável. Observa-se que os valores de identificação foram mais relevantes na leitura do que a clareza das composições formais das ilustrações:

De uma coisa nos apercebemos em definitivo, a interpretação da imagem (facto de conferir um sentido à imagem) não se reduz a decifração de seu conteúdo, mas é fortemente condicionada pela relação do sujeito com os objetos, pelos preconceitos que esta relação implica e pelo potencial de encanto do dispositivo de acesso à própria imagem (JOLY, 2002, p. 67).

As atividades acima descritas visavam instrumentalizar os estudantes para o trabalho específico com as imagens da pesquisa, sem ser necessário desenvolver essa competência durante a realização das sessões de leitura com as imagens selecionadas pelos participantes e duraram aproximadamente seis aulas.

Após a devolução das autorizações dos responsáveis, a pesquisa propriamente dita foi iniciada de fato com a solicitação de que os estudantes preenchessem o

26 O quadrante superior esquerdo representa o noroeste do mapa da África mas não corresponde a nenhum elemento relacionado à representação da criança do quadrante inferior esquerdo.

questionário para o levantamento dos dados biográficos e de preferências culturais (anexo C), cuja tabulação e análise encontra-se no subcapítulo 4.3, denominado “Amostra”.

Abaixo foram reproduzidas e analisadas algumas imagens, que não permitem a identificação dos adolescentes que as trouxeram, e seus respectivos comentários, dos quais foram mantidas as grafias originais dos estudantes.