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3. Türkiye’de Ekonomik Elit Davranışları ve Bir Ekonomik Seçkinler

3.1. Bağımsız Ekonomik Seçkinler Kurumu Olarak TÜSİAD’ın

3.1.1. Yeni Örgütlenme Arayışları

“O amor pelas prostitutas é a apoteose da empatia pelas mercadorias”.

(Walter Benjamin (s.d.) apud RAGO, 1991, p, 31).

Nas sessões anteriores o tema prostituição foi retratado de uma maneira histórica com suas implicações ao logo dos tempos. Esta temática merece ser estudada e pesquisada, principalmente, de modo a desmitificar tabus e preconceitos que pairam sobre as prostitutas. A prostituição teve e tem conotações diferentes ao longo dos tempos em cada sociedade distinta.

A prostituição não pode ser caracterizada como um trabalho comum. Ela existe pelo fato de uma classe pagante tornar a mulher objeto de prazer, e esta por sua vez, que é fruto de uma pobreza crônica, sujeita-se. Algumas mulheres optam pela prostituição, mas de uma forma geral, são poucas que têm autonomia de si mesmas, na medida em que a subjetivação da sua identidade é socialmente transformada.

A sociedade ocidental construiu a prostituição como algo imoral e que deve ser reprimido e execrado da sociedade. De acordo com Simmel (1993), em alguns países, tendo determinadas regiões da África como exemplo, as mulheres se ofereciam por dinheiro para formar um dote. Esse mesmo costume ainda é válido atualmente e não é caracterizado como desrespeito a elas, assim como na Grécia Antiga. Corroborando Simmel (1993), Silva (2011, p. 6) afirma que: “Temos aí, resquício de um estado antigo da sexualidade ainda não regulamentada, a ideia de que cada mulher pertence à etnia em sua globalidade e, portanto, entregar-se a vários homens faz parte de um costume e de uma conduta altamente elevada na ordem moral”.

Rago (1991) e Simmel (1993) buscam hipóteses para o ingresso de mulheres na prostituição nos países desprovidos culturalmente da ideia legal da prostituição. Rago (1991, p. 21) afirma que

as figuras polarizadas da prostituta que emergem na documentação – de um lado a meretriz vitimizada pelas condições econômicas adversas e por um destino implacável; de outro a femme fatale, que, embora não seja originalmente prostituta, é frequentemente associada a ela para designar a cortesã poderosa e cruel.

A esta visão, Rago (1991, p. 21) enfatiza dizendo que a mulher se prostitui para complementar “[...] o salário miserável ou porque não tem qualificação profissional –

campo de atuação da prostituta-vítima. Ou trata-se nas análises psicologizantes de algum caso patológico: traumas de infância, complexos de edipianos mal resolvidos e sexualidade exuberante”.

Ao tentar compreender os motivos que levam uma mulher a se prostituir, Simmel (1993), elenca um quadro de vulnerabilidades a que estão sujeitas essas mulheres, como falta de recursos, ausência de educação moral ou mau exemplo do ambiente familiar, entre outros. Desse modo, estes fatos instigam uma mulher a se prostituir e ser discriminada pela sociedade. No entanto, paradoxalmente, o autor enfatiza o fato de esta mesma sociedade ser mais tolerante com a prostituição superior, ou seja, aquela em que mulheres refinadas prestam serviços à alta classe.

Silva (2011, p.7), ao citar os estudos de Simmel (1993), observa que

[...] a indignação moral da “boa sociedade” com a prostituição deve ser vista como uma hipocrisia social que, ao mesmo tempo em que impele alguns grupos a se sacrificarem “na e pela sociedade”, relega- os ao invisível ou ao fardo da exclusão social, cuja única visibilidade gira em torno da imoralidade a eles atribuída e, por consequência, da marginalidade ou da criminalidade que a lei a serviço da sociedade burguesa não hesita em construir como reflexo de seus valores. Assim, a “boa sociedade” louva, ainda que de forma camuflada, a necessidade social da prostituição, concebendo-a como um “mal necessário” que atende a satisfação sexual das “pulsões pré-nupciais” do gênero masculino, enquanto preserva a sexualidade intocável das futuras esposas.

Rago (1991, p. 20) compactua com esta afirmativa ao dizer que: “somos levados a pensar que as “mulheres públicas” nunca foram importantes para a sociedade, a não ser na função de garantir a ordem na desordem das paixões, sem muita publicidade”. Esse pensamento vem de tempos atrás; Rago (1985) observa que, com a vinda das meretrizes francesas ao Brasil, no final do século XIX, o papel da prostituta ganhou ares renovados. A prostituta, com sua imagem monstruosa, cede espaço à figura necessária ao cumprir um dos objetivos da época, que era preparar o jovem burguês para o casamento com moças recatadas da sociedade. Desta forma, o papel da prostituta é construído socialmente de acordo com os interesses vigentes. Ora é necessário, ora é descartado. Simmel (1993, p. 6-7), neste sentindo, faz a seguinte afirmação:

[...] um homem compra uma mulher por dinheiro, vai-se um pouco do respeito devido à essência humana; e nas classes ricas, onde tal prática é cotidiana, é esse fato, sem dúvida, uma poderosa alavanca da presunção que a posse do dinheiro gera, dessa mortal ilusão a respeito de si que leva a pensar que tal haver confere à personalidade como tal um preço qualquer, ou um sentido interior. Essa total deformação de valores, que cava um abismo cada vez mais intransponível entre o possuidor e a pessoa obrigada a deixar-se comprar, é a sífilis moral que decorre da prostituição [...].

Independentemente dos diversos fatores que levam um homem a pagar por uma mulher, o que merece atenção, no caso as prostitutas ocidentais, que se prostituem por dinheiro e não por costume, como em outras civilizações, é a maneira que a sociedade as trata. Corroborando as ideias de Simmel (1993), Rago (1985 e 1991) e Silva (2011), a prostituição, neste caso, precisa ser vista como uma hipocrisia social: “[...] ao mesmo tempo em que impele alguns grupos a se sacrificarem “na e pela sociedade”, relega-os ao invisível ou ao fardo da exclusão social [...]” (SILVA, 2011, p. 7), sendo que a única visibilidade gira em torno da imoralidade a elas atribuída e, por consequência, da marginalidade ou da criminalidade que a lei a serviço da sociedade burguesa não hesita em construir como reflexo de seus valores.

Se no cenário do século XIX a prostituta era vista como um mal necessário, como Rago (1991) afirma, há uma vaga alteração neste quadro no século XXI, pelo fato delas estarem lutando por seu espaço na sociedade, apesar de ainda, esta mesma sociedade, de forma camuflada, enaltecer a necessidade social da prostituição. Se a virgindade das moças casadouras não é mais tão valorizada na sociedade ocidental, como em outras épocas em que a prostituta cumpria muito bem este papel, ainda hoje ela é importante no comércio lucrativo sexual.

Mesmo que a mentalidade da sociedade tenha mudado com relação à iniciação sexual dos jovens, há ainda frequentes casos de rapazes que procuram prostitutas para essa iniciação e, ainda segundo Simmel (1993), mesmo que seus estudos datem do final do século XX, enquanto houver instituído que o casamento seja monogâmico com a obrigação de fidelidade, haverá prostituição: “É só com o amor plenamente livre, quando caducar a oposição entre legitimidade e ilegitimidade, que não se precisará mais de pessoas especiais dedicadas à satisfação sexual do gênero masculino” (SIMMEL, 1993, p.10). Visão, esta, que descarta a prostituição por opção e que a concebe apenas como objeto submisso aos meros prazeres de uma sociedade capitalista, preconceituosa e que despreza as conquistas femininas, tanto em âmbito social quanto sexual. A

prostituição é compreendida, segundo Alves (2010), como inquisidora da ordem oficial, uma possibilidade de se revelar. No entanto, a pressão social e as normas reduzem a prostituta a um ser inferior, apedrejada quando ousa romper com as estruturas sob o discurso machista:

Discutir a condição da mulher e os desafios impostos pela sociedade à luta das mulheres pela igualdade começou a ser possível a partir de 1949, quando Simone de Beauvoir escreve O segundo sexo. Não se tratava mais de conquistar direitos civis para as mulheres, mas antes descrever sua condição de oprimida pela cultura machista, de revelar os mecanismos psicológicos e psicossociais dessa marginalização e de projetar estratégias capazes de proporcionar às mulheres uma liberação integral, que incluísse também o corpo e os desejos (ALVES, 2010, p.1).

Ao analisar o papel das mulheres na sociedade, Alves (2010), ao referenciar Beauvoir, em seu ensaio O segundo sexo (1949), que é um ensaio crítico imprescindível para compreensão do histórico movimento feminista e o debate sobre a diversidade do gênero, enfatiza a análise em que a autora examina a condição feminina em todas as suas dimensões: sexual, psicológica, social e política, propondo, assim, caminhos que possam levar à libertação das mulheres. É um debate sobre a situação da mulher, vislumbrando interpretações acerca de preconceitos associados à noção de identidade. Uma destas interpretações diz respeito à situação e ao direito das prostitutas e o respeito que se deve a elas, analisando a construção social da mulher como o outro, onde a mesma identifica como sendo fundamental à opressão da mulher. Ao falar das prostitutas e hetairas, por exemplo, a autora afirma que o casamento tem como correlativo imediato a prostituição:

Esposa ou hetaira só conseguem explorar o homem se assumem uma ascendência singular sobre ele. A grande diferença entre elas está em que a mulher legítima, oprimida enquanto mulher casada, é respeitada como pessoa humana, esse respeito começa a pôr em xeque a opressão. Ao passo que a prostituta não tem os direitos de uma pessoa; nela se resumem, ao mesmo tempo, todas as figuras da escravidão humana. (BEAUVOIR, 1980, p.324).

Dessa forma, de acordo com Beauvoir (1980), a mulher casada e a prostituída se diferem na forma como a sociedade as concebem, pois as duas estão à mercê das imposições de seus homens, uma fazendo em nome de uma relação contratual e a outra recebendo financeiramente pelos serviços sexuais a que ambas estão submetidas.