I. BÖLÜM 17
2.1. İnsan Kaynakları Yönetiminde İşgören Bulma ve İşgören Seçim Süreci 32
2.1.5. Örgüt İçi İş Yaşamı 61
2.1.5.6. Örgüt İklimi Ve İş Yaşamı 65
Abelhas são organismos fundamentais para a sobrevivência dos seres humanos, ao exercerem a função ecológica de polinização, importante tanto para a produção de alimentos, como para a reprodução de populações vegetais não cultivadas, um “serviço ecossistêmico” descrito na literatura como criticamente ameaçado (KLEIN ET AL., 2007; KEASAR, 2010). Estima-se que os benefícios econômicos advindos do serviço de polinização de espécies agrícolas por insetos estejam na faixa de € 153 bi (KEASAR, 2010).
Outra atividade exercida pelas abelhas de grande importância para a economia e a ecologia humana é a produção de mel. Apesar de produzirem quantidades bem inferiores do que as fabricadas por Apis mellifera Linnaeus, o mel das abelhas nativas sem-ferrão (também conhecidas como meliponíneos) é muito apreciado no Brasil, tendo grande valor para as culturas locais, em especial para as culturas indígenas, sendo secularmente utilizado pelos sistemas medicinas indígenas e neobrasileiros, como atestado pelo registro histórico (ALMEIDA, 2010). Estes fatores combinados contribuem para uma alta saliência cultural, refletida na diversidade lexical, deste grupo específico de abelhas.
Para os povos ameríndios, que desconheciam Apis anteriormente à sua introdução no Brasil na década de 1840 (VENTURIERI, 2008), este valor cultural atinge suas raias máximas (POSEY, 1997c; SANTOS & ANTONINI, 2008; ALMEIDA, 2010). Venturieri (2008) chega mesmo a afirmar que o nome popularmente utilizado para designar o grupo (abelhas indígenas) teria origem no fato de serem manejadas por estes povos. No entanto, ‘indígena’ é um vocábulo que hoje em dia possui conotação de ‘nativo’, e não podemos afirmar ao certo qual dos dois sentidos estão implícitos na expressão ‘abelhas indígenas’, talvez os dois. O que de fato é indubitável é que os colonos que aqui se estabeleceram aprenderam a manejar e explorar
economicamente os meliponíneos a partir do aprendizado dos conhecimentos dos povos indígenas acerca destes (VENTURIERI, 2008; ALMEIDA, 2010). Uma vez que, até meados do século XIX não existia Apis mellifera no subcontinente, o mel consumido no país advinha única e exclusivamente de colônias de abelhas nativas exploradas, ou manejadas (VENTURIERI, 2008).
Graças ao reconhecimento da importância do conhecimento indígena sobre estes elementos da fauna, e dos mesmos para as culturas ameríndias, tentativas de criação e manejo de abelhas nativas sem-ferrão vêm sendo implantadas recentemente em terras indígenas em todo o território nacional (BRASIL, 2002; ZENAIDE et al., 2004; LOPES, FERREIRA & SANTOS, 2005; GAVAZZI, 2007a, b; SANTOS & ANTONINI, 2008; BALLÍVIAN, 2008; SURUÍ, 2009). A presente subseção traça uma estratégia de monitoramento, manejo e criação de meliponíneos na Terra Indígena Maxakali, tendo como base os conhecimentos tikmũ’ũn sobre a meliponifauna, as experiências de meliponicultura implantadas em outras comunidades indígenas, e as técnicas ecológicas de monitoramento e manejo da fauna silvestre.
Um inventário preliminar da melissofauna da TI Maxakali foi realizado com o auxílio de um taxonomista de abelhas, como uma primeira etapa do processo de monitoramento em longo prazo deste grupo, tendo em vista uma futura criação de meliponíneos. Os pontos de coleta de abelhas são assinalados na Figura 5.4, e as espécies encontradas são apresentadas na Tabela 5.1. Representantes da comunidade maxakali acompanharam o trabalho de campo, como forma de empoderamento das metodologias e técnicas adotadas na captura e acondicionamento das abelhas. Desta forma, fornecemos as principais diretrizes a serem seguidas para que futuros e contínuos trabalhos de inventário e monitoramento sejam executados pelos próprios membros da comunidade.
Além de realizar amostragens, o taxonomista repassou aos pesquisadores maxakalis as técnicas de coleta através de armadilhas do tipo aromática (para indivíduos de Euglossini), e rede entomológica (ou puçá, que abrange, potencialmente, qualquer grupo de abelhas), e fixação e armazenamento do material biológico. Instrumentos de coleta e armazenamento (isto é, puçá, câmara mortífera, saquinhos de papel) foram entregues em quatro das sete escolas da TI Maxakali, sob a responsabilidade de um professor. Todo o material coletado pelos Maxakalis e durante as visitas realizadas foi encaminhado ao Laboratório de Sistemática e Ecologia de Abelhas do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG para identificação. Parte deste material será incorporado à coleção do referido laboratório e parte será encaminhado às escolas da TI Maxakali, juntamente com gavetas entomológicas, para que os professores possam utilizá-los como auxílio didático para o ensino de saberes autóctones e científicos sobre a melissofauna de seu território.
Figura 5.4. Pontos de coleta de abelhas na TI Maxakali. Direitos de imagem reservados © Google.
Tabela 5.1. Espécies de abelha coletadas entre Julho e Dezembro de 2012 na TI Maxakali.
FAMÍLIA SUBFAMÍLIA TRIBO SUBTRIBO ESPÉCIE
Andrenidae Oxaeinae n/a n/a Oxaea flavescens
Apidae Apinae Apini Apina Apis mellifera
Apidae Apinae Apini Bombina Bombus (Fervidobombus)
pauloensis
Apidae Apinae Apini Euglossina Euglossa (Euglossa) carolina
Apidae Apinae Apini Euglossina Euglossa (Euglossa) leucotricha
Apidae Apinae Apini Euglossina Euglossa (Euglossa) securigera
Apidae Apinae Apini Euglossina Euglossa (Glossurella) crassipunctata
Apidae Apinae Apini Euglossina Eulaema (Apeulaema) marcii
Apidae Apinae Apini Euglossina Eulaema (Apeulaema) nigrita
Apidae Apinae Apini Meliponina Frieseomellita dispar
Apidae Apinae Apini Meliponina Melipona (Melipona) quadrifasciata
Apidae Apinae Apini Meliponina Partamona helleri
Apidae Apinae Apini Meliponina Plebeia droryana
Apidae Apinae Apini Meliponina Schwarziana quadripunctata
Apidae Apinae Apini Meliponina Schwarzula timida
Apidae Apinae Apini Meliponina Tetragona clavipes
Apidae Apinae Apini Meliponina Tetragonisca angustula
Apidae Apinae Apini Meliponina Trigona fuscipennis
Apidae Apinae Apini Meliponina Trigona guianae
Apidae Apinae Apini Meliponina Trigona hyalinata
Apidae Apinae Apini Meliponina Trigona spinipes
Apidae Apinae Centridini n/a Epicharis (Hoplepicharis) affinis
Apidae Apinae Emphorini n/a Melitoma segmentaria
Apidae Apinae Eucerini n/a Gaesischia (Gaesischia) nigra
Apidae Apinae Exomalopsini n/a Exomalopsis (Exomalopsis) auropilosa
Apidae Apinae Exomalopsini n/a Exomalopsis (Exomalopsis) fulvofasciata
Apidae Apinae Tetrapediini n/a Tetrapedia sp.
Apidae Xylocopinae Ceratinini n/a Ceratina (Crewella) sp.1
Apidae Xylocopinae Ceratinini n/a Ceratina (Crewella) sp.1
Apidae Xylocopinae Ceratinini n/a Ceratina (Crewella) sp.2
Apidae Xylocopinae Xylocopini n/a Xylocopa (Neoxylocopa) frontalis
Colletidae Diphaglossinae n/a n/a Ptiloglossa sp.
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochlora (?)
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochlora (Augochlora) sp.1
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochlora (Augochlora) sp.2
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochlora (Augochlora) sp.3
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochlora (Augochlora) sp.4
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochlorella sp.
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochloropsis sp.1
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochloropsis sp.2
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Augochloropsis sp.3
Halictidae Halictinae Augochlorini n/a Temnosoma sp.1
Halictidae Halictinae Halictini n/a Dialictus sp.1
Halictidae Halictinae Halictini n/a Dialictus sp.2
Halictidae Halictinae Halictini n/a Dialictus sp.3
Megachilidae Megachilinae Megachilini n/a Megachile (Leptorachis) sp.1
É um inventário ainda pequeno, para o tamanho da área, mas já traz alguma representatividade das espécies mais comuns na área. A Figura 4.5 mostra um esforço amostral nulo na porção oriental da TI. Isto se deve a uma combinação de fatores: 1- a maior parte dos fragmentos florestais está localizada na porção ocidental da TI; 2- os fragmentos florestais localizados na porção leste (1, 7 e 8) são longe da estrada e/ou de difícil acesso, e quando os fragmentos 1 e 7 foram visitados (apenas uma vez cada) não houve coleta de abelhas; 3- a não participação da aldeia Vila Nova no projeto, e o acesso difícil às aldeias Reginaldo e Cachoeira tornou as visitas à área do Pradinho bem menos frequentes do que em Água Boa. Isto aponta para a necessidade de um maior esforço amostral nos monitoramentos futuros na TI. Outra problemática diagnosticada refere-se ao fato de que grande parte do esforço de coleta fora despendido em remanescentes florestais pequenos e/ou muito alterados e nos vastos campos de capim-colonião. Uma vez que a oferta de fontes de alimentos (isto é, a quantidade e a diversidade de plantas floridas) demonstrou-se muito baixa, a lista de abelhas obtida para esses locais apresentou baixíssimos graus de riqueza e equitabilidade biológica. Em outras palavras, a
melissofauna destas áreas fortemente alteradas é dominada pelas espécies mais comuns (por exemplo, A. mellifera, Trigona spinipes e Trigona hyalinata), com presença bastante discreta das espécies menos tolerantes à degradação ambiental. Isso implica que existe uma grande demanda em se investir mais tempo amostrando os remanescentes florestais maiores (como os fragmentos 1 e 2), tendo em vista a obtenção de um checklist mais fidedigno e completo da TI Maxakali.
Além do repasse para a comunidade das técnicas de captura, fixação, e identificação de abelhas, será preciso fornecer os meios técnicos e materiais necessários para que se estabeleça o efetivo monitoramento a longo prazo do grupo-alvo. A formação técnica dos agentes indígenas deve ser contínua. Paralelamente ao monitoramento, pode-se iniciar o processo de implantação dos meliponários em cada aldeia. Como várias das principais espécies da área já foram catalogadas, e seus ninhos serão identificados e marcados, o corpo técnico e a comunidade maxakali poderá realizar uma escolha das espécies a serem utilizadas na meliponicultura. Alguns critérios para a viabilidade cultural, ecológica e econômica devem ser respeitados:
- abundância relativa de ninhos na natureza, de modo que a captura de colônias possa ocorrer sem prejuízo das populações silvestres;
- produção mínima de mel pela espécie;
- apreciação do mel daquela espécie pelos tikmũ’ũn; - não-agressividade e facilidade de manejo da espécie;
Figura 5.5. Ninhos de meliponíneos observados na TI Maxakali e entorno.