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I. BÖLÜM 17 

2.1.  İnsan Kaynakları Yönetiminde İşgören Bulma ve İşgören Seçim Süreci 32 

2.2.4.  Pozitif Ayrımcılık 93 

Devido à constante extração de recursos vegetais, e da importância cultural deste, é necessária a realização de um diagnóstico participativo do status de conservação e distribuição destas espécies por todo o território (demarcado e entorno). Isto pode ser realizado através do treinamento de agentes indígenas para a realização do mapeamento cultural. Juntamente com o levantamento da localização dos recursos na paisagem, informação utilizada na confecção dos mapas, o agente poderá estimar a abundância relativa das populações dos mesmos. Ou seja, o mapeamento deve ser realizado concomitantemente ao diagnóstico de conservação das espécies de importância na extração. Com estas informações será possível elaborar um planejamento para o manejo extrativista de cada espécie, e dos grupos biológicos nativos, como um todo.

Uma vez que as partes utilizadas das diferentes espécies vegetais de importância para a cultura maxakali diferem, as populações de cada uma delas sofrem impactos diferenciados quanto à sua extração:

Palmeiras (Arecaceae) – as partes mais comumente utilizadas são as folhas, empregadas na cobertura de casas, confecção de cestos, trançados em geral, e adornos religiosos. Esta forma de uso tem pouco impacto, uma vez que o dano se reduz às folhas, mas podem ocorrer dependendo do emprego, se as folhas selecionadas são maduras ou brotos, etc. Derrubadas para emprego da

madeira na construção, artesanato e lenha podem trazer impacto médio a alto, ao remover indivíduos de maior porte produtores de grandes quantidades de propágulos. A coleta de frutos (cocos) é hoje bem ocasional (sendo relatada como mais comum no passado) e provavelmente causa impacto mínimo nas populações, ao remover algum volume de novos indivíduos que poderiam adentrar a população. A distribuição das espécies é desigual entre os fragmentos, e o mapeamento cultural poderá mostrar em uma escala mais fina da paisagem. Durante as caminhadas com os professores e experts, Polyandrococos caudescens (Mart.) Barb.Rodr. (kuxoxap), madeira muito apreciada para a confecção de arcos, foi avistada apenas no fragmento 5. Attalea burretiana Bondar (paxapnãgkup), espécie aparentemente heliófita, apresenta apenas uma pequena população adensada em área de capim no sudoeste da TI. Euterpe edulis Mart. (kupakup) foi observada apenas no fragmento 2, em uma área que apresenta características de estágio sucessional mais avançado. Bactris bahiensis Noblick ex A.J. Hend. (patyõtagnãgkup), cujo caule é empregado para a confecção de flechas, foi encontrado apenas no fragmento 6.

Embiras e cipós (várias famílias, principalmente Malvaceae e Lecythidaceae) – tohox, na verdade, inclui embiras e cipós, e os impactos extrativistas são significativamente diferentes entre os dois. Para as embiras, o impacto é sempre alto, uma vez que envolve a derrubada de árvores adultas para a retirada de sua entrecasca (Figura 4.16). Contudo, algumas espécies apresentam comportamento de rebrota, e outras possuem grandes populações de indivíduos sub- adultos prontos para substituir os derrubados. Para as espécies que exibem estes comportamentos, os impactos são minimizados, pois os indivíduos removidos podem ser rápida e efetivamente substituídos. Cavanillesia umbellata Ruiz & Pav. (tokoxuk - Malvaceae), por exemplo, exibe as duas características, além da vantagem de apenas os indivíduos de médio porte serem extraídos; as gigantescas barrigudas, que produzem propágulos em abundância, não servem para retirar embira e são mantidas na população. Logo, o impacto causado nesta espécie de rápido crescimento também é mínimo, apesar de sua dispersão estar aparentemente restrita aos fragmentos 5 e 6, em ambos os locais com densidade populacional de média a alta. Já Cecropia glaziovii Snethl. (tuthi - Urticaceae) aparentemente apresenta rebrota, mas não mantém grandes populações de sub-adultos no sub-bosque. Esta espécie se encontra praticamente extinta no interior da TI Maxkali, devido à sua intensa extração para a retirada de fibras para o artesanato, tendo sido encontrada apenas em uma área erma no interior do Fragmento Florestal 2. Devido à sua escassez, os maxakalis buscam por esta espécie nas matas e fazendas do entorno. Takaxkup (uma Malvaceae, ex-Bombacaceae, possivelmente Pseudobombax) também apresentou alta densidade onde foi encontrado, nos fragmentos 5 e 6. A entrecasca desta espécie possui como usos a confecção de adornos de cabeça para os espíritos xũnĩm e putuxop, também uma espécie de saiote designada xukxax, e antigamente até de bolsas

para carregar armas, como espingardas. Lecythis lurida (Miers) S.A. Mori (kexmaxkup) é altamente apreciada por sua madeira forte, empregada na construção de casas e confecção de arcos. Sua embira é descrita como fraca, e utilizada apenas na ausência de outras. A espécie parece ser escassa na região (assim como outras madeiras de lei), tendo sido avistados poucos indivíduos esparsos, um dos mais proeminentes, em um alto de um morro dominado por capim próximo à aldeia do cacique Manuel Quelé. Couratari (toktapkup), outra Lecythidaceae, é um gênero bem diversificado na Amazônia, mas com apenas quatro espécies descritas para a Mata Atlântica da Bahia e do Espírito Santo. Um único indivíduo pôde ser observado, ao ser derrubado para a retirada da entrecasca para a confecção da veste cerimonial de um espírito. Os impactos nas populações de cipós são bem menores, apesar de poder haver remoção de grandes quantidades das plantas. Contudo, espécies mais sensíveis ou já escasseadas podem sofrer impactos profundos por sua constante remoção. Por exemplo, ‘ãmitax, uma Araceae hemi- epífita (provavelmente Phylodendron) usada para amarrar pontas de flechas, é descrita pelos artesãos que usam a espécie como rara e sensível, encontrada apenas em matas maiores e distantes. Foi observada apenas no fragmento 6, mas de acordo com os mesmos relatos, também ocorre nos fragmentos 1, 2 e 7.

Bambus e taquaras (Poaceae: Bambusoideae) – para as taquaras, os empregos variam, mas a sua forma de extração não, já que sempre envolve a retirada de maiores ou menores partes e quantidades dos colmos, o que traz impactos semelhantes entre as populações das diferentes espécies. Aspectos regenerativos variam entre espécies cespitosas e rizomatosas, mas ambas as categorias podem sofrer impactos mínimos, se adequadamente manejadas. O grau de ruderalidade das espécies também influencia em sua resiliência diante dos impactos antrópicos. Por exemplo, Olyra latifolia L. (kutetpu'uk) foi vista em abundância nas clareiras do impactado fragmento florestal 3. Já Guadua sp., e outras espécies não identificadas de maior porte (taquaruçu) só puderam ser observadas no interior do fragmento 2 e em áreas fora da TI Maxakali.

Também para a elaboração do plano de manejo extrativista de cada espécie vegetal, a comunidade deve estar envolvida em todas as etapas. Características culturais, bem como da história natural, história de vida, entre outros aspectos ecológicos de cada espécie devem ser levadas em consideração ao se delinear práticas, formas e restrições de uso. Além disso, a comunidade precisa participar na tomada de decisões quanto à opção entre o simples manejo das populações naturais, ou a complementação desta com a pesquisa e o estímulo ao plantio de espécies selecionadas nas proximidades das casas e aldeias.

Benzer Belgeler