2. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.1. Okul Öncesi Eğitimi
Na realidade, como já mencionamos, faz-se mister evidenciar a constituição de dois grupamentos diferenciados dentro do corpo funcional do Banco do Brasil: de um lado funcionários dispostos a encarar os ―desafios‖ da concorrência intrafirma, suscetíveis aos padrões exigidos pelos programas de reestruturação bancária, de ―profissionalização‖ e de ―desenvolvimento contínuo‖, levados a cabo pelas últimas administrações do BB da era neoliberal; noutro pólo a permanência de um segmento funcional alheio às novas formas de condutas propostas pelos programas, também refratários à concorrência entre colegas e as possíveis vantagens que isto possa trazer.
Assim, podemos inferir, de início, que havia, basicamente, dois segmentos funcionais diferenciados dentro do Banco do Brasil. O habitus necessário para inserção do agente no campo dos comissionados (gerentes) tinha sua constituição enraizada na crença coletiva no valor distintivo que pode conferir a um funcionário da empresa ao habilitar-se aos cargos gerenciais dela. A rigor, não se podiam esquecer as vantagens econômicas que tal inserção traria, porém há de se levar em conta, também, os lucros simbólicos, perfilados a partir de uma carreira gerencial. Na verdade, eram estas vantagens que, na maioria dos casos, incentivavam a participação de funcionários em seleções e concorrências cujo objetivo era o crescimento da rentabilidade e do status funcional por meio das promoções na carreira.
Não era raro, em movimentos de mobilizações sindicais, haver a recusa de engajamento de postos de trabalho comissionados. Para tanto, alegavam a condição de
76 ―gerente‖ da empresa, mesmo que, em muitos casos, tratava-se do segmento pertencente à gerência média. A rigor, por receio da perda da função, era como se agisse uma força coercitiva capaz de transmitir a ―responsabilidade‖ e ―confiança‖ depositada, pela empresa, sobre o gerente. Nesta perspectiva, os dois segmentos retro citados se diferenciam: para o comissionado esta suposta ―força coercitiva‖ existia, para o outro segmento, de bancários sem comissões, isto não tinha, na realidade, o menor significado. Com efeito, não somente este caso é ilustrativo, mas outros fatos hodiernos ajudam a demonstrar essa diferenciação, tais como: a forma como ordens e sugestões de superiores são aceitas; o afinco dado ao cumprimento de metas (vendas de produtos e serviços); a forma de vestir; o respeito rígido quaisquer normas da empresa; a introjeção do clima de concorrência entre as agências do próprio banco; enfim, por meio de diversas situações, ocorridas no dia-a-dia do trabalho, poder-se-ia facilmente perceber reações diversas nos segmentos distintos da instituição. . Na realidade, verificava-se, facilmente, a partir de situações que exigem um parecer sobre o desempenho de um funcionário, a forma distinta como eram tratados os colegas. De fato, aos bancários que pretendiam ―seguir carreira‖, eram atribuídas formas de distinção, muitas vezes, perceptiveisl inclusive nas declarações dos gerentes. Assim, para o funcionalismo ―engajado‖ nos programas de reestruturação do banco, havia a nomeação de ―comprometidos‖. Além disso, tais bancários, muitas vezes, eram incluídos no grupo dos que ―gostavam da empresa‖, verdadeiras declarações de amor ao Banco não eram raras em reuniões e encontros, neste sentido.
Outro fator marcante era o monopólio da seleção para o campo dos comissionados. Na maioria dos casos, os processos seletivos eram outorgados aos próprios gerentes mais antigos da esfera dos comissionados53. Assim, os candidatos se habilitam aos cargos de
gerência média, pré-requisito básico para inserção nesta carreira. Na verdade, os critérios de inclusão eram norteados por um conceito de ―competência‖, que representa um conjunto de pré-requisitos básicos para ascensão do candidato. O primeiro passo era análise ―curricular‖ do pretendente, levando em consideração os cursos de formação dados pela empresa, as tarefas relevantes prestadas ao Banco e, sobretudo, a incorporação do
53 Até 1989 havia uma seleção interna, dentro do próprio BB, seguindo determinados pré-requisitos, cujo objetivo era a seleção para o nível ―Superior‖. Tal seleção visava à criação de um segmento apto a ascender aos cargos de gerência. Porém, a partir de 1990 há a extinção deste tipo de concurso interno, inclusive, por intermédio de atendimento à reivindicação do movimento sindical da época.
77 ―comprometimento‖ aos programas de reestruturação. Assim, nestas seleções, na maioria das vezes, obtinha êxito o candidato que já integrasse o grupamento dos ‖substitutos‖, ou seja, funcionários que se dispunham a substituir os postos de gerência média quando da ausência dos seus titulares. O segundo passo para a nomeação do candidato, dava-se por intermédio de uma entrevista, em que se observava o ―perfil‖ do candidato para o cargo. Neste momento, eram perguntadas as razões da candidatura, bem como disponibilidades do pretendente. Em geral, os militantes engajados no movimento sindical não tinham a menor chance nestas seleções.
Enfim, os critérios básicos para a ascensão profissional no âmbito do Banco do Brasil, durante a década de noventa, poderiam ser resumidos desta forma: a dedicação exclusiva à empresa; a disponibilidade de tempo – inclusive para jornadas com horas graciosas -; distanciamento do movimento sindical; o ciclo de amizades - proximidade com os gerentes -; histórico de participações ―voluntárias‖ – como preparação e participação em festas de integração funcional -; e por fim, a quantidade de cursos de formação realizados no âmbito da empresa. Vale ressaltar, que, a partir de meados da década de noventa, começou-se a levar em conta, mesmo de forma pouco decisiva, os cursos universitários. A partir deste mesmo período, o Banco estimularia, principalmente, para os detentores de alta gerência, a conclusão de cursos em nível superior. Este fato é marcante, posto que, nas décadas pregressas, o Banco desestimulava seus funcionários ao ingresso em faculdades ou cursos que não fossem ministrados dentro da própria instituição. Nestas épocas era comum a denominação de ―formado em banco‖, aos funcionários mais experientes e detentores de altas gerências.
2.5 - RETROSPECTIVA DOS PROGRAMAS DE REESTRUTURAÇÃO NO