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IV. TÜRKÇENİN RUSÇAYA VE RUSÇANIN TÜRKÇEYE ETKİSİ

1.1. DİL BİLGİSİNE GÖRE

1.1.1. EK İLE İLGİLİ ÇEVİRİLER

1.1.1.8. ÖN EK İLE İLGİLİ ÇEVİRİLER

O período posterior ao Concílio de Calcedônia (451) não foi nada tranquilo. Neste concílio foi proclamada a união em Cristo das ousíai ou naturezas divina e humana. Não se falou de “união hipostática”: o termo hypóstasis era usado somente para reforçar a explicação do significado de prósopon. Tampouco se afirmou que a

hipóstasis da união era aquela pré-existente do Logos. Mas então o que realmente

queria dizer o “credo” conciliar e qual a correta interpretação dos termos gregos:

ousia, hypóstasis, prósopon e dos latinos: natura, subsistentia e persona? Os

conflitos entre ocidente o oriente, ou seja, entre calcedonianos ortodoxos, nestorianos e monofisitas se alimentavam destes interrogantes numa série interminável de discussões com humores difícilmente educados.

Numa de suas seis definições acerca de pessoa, por sinal a mais conhecida, Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius (c.480-524), amigo e conselheiro do imperador ariano Teodorico, sentencia: “Persona est naturae rationalis individua

substantia”. Pessoa é uma substância individual de natureza racional. Para chegar a

esta formulação estabelece de forma clara e definida o seu ponto de partida numa

157 GRESHAKE, G. El Dios Uno y Trino. Uma teologia de la Trinidad. Barcelona: Herder, 2001, p. 126

ontologia da essência. Presente no debate provocado por uma carta de um bispo oriental ao papa sobre pontos de Cristologia, Boécio ouviu falar da concepção nestoriana, segundo a qual Cristo é ao mesmo tempo de e em duas naturezas, e da concepção eutiquiana (monofisita), segundo a qual Cristo é de duas naturezas mas não em duas naturezas. Resolveu tratar então as questões subjacentes de natureza e pessoa e forjou uma definição de pessoa que atravessaria séculos. Esta definição está registrada na obra “Contra Eutiques e Nestório”. É interessante destacar que, até então, o debate cristológico tinha sido feito em grego. Informa G. Evans:

Boécio é o primeiro a tratar essas questões em latim e de maneira também sistemática. Desse modo foi levado a completar a terminologia filosófica de Cícero, e fixou assim, com Mário Vitorino, os equivalentes latinos dos termos gregos para toda a Idade Média158.

Ele postula que pessoa é definida dentro de “natureza essencial” e, portanto outra coisa não é senão a individualidade de uma natureza racional. Facilmente se entende que para ele o individual enquanto tal é o fator constitutivo da pessoa. Assim, a essência da pessoa se constitui na substância racional individual enquanto tal e não em um ato de ser específico e próprio como seria a subsistência ou a existência. Novamente aqui a noção de relacionalidade parece ficar fora. Deixando esta observação de lado, não se pode ignorar que na definição proposta por Boécio convergem dois elementos: o aspecto da identidade individual e o da identidade genérica. Deste modo, ser pessoa sempre se encontra integrado no contexto de ser pessoa com os outros que possuem juntamente comigo a mesma natureza racional. Podemos inferir aqui de maneira implícita um elemento relacional, ainda que não possa alcançar toda a relacionalidade específicamente pessoal.

Como acenamos acima, sua reflexão está situada no marco das reflexões cristológicas. Na cristologia é necessário preservar a unidade humano-divina de Jesus Cristo através da negação de que, na natureza humana de Jesus exista de forma separada uma condição humana de pessoa, a fim de não cair numa bi- personalidade de cunho nestoriano.

158 EVANS, Gillian R. Verbete Boécio. In: LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário Crítico de Teologia. São

Assim se pode entender melhor que, na enérgica insistência na unicidade que corresponde à pessoa está a contribuição específica de Boécio para a evolução deste termo. Sem dúvida, lançou as bases para o desenvolvimento da história da pessoa no ocidente que transformou uma imagem de homem geral-impessoal a uma outra de caráter individual-pessoal. Graças à reflexão de Severino Boécio, assevera Milano:

[...] O termo pessoa se enriquece pela primeira vez de uma definição especulativa, formal, rigorosa. Acolhida, contestada, corrigida, refinada, esta definição atravessará os séculos da antiguidade chegando à soleira do mundo moderno. Depois do humanismo o pensamento de Boécio será marginalizado pelas correntes hegemônicas do pensamento filosófico. [...] A ênfase semântica com a qual o ocidente continua a pronunciar o termo pessoa é marcada para sempre pela esta grande herança159.

Na definição de Boécio aparecem claras a substância e a autonomia da pessoa. Para ele pessoa é o ser individual existente em si e por si, dotado de razão. Oferece um elemento decisivo da pessoa que nem a teologia nem a filosofia de inspiração cristã abandonaram no curso dos tempos. Manteve-se contra o “personalismo atualista” que pretende seja a pessoa somente relação e assim, somente existiria no encontro com o outro. Na expressão de R. Guardini: “não existe nunca a pessoa entendida como ente em repouso, mas ela consiste apenas no ato da ação do eu”160. A dificuldade desta definição encontra-se no fato de que ela, mesmo com a abertura proporcionada por seu conceito de “natura rationalis” e a partir do gabarito ontológico do conceito de substância, pretende ser aplicável contemporaneamente ao homem, à unidade de pessoa em Cristo e às pessoas da Trindade. Com seu conceito de natureza não responde adequadamente à questão cristológica que fala de uma pessoa existindo em duas naturezas, e com sua acentuação no individual, falha fatalmente no caso da unidade “interpessoal” das três pessoas divinas. A “metafísica” da substância à época de Boécio não estava em condições de apresentar o conceito teológicamente utilizável de pessoa, pelo fato de que ela diluiu a tensão entre prósopon e hypóstasis em benefício do hipostático (substancial) perdendo assim de vista a relacionalidade da pessoa. Mesmo que seja

159 BOÉCIO, Severino apud MILANO, A. Persona in teologia. Roma: Dehoniane, 1996, p. 293. [Tradução

nossa].

160 GUARDINI, R. apud FRIES, H. Dicionário de Teologia. Conceitos fundamentais de Teologia atual.

de um caráter ôntico-estático, a fórmula de Boécio está aberta a uma interpretação ontológico-dinâmica. O pensamento filosófico-teológico haverá de evoluir ainda mais!