1. BÖLÜM
3.10. Öğretmenliğin Meslek Olarak Özellikleri
Evidentemente, as diferenças entre o nosso primeiro diagrama e este acima exprimem leituras diferentes da proposição de Kingdon. A nosso ver o importante do argumento desenvolvido por Kingdon, no Capítulo 8, é que para ocorrer a mudança na agenda decisória é preciso que os Fluxos se alinhem e que esse alinhamento seja aproveitado. A ocorrência disso é explicado por Kingdon pela ação do empreendedor, sobretudo, o aproveitamento do alinhamento. Esse alinhamento é uma janela de oportunidade para mudança da agenda decisional que redundará efetivamente nisso, apenas se for aproveitada pela ação de um empreendedor. Kingdon denomina essa janela de oportunidade de policy window. Segundo ele, às vezes, ela pode ocorrer mesmo sem o alinhamento dos três Fluxos, ela pode ser engendrada pelo alinhamento de apenas dois, configurando a policy window, que o empreendedor aproveita, alinhando o terceiro Fluxo e promovendo a mudança.
A nosso ver, a leitura de Zahariadis talvez seja a mais fiel à apresentação do Modelo feita por Kingdon, porém nos parece que a nossa se foca e explora o que é mais central na explicação do autor: o alinhamento dos Fluxos na presença de um empreendedor leva à mudança da agenda decisória.
Por fim, antes de passarmos à análise detalhada das proposições de Kingdon e à apresentação da nossa leitura do modelo dele, cabe um último comentário. Às vezes, ao lermos o livro de Kingdon, temos de suas explicações a mesma impressão que motiva a crítica de ecletismo às explicações do neoinstitucionalismo histórico. Para além da curiosidade da coincidência, isso nos acautela quanto ao cuidado que devemos ter quanto ao controle das explicações propostas por Kingdon. Por isso, ao analisarmos suas proposições tomaremos o cuidado de apontar exatamente qual efeito explicativo que cada uma delas está mobilizando. Isso será feito utilizando os parâmetros estabelecidos no capítulo 1. Implicitamente, utilizamos os parâmetros
tipo de estudo, pois estamos limitando nossa análise ao tipo em que as políticas são explicadas,
explicações de Kingdon mecanismos explicativos e apontaremos a dimensionalidade deles, tanto do que os constitui, quanto de seu efeito mobilizado explicativamente.
Capítulo 2 – O Modelo explicativo mobilizado
Neste capítulo apresentamos o modelo explicativo mobilizado na compreensão das mudanças da política habitacional abordadas. Esse modelo foi desenvolvido com base nas considerações e proposições de John Kingdon em seu livro Agendas, Alternatives and Public Policies76. Neste livro o autor propõe uma explicação sucinta para a entrada, ou não, de determinadas questões ou propostas na agenda decisória de alguma instância estatal.
O modelo que apresentaremos, apesar desenvolvido a partir das proposições do autor, não corresponde exatamente à explicação dele. Devido às questões expostas no capítulo 1, fez-se necessário aprofundar a especificação teórica das explicações mobilizadas pelo autor. Isso levou a algumas diferenciações entre nossa proposição explicativa e a do autor. Outro aspecto, inerente à nossa pesquisa, também contribuiu para que nossa modelagem das explicações de Kingdon não coincidisse totalmente com as proposições do autor. Enquanto Kingdon constrói seu modelo indutivamente, utilizando uma abordagem quantitativa, nós o mobilizamos dedutivamente e operacionalizamos seu teste empírico, a um determinado conjunto de casos, com base numa abordagem qualitativa formalizada com base na Teoria dos Conjuntos.
Contudo, a nosso ver, essas diferenças não mudam o sentido da explicação proposta pelo autor. Daí denominarmos a explicação mobilizada de MSM 3, o que enfatiza que trata-se da mesma explicação modelada de uma outra forma, a partir de uma outra abordagem.
2.1 O MSM 3
O mundo de Kingdon é povoado por atores, com determinados recursos, em relações de cooperação ou conflito em torno de seus interesses. Ele considera que devido à desigualdade desses recursos, sobretudo às advindas das diferentes posições institucionais, determinados atores são mais importantes que outros na explicação da mudança na política pública. Ele denomina esses atores mais importantes de decisores. Indivíduos que devido a sua posição na institucionalidade têm o poder de decidir se algo será feito ou não, quanto a uma questão ou proposta relacionada às políticas públicas. Segundo Kingdon, devido à enormidade de questões
a serem tratadas, e ao ambiente de anarquia organizada, esses decisores organizam sua atenção de uma determinada forma: eles classificam as questões e propostas em mais ou menos prioritárias. Algumas questões e propostas simplesmente não recebem atenção. Outras recebem alguma atenção, são até reconhecidas, contudo não o suficiente para que leve a alguma tomada de decisão quanto a elas. Essas questões e propostas, para o autor, compõem uma agenda ampla, que recebe uma atenção difusa. Por fim, haveria um terceiro conjunto de problemas e propostas, denominado agenda decisória, que receberia uma atenção especial por parte dos decisores. Quanto a estas questões, diz Kingdon, algo, com certeza, é feito. Assim, para o autor, o que há a se explicar é por que e quando determinadas questões e propostas são tomadas seriamente pelos decisores, e quando não. Ou seja, quando se altera ou não a agenda decisória.
Mesmo fundamentando sua explicação nas relações entre atores, Kingdon não centra aí exatamente sua explicação. Por isso, nos Diagramas apresentados no capítulo 1 nenhum ator é citado77. Especificamente, para Kingdon, a informação mais relevante para a explicação da
mudança da agenda decisória é a situação de cada um dos Fluxos, que ele propõe, e a presença ou não de um empreendedor com determinadas características, as quais ele também propõe. Assim, os atores são fundamentais para explicar a situação dum Fluxo, e essa situação, em conjunto com a situação dos outros Fluxos e da presença ou não de um empreendedor, é o que explicará a mudança, ou não, da agenda decisória. Logo, os atores são fenômenos que junto com outros fenômenos explicam um terceiro fenômeno, o fluxo. Este fenômeno, o fluxo, é mobilizado explicativamente por Kingdon para explicar a mudança no fenômeno que ele busca esclarecer, a agenda decisória. Assim sendo, o autor centra sua explicação em processos, que denomina de fluxos, e não propriamente nos atores. Certamente, os atores em contexto e relação constituem esses fluxos, contudo, eles não os são propriamente. Atores entram e saem do fluxo e este não deixa de existir. A situação dum Fluxo pode mudar em decorrência disso, mas ele continua.
Kingdon faz questão de comentar que ele retirou a “estrutura lógica” de seu Modelo do Garbage
Can Model. Essa “estrutura lógica”, especificamente, é a forma como os fenômenos reputados
como relevantes para a explicação da mudança da agenda decisória se relacionam entre si. As
“setas” dos Diagramas do capítulo anterior. Essas “setas” indicam uma relação entre dois
fenômenos ou mais. Essa relação pode ser pensada de inúmeros jeitos. Nos estudos
77 Oportunamente demonstraremos que o fenômeno empreendedor não é tomado exatamente como ator mas sim
quantitativos, essas formas de relação podem ser expressas através de diferentes funções. Assim, por exemplo, pode-se considerar que a relação entre fenômenos explicantes e explicado é linear ou polinomial, seja de que grau e forma for. Nos estudos qualitativos essa relação também pode ser pensada de inúmeras outras formas. O que fascinou Kingdon na explicação do Garbage Can, para além da independência dos fenômenos explicantes, que ele no seu próprio modelo (MSM) flexibiliza, foi a relação configuracional entre os fenômenos explicantes e o explicado. Apesar dele não se ater a esse aspecto, ele tem clareza de que é certa combinação da situação dos explicantes que leva ao resultado. Ou seja, não há uma relação contínua, há uma relação que se estabelece sob certas condições, a partir de uma determinada configuração da situação de cada um dos fenômenos explicantes.
Ao apresentar seu Modelo, doravante denominado MSM 1, o autor muda o termo, de
“combination” para “coupling”, porém o sentido continua o mesmo, um determinado
acoplamento entre a situação nos diferentes Fluxos na presença de um empreendedor, ou seja,
uma determinada configuração, é que explica o resultado. A “seta” de quatro “pés” e uma “cabeça” do nosso Diagrama expressa essa relação configuracional entre os fenômenos
explicantes e o fenômeno explicado, a mudança na agenda decisória. Trabalhando indutivamente, o autor, aparentemente, não pôde atentar para as consequências metodológicas da adoção dessa relação configuracional, contudo as sentiu quando da formalização das explicações. Relações explicativas configuracionais podem ser muito restritas, sobretudo se se considerar que apenas uma configuração leva ao resultado desejado, tal como propõe Kingdon78. A inconsciência dessa característica, desta forma de explicação, pode levar a
grandes dificuldades quando da formalização das explicações.
Lendo-se atentamente o livro do autor tem-se impressão que ele tem alguma dificuldade na formalização do seu modelo. Uma certa dificuldade em lidar com a indeterminação nele. Já no final da primeira edição, no capítulo 9, depois de expor sua proposição explicativa, o autor diz:
Finally, it should be noted that all of our ideas are probabilistic. I have tried to adhere to such formulations as ‘the chances are improved or lessened’ and ‘these events are more likely than others.’ In describing these processes, hard-and-fast rules and the specification of conditions
78 Calculemos por baixo, logo com base numa abordagem por conjuntos discretos o total de configurações
possíveis com base nos seus explicantes e explicado. Suponhamos que existam apenas duas possibilidade de situação para cada um dos explicantes e do explicado. Assim, para cada Fluxo, ou ele está aberto à mudança ou não, e o mesmo para o empreendedor e a mudança na agenda decisória, ou há ou não há. Assim sendo, haveria dezesseis combinações possíveis com presença de “mudança na agenda decisória”, e, segundo nosso autor, apenas quando da ocorrência de uma delas é que de fato ocorreria a “mudança na agenda decisória”. Ou seja, condições bem restritas.
that must be met seem less fruitful than a quotation of odds. Constrains, for intance, are not absolutes. Instead, they are conditions that make some events highly unlikely and others events more likely to occur. They do impose structure on the system, but it is structure that still allows room for some gray areas and some unpredictability79. (grifo nosso)
Notaremos ao longo da exposição de seus argumentos que o autor sempre lutará para adequar o grau de restrição de seu modelo ao empírico. Ele, por não utilizar uma metodologia plenamente adequada para a análise de relações configuracionais, não consegue localizar claramente a fonte de sua indeterminação, o que deu margem a críticas, que ele procura responder na segunda edição de seu livro. Nessa nova edição, o autor também não resolve este problema, contudo dá indicações de por onde ele considera que a solução caminha. A solução que proporemos para este problema, segue essas indicações, mobilizando uma metodologia e bibliografia que o autor parece desconhecer, mas que trabalha, na Ciência Política, justamente no sentido proposto por ele. Esta solução passa pela Análise Comparativa Qualitativa (QCA em inglês). Nesta abordagem, os fenômenos explicantes são denominados condicionantes, pois eles são condições da ocorrência do resultado.
. . . A Estrutura geral, o e a is o expli ativo pri ipal e os e a is os expli ativos auxiliares
A estrutura geral de um modelo é a relação entre os fenômenos que são mobilizados explicativamente. Até aqui temos abordado o mecanismo explicativo principal do MSM 1, a combinação da situação dos Fluxos na presença de um empreendedor. Contudo, a explicação proposta por Kingdon não se limita a esse aspecto. Além de apontar os fenômenos que explicam a mudança da agenda decisória, indicando exatamente sob qual combinação eles o fazem, nosso autor também propõe determinadas explicações para as alterações da situação em cada um dos seus Fluxos, de cada um dos seus fenômenos explicantes. Abaixo, o Diagrama apresenta uma versão mais detalhada da nossa leitura da proposição de Kingdon, em que além do mecanismo principal vê-se a localização dos mecanismos explicativos secundários.