SONUÇ ve ÖNERİLER
5.1.6. Meslek Dersi Öğretmenlerine İlişkin Verilen Cevapların Tanımlayıcı Özelliklere Göre Değerlendirme Sonuçları
Neri (2005) sintetiza três importantes conceitos sob o ponto de vista freudiano.
1) O termo feminino se refere à posição dita feminina na dialética fálica, na qual o feminino se articula à castração e à passividade em oposição ao masculino, que é referido ao fálico e à atividade; 2) A sexualidade feminina designa o destino da sexualidade da mulher dentro dessa referência fálica; 3) A feminilidade designaria uma inscrição do erotismo nos homens e nas mulheres não mais regulada à lógica fálica (NERI, 2005, p.219).
Birman (2001) lembra que a feminilidade, no discurso freudiano, não estaria diretamente relacionada à sexualidade da mulher, tampouco à do homem. A feminilidade é inerente aos dois tipos de desenvolvimento sexual, contra a qual as sexualidades masculina e feminina travam duro combate. Conforme já foi discutido, a estruturação de ambas as sexualidades é ordenada pelo falo, e a feminilidade não registra tal operador para o sujeito. Portanto, a feminilidade representa a falta que estrutura o ser falante, da qual todos fogem horrorizados, em um movimento de recusa dessa condição.
André (1987) nota que o saber psicanalítico considera o feminino como algo inominável, barrado pela linguagem – o que se aproxima do trauma – e, por isso, representado apenas pelo recalque. No entanto, pode emergir como material de análise, mesmo que de forma malograda. A ausência de simbolização é justamente o que gera o horror à feminilidade
– maior do que à própria castração – pelas pessoas de ambos os sexos.
Kehl (2008) afirma que o repúdio pela posição feminina está posto para todos os sujeitos por representar a castração. Contudo, o caminho percorrido pela menina para tornar- se mulher, no sentido freudiano do termo – isto é, mulher feminina – deve se utilizar dessa feminilidade como estratégia na conquista do falo por meio da beleza e da sedução. Para tanto, grande quantidade de masculinidade precisa se esquivar do recalque. Nesse sentido, o fato de não possuir um pênis não significa necessariamente uma completa ausência fálica.
Ainda sobre esse tema, André (1987) marca a relação entre castração e o sexo feminino; isto é, o dizer castrado, por ser limitado pelo discurso, é uma mentira significante. Contudo, a ex-sistência de um real não-castrado apenas pode existir ao se passar por tal
mentira. Por isso, “a feminilidade é um objeto de pensamento inapreensível, e por outro lado,
para as próprias mulheres, faz parte do registro do ser inefável que não tem necessidade alguma de ser pensado para ser” (ANDRÉ, 1987, p.190).
Kehl (1996) destaca a tênue diferença de relação estabelecida entre homens e mulheres frente à feminilidade: esta, para a mulher, é a máscara impossível de ser retirada
sobre a finitude do seu ser, apresentando, por isso, uma propriedade fálica. Para o homem, a feminilidade pode revelar o vazio, a noção de que não existe uma garantia de que ele possua, inscrito em seu corpo, algo a mais do que a mulher. Por sua vez, sobre esse tema, Neri considera que
O repúdio dos homens e das mulheres diante da feminilidade vem testemunhar a perda dos emblemas fálicos e narcísicos, pois esta experiência, que se apresenta além da regulação do falo, implica justamente a suspensão do autocentramento da subjetividade, sustentado pelo referencial fálico, onde os homens e as mulheres se protegeriam dessa experiência de inquietação face à sua fragilidade e incompletude (NERI, 2005, p. 220).
André (1987) sustenta que o caráter não simbolizável da feminilidade no inconsciente resulta, na mulher, na necessidade de ser reconhecida como sujeito, uma vez que não existe um significante que sustente o seu lugar no psíquico dos seres falantes. Por ser carente de simbolização, a feminilidade não é recalcável – pois só se recalca o significante. Por tantos fatores, a mulher reivindica que algo surja no lugar dessa falta.
O caminho para esse protesto pode seguir várias direções: 1) a histeria: a mulher se reveste de um suposto representante fálico; 2) a mascarada: o sujeito aceita-se como fora da representação fálica, em uma representação imaginária de sua não-totalidade; 3) o amor, como resposta à impossibilidade da relação sexual e como algo que possa preencher o vazio da significação da feminilidade; 4) a maternidade: o bebê seria, portanto, o representante do falo e, por sua vez, poderia preencher o espaço da falta de simbolização reivindicada. Pode-se perceber que o destino desses caminhos seria a obtenção de algo no inconsciente que conseguisse simbolizar aquilo que escapa à mulher segundo a lei da castração, por ela ser não- toda, submetida a tal lei.
Nesse sentido, a feminilidade, com sua incompletude inerente, foi entendida como a origem do psiquismo. Segundo Birman (2001), esse foi o ineditismo freudiano sobre o tema, uma vez que, desde a Antiguidade, o masculino era o registro entendido como o originário. Posteriormente, o psiquismo centra-se na feminilidade, e a ordem fálica se estrutura com o objetivo de recusá-la.
A feminilidade, portanto, institui-se como anterior ao registro fálico, que é então entendido como a ordenação responsável por silenciar a feminilidade no psiquismo, ou seja, percebeu-se que a ordem fálica tem a função de encobrir a imperfeição e finitude originária do ser falante. A feminilidade configurou-se como a condição na qual tanto os homens quanto as mulheres elaborariam o confronto do seu ser frente à castração. Revelou-se, portanto, que a origem do sujeito caracterizava-se por uma falta e, por isso, é menos nobre do que se imaginava.
A feminilidade apresenta-se como um enigma para Freud, por não ser algo dado desde o princípio. Isso porque a anatomia consegue distinguir o masculino do feminino, mas embaraça-se na diferenciação entre virilidade e feminilidade. Sobre esse assunto, Kehl (2008) esclarece que o destino ditado pela anatomia marca apenas a diferenciação dos sujeitos enquanto gênero, ou seja, homem ou mulher, nos sentidos biológico e cultural que os reveste. O que Freud busca diferenciar em relação aos sexos ocorre no campo do simbólico, isto é, como o sujeito ou objeto liga-se ao discurso, em termos de ativo ou passivo, no que se refere aos caracteres considerados masculino ou feminino, respectivamente.
André (1987) ressalta que a equivalência atividade/masculinidade e passividade/feminilidade não sustenta a diferença sexual, em termos psíquicos. A feminilidade pode, no máximo, relacionar-se às preferências por objetivos passivos – o que não se confunde com passividade. Essa é, portanto, uma questão que envolve o enigma da feminilidade. No caso da sexualidade feminina, essa parece relacionar-se mais à questão do gozo feminino, do que ao complexo de castração e à função fálica. Tal sexualidade situa-se
num mais-além da função fálica, como correlata a um Outro gozo que não aquele dito sexual, liga-se igualmente à maneira pela qual Lacan [...] reinterpreta a noção freudiana de bissexualidade, para reformular a diferença entre a posição masculina e a posição feminina a respeito do sexo (ANDRÉ, 1987, p.218).
Neri (2005) busca entender as diferenças do conceito de feminino nas obras de Freud e Lacan:
Se na dialética fálica freudiana o feminino seria o pólo da falta e, sob esta ótica, situado como castrado, invejoso, na releitura de Lacan o feminino por não ter o pênis seria o falo: se o homem tem o falo, a mulher por não ter o pênis é o falo. Se ao nível simbólico os homens tendem a ter o falo e as mulheres a sê-lo, esta repartição desaparece ao nível do imaginário pela intervenção de um parecer: homem e mulher desempenham o papel de parecer deter o falo – para protegê-lo quando o tem, para ocultar sua falta quando não o tem (NERI, 2005, p. 201).
Portanto, a questão do feminino centra-se na posse (ou não) do falo. Além disso, Neri (2005) afirma que o amor do homem pela mulher apresenta um caráter fetichista, no sentido de que ele precisa que sua amada tenha um revestimento fálico para cobrir a castração dela – sem o qual o homem não conseguiria gozar ou desejar uma mulher. Mais do que um artifício que vela a falta, tal revestimento fálico da mulher sugere uma feminilidade misteriosa. Isso porque o falo representa um significante que revela a ausência que ele mesmo tem a função de preencher. Nesse sentido, a autora conclui que a relação entre homens e mulheres é feita em torno do falo e não com a diferença sexual.