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4.1. Öteleme ile ilgili Matematiksel Söylemler

4.1.1. Öğretmenin Öteleme ile ilgili Matematiksel Söylemler

A sociologia de Pierre Bourdieu deve ser compreendida sob o espectro de sua totalidade histórica. Assumindo a posição de um investigador revigorado, esse autor redefine os meandros do pensamento social. Sua obra penetra no meio acadêmico, repensando muitos dos instrumentos e valores científicos que a sociologia de sua época considerava como padrões para a pesquisa social. Nesse contexto, Bourdieu investiu no desenvolvimento de novas perspectivas teóricas, orientadas sob medida para uma dimensão praxiológica da sociologia, fortalecida pela (re)construção e lapidação de importantes conceitos aplicados à ciência social.

De acordo com Valle (2007),

Como todas as grandes obras, a sociologia de Pierre Bourdieu (1930-2002) cresceu em torno de uma intuição, uma idéia-força, que ele desenvolveu, repetiu, reformulou e aplicou em diferentes problemáticas, retomando-a na maioria de suas mais de 300 publicações, traduzidas para diversas línguas. Essa intuição fundadora pode ser resumida em uma fórmula única: “as idéias puras não existem”. Caracterizada por uma abertura sem precedentes da pesquisa sociológica, sua produção teórica abriu horizonte para inúmeras outras abordagens científicas (no campo psicológico, antropológico, etnológico, científico, literário, econômico, cultural) (p. 119).

Situando a sociologia de Bourdieu no seu contexto histórico, assinala-se o interesse desse autor em desenvolver novas perspectivas científicas para a pesquisa sociológica que o conduziram a um caminho oposto ao dos sociólogos de sua época. Conforme Valle (2007, p. 119), “enquanto muitos de seus colegas pensadores evocavam uma sociologia em estado de crise, Pierre Bourdieu reconhece sua importância e acredita que ela pode ser elevada a um alto grau de cientificidade e de objetividade”.

Para Bourdieu, a superação da crise da sociologia implicou na recusa ao enquadramento das tendências mais conservadoras que dogmatizaram os métodos de investigação e engessaram as pesquisas sobre o mundo social.

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Ele considera que essa disciplina possui uma função crítica fundamental, que consiste em desvelar os processos de funcionamento social, especialmente os de dominação. Ele se propõe então, como objetivo último, a transformar a sociologia numa “ciência total”, capaz de restituir a unidade essencial da prática humana. Sua obra pode ser lida de múltiplas formas: como uma análise dos mecanismos de dominação das sociedades modernas, como uma teoria das práticas sociais ou, ainda, como uma análise da produção das idéias e dos sistemas simbólicos (VALLE, 2007, p. 119).

Nessa perspectiva de renovação da sociologia como uma nova abordagem da realidade social, surgiram para Bourdieu os fundamentos essenciais para a compreensão dos campos simbólicos que, por sua vez, se refletiram no desafio a importantes tradições sociológicas e filosóficas representadas sobretudo por Dhurkheim, Saussure e Marx.

De acordo com Nogueira e Nogueira (2004, p. 34), em relação à tradição dhurkeimeniana, Bourdieu se contrapõe principalmente à concepção de que “os sistemas simbólicos sejam reconhecidos simplesmente como estruturas estruturantes”, ou seja, que existe uma ordem social que infere diretamente na organização do conhecimento e “na percepção que os indivíduos têm da realidade”. Já o estruturalismo lingüístico de Saussurre é refutado por Bourdieu por causa da ideia de “realidades organizadas em função de uma estrutura subjacente que se busca identificar” (p. 34).

A tradição marxista que considera os sistemas simbólicos como “instrumentos de dominação ideológica”, utilizados para legitimar o poder de determinada classe social, é confrontada por Bourdieu (1989) que, ao escrever sobre o espaço social e a gênese das classes, mantém rupturas com a teoria marxista. Para Bourdieu (1989, p. 133), essa teoria teria ignorado “as lutas simbólicas desenvolvidas nos diferentes campos, nas quais está em jogo a própria representação do mundo social e, sobretudo, a hierarquia no seio de cada um dos campos e entre os diferentes campos”.

É importante analisar a obra de Bourdieu observando que o próprio autor explora de maneira controversa algumas rupturas que ele mesmo destaca como presentes em seu trabalho. Segundo Nogueira e Nogueira (2004, p. 45), “Bourdieu se aproxima bastante da concepção marxista ou mais amplamente materialista”, uma vez que subordina “a produção simbólica de um indivíduo ou grupo às suas condições materiais de existência”. Esses mesmos autores afirmam que as classificações e hierarquias dos bens simbólicos em um campo “é uma versão simbólica das diferenças e hierarquias entre classes e frações de classes”. Dito de outra forma, há mais do materialismo marxista nas análises dos campos simbólicos do que seu autor admite.

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Convém assinalar, conforme Nogueira e Nogueira (2004), que Bourdieu realiza uma síntese das tradições dukheiminiana, saussurreana e marxiana. As duas primeiras tradições sustentam a ideia de que “os sistemas simbólicos funcionam como estruturas estruturantes justamente porque são estruturados”. Quando associadas à tradição marxiana, tem-se que “a estrutura presente nos sistemas simbólicos e que orienta as ações dos agentes sociais reproduz as principais diferenciações e hierarquias presentes na sociedade, ou seja, as estruturas de poder e dominação social (p. 34).

Valle (2007) afirma que a complexidade da obra de Bourdieu acaba por revelar que não houve rupturas com as concepções mais tradicionais do pensamento sociológico, mas que Bourdieu (re)trabalha vários conceitos importantes cujo resultado “é a produção de uma cultura teórica incomparável, que combina autores54 cuja tradição canônica procurou opor, adaptando-os conforme as necessidades concretas das análises sociais” (p. 122).

Bourdieu (1989) esclarece na “gênese dos conceitos de habitus e de campo”55 que sua proposta teórica consiste em elaborar uma sociologia aplicada à sociedade como campo empírico, considerando que um dos pontos mais importantes da teoria social deve ser a possibilidade de contextualização e objetivação das relações de força como condição intrínseca ao universo social.

Nesse contexto, Bourdieu (1989) inaugura uma nova sociologia56 que ele mesmo define como uma topologia social. Essa é a representação do mundo social, expressa em forma de espaço “construído na base de princípios de diferenciação ou de distribuição constituídos pelo conjunto das propriedades que atuam no universo social considerado” (BOURDIEU, 1989, p. 133).

De acordo com Valle (2007, p. 119), “Pierre Bourdieu desenvolve uma abordagem singular dos fatos sociais, que se institui como um polo na paisagem

54 Durkheim e Weber, Marx e Mauss, Cassirer e Wittgenstein, Husserl e Lévi-Strauss, Bachelard e Panofsky, por exemplo (Valle, 2007, p. 122).

55 Na obra O Poder simbólico (1990), Bourdieu explica a gênese dos conceitos de campo e habitus e discute a forma como estes devem ser entendidos em sua teoria.

56 Reconhecido pela sua originalidade, Bourdieu inaugura uma sociologia que se situa na questão da mediação entre o agente social e a sociedade, rompendo com importantes paradigmas de predecessores como Durkheim e Weber. Conforme Ortiz (1983), apesar de Bourdieu reconhecer que a concepção de Durkheim sobre a especificidade do social representa um avanço em relação à corrente psicologista, por outro lado, ela torna-se um positivismo que implica em um processo de reificação da sociedade, apreendendo-a como “coisa”. Já Weber tem seu ponto de partida no sujeito, definindo os fenômenos sociais a partir das condutas individuais; o sentido da ação é, assim, considerado como um sentido subjetivo que o ator lhe comunica. Para Weber, não existe um “mundo objetivo”; a objetividade do social só pode ser apreendida por meio das ações individuais (p. 10).

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sociológica contemporânea e impulsiona o surgimento de uma nova orientação teórica”. A autora ressalta ainda que, em sua busca pela superação da concepção fragmentária do positivismo, Bourdieu mostra-se como um pesquisador

preocupado com o estudo da realidade – possível desde que seja ultrapassada – e tendo por fim a “objetividade social”, ele constrói novos conceitos de interpretação, tentando superar a tendência ao isolamento disciplinar e à redução dos processos sociais a estados estáticos, característicos da pesquisa de base positivista. A sociologia é considerada como uma profissão (un métier), o sociólogo deve apreender os instrumentos metodológicos para analisar racionalmente os fenômenos sociais que observa (VALLE, 2007, p. 119).

É nesse contexto de renovação do pensamento sociológico que o campo deve ser compreendido como um campo simbólico, onde quem detém força ou poder está em consonância com as propriedades desse microcosmo. A fim de esclarecer essa afirmativa, torna-se necessário realizar uma pequena incursão sobre a gênese do conceito de campo e de habitus.