Título
Autor
Orientador
Instituição
Ano
A contaminação por chumbo em crianças:
Subsídios para ação educativa em Alfabetização
Científica
Veronica Aparecida
Pereira
Prof. Dra. Ana Maria Lombardi Daibem Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 2006
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Indicadores da Alfabetização Científica nos
anos iniciais do ensino fundamental e aprendizagens profissionais da docência na formação inicial Fabiana Maris Versuti- Stoque Prof. Dr. Jair Lopes Junior Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 2011 Modelação Matemática e Alfabetização Científica da Educação Básica Lisiane Milan Selong Profª. Dra. Maria Salett Biembengut Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul 2013
Fonte: Elaborado pela autora.
A) A contaminação por chumbo em crianças: subsídios para ação educativa em Alfabetização Científica
Essa dissertação de autoria de Veronica Aparecida Pereira objetivava investigar como quatro escolas públicas inseridas em uma região de Bauru-SP contaminada por chumbo trabalhavam utilizando temas factuais, mais especificamente a contaminação por chumbo, que fazem parte da realidade dos estudantes. Além disso, a pesquisadora investigou quais as concepções do grupo de professores acerca do processo de ensino-aprendizagem, bem como as principais influências dessas concepções em suas práticas pedagógicas.
Para isso, foram contatados professores de escolas inseridas na região de contaminação por chumbo, sendo essa uma condição necessária para o desenvolvimento da pesquisa que foi dividida em três etapas: diagnóstico; intervenção; avaliação.
No diagnóstico, a autora fez entrevistas individuais com 36 professores de turmas de 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental para identificar itens como: trabalhos já realizados a partir do tema contaminação por chumbo; concepções sobre ensino e aprendizagem; possíveis diferenças no desempenho escolar das crianças contaminadas por chumbo e as crianças não contaminadas.
Na intervenção, a autora elaborou um programa de capacitação de 30 horas/aula dividido em cinco encontros com 15 participantes, relativo às necessidades apontadas nas entrevistas. Os tópicos abordados durante a capacitação foram: Contaminação por chumbo; Ciência, tecnologia e sociedade; Processo de ensino aprendizagem; Educação ambiental; Planejamento de ensino, intervenção e avaliação.
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A capacitação contou com a colaboração de palestrantes para fazerem exposição do tema proposto para o encontro, seguida de discussão com os professores participantes. No primeiro encontro foi feita uma acolhida e integração dos presentes, quando foi apresentado o curso de capacitação bem como a justificativa para realização do mesmo. No segundo encontro o tema abordado foi Contaminação por chumbo e suas implicações para saúde humana com objetivo de conhecer e refletir sobre os efeitos da contaminação por chumbo na saúde humana, forma de absorção, prevenção e tratamento, visando identificar ações possíveis por parte dos professores.
No terceiro encontro foi tratado de Ciência, Sociedade, Tecnologia e Ambiente e Contribuições da Educação Ambiental com o objetivo de refletir sobre o impacto das questões da saúde humana no ambiente escolar para uma busca de práticas sociais. No quarto encontro ocorreu continuação do anterior e os demais temas abordados foram Desenvolvimento infantil e Práticas educativas em Alfabetização Científica com o objetivo de refletir criticamente sobre as implicações da Ciência e da Tecnologia na sociedade atual. No quinto encontro os temas abordados foram Educação, Ambiente e Educação Ambiental com o objetivo de discutir sobre a importância de atuar no ambiente do qual faz parte. Neste último encontro também foi feito um planejamento de ações contextualizadas na realidade escolar em que se encontram.
Na avaliação, trinta dias após a capacitação, foi realizada uma segunda entrevista como 13 participantes, utilizando o mesmo instrumento da entrevista inicial a fim de comparar os dados anteriores e posteriores à capacitação.
Os principais resultados obtidos mostraram que os professores tinham diferentes concepções de ensino e aprendizagem e, em sua prática docente, somente 25% dos mesmos utilizam a contaminação por chumbo, de forma assistemática. Mostraram, ainda, desconhecimento das implicações da contaminação por chumbo por parte de alguns professores. Após a intervenção, a etapa de avaliação apontou a capacitação como positiva para formação dos professores, pois verificou que para temas factuais serem ponto de partida para o ensino, é necessário que o professor esteja capacitado para abordar a temática em sala de aula. Observou, ainda, que sem a capacitação dos professores, o tema da contaminação por chumbo em muitas escolas não era e nem seria abordado em sala de aula. Além disso, destacou a relevância do tema no contexto de inserção dos estudantes e professores para promoção da Alfabetização Científica no sentido de formar pessoas capazes de refletir e serem críticas diante do contexto em que se encontram.
87 B) Indicadores da Alfabetização Científica nos anos iniciais do Ensino Fundamental e
aprendizagens profissionais da docência na formação inicial
Essa tese de autoria de Fabiana Maris Versuti-Stoque objetivava investigar se existe um distanciamento entre a produção acadêmica sobre o ensino de Ciências e as práticas de formação inicial de professores. Também, visava compreender como esse distanciamento ocorre, ou seja, verificar se as condições e recursos didáticos disponíveis em um curso de formação inicial de professores são condições favoráveis para o desenvolvimento da atuação profissional, favorecendo a emissão de indicadores de Alfabetização Científica.
Para isso, os dados empíricos advieram de duas licenciandas em pedagogia de uma instituição de ensino superior pública de São Paulo-SP, ao realizarem o estágio obrigatório da disciplina de Ação Pedagógica Integrada II: Ensino Fundamental, na qual a pesquisadora era monitora. Uma das condições para escolha das duas participantes foi de que nenhuma delas tivesse experiência prévia de magistério.
Para realização do estágio da disciplina, a dupla de licenciandas deveria elaborar um projeto temático da área de Ciências Naturais para ser aplicado em uma turma de Ensino Fundamental e, nesse projeto, deveriam ser contemplados os conteúdos curriculares sugeridos pela professora titular da turma. A disciplina de estágio contemplava 5 horas de observação da turma na qual fosse aplicado o projeto, 5 horas para elaborar o projeto e 5 horas para executar o mesmo. O projeto temático elaborado pelas licenciandas tratou sobre agricultura e foi desenvolvido em uma turma de 4º ano do Ensino Fundamental, totalizando 35 estudantes do interior de SP.
Assim sendo, as etapas metodológicas adotadas pela pesquisadora foram: acesso aos registros de planejamento das aulas das licenciandas; acesso aos registros das interações ocorridas durante a execução do projeto; acesso às medidas comportamentais de possíveis indicadores de Alfabetização Científica; interação com as licenciandas visando à interpretação funcional dos indicadores. As aulas na turma de 4º ano e os encontros posteriores com as licenciandas foram filmadas pela pesquisadora. Foram utilizados indicadores de Alfabetização Científica estabelecidos por Sasseron (2008) para serem comparados com indicadores produzidos pelas licenciandas.
Os principais resultados demonstraram que os indicadores produzidos pelas licenciandas distanciam-se dos indicadores de Alfabetização Científica estabelecidos por Sasseron (2008), pois as práticas de ensino planejadas e executadas por elas não favoreceram
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a emissão de comportamentos dos estudantes consistentes com a proposta de alfabetizar cientificamente. Concluiu, ainda, que o desenvolvimento da Alfabetização Científica conforme indicado pela literatura não se apresentou como diretriz das propostas de formação inicial das participantes do estudo.
C) Modelação Matemática e Alfabetização Científica da Educação Básica
Essa dissertação de autoria de Lisiane Milan Selong objetivava analisar a Alfabetização Científica de estudantes de Ensino Fundamental e Ensino Médio utilizando a Modelação como método de ensino.
Para isso, os dados empíricos advieram da aplicação de um material didático de Modelação com o tema Embalagem de autoria de Biembengut (1990). O desenvolvimento da aplicação ocorreu em 24 aulas, com duração de 50 minutos cada, na disciplina de Desenho Geométrico para quatro turmas de estudantes de 1º ano do Ensino Médio, totalizando 122 estudantes. O outro grupo foi composto de nove estudantes voluntários de 6ª série do Ensino Fundamental que participaram em horário extraclasse. Em ambos os grupos a pesquisadora também era professora e a proposta desenvolvida foi a mesma para os dois.
O desenvolvimento da proposta seguiu as três etapas da Modelação definidas por Biembengut (2009): percepção e apreensão; compreensão e explicação; significação e expressão. Na primeira etapa os estudantes foram instigados a se familiarizar com o tema, buscando informações sobre os diferentes tipos de embalagens e realizando atividades que indicassem a Matemática presente no dia a dia. Além disso, a professor procurou explicar alguns conceitos básicos de geometria. Na segunda etapa, ocorreu a aplicação de modelos guia da planificação dos sólidos geométricos que estavam sendo estudados, juntamente com o desenvolvimento do conteúdo de Matemática que era necessário para a realização da atividade. Na terceira etapa, os estudantes criaram seus próprios modelos de embalagens. Para isso, eles poderiam usar os modelos guia que foram ensinados. Também foram orientados a utilizar a imaginação para fazerem embalagens bem criativas. Ao final disso, os estudantes apresentaram seus trabalhos e um portfólio que eles organizaram durante as atividades.
Assim, os dados empíricos advieram das atividades realizadas, ou seja, dos relatos destas, registrados pela professora-pesquisadora, que foram analisados com base em uma adaptação dos níveis de proficiência em Ciências. Essa análise serviu para verificar qual nível
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de Competência Científica os estudantes alcançaram após participarem do processo de Modelação.
O desenvolvimento da Modelação permitiu a pesquisadora observar que os estudantes estabeleciam relação entre as embalagens e o conteúdo de Matemática apenas pelo visual, apresentavam dificuldades para aplicar os conceitos matemáticos vistos em aula e dificuldade para manusear os instrumentos de desenho.
Os principais resultados indicaram que os dois grupos de estudantes apresentaram alguns avanços durante as atividades, mostrando-se criativos e críticos no processo de criação de seus próprios modelos. A autora conclui que, desse modo, a Modelação é um método de ensino que pode proporcionar Alfabetização Científica aos estudantes.
2.3.5 Artigos: Modelos Mentais