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ÖĞRENCİ İŞLERİ DAİRE BAŞKANLIĞI İZİN BELGELERİ

A abordagem cognitiva não apenas redireciona a unidade de análise novamente para a pessoa do empreendedor, mas também reconhece as contribuições da abordagem processual para compreensão do fenômeno empreendedor e desenvolvimento de técnicas de ensino de empreendedorismo. A perspectiva cognitiva busca identificar contribuições efetivas da pessoa do empreendedor dentro da perspectiva processual, e foca na compreensão dos processos cognitivos de tomada de decisão do empreendedor para agir de forma empreendedora.

O empreendedorismo como processo cognitivo é recente e surgiu como proposição teórica há aproximadamente quinze anos, com sua introdução em sala de aula há aproximadamente cinco anos (NECK; GREENE, 2011). A unidade de análise volta a ser o empreendedor, mas ao invés de categorias estáticas relacionadas às suas características, a unidade de análise na abordagem cognitiva é a forma como o empreendedor age de maneira empreendedora, o que exige a inclusão como objeto de estudo do time envolvido no processo de empreender. O objeto de interesse da área passa a ser compreensão dos mecanismos utilizados para se pensar e agir de maneira empreendedora ou, conforme preceituado por Mitchell et al. (2002) o foco agora são as estruturas de conhecimento utilizadas pelos empreendedores para avaliação de oportunidades, criação de novos negócios e sua expansão.

Quadro IV – Perspectivas teóricas – Perspectiva Processual x Cognitiva Fonte: adaptado de NECK; GREENE (2011).

A contribuição da abordagem cognitiva é a possibilidade de se compreender como as pessoas pensam de maneira empreendedora, que traduzidos em modelos mentais, heurísticas e estruturas de conhecimento podem ser utilizados para tomada de decisão em um ambiente empreendedor, com consequências positivas ao ensino do empreendedorismo à medida que é possível desenvolver habilidades relacionadas à forma como empreendedores pensam. Um dos reflexos mais importante dessa perspectiva para o ensino de empreendedorismo reside na possibilidade de compreender e, consequentemente, de ensinar aos estudantes modelos mentais utilizados por empreendedorismo para o exercício de suas atividades, que pode ser praticado reiteradamente com objetivo de se desenvolver habilidades necessárias à criação e desenvolvimento de novos negócios. Isso contribui para maior confiança dos estudantes ao permitir-lhes o exercício e desenvolvimento de habilidades relacionadas à forma como se pensa e age de maneira empreendedora (KRUEGER, 2007).

A grande contribuição desta perspectiva é a intersecção entre o pensar e o agir, pois a compreensão da maneira pela qual as pessoas pensam de forma empreendedora enseja na compreensão da maneira como as pessoas agem ao empreender. A utilização de estudos de caso e simulações é recorrente sob tal perspectiva, mas ao contrário da perspectiva processual, os casos e simulações focam no processo de decisão e comportamento do empreendedor e não simplesmente na tomada de decisão diante de um determinado problema. Isso porque o mesmo problema pode ser solucionado de maneira diversa dependendo de como o indivíduo o aborda, ou seja, há no caso uma clara distinção entre o processo cognitivo e a ação de um empreendedor em relação ao de um gestor, sendo a compreensão dessa distinção o objeto de interesse da perspectiva cognitiva.

Perspectivas teóricas Perspectiva Processual Perspectiva Cognitiva

Pressuposto lógico Planejamento e previsão Pensar e agir

Objeto de análise Criação de novos negócios Tomada de decisão empreendedora

Nível de análise Firma Empreendedor e seu time

Linguagem utilizada

Projeções, mercado de capitais, crescimento, alocação e recursos e

desempenho

Roteirização, heurísticas, processos de tomada de decisão, modelos mentais e

estruturas de conhecimento Principais pedagogias Estudos de caso, plano de negócios e

modelagem de negócios

Estudos de caso, simulações e roteirização

Outras técnicas de ensino incluem a pesquisa sistemática (FIET; PATEL, 2006) e identificação de oportunidades (DETIENNE; CHANDLER, 2004), sempre com o foco da análise na utilização de recursos necessários para se desenvolver um modelo mental empreendedor nos alunos, com a compreensão de decisões e questões fundamentais envolvendo o empreendedorismo. Mas em que pesem as contribuições da abordagem cognitiva, a estrita relação com a perspectiva processual faz com que haja pouca inovação quando se vai empreender, pois os modelos mentais e as etapas do processo de tomada de decisão fundamentam-se nos pressupostos de linearidade e previsibilidade intrínseca à abordagem processual.

Importante reconhecer que a perspectiva cognitiva não limita nem restringe a definição do construto empreendedorismo a categorias específicas de pessoas como ocorre na perspectiva das características do empreendedor, à medida que os processos cognitivos definidos como empreendedores podem ser utilizados para nos mais variados contextos e para diferentes propósitos. Isso enseja no reconhecimento de que o fenômeno empreendedor é abrangente, bem como que os indivíduos podem ser considerados empreendedores mesmo que não obtenham sucesso em termos econômicos ou materiais. Certamente o reconhecimento da complexidade e riqueza das manifestações empreendedoras é a contribuição mais relevante da abordagem cognitiva para a área, e a compreensão de que o empreendedorismo é um fenômeno dinâmico e há em sua essência uma forma característica de se pensar e de agir, gera inúmeras oportunidades de pesquisa.

Mas mesmo com lacunas para se preencher por meio da abordagem cognitiva, à medida que as pesquisas com base na relação entre indivíduo e oportunidade aprofundam-se, os acadêmicos identificaram a insuficiência desse paradigma para a compreensão plena do fenômeno do empreendedorismo, face à dificuldade de se conceituar e observar de forma objetiva o constructo oportunidade (ALVAREZ; BARNEY, 2010, 2013, 2007; DIMOV, 2011; VENKATARAMAN et al., 2012).

Até o momento, o objetivo da área foi compreender como os indivíduos relacionavam-se com as oportunidades, ou seja, quais os modelos mentais e processos cognitivos por meio dos quais o empreendedor decide e age de maneira empreendedora. No entanto, a dificuldade em se definir e de se observar empiricamente o constructo oportunidade, faz com que a abordagem cognitiva seja limitada e impeça o progresso do empreendedorismo como área específica de conhecimento, pois a discussão sobre e existência objetiva de oportunidade, aquela oriunda de falhas de mercado com fundamento nas teorias econômicas positivistas (KIRZNER, 1979; SHANE, 2012), em contraposição à necessidade de se definir o construto

sob a influência da interpretação humana (ALVAREZ; BARNEY, 2010, 2013, 2007), é inócua e não permite avançar a discussão do empreendedorismo como área de conhecimento (DIMOV, 2011; SARASVATHY, 2004).

E mesmo incorporando-se o elemento subjetivo ao conceito de oportunidade por meio das ideias de negócios ou conjecturas (SHANE; VENKATARAMAN, 2000; SHANE, 2012), a perspectiva cognitiva falha à compreensão integral do fenômeno pela incapacidade de se operacionalizar empiricamente o construto oportunidade. De se notar que o conceito de ideia de negócios ou conjecturas permite com clareza integrar a perspectiva de (KIRZNER, 1979), relacionada à oportunidade como falha de mercado à perspectiva de SCHUMPETER (1934), de exploração de oportunidades por meio do processo criativo de combinação de recursos, mas mesmo assim não resolve o problema relacionado à sua definição operacional.

E mesmo que Shane (2012) afirma que ainda há muito a se pesquisar e compreender no âmbito da perspectiva processual e na perspectiva cognitiva em relação ao fenômeno do empreendedorismo, a impossibilidade de operacionalização e observação do constructo oportunidade impõe entraves significativos à evolução do empreendedorismo como área específica de conhecimento, além de gerar discussões epistemológicas e ontológicas improdutivas (DIMOV, 2011; SARASVATHY, 2003).

Surge então a necessidade de nova abordagem do fenômeno, uma que permita a evolução da teoria e seu desenvolvimento. É nesse contexto que emerge a perspectiva do empreendedorismo como método, que sugere nova alteração do objeto de estudo e unidade de análise da área no sentido de que a oportunidade somente pode assim ser conceituada enquanto interação concreta do empreendedor com o ambiente externo (SARASVATHY; VENKATARAMAN, 2011), analisada a seguir.

Benzer Belgeler