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Çocuğun Bilişsel Gelişim

How Should Children’s Art Books Be Evaluated?: A Sample Analysis in Terms of Formal and Content

Görsel 9. ‘Çocuklar için Sanat’ kitabının 14 ve 15 Sayfaları

2.3.3. Çocuğun Bilişsel Gelişim

Na sociedade contemporânea, os sujeitos consideram como seus os problemas que são, na verdade, macrossociais. Por isso, não conseguem fazer o elo entre o individual e o social e, de um modo geral, tomam para si a responsabilidade por suas perdas ou ganhos. Daí a importância de contemplar, nesta pesquisa, a subjetividade desse sujeito e compreendê-lo na relação com a sociedade, no intuito de contribuir para que essa integração se efetive.

Subjetividade: É a qualidade do que é subjetivo, indicando uma relação essencial ao sujeito. Daí a sua contraposição à objetividade. Trata-se da propriedade constitutiva do fenômeno psíquico do sujeito autoconsciente e pensante, que só pode ser experimentado por ele. Caracteriza pois a interioridade da pessoa, o seu caráter de individualidade irredutível a qualquer conceito geral. Por isso se usa também numa acepção concreta para indicar o campo das realidades subjetivas (MORAIS, 1992, p.1321).

Pode-se dizer que tal conceituação é bastante reducionista, pois é notório que a conotação de subjetividade pressupõe a existência de um mundo externo dissociado de um mundo interno do sujeito. Assim, ela seria estanque e imune às interferências dos aspectos sócio-históricos, políticos, culturais e econômicos que permeiam as relações sociais; dito de outro modo, ela não contempla a totalidade concreta, pois esta não dicotomiza o sujeito. A supervalorização do indivíduo também fica evidente, assim como a idéia de que a subjetividade ocorre de maneira homogênea, universal e individualizada para todas as pessoas, sendo atrelada ao âmbito da interioridade.

Na perspectiva dialética, a contradição é tida como a unidade dos contrários, constituindo-se em tese e antítese a ser superada pela síntese, que é qualitativamente distinta de ambas. Desse modo, a subjetividade é construída dialeticamente através das relações que se estabelecem entre o indivíduo e a sociedade em que ambos são indissociáveis, visto que o particular contém em si o universal (LANE, 2002).

A concepção de subjetividade que reduz o indivíduo a algo independente do plano social é insustentável, pois o movimento dialético é que caracteriza essa relação como contraditória. Ou seja, a sociedade determina o indivíduo, porém este,

através de suas ações práticas e de sua participação ativa nas relações sociais, constrói essa sociedade e constitui a sua subjetividade (LANE, 2002).

De acordo com Nardi (2006), a palavra subjetividade conduz para aquilo que é próprio ao sujeito. A subjetividade é compreendida como um conceito operativo, uma categoria analítica que viabiliza o entendimento da dinâmica e da estrutura social em que o individual e o coletivo são inseparáveis. Losicer, citado por Nardi (2006), afirma que não há cisão entre o ‘sujeito psíquico’ (sujeito da história individual e do desejo inconsciente) e o ‘sujeito social’ (sujeito da história e de suas transformações).

No que se refere ao rompimento de dicotomias, há importantes contribuições de psicólogos que desenvolveram a psicologia soviética25, dentre os quais se destacam Vigotsky26 e Rubinstein27. Estes foram os pioneiros na superação de determinados dualismos, como o do social com o individual, visto que refutavam o determinismo causal entre as influências externas e a psique, defendendo a sua representação dialética (GONZÁLEZ REY, 2006).

A dialética possibilita ultrapassar a cisão entre indivíduo e sociedade, entre externo e interno. Portanto, a psique não seria o produto de interferências externas, mas sim um processo de produção de significado e sentido que ocorre com o sujeito a partir de sua experiência relacional com os fenômenos do mundo. O sujeito passa a ter uma participação ativa, e a psique deixa de ser concebida como um produto passivo para ser considerada um processo complexo, como resume González Rey (2006, p. 357):

A dialética permitiu a desnaturalização da compreensão da psique e facilitou sua representação como sistema complexo capaz de integrar, em seus próprios termos e mediados pelas suas próprias formas de organização, experiências vividas pelo homem em diferentes espaços socioculturais e em diferentes momentos históricos, como momentos de sentido de sua organização atual. É precisamente essa integração do histórico e do social, na sua especificidade psicológica, o que explica o uso da categoria subjetividade para dar conta desse complexo sistema de sentido com características ontológicas diferentes de muitos dos sistemas que participaram de sua gênese [...].

25

A psicologia soviética utiliza o marxismo e suas variantes como fundamento filosófico (GONZÁLEZ REY, 2006).

26

Lev S. Vigotsky (1896-1934) — psicólogo soviético fundador do enfoque histórico-cultural (GONZÁLEZ REY, 2006).

27

Serge Rubinstein (1889-1960) — juntamente com Vigotsky, foi um dos protagonistas no desenvolvimento da psicologia soviética (GONZÁLEZ REY, 2006).

A perspectiva dialética não compreende a subjetividade como sinônimo de interiorização, mas reconhece as interferências da cultura e dos contextos históricos na constituição do sujeito e entende que este não é passivo, e sim constituinte de tais contextos. De acordo com o referido autor, o cultural, o social e o histórico são elementos produtores de subjetividade e, por essa razão, não estão separados do sujeito, todos se relacionam e se integram. A subjetividade não está associada à apreensão racional da realidade externa pelo sujeito, mas está relacionada à história deste e dos contextos históricos geradores de sentido.

Fonseca (2002) afirma que não é possível tecer alguma noção de subjetividade/sujeito que seja desvinculada dos processos sociais e históricos, pois, antes de ser individual, a subjetividade é coletiva, social e histórica. A autora salienta que mundo e sujeito, público e privado, racionalidade e sensibilidade, trabalho e não trabalho são inconcebíveis como realidades isoladas e autônomas, pois coexistem de forma recíproca e relacional, uma está contida na outra, necessitando uma da outra. Sendo assim, quando se faz referência à subjetividade, as oposições dualistas devem ser refutadas.

[...] o reconhecimento da complexidade do mundo social e dos sujeitos leva a considerá-los (mundo e sujeitos) como efeitos complexos da interpenetração de múltiplos eixos estruturados e estruturantes, cujas alianças são capazes de identificar as faces dos diferentes poderes –

social, econômico, simbólico, cultural –, que buscam sua concretização e (re)produção tanto na ordem societária como na ordem psíquica de seus agentes (FONSECA, 2002, p.21).

No entanto, negar as dicotomias não significa negar a singularidade e a própria subjetividade. Elas não são suprimidas, pois cada indivíduo, em sua experiência peculiar, vivencia, de forma heterogênea, as ocorrências do mundo social com o qual se relaciona e interage. Nessa interação, a subjetividade é, ao mesmo tempo, produto e produção.

De acordo com Guattari e Rolnick (1996, p. 33), “a subjetividade é essencialmente social, assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares”. É oscilante o modo pelo qual o indivíduo vive a subjetividade, podendo ser através de uma relação de alienação e opressão, quando tal relação é apreendida e reproduzida pelo indivíduo, constituindo, assim, uma subjetividade

assujeitada; ou através de uma relação de expressão e criação, ocorrendo um processo de produção de singularização.

Desse modo, a subjetividade é concebida como uma produção, algo que não se cristaliza, que está em metamorfose e em constante devir. Os referidos autores salientam que o sistema capitalista tende a obstruir os processos de singularização e a instituir os processos de individualização. Pode-se dizer que os processos emancipatórios de resistência à submissão e às mais diversas formas de dominação equivalem aos processos de singularização; enquanto os processos de individualização apontam para a culpabilização, para o assujeitamento e o conformismo.

O conceito de subjetividade “se reporta a tudo aquilo que está alocado no sujeito humano, por contraste às condições de existência, que precedem a entrada do sujeito no mundo. É pela via da posição do sujeito no mundo que a sua subjetividade se constitui” (FONSECA, 2002, p. 22), ou seja, pela via da contradição, a subjetividade é conformada historicamente. Os sujeitos assumem a posição de protagonismo ou de passividade diante dos acontecimentos. Logo, podem ser responsáveis pela produção de uma subjetividade mais livre ou pela reprodução de uma subjetividade conformada aos padrões determinantes da sociedade. Isso não é algo estanque, mas um processo marcado por rupturas e continuidade.

A dinâmica histórica põe os planos objetivos e subjetivos num processo de reciprocidade interacional, sem que se possa definir especificamente a fonte originária e determinante da realidade, pois esta possui múltiplos condicionantes (GONZÁLEZ REY, 2006). Essa multiplicidade de fatores constitui a totalidade, diferente do subjetivismo que supervaloriza os aspectos internos como se fossem deslocados de uma contextualização histórico-social.

Como Nardi (2006) destaca, a subjetividade é constantemente determinada pela vida social, a qual é determinante do próprio desenvolvimento do indivíduo. O autor salienta que a subjetividade é oriunda dos processos de interação entre os indivíduos e a sociedade, do modo como o sujeito constrói-se e é construído na ‘trama social’.

O campo de estudos e análise da subjetividade e trabalho é caracterizado pela ruptura das oposições binárias, como indivíduo-coletivo, objetivo-subjetivo e interior-exterior, e busca o alargamento da análise para a compreensão dos processos de subjetividade. Esse campo tematiza e analisa a relação entre

subjetividade e trabalho, isto é, a conexão entre o trabalhador e seu trabalho, abrangendo modos de pensar, agir, sentir, resistir, trabalhar, em cada contexto socioeconômico, incluindo valores, necessidades e projetos. Em suma, esse campo busca verificar e compreender a maneira como os sujeitos vivenciam e dão sentido às suas experiências de trabalho (NARDI; TITTONI; BERNARDES, 2002), considerando fundamentais as condições concretas que condicionam o lugar e o tempo histórico em que esses sentidos são construídos ou reproduzidos.

Através do diálogo com essa perspectiva, considera-se que é preciso pensar nos modos como os sujeitos estão vivenciando a ausência de trabalho, já que este é um importante veículo de sociabilidade, responsável pela vida em sociedade e pela criação de vínculos entre os homens. É imprescindível refletir a respeito da subjetividade de quem não tem acesso ao emprego assalariado e por isso está privado de construir laços sociais e referenciais de coletividade que se constituem a partir do trabalho.

3 EMPREGO E DESEMPREGO: concepções e dados de realidade