Uma das formas de se manter a continuidade dos projetos era sua inclusão no planejamento escolar.
Esse trabalho [orientação da pesquisa escolar] consta do planejamento anual de atividades da biblioteca e acontece no mês de setembro, sistematicamente, para as turmas de 1º ano de ensino médio (D 9/230).
Diante do sucesso obtido com o projeto, a Direção da escola inseriu o evento no Plano de Desenvolvimento (PDE) para dar sustentabilidade ao projeto (D 14/156).
Nesta escola, especificamente a gente já tem três [projetos] e aí passa a fazer parte do projeto maior da escola. Tem vários projetos, certinhos, programados anualmente [...] (E 4/4-5).
As aulas da biblioteca fazem parte da grade curricular. Foi feito o planejamento, então fiz o projeto e já foi feito o planejamento com as aulas, pra casar justamente com aulas. Quando eu apresentei pra Orientação, então ele já sabia que não ia interferir nada, porque já tava dentro do planejamento de aula de biblioteca, então fomos nós, a biblioteca, que se adaptou (E 5/7).
Outra forma de se garantir a continuidade dos projetos foi por meio da fixação de datas e/ou horários para as atividades com os estudantes.
[...] a gente tem contação de história periodicamente, de quinze em quinze dias... A gente também tem umas atividades – essa também é todo ano, esqueci de falar, aquela visita orientada – a gente tem todos os anos com os meninos. O que muda é o que a gente trabalha, porque para a criança que viu no ano anterior não é da mesma forma... Quem já participou da visita orientada em um ano a gente traz, nem que seja para contar uma história, mostrar o outro projeto que a gente quer desenvolver naquele ano, falar como andam as coisas. Então todo ano eles vão, no início do ano; participa todo mundo (E 1/ 2, 12).
A Semana do Livro a gente dedica muito tempo na preparação. Ela acontece uma vez a cada ano, em média de três a quatro dias. E o calendário da escola já prevê no final do ano, quando é elaborado, o calendário já tem a Semana do Livro (E 2/1, 3).
Os alunos vêm uma vez por semana pelo menos. O 1º ano e o 2º anos vêm à biblioteca acompanhados de seus professores. A escola trabalha também com os grupos [...], que é de acordo com as habilidades e competências de cada grupo, de acordo com as dificuldades de cada aluno os grupos foram formados. Então tem grupo de teatro, tem grupo de leitura e tem um grupo que é desenvolvido aqui na biblioteca. Então, a biblioteca pertence a essa grade curricular, não de todos os turnos, mas ali,
sistematicamente, todas as turmas de 1º e 2º ano elas têm já um horário estabelecido. E o grupo de trabalho diferenciado, tem dois que acontecem aqui na biblioteca (E 2/ 4). A gente faz o projeto durante o ano todo, é rotina mesmo... Esses projetos todo ano a gente faz. Só que cada ano a gente vai mudando, vai criando, senão fica muito cansativo. Pros alunos novos é novidade, pros que já estão aqui não é tanta novidade. Então, cada ano a gente vai criando e vai ganhando mais adeptos (E 4/ 3).
Tem um mural por mês; a gente elege um escritor, a gente faz a biografia dele, seleciona as obras dele, pros alunos tarem pegando, entrando em contato. Eu gosto de trabalhar com datas comemorativas. Tem muito bibliotecário que não gosta, mas eu acho que a gente tá perdendo as nossas coisas (E 4/ 9).
Então, em suma, esse é o trabalho, o projeto, mais ou menos do que a gente fez a partir do ano passado e estamos fazendo ainda esse ano. Então ele é o mais focado exatamente para essa parte de educação. Pra cada recurso, vamos dizer assim, são duas aulas. Pra cada etapa do projeto. De projeto são dois por mês. É o ano inteiro. A gente planejou o ano inteiro. Porque as aulas de biblioteca são quinzenais, tá? Então a gente divide pra não ficar muito pesado, e também pra não perder o sentido da leitura, uma aula é projeto, outra aula é a leitura, a história, outra aula é a dramatização. Desculpa, não é quinzenal, a aula é mensal. Mas começou em março até dezembro; termina em dezembro, a 1ª semana de dezembro. Todas as turmas... Pretendemos [manter]. Este ano não estamos fazendo com 3ª e 4ª séries porque esta parte do projeto eles já viram (E 5/ 6-7).
Segundo alguns informantes, a biblioteca, não estando inserida automaticamente no processo de aprendizagem, dependia do êxito de seus projetos para sua permanência e tinha de se esforçar para mantê-los. Assim, desenvolvendo atividades que, na maioria das vezes, não estavam previstas no currículo ou no calendário escolar, os bibliotecários pesquisados tinham que garantir a permanência de seus projetos com base no apoio da direção e dos professores, o que era conseguido com muito esforço.
[...] com empenho, dificuldades, lutas e ideais e, felizmente, vitórias! Acalentados pelo sonho de que o jornal fizesse parte do universo de leitura de todos demos continuidade ao projeto (D 14/152).
Hoje no terceiro ano de implantação algumas dificuldades já foram superadas. Os professores apóiam o programa da unidade teste. Já solicitam outras atividades para complementarem as suas aulas e os materiais já estão adquiridos (D 12/11).
Buscando garantir a participação de todos, na continuidade do projeto, destaca a importância de socializá-lo à equipe docente, pedagógica e diretiva da instituição (D 13/29).
Havia também preocupação em ampliar os projetos.
Procuramos manter os projetos existentes e principalmente fomentar novos projetos e atividades... (D 4/92).
Os resultados progressivos alcançados com a continuidade do nosso Programa deram- nos oportunidade de ampliar nossa esfera de atuação na construção de uma proposta de trabalho multidisciplinar e dinâmica... Os resultados positivos do trabalho realizado no ano anterior levaram à ampliação das atividades para com todas as turmas do primário e particular interesse da Coordenação Pedagógica no desenvolvimento de atividades diversas também com os discentes, bem como expansão das atividades para turmas de ginásio e normalistas (D 5/131, 133).
A ampliação era feita com cuidado, e dependia de segurança com relação ao que havia sido oferecido anteriormente.
[...] desde 2005 a gente tá trabalhando de 1ª a 4ª série. Temos a pretensão de trabalhar de 5ª a 8ª série, Eu já tentei com a orientadora da 5ª série, pra trabalhar isso, mas eu quero fazer uma coisa bastante planejada, com calma. Então eu falei ‘Não, então eu vou ficar primeiro de 1ª a 4ª série pra gente pegar esse público, ver como é que vai ser, pra depois ir pra 5ª série (E 5/1).
Algumas atividades eram de manutenção, adaptadas de acordo com o público a ser atingido.
Quando a gente fez esse projeto, que foi em 2001, nós pegamos todos os alunos, de 4ª até o terceirão. Aí, depois, a gente só mantém o da 4ª, porque os outros já passaram por isso e realmente quando eles têm dúvidas eles vêm mesmo, eles me perguntam e eu oriento... (E 3/2).
A fala anterior ilustrou a flexibilidade da prática educativa do bibliotecário que também foi mencionada por outros entrevistados, demonstrando a característica maleável do seu trabalho.
Quem já participou da visita orientada em um ano a gente traz nem que seja pra contar uma história, mostrar um projeto que a gente quer desenvolver naquele ano, falar como andam as coisas; então todo ano eles vão, no início do ano, participa todo mundo. E, às vezes a gente dá por escrito as regras da biblioteca. Às vezes a gente não dá todo ano por que é desnecessário, no ano seguinte a gente dá para as turmas novatas; aí quanto tem uma mudança – igual teve a internet – dentro da biblioteca, então a gente faz novamente pra todo mundo. Esse ano tiveram a visita orientada vendo como podiam usar o computador, como iriam agendar, essas coisa todas, o que poderiam pesquisar, que por enquanto a gente não ta deixando brincar na máquina, só mesmo pesquisa (E 1/12-13).
Olha, o que tem já com data marcada é o jornalzinho, já tem os meses previstos pra sair. Os outros projetos a gente vai incorporando ao longo do ano. Então não são projetos que já têm, que ‘todo ano vai ter esse, esse e esse!’. São projetos que vão sendo incorporados ao longo dos anos... Os projetos que a gente monta é de acordo com o interesse do momento. Então o que a gente tá sentindo que os meninos tão precisando naquele momento, a gente monta o projeto e faz... São atividades pontuais, de acordo com a necessidade do momento... (E 1/4, 7).
Esporadicamente – não tem uma data marcada não – acontecem contações de histórias. Às vezes o professor pede ‘Você pode contar uma história?’ Então a gente faz uma contação extra, fora da Semana do Livro (E 2/4).
Então a gente tem algumas coisas que a gente vai fazendo. À medida que vai surgindo o problema, a gente cria projetos em cima e começa a trabalhar com ele (E 4/9).
A flexibilidade se refletiu também nas oportunidades que um dos informantes teve de se aperfeiçoar profissionalmente.
Eu acredito que eu tenho mais chances que eles. Porque hoje em dia, da forma que está estruturada a questão da carga horária do professor, ele não tem tempo pra fazer um curso. Se ele faz, sobrecarrega quem fica. Então o que acontece no meu caso, eu saio e posso estar desenvolvendo atividades em outros horários. Eu tenho horário como bibliotecária, eu tenho horário mais flexível que o do professor... Então eu faço mais
cursos do que eles. E procuro repassar em cima dos projetos e das atividades da biblioteca... (E 1/17).
Assim, percebe-se que os bibliotecários, ao mesmo tempo em que buscaram consolidar sua ação, esforçando-se para garantir continuidade, permanência e ampliação de seus projetos – avaliando ainda que de forma intuitiva os resultados de suas ações e buscando parceria e apoio dos diversos segmentos da escola, principalmente dos professores – também tiraram partido da flexibilidade permitida por sua posição na instituição escolar.