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ÇAKMAK MAH.HÜDAİ CAD.MAKPARSAN ÖZEL ORG.SAN.10614 SOK.NO:3

BÜSAN 4.SANAYİ SİTESİ FEVZİÇAKMAK MAHALLESİ 10665 SOKAKNO :4/J KARATAY / KONYA

F. ÇAKMAK MAH.HÜDAİ CAD.MAKPARSAN ÖZEL ORG.SAN.10614 SOK.NO:3

Apesar de não ser tradição na história política brasileira, o plebiscito, o referendo, os projetos de iniciativa popular, marchas e ocupações foram identificados como instrumentos e mecanismos de participação e de informação popular, que contribuem para a constituição e a concretização do Estado Democrático de Direito.44

3.1 Plebiscito

Instrumento de emancipação democrática, o plebiscito permite à população dar parecer sobre algo importante para o Estado, sendo uma forma de se dividir o poder de decisão (na democracia representativa) entre os governantes e a sociedade (Simões, 2013). Desde a instituição da CF/88 apenas um plebiscito nacional foi realizado, em 1993, quando a população brasileira foi convocada para deliberar sobre a forma de governo, república ou monarquia, e o sistema político, parlamentarismo ou presidencialismo.

44 Para a consecução de plebiscitos e referendos é necessário um processo idêntico ao eleitoral: o povo vai às urnas e

vota, manifestando o seu desejo relativamente às decisões fundamentais da sociedade (conforme previsão do artigo 49º, inciso XV da CF/88). Já para os projetos de iniciativa popular, é a apresentação à Câmara dos Deputados, na forma de projeto de lei subscrito por pelo menos 0,5% do eleitorado, cerca de 700 mil pessoas pelos números atuais

(Fonte: Agência Brasil. Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Disponível em:

<http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-07-10/senado-aprova-pec-que-diminui-assinaturas-necessarias-para- projetos-de-iniciativa-popular> Acesso em: out. de 2013).

3.2 Referendo

O referendo traduz a ideia de ratificação, por ser consulta feita após o ato praticado pelo Estado, ou seja, o povo é chamado a aquiescer ou não o que se fez (Simões, 2013). Em 2005, o eleitorado opinou dizendo se concordava com a comercialização de armas no país.45

3.3 Projetos de iniciativa popular

A iniciativa popular é um processo pelo qual “o povo cria as leis que vão vigorar no país” (Campos, 2010a: 05). Desde 1988, o Congresso Nacional aprovou quatro projetos de iniciativa popular. O primeiro (em 1994) caracterizou chacina realizada por esquadrão da morte como crime hediondo; o segundo (em 1999) tornou crime passível de cassação a compra de votos; o terceiro (em 2005) criou o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social; o quarto (em 2010), denominado “Ficha Limpa”, foi aprovado mais recentemente, por meio de um movimento de mobilização, liderado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), com ampla divulgação pela internet (com mais de 2 milhões de adesões) e entidades sociais, com mais de 1 milhão e meio de assinaturas, que culminou com a aprovação da lei complementar número 135/2010.46

Resta claro, portanto, que os três mecanismos de participação popular (previstos constitucionalmente e regulamentados por lei infraconstitucional no.

9.709 de 18/11/1998) foram até hoje muito pouco utilizados, segundo a literatura especializada (1) por dificuldades logísticas de execução, (2) pela pouca organização popular, (3) pelo desconhecimento desses instrumentos e, (4) por desinteresse e/ou falta de vontade política por parte dos governantes (Simões, 2012; Simões, 2013).

3.4 Ocupações e marchas

Na atualidade, ocupações e marchas que caracterizam a participação popular como, por exemplo, a mobilização de grupos (associações de

45 Fonte: Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Disponível em:

<http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2013/07/mesmo-sem-tradicao-de-plebiscitos-no-brasil-varias-propostas- tramitam-no> Acesso em: out. de 2013.

46 Fonte: G1. O Portal de Notícias da Globo. Eleições 2010. Disponível em: <http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-

moradores e/ou sindicatos de trabalhadores), se ampliaram como a forma de manifestação das multidões – levante popular envolvendo milhares de brasileiros que, em última análise, despertam na sociedade o direito de opinar sobre decisões que afetam diretamente sua vida cotidiana.47

Esses mecanismos de participação popular não atuam dentro de programas públicos e nem se subordinam às suas regras e regulamentos (Gadotti, 2013). Embora dialogando e negociando pontualmente com os governos, em determinados momentos vem à tona o distanciamento que se estabeleceu entre a sociedade e o Estado, que empreende ações punitivas, por vezes violentas, sobre esses movimentos, reprimindo a construção de uma sociedade civil mais organizada e atuante nas causas públicas.

Reconhecidamente ocupações e marchas são dos poucos canais de expressão e negociação de interesses públicos que ainda persistem entre os cidadãos brasileiros e o Estado burocrático e ainda autoritário. Os movimentos sociais contribuíram de modo relevante para as principais conquistas econômicas e sociais do país, e favoreceram avanços no que se refere aos chamados “novos direitos”, como respeito à diversidade sexual, reconhecimento das demandas próprias da juventude, dos idosos, das mulheres, dos sem teto e das pessoas com deficiência, incorporados à pauta de emancipação da sociedade brasileira nas últimas décadas (Brasil, 2010).

Quando a sociedade civil se organiza e se articula, formando espaços públicos nos quais é possível reivindicar, opinar e interferir sobre as decisões do Estado, que se torna, lentamente, permeável à participação social, se dá a instituição de sistemas de participação social, deliberativos e de monitoramento (controle social), como, por exemplo, conselhos, conferências, ouvidorias, audiências públicas, entre outros (Gadotti, 2013).48

47 Uma proposta de Negri e Hardt (2005: 123) seria a democracia baseada no poder constituinte da multidão. Para os

autores, “o poder da multidão de criar relações sociais em comum coloca-se entre a soberania e anarquia, com isto

apresentando uma nova possibilidade de fazer política.” A multidão constitui um “sujeito ativo”, apto à tomada de decisões políticas em redes institucionais comunicativas e colaborativas, que estão constantemente produzindo e reproduzindo a vida social.

48 O termo “controle social” tem origem na sociologia. Na teoria política, o significado de “controle social” é ambíguo,

pois pode ser empregado para designar o controle do Estado sobre a sociedade como para designar o controle da sociedade (ou de setores organizados na sociedade) sobre as ações do Estado (Pereira, 2008).