1.3. SÖZLÜ FORMÜL KURAMI VE HOMEROS
2.3.2. Zakirler Tarafından İcra Edilen Fuzûlî Şiirleri
O Campeonato de 1974 teve a participação de quarenta equipes de todos os estados brasileiros — com exceção da Paraíba. O regulamento previa a realização de um quadrangular final, que foi disputado por Vasco, Cruzeiro, Santos e Internacional. As duas primeiras ficaram empatadas em número de pontos e realizariam uma final. O mesmo regulamento afirmava que a final do Campeonato teria como mandante a equipe com melhor campanha.
No caso o jogo seria no Mineirão, uma vez que o Cruzeiro tinha a melhor campanha, no entanto a equipe mineira foi punida, devido a problemas ocorridos em um jogo anterior realizado no Mineirão frente o próprio Vasco da Gama. A CBD (atual CBF) não apenas tirou a partida final do Mineirão como a colocou no Maracanã, isto é, o regulamento foi ignorado16.
Além disso, o árbitro da partida, Armando Marques (que posteriormente presidiu a Comissão de Arbitragens da CBF por muitos anos) anulou um gol perfeitamente
15 Há grande controvérsia sobre o título brasileiro de 1987: o Sport, de Recife, é considerado pela CBF como o
campeão, mas o Flamengo também é apontado como tal. Um pouco mais à frente esclareceremos esta questão. Para esta distribuição, considerou-se o Flamengo/RJ como o vencedor.
16 Disponível em: http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2008/03/28/os-times-beneficiados-pelas-viradas-de-
regular, considerado legal pela imprensa — e o lance está disponível na internet para quem desejar conferir mais uma vez —, do atacante Zé Carlos, do Cruzeiro-MG: esta partida, disputada em 01/08/1974 terminou com a vitória do Vasco-RJ por 2 x 117. Sobre Armando Marques, o jornalista Juca Kfouri assim se referia:
Ficou marcado por alguns erros clássicos, como a anulação de um gol de Leivinha, da SE Palmeiras, em 1971 na disputa com o São Paulo FC pelo campeonato paulista. Também encerrou a disputa de pênaltis entre o Santos FC e a Portuguesa de Desportos ao se atrapalhar na contagem das cobranças; o time da Vila Belmiro vencia por 2 a 0, mas o campeonato acabou dividido. Em 1974, anulou um gol legítimo de Zé Carlos, do Cruzeiro EC, que tirou as chances do time mineiro conquistar o Brasileirão daquele ano sobre o CR Vasco da Gama (KFOURI, 2009, p. 125).
Um dos jogadores que participaram desta partida, Palhinha, que atuava pelo Cruzeiro-MG, aponta o claro favorecimento dado ao Vasco-RJ no decorrer da partida, por parte da arbitragem:
Agora 74 foi uma vergonha. Armando Marques nos meteu a mão, anulou um gol legitimo do Zé Carlos onde o bandeirinha já tinha corrido para o meio campo validando o gol. O jogo era para ser em Belo Horizonte, mas a CBF forçou o Cruzeiro a aceitar e jogar no Rio. Para vocês terem uma ideia, quando eu entrei em campo o Armando Marques falou comigo: eu não vou marcar nenhuma falta em você. O Moisés e o Miguel me atropelavam e ele ao invés de marcar falta ao meu favor, marcava contra. Então o Armando teve uma participação fundamental na conquista do Vasco, que tinha um time bom, mas foi beneficiado pelos erros deste arbitro18.
Sobre os problemas que cercaram a decisão do Campeonato Brasileiro de 1974, em vídeo postado em 01 de agosto de 2012, Nelinho — ex-Cruzeiro, ex-Atlético e ex-Seleção Brasileira —, com muita clareza encaminha o seu depoimento, de forma muito bem articulada e segura. Isso faz com que estejam disponíveis, no presente, novamente,
17 Disponível em: http://blogmiltonneves.bol.uol.com.br/blog/2013/05/20/qual-o-maior-escandalo-de-
arbitragem-do-futebol-brasileiro-santos-x-portuguesa-em-1973-vasco-x-cruzeiro-em-1974-flamengo-x-atletico- mg-em-1981-santos-x-botafogo-em-1995-corinthians-x-internac/. Acesso em 20/05/2013.
18 Disponível em: http://ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com/2010/09/o-craque-disse-e-eu-anotei-
informações e críticas sobre passados esquecidos e, sobretudo, abafados pela mídia e, em geral, pelo amplo mundo do futebol:
Primeiro, foi a transferência [do local] do jogo. A decisão tinha que ser em Belo Horizonte, mas como em jogo anterior [em] Belo Horizonte teve uma invasão de campo por parte de um diretor, o nosso vice-presidente Cármine Furletti, eles pegaram isso aí como motivo, arrumaram uma confusão e transferiram o jogo. Nós estávamos concentrados na Toca para jogarmos na quarta-feira, era uma terça-feira, e, aí, nós [...] [fomos] comunicados. Acho que o jogo passou para quinta-feira, se não me engano, e nós viajamos na quarta-feira para o Rio para disputarmos a decisão. Quando isso aconteceu, olha... a conversa entre nós era a seguinte: isso já está arrumado. Vai ser muito difícil a gente ganhar lá porque não se faz isso da forma como foi feito. O motivo não era para se transferir uma decisão. Mas foi o que aconteceu e, chegando lá, antes do jogo, o Armando Marques chegou perto do Palhinha e falou para ele: “não adianta você cair porque eu não vou marcar falta em cima de você.” [...] Ele não deu uma falta no Palhinha. Eu não bati uma falta naquele jogo! E, depois, numa hora em que eu estava na barreira, ele saiu na minha direção e me deu uma bronca; eu ameacei abrir a boca e ele: “fica calado se não eu te expulso.” Eu murchei. Eu disse, ah isso aí está arrumado. Ele começou a pegar os pontos fortes da equipe e começou a intimidar. Mas o jogo rolou. Eles fizeram o [primeiro] gol: normal. Eu fiz o gol e não tinha como anular porque eu chutei de fora da área. [...] Aí, depois, meu amigo, eles fizeram 2x1. Nós demos a saída, próximos do fim do jogo. Fizemos uma jogada. O Baiano foi pela linha de fundo, deu para trás... Ele, quase na linha de fundo, deu a bola para trás e o Zé Carlos fez o gol. Ele anulou. Ele já foi perguntado e nunca explicou porque anulou aquele gol. [...] O bandeirinha, quando terminou o jogo [era o Oscar Scólfaro19], eu, amigo dele, falei: você deu o que aí, Oscar?
Ele [respondeu]: “eu não dei nada não, Nelinho. [...] A jogada foi
19 Oscar Scolfaro foi o bandeirinha na decisão de 1974. Entretanto, na condição de árbitro, Oscar Scolfaro, anos
mais tarde, no campeonato brasileiro de 1982, praticamente selou a sorte da competição, ainda nas oitavas de final. O chaveamento colocou, frente a frente, Flamengo e Sport de Recife. No Maracanã, o jogo foi vencido pelo Flamengo: 2x0. O Sport, em Recife, precisaria vencer por dois gols de diferença. Venceu, mas ficou no 2x1. Como observa, em vídeo postado em 13 de outubro de 2009, o apresentador de um programa da Rede Globo, Rembrandt Júnior, um gol mal anulado eliminou o Sport e ainda ajudou o Flamengo que, ao final, terminou como campeão, quando era para ter sido eliminado nas oitavas de final. Conforme os depoimentos — e o próprio vídeo que traz as imagens do referido lance já ao final da partida — a bola que originou o terceiro gol do Sport não saiu pela linha de fundo, quando cruzada para a área. No mesmo vídeo, ou no mesmo programa da Rede Globo, o comentarista José Bezerra, diz: “vejo muito cinismo no árbitro [Oscar Scolfaro, que saiu escoltado pela polícia] [...] e muito cinismo do Raul”, goleiro do Flamengo [que também participou do programa], ao dizer que, no jogo, não foi possível ver se a bola saiu ou não; mas as imagens são bastante nítidas e a distância entre a bola e a linha de fundo era muito grande, no momento do cruzamento. Rembrandt Júnior, em tom irônico: “Não era [para o Raul] ficar em dúvida.” Um jornalista pernambucano responde: “Não, não. Havia uma máfia na arbitragem. Eles já vinham aqui com o resultado no bolso. Os clubes do Sul não podiam perder”. Cf. http://www.youtube.com/watch?v=U-UqWslpJGU#t=357. Acesso: 23 de novembro de 2013.
normal.” A gente podia até perder, pois o jogo estava bem dividido. Quero dizer: ia para uma prorrogação, depois para os pênaltis e a gente podia até perder. Mas da forma como nós perdemos é que nós não aceitamos.20
O que se pode questionar, diante das declarações? Aqui, estão depoimentos coincidentes de ex-atletas que defendiam, naquele momento, os interesses do clube mineiro e, do mesmo modo, os seus próprios interesses. Entretanto, tais depoimentos devem e podem ser conferidos, pois, desde algum tempo, a internet é um espaço plenamente aberto, onde não há limite para as informações. A partir delas, construímos a nossa leitura crítica, as nossas interpretações e, do mesmo modo, podemos avaliar, com alguma precisão, momentos de um passado que, a despeito da aparente distância, está diante de nós.
Há uma grande desconsideração, desinformação ou negligência, até mesmo por parte da imprensa mais crítica, da atuação dos árbitros ao longo das partidas de futebol no que diz respeito aos lances definidos como não capitais. O que mais importa, para a crítica desportiva: pênaltis bem ou mal assinalados, impedimentos bem ou mal assinalados, faltas grosseiras, gols anulados, gols em impedimento, por exemplo. No entanto, ao decorrer dos jogos, a atuação dos árbitros é sentida pelos atletas. Eles sabem o que está acontecendo, pois sentem, vivem o mundo. Sempre dizia Reinaldo, atacante do Atlético-MG, que são exatamente os melhores árbitros aqueles capazes de, com toda a sutileza, inverter faltas, ameaçar os atletas sem que ninguém veja, omitir uma falta de ataque que resultaria em gol, ou o contrário: marcar uma falta ou uma irregularidade inexistente, impedindo um gol. O curioso é que, no futebol, as paixões e o trabalho da mídia — e, sobretudo, o da omissão — parecem esvaziar as memórias. Quem vai se lembrar — ou quem percebeu — a atuação desastrosa de Armando Marques que resultou no título do Vasco da Gama, diante dos mineiros? O que conta é mesmo o título: o de campeão, conferido àquele que chegou à frente de todos na competição. O que contam são os troféus conquistados. Todo o resto é completamente apagado das memórias e, sobretudo, negado à crítica a ser construída pelas gerações futuras que nada saberão do que, de fato, aconteceu. Entretanto, mesmo tendo passado todo esse tempo — afinal, já se
passaram 40 anos!!! —, é possível recuperar informações e leituras críticas que ficaram à margem e que são indispensáveis à compreensão da força política de Rio de Janeiro e de São Paulo. Orlando Ribeiro, narrador da transmissão para o Brasil, sobre o legítimo gol do Cruzeiro anulado, em vídeo postado em 09 de maio de 2012: “[...] lance absolutamente normal [...] Eu não vi sinalização [e não houve sinalização alguma, de fato], pois o lance foi normal. A condição de Zé Carlos: perfeita. Veja um jogador do Vasco, ao fundo [...].”21