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Nesse trecho temos a repetição de uma frase musical duas vezes seguidas, seguida ainda de uma terceira, acrescida, em seu início, por uma nota de meio tempo, idêntica à primeira nota das duas frases anteriores. Apesar desse verso não estar contido no libretto, ele é exigido pela partitura da Flauta Mágica, como um momento intermediário entre o sexto e o sétimo verso originais. Dessa maneira, optamos por re- enumerar os versos do libretto, de forma que o sétimo verso original passa a ser o oitavo e, o oitavo verso original passa a ser o nono verso. Dessa maneira, o subtópico 10.7 referente ao sétimo verso, se refere, ao destino que terá Pamina caso ela não traga o Círculo de Ouro para a mãe. A Rainha canta: “Banida, abandonada e rompidos serão os laços naturais106” A figura 16 ilustra o trecho da partitura utilizado no sétimo verso da

Ária 14. Podemos notar uma sequência de notas que culminam em uma nota numa oitava abaixo. Após essa sequência, a rainha faz menção aos laços naturais.

Figura 16: Trecho da partitura de Die Zauberflöte, de Wolfgang Amadeus Mozart, referente ao sétimo verso da Ária 14

O segundo trecho do 2º verso apresenta uma semi-colcheia no primeiro compasso, em Sol 4. No segundo compasso, a mesma nota se repete. No entanto,

104 Ewig.

105 Alle Bande der Natur.

observamos o dobro da duração do tempo da nota. A segunda nota desse compasso apresenta a mesma duração que a primeira, no entanto um intervalo de oitava descendente existe em relação à primeira. Ainda no segundo compasso, um intervalo de um tempo e meio antecede a repetição do mesmo esquema de notas do final do primeiro compasso e começo do segundo.

Essa segunda frase, que dura até o terceiro compasso, é antecedida por uma colcheia na altura do Sol 4, que divide o espaço desse compasso com um intervalo de tempo menor do que o insterstício anterior: apenas um tempo inteiro de duração de pausa, contra os dois tempos e meio do primeiro compasso.

No quarto compasso se encerra a apresentação dos termos “Banida, Abandonada e Rompidos107” que, por sua vez, trazem o intervalo de oitava de “para

sempre108”, extraído do primeiro trecho do Quinto Verso (ainda que um tom inteiro

acima). Isso implica que o sentido do termo “para sempre” foi incorporado aos três termos da penalidade a ser aplicada a Pamina. Isso implica considerar que há um realce da ideia perpétua da pena.

Ainda no quarto compasso, após uma pausa de um tempo, duas semi-colcheias, na altura do Sol 3 são seguidas por um Fá 4 na duração de uma semínima, já no quinto compasso. Outra semínima, na altura do Ré 4, fecha esse compasso. No sexto compasso, a sequência descendente iniciada no compasso anterior segue passando, em um intervalo de terça menor, do Ré 4 para o Si 3, uma modificação do grau subdominante. Esta nota é seguida por um Mi 4 no intervalo de quarta justa, mantendo o esquema de duração das notas do compasso anterior. Esse trecho se encerra no sétimo compasso em um Lá 3 de duração igual a um tempo.

11.7.1 O Sétimo Verso (Extensão)

Esse trecho é entrecortado por um novo motivo puramente musical no canto da Rainha da Noite durante a Ária 14. Ao nível da semântica, temos uma ênfase da posição que Pamina irá ocupar em relação à mãe caso ela, como filha, não obedeça à imposição feita pela mãe de trazer o Círculo de Ouro. Quando a Rainha afirma que serão rompidos os laços naturais ela está se referindo à relação mãe e filha estabelecida desde o nascimento de Pamina a partir do ventre da Rainha da Noite. A indicação da fala no

107Verstoβen, verlaβen e zertrümmert 108 ewig

tempo do futuro e o resgate do critério condicional nos revela que Pamina deixará de ser filha caso ela não obedeça à mãe. A Rainha canta: “todos os laços naturais109”.

A figura 17 ilustra o trecho da partitura utilizado no sétimo verso da Ária 14. Na figura está ilustrada uma repetição do verso anterior enfatizando a ameaça à Pamina que, por sua vez, irá temer o abandono de sua mãe. Uma sequência puramente musical com a presença de tercinas e staccatos pode ser observada.

Figura 17: Trecho da partitura de Die Zauberflöte, de Wolfgang Amadeus Mozart, referente ao sétimo verso (extensão) da Ária 14

No primeiro compasso do da figura 17 temos duas mínimas, uma na altura de Lá 3 e outra na altura do Mi 4, marcando a presença do terceiro e do sétimo grau de Fá Maior.

No segundo compasso iniciam as tercinas que ilustram a vogal "a" contida na sílaba "Ba" de "Bande". As tercinas desse compasso possuem, a partir da nota central, uma sequência na seguinte dinâmica: ascendente (Sol 4 para Si 4), descendente (Si 4 para Sol 4), descendente (Sol 4 para Mi 4).

As tercinas continuam no terceiro compasso caindo numa segunda menor do Ré 4 do final do segundo compasso para o Dó#4 do terceiro (modificação do grau dominante). A nota central da primeira tercina desse compasso, um Ré 4, cai para o Si- bequadro 3 (modificação do grau subdominante, marcando a nota central da segunda tercina), como que numa segunda aumentada, voltando para o Ré 4 (na nota central da

terceira tercina) que depois segue para o Fá 4, também em segunda aumentada.

No quarto compasso, a sequência melódica das tercinas inicia-se em Sol 4 (segunda maior na nota central da primeira tercina), subindo para Si 4 (por meio de uma terça maior), descendendo de volta para o Sol 4 e, finalmente, descendendo para o Mi 4 (numa segunda aumentada).

No quinto compasso, as modificações sobre a dominante e a subdominante do terceiro compasso voltam a aparecer, de forma que o terceiro e o quinto compasso são idênticos, rítmica, melódica e harmonicamente.

O sexto compasso encerra a longa frase das tercinas em um Fá 4. Quatro tempos inteiros de pausa antecedem o sétimo compasso que, após uma pausa de meio tempo, apresenta notas em staccato.

As quatro primeiras notas do sétimo compasso estão numa sequência ascendente, culminando no clímax de todo o trecho (Ré 5). Após o clímax, a sequência retorna para o Lá 4, sobe para o Si 4 e, depois, descende um pouco mais para o Sol 4. No oitavo compasso a sequência repousa num Lá 4 de um tempo inteiro. A nota é seguida por três tempos de pausa.

O nono compasso é idêntico ao sétimo. No entanto, a sequência desse compasso não é dada numa semínima, mas numa colcheia, ainda que tenhamos notas de mesma altura (Lá 4). Esse Lá é seguido por uma série de colcheias que seguem numa sequência que ora ascende e ora descende, sempre em stacatto. Essa sequência se desdobra até o 12º compasso, quando a série vocalizada a partir do "a" de “laços110” se

encerrra.

O 13º compasso começa com uma nota de dois tempos numa segunda menor descendente em relação ao 12º, numa modificação da sensível que é seguida por uma quarta diminuta na sequência do Mi-bemol 4 para o Sol 4. A mesma quarta diminuta aparece na sequência do 13º para o 14º compasso na sequência para o Si 4. Após essa nota, temos uma sequência descendente dupla de quartas diminutas e, no final do 14º, assim como na passagem dele para o 15º, temos intervalos de segunda menor. A modificação na dominante é o registro do encerramento desse trecho.