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Ticari Aktiviteler Yoluyla Yapılan Propagandalar

14 Kandıralı Cemil Nazmi bin İbrahim(elmalı beyi makam sabıkı) 15 Mustafa Suphi’nin refikası bir Rus kadın253

2.5 Ticari Aktiviteler Yoluyla Yapılan Propagandalar

A categoria pathica introduz a pessoa no nível biológico, porque ela cria o laço entre percepção e movimento (Weizsäcker, 1958). O pathico é praticamente inacessível à conciência conceitual. Ela é imediata, intuitiva e se dá num nível pré-conceitual. É mais o sentido do que é percebido, o que permite uma aproximação ao status do conceito de “feeling”, ligado aos estados puramente afetivos de Maine de Biran (Maine de Biran, 1920; Tatossian, 1979). Todo movimento do corpo está atrelado à categoria pathica. Para Weizsäcker (1958), a estrutura dos atributos pathicos está contida numa série de verbos modais, o querer, o dever (como necessidade biológica e como obrigação moral) e o poder (como aptidão e como autorização/permissão), além de questões que concernem a liberdade e a necessidade.

De forma a compreender a dinâmica da vingança no nível pathico, é preciso fazer uma análise do percurso modal. Vejamos como isso acontece:

1. O querer da Rainha da Noite está marcado por uma pulsão repetitiva com foco em (re)obter o Círculo de Ouro e em destruir todos aqueles que estão entre ela e o seu objeto de desejo. Querer se vingar se dá como uma vivência que renova eternamente o narcisismo, necessário à sua própria existência. Desistir de querer seria aceitar compensação, o que seria plausível no caso de um eu mais resistente às feridas

narcísicas – mas não é o caso da Rainha. O querer, na vingança é algo a ser satisfeito a toda custa, o que é uma característica recorrente em personagens vingativas: é o desejo de ficar quite (Socarides, 1977).

2. As questões ligadas ao verbo dever (no sentido moral70) estão na dinâmica entre o supereu e o eu. Enquanto o supereu busca promover a segurança do eu, o querer pode livremente ser alcançado (Socarides, 1977). A ocupação do supereu com o eu abre caminho para o advento das questões da negatividade radical hegeliana, ou seja, dos desejos mais destrutivos do ser humano (Žižek, 2004), mas sobre o objeto oriundo da regressão. Isso implica que, no afeto vingativo, o dever moral pode ser ignorado em prol da atividade do verbo querer que, no caso, está ligado aos impulsos destrutivos da Rainha que, caso estivesse submetida às regras do dever moral, teria que abrir mão do seu querer, o que, por sua vez, poderia promover formas mais saudáveis de adaptação a esse afeto (Socaridades, 1977).

3. O verbo dever (como necessidade71) é o que se liga ao querer da Rainha. Nesse sentido, querer se vingar se efetiva por uma questão de necessidade sentida no corpo. A ardência por vingança é relatada na Ária 14 como algo a ser saciado pela obtenção do Círculo de Ouro e da morte de Sarastro (Castarède, 2002). Aqui estão presentes componentes que irão reforçar o sentimento de vingança junto à mobilização do verbo querer.

4. O verbo poder (como capacidade72) está na capacidade da Rainha de declarar vingança. Ela possui os meios e recursos psíquicos necessários para a realização da empreitada. Ela arma a trama, entregando a Flauta a Pamino. No entanto, seu intuito fracassa. Dessa maneira, ela pede à filha que lhe traga de volta o Círculo de Ouro. Finalmente, ela mesma tentará resgatar o Círculo. Por meio de comportamentos sádicos envolvendo a filha e Pamino ela tenta reobter o seu objeto de amor. A falha de ambos irá envolver o verbo poder ligada a ela mesma, numa última tentativa. Ela é capaz disso...

5. A dialética da dinâmica pulsional se revela numa oposição clara entre o querer e a questão do poder como permissão moral, o que indica o domínio do poder moral73 no âmbito pathico do problema da vingança da Rainha da Noite: “Rejeitada do reino da claridade, a Rainha se encontra soberana do mundo noturno com uma imensa 70 Sollen. 71 Müssen. 72 Können. 73 Dürfen.

frustração. [...] Ela não pode compreender a ignorância em que se mantém a sua natureza feminina decaída74” (Castarède, 2002, p. 119). O que realça o problema da permissão é justamente a sua condição enquanto rejeitada: A ela não é permitido fazer parte da Ordem Sagrada.

A logica da autorização que atravessa o poder moral (“eu me autorizo”) se realiza para que a Rainha possa alcançar o seu objeto de desejo. A personagem se permite a querer se vingar devido às questões suscitadas pelo desvio do Círculo de Ouro que deveria ser parte de sua herança. Com essa ação de se autorizar emergem problemas ligados à formação do Ideal do Eu e, consequentemente, ao retorno de operações narcísicas nas quais ela irá se permitir tudo para alcançar o seu desejo. Isso porque sentimentos de perda se somam contra o inderdito do não-materno. Dessa maneira, o supereu organizado e promotor da castração será negado. Apenas a sua parte que promove o conforto do eu será mantida.

Sabemos também que o círculo da forma se faz em um ato que forma outro (conforme o Figura 5). A estrutura aparece na análise dialética da decisão crítica no processo de tomada de decisão. Quando a Rainha se vê prejudicada, ela procura se vingar do homem que a prejudicou: Sarastro e, possivelmente, Pamina. Ambos podem estar assumindo simbolicamente o papel do marido defundo da Rainha, deslocados na psiquê da Rainha.

74 Rejetée du royaume de la clarté, la Reine s’est retrouvée souveraine du monde nocturne avec une

Figura 5: O pentagrama pathico do círculo da forma75 de Victor Von Weizsäcker

O psicólogo pode intervir na vida de um paciente marcado pela posição vingativa crônica de forma a fazer com que o último possa aceitar a vida como uma experiência de trocas e como a oportunidade para se aproveitar bons momentos ao invés de o sujeito encaminhar-se para destinos trágicos ocorridos em virtude de uma ideia obssessional de se vingar (Lane, 1995). A verdadeira vitória que o terapeuta pode alcançar junto com um paciente dominado pela disposição vingativa é a superação dos danos feitos ao eu enquanto o sujeito era uma criança e a construção de um eu mais estável e maduro, pautado na realidade e sendo capaz de superar desapontamentos (Lane, 1995). O foco nos aspectos pathicos da pessoa deve ser o foco terapêutico, que

75 Jacques Schotte prefere a tradução de Gestaltkreis para “Círculo da Forma”, em vez de “Círculo da

Estrutura” conforme a sugestão de tradução de Michel Foucault, que lançou mão de uma linguagem mais estruturalista (Schotte, 1970).

irá considerar a vivência do paciente como algo tão importante quanto a visão médica objetiva, contra uma tendência do pensamento clínico em priorizar o segundo em detrimento do primeiro (Martinsen, 2013). Isso implica que, em virtude da correlação entre o domínio pathico e a primeiridade dos estados puramente afetivos, que a clínica pathica envolve um resgate da primeiridade peirceana para o pensamento clínico, em contraposição à clínica clássica dos índices entre sintomas e pathologias.

TOMO III – DESCRIÇÃO DA PARTITURA PARA CANTO VOCAL (SOLO)