2 TRABZON’DA BOLŞEVİK PROPAGANDA ARAÇLARI VE TBMM HÜKÜMETİ’NİN YÜRÜTTÜĞÜ STRATEJİLER
2.1 Basının Kullanılması
2.1.1 İstikbal Gazetesi’nin Bolşevizm’e Yaklaşımı
7.2.1 O Signo
Para Peirce, signo é tudo que transporta qualquer noção definitiva de um objeto. A partir dessa ideia eu faço a melhor analise que puder acerca do que é mais essencial para esse signo e defino como representamen como aquilo que essa análise puder ser aplicada. Não pode haver nenhuma ideia falsa sobre o signo para que possamos chamar essa ideia de representamen. O representamen gera um signo equivalente a si-mesmo na mente de alguém, que é o interpretante. O signo se relaciona com o objeto, mas não de todas as formas, mas com referência a um tipo de ideia, que pode ser chamada de fundamento do representamen (CP 1.540).
Em 1903, Peirce realizou palestras no Lowell Institute e em Harvard
University, quando propôs que os signos poderiam ser divididos em três categorias
(Romanini, 2006). A essas subdivisões ele denominou de “Primeira Tricotomia dos Signos”. A primeira subdivisão é definida pelo signo-em-si-mesmo, a segunda é dada na relação do signo com o seu objeto e a terceira é dada na relação com o seu interpretante (CP 2.264).
Um quali-signo é uma qualidade que não pode agir enquanto um signo até tomar forma. Mas a sua materialização não influencia o seu caráter de signo (CP 2.244). Um exemplo é o timbre da voz de Karolina Andersson, que estrelou o papel da Rainha da Noite na temporada de ópera de 2015 de uma capital europeia35.
Um sin-signo é um evento singular (a sílaba "sin" traz o significado de ser único, como em singular ou simples). Ele pode envolver um ou mais quali-signos (CP 2.245). Um exemplo de sin-signo é a partitura da peça “A Flauta Mágica”, elaborada por Wolfgang Amadeus Mozart36.
Um legi-signo é uma lei que é um signo. Dessa maneira ela é geralmente convencional. Não envolve a ideia de existente ou de singular, mas de uma generalização importante a partir de um consenso. O legi-signo exige a presença do sin-
35 Alguns dos exemplos para as dez classes de signos foram extraídos a partir de situações ligadas à
apresentação da peça “Trollflöjten”, versão adaptada para a língua sueca a partir da peça “Die Zauberflöte”, de Mozart e Schikaneder. A peça Trollflöjten foi apresentada na Ópera Real de Estocolmo no dia 14 de Janeiro de 2015. O folhetim vendido no evento encontra-se escaneado nos elementos pós- textuais dessa dissertação, no Anexo C.
36 Uma versão digitalizada da partitura da Ária 14 da peça “A Flauta Mágica” encontra-se anexada nos
signo para se manifestar, mas um tipo especial de sin-signo, conhecido como “réplica” (CP 2.246). Os elementos de notação musical que definem o tempo de duração da nota são legi-signos. Os seus diversos registros nas partituras que podemos observar, por exemplo, na partitura da “Flauta Mágica”, são chamados de réplicas (Monelle, 1991).
7.2.2 Objeto Dinâmico e Objeto Imediato e as Relações entre Signo e Objeto
Nas cartas para Lady Welby e William James entre 1904 e 1909, Peirce colocou, a partir de uma inspiração estóica, que havia dois objetos para o signo (Short, 2007). O primeiro é um objeto formalmente reconhecido no signo de forma que já é uma ideia, denominado então de objeto imediato. O segundo objeto independe de qualquer um dos seus aspectos. Peirce coloca que ele é o objeto das ciências dinâmicas e, por isso, ele recebe o nome de objeto dinâmico (CP 8.183). O objeto dinâmico é já um objeto em termos de eficiência, mas ainda não é um objeto imediatamente presente, como deverá ser o objeto imediato. Enquanto o objeto imediato é o lekton dos estóicos, o objeto dinâmico existe independente da sua representação (Short, 2007). Ressalta-se que não faz sentido dizer que esse objeto dinâmico se aproxima à coisa-em-si37
kantiana, que sempre escapa à possibilidade de conhecermos acerca dele, uma vez que negar essa possibilidade já é uma ideia sobre esse objeto. Para Peirce, o objeto dinâmico é mais o objeto independente da sua representação do que um objeto irrepresentável (Short, 2007).
A segunda tricotomia do signo é dada com referência ao objeto. Dessa maneira, ele pode ser um ícone, um índice ou um símbolo (CP 2.247-9).
Um ícone tem como essência da sua relação com o objeto a semelhança. Isso porque ele partilha com o objeto uma série de qualidades (CP 2.247). Os melismas agudos cantados pela Rainha da Noite na Ária 14 representando a profunda dor que ela sente são um exemplo de relação icônica.
O índice se relaciona com o seu objeto por meio de uma relação de existência. Ele o representa por meio de relações dinâmicas com ele (Martinez, 1997). Um exemplo de índice são as linhas vocis da Ária 14 da peça “A Flauta Mágica” com relação à opulência do canto vocal italiano do século XVIII (ainda que a Flauta esteja em língua alemã, a imponência das dramáticas linhas vocais indica a influência do canto vocal operístico italiano do século XVIII).
O símbolo é uma lei ou uma regularidade ligada a um futuro indefinido. Mas uma lei governa ou deve necessariamente ser incorporada em indivíduos e prescrever algumas de suas qualidades. A relação do símbolo com o objeto é ordenada por associações de ideias gerais que fazem com que o símbolo seja interpretado com referência àquele objeto (CP 2.249). A peça “A Flauta Mágica”, apesar de pertencer às salas de ópera mais do que a rituais maçonicos propriamente ditos, está ao lado das outras peças de Mozart voltadas para cerimoniais da maçonaria como a “Gesellenreise” (K.46838) (Eisen & Keef, 2006). Dessa forma, é possível dizer que, simbolicamente, “A
Flauta Mágica” é uma “Ópera Maçônica”.
7.2.3 Interpretantes e suas relações com o signo
Ao longo das obras completas de Peirce é possível encontrar uma vasta gama de tipos de interpretantes (Short, 2007). Nesse contexto, é possível distinguir duas tricotomias. A primeira, criada em 1904, está dentro da estrutura teleológica da semiose, na qual Peirce irá incluir o interpretante imediato, o interpretante dinâmico e o interpretante final. Essa estrutura teleológica se engaja com a faneroscopia peirceana, criada em 1907, e subdivide os interpretantes em emocional, energético e lógico (Short, 2007). A tentativa de igualar o primeiro, o segundo e o terceiro interpretante de cada uma das duas séries não procede. Isso porque cada um dos três interpretantes da série teleológica possui três diferentes subdivisões, definidas pelo seu engajamento com a série da fanerescopia. Essa é a posição mais próxima daquela dada por Peirce (Martinez, 1997; Short, 2007).
O interpretante imediato, assim com o objeto imediato, pertence ao signo e, enquanto interpretante, compreende uma potencialidade que é a base de toda interpretabilidade. O interpretante imediato consiste numa qualidade da impressão que o signo foi feito para produzir (CP 8.315). O interpretante dinâmico ultrapassa o limite da potencialidade, exigindo a presença de um signo formado (CP 8.343). O interpretante final, além de ser uma possível qualidade a ser interpretada, é um interpretante ideal, uma tendência interpretativa final a ser reconhecida como verdadeira caso haja um consenso unânime sobre o fato de ele ser verdadeiro (CP 8.184).
Esse último conceito foi um dos mais difíceis de serem definidos, ora sendo
38 As numerações seguidas pelo K dizem respeito ao Catálogo Köchel, que enumera as obras de Mozart.
A Flauta Mágica é conhecida como K.620. Uma variação do uso do K é o KV, quando mencionada a publicação em alemão (Köchel, Giegling & Sievers, 1964).
chamado de "interpretante significante", ora de "interpretante representativo". Em nove de outubro de 1905, Peirce colocou que o interpretante representativo é aquele que corretamente representa o signo como sendo um signo do seu objeto. Em dois de abril de 1906, Peirce irá chamar o interpretante final de "interpretante normal", ou "genuíno", que envolveria tudo que um signo pode revelar acerca de um objeto para uma mente suficientemente suscetível (Short, 2007).
No âmbito da faneroscopia peirceana, o interpretante emocional é um sentimento, só que mais do que isso. Muitas vezes ele é o único efeito significativo que o signo produz. De acordo com Peirce, “a performance de um uma peça musical concertada é um signo. Ela carrega e tem a intenção de carregar as ideias musicais do compositor; mas essas geralmente consistem meramente numa série de sentimentos39”
(CP 5.475).
Caso a peça musical citada acima produzir algum efeito apropriado em termos de significação ela o irá fazê-lo por meio de um interpretante energético. Este envolve um esforço, que pode ser muscular ou mental. O interpretante energético nunca pode ser intelectualizado já que ele é um ato singular, enquanto que o âmbito da intelectualidade é de natureza geral (CP 5.475).
Peirce irá denominar de interpretante lógico um pensamento que irá interpretar, por exemplo, um comando militar (Short, 2007). O interpretante lógico é um efeito para além daquele de ordem mais somática, ligada ao interpretante energético. Ele pode ser um pensamento intelectual (CP 5.476). Nem todo contexto de comunicação é preciso pensar e refletir, de forma que nem toda interpretação deve ser intelectual. Isso porque, por vezes, algumas palavras que chegam a nós são já transformadas em ação, por efeito do interpretante energético, e não exigem a presença de um pensamento (Short, 2007).
A terceira tricotomia dos signos é dada com relação aos interpretantes. Nesse contexto, temos os remas, os signos dicentes e os argumentos.
Um rema é um signo de possibilidade qualitativa, ou seja, é compreendido enquanto sendo representante de um objeto possível (CP 2.250). Qual será a vestimenta do personagem Sarastro de forma que se adeque à proposta de compor uma paródia para a peça Flauta Mágica40? Trata-se de um exemplo de rema.
Um dicente é um signo que se dá como um existente para o seu interpretante
39 the performance of a piece of concerted music is a sign. It conveys, and is intended to convey, the
composer's musical ideas; but these usually consist merely in a series of feelings (CP 5.475).
40Na ocasião da apresentação da “Flauta Mágica” em Janeiro de 2015, Sarastro foi representado como
(CP 2.251). Um exemplo dessa classe sígnica surge no contexto de uma visita à ópera de Estocolmo quando um convidado, levado às escuras para assistir uma peça que ele não sabe antecipadamente qual é, de repente reconhece a “Flauta Mágica” em execução. Um argumento é um signo que representa seu objeto de forma a produzir um interpretante comunicativo final lógico (Romanini, 2006). É um signo que, para o seu interpretante, é um signo de lei (CP 2.252). Um exemplo de argumento musical é o pensamento, ou uma série de reflexões de um profundo conhecedor da peça “A Flauta Mágica” enquanto ele aprecia a execução da mesma numa casa de ópera.
7.3 QUESTÕES DE PRIMEIRIDADE: O QUALI-SIGNO, A QUESTÃO ICÔNICA E