• Sonuç bulunamadı

1.2. YOL BAĞIMLILIĞI

1.2.1. Yol Bağımlılığının Oluşma Nedenleri

A pesquisa tem como foco as práticas informacionais, ou seja, a “busca, uso (ou recepção), mediação e construção (ou produção) da informação” e toma como campo empírico de investigação as reuniões de um Consep de Belo Horizonte, considerando-o como um tipo especial de organização comunitária que, estimulado e incentivado pela PMMG, tem um importante papel estratégico no processo de implantação e consolidação do modelo de policiamento comunitário na capital mineira.

Estudar o Consep como um campo de busca, uso (ou recepção), mediação e construção (ou produção) de informações, com vistas a produção de segurança pública, implica focalizar a informação em movimento ou em comunicação, como um processo informal, e não somente a informação como documento formal.

O objetivo geral é produzir um trabalho nos moldes de uma “descrição densa”, tal como entende Geertz (1978), no qual se procura responder a questões ligadas aos processos de “construção compartilhada de conhecimentos” e à identificação do “terceiro conhecimento”. Entende-se o “terceiro conhecimento” como um modo de usar a informação, que demanda formas específicas de busca, mediação e construção de informações que visam à integração de diferentes saberes, ou seja, é uma forma de uso (compartilhado) da informação, proveniente de diferentes fontes, na qual se evita a sobreposição de um saber sobre outro.

Busca-se identificar a variedade de informações trocadas nas reuniões do Consep e o significado que assumem para os diversos participantes. Pergunta-se: Que informações são trocadas/comunicadas nas reuniões do Consep? Que significados assumem para os diversos participantes? Que pontos de vista as justificam e legitimam? De que forma essas informações sustentam ou estimulam diferentes ações de policiamento? Quais outros atores ou pólos informacionais, além da PM e da comunidade, compõem esse campo ou rede?

Pretende-se chegar a uma interpretação dessas práticas informacionais tendo como pano de fundo os objetivos dos Consep, que são de servir como apoio à implantação,

consolidação e sustentação do policiamento comunitário na região, o que será feito através de uma análise dos textos produzidos a partir da observação das reuniões e de entrevistas em profundidade com os conselheiros.

As disputas simbólicas travadas no interior do Consep serão descritas e interpretadas tendo como referência os fundamentos dos modelos de policiamento tradicional e comunitário, distinguindo-se as práticas informacionais ligadas à análise do contexto das ocorrências, solução de problemas e à prevenção primária, secundária, terciária e quaternária de outras práticas, ligadas a ações reativas/repressivas, orientadas para os incidentes, busca de suspeitos e identificação de culpados. Pergunta-se: As práticas informacionais ou os modos de buscar, usar, mediar e construir informações no Consep têm concorrido para fortalecer e consolidar ações típicas de policiamento comunitário (preventivas – orientadas para a solução de problemas) na região ou para reproduzir práticas do policiamento tradicional (reativo/punitivo – orientadas para incidentes)?

Trata-se de um estudo sobre o uso da informação nos Consep com vistas à promoção de segurança pública. O conselho é tomado como um núcleo utilizador e produtor de informações que, ao assumir como seu objetivo a articulação de ações de prevenção à criminalidade, pode (potencialmente) transformar informações e gerar novas representações para promoção da segurança pública. Essa possibilidade assenta-se na oportunidade que ali encontram, a polícia e a população civil, de trocar informações e discutir problemas. Além disso, cuida também de diminuir o medo do crime.

Ao entender-se o “terceiro conhecimento” na perspectiva da construção compartilhada do conhecimento, que tende a ocorrer na interação e no confronto de diferentes saberes que, nos movimentos sociais e comunitários, confrontam-se objetivando a superação de problemas concretos, pode-se, então, perguntar pelas relações existentes entre “terceiro conhecimento” e práticas preventivas típicas do policiamento comunitário, concebido como uma nova forma de fazer policiamento e promover segurança pública.

Em outros termos, pode-se dizer que se investiga a apropriação das informações pelos Consep a partir de suas necessidades concretas de resolver problemas de segurança, ou seja, como esse grupo usa e constrói informações para tentar resolver os problemas de segurança. Essa apropriação, que se dá a partir de diferentes formas de entender e interpretar as informações sobre os acontecimentos, vai determinar diferentes sentidos estruturantes da realidade social.

Assim, trata-se de estudar um processo de cognição ou epistemologia social na mesma perspectiva proposta por Shera (1977), quando diz que os diversos modos de disseminação e comunicação da informação influenciam o comportamento dos grupos sociais e modelam seu entendimento cognitivo da realidade, funcionando a informação como um elo entre a cultura e o indivíduo. Assim, as informações não só produzem, como também são produzidas pelos sentimentos de segurança/insegurança vividos coletivamente, sob influencia do habitus.

Um outro foco do estudo é o da “interação informacional”, ou seja, as trocas de informação e os diálogos, nos quais se alternam perguntas e respostas que constituem, segundo Le Coadic (1996), a base da dinâmica dos fenômenos de uso da informação. Esse autor discute essa questão da interação informacional no contexto do estudo dos usos e usuários da informação, tomando-a como um indicador ou uma expressão de necessidades informacionais, mas diz que nos enfoques tradicionais ela não é estudada em si mesma, pois os pesquisadores tendem a voltar-se para os acervos, à procura de possíveis respostas para os problemas apresentados, enfatizando a bibliografia e a documentação disponíveis. Trabalha-se implicitamente, segundo Le Coadic (1996), com a hipótese de que para cada questão existe uma única resposta correta e apropriada.

Entende-se, portanto, por práticas informacionais não só a produção e disseminação de documentos, peças e objetos de valor informativo, mas também as “interações informacionais” que, nessa perspectiva, mantêm relação estreita com aquilo que tem sido chamado de aprendizagem social, com a educação para a participação social e o exercício da cidadania, e podem redundar num aumento de capital social (confiança e reconhecimento) para determinados grupos ou comunidades locais.

Trata-se também de uma conversão do pensamento e do olhar, como proposto por Bourdieu (2002), ao dizer da importância nas CHS de se colocarem em jogo conceitos e noções teóricas importantes, através da construção de objetos, aparentemente irrisórios, apreendidos por novos ângulos.

O cume da arte, em ciências sociais, está sem dúvida em ser-se capaz de pôr em jogo coisas teóricas muito importantes a respeito de objetos ditos empíricos muito precisos, freqüentemente menores na aparência, e até mesmo um pouco irrisórios. (...) O que conta, na realidade, é a construção do objeto, e a eficácia de um modo de pensar nunca se manifesta tão bem como na sua capacidade de construir objetos socialmente insignificantes em objetos científicos ou, o que é o mesmo, na sua capacidade de reconstruir cientificamente os grandes objetos socialmente importantes, aprendendo-os de um ângulo imprevisto (p.20).

Busca-se, além disso, elementos que permitam uma aproximação da ciência com o senso prático do cotidiano social (saber local), através da identificação de novas necessidades informacionais, do reconhecimento de novas formas de saber, até então ignorados não só pelos estudiosos, pelas autoridades, como também por seus próprios agentes e produtores. Significa, enfim, explorar as possibilidades, os meandros e os processos de construção do terceiro conhecimento.

Embora o foco deste trabalho seja o uso da informação e não das novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC), essa pesquisa objetiva saber se e em que medida as IEG, produzidas com auxílio das tecnologias da informação (TI), têm sido utilizadas nos Consep como forma de apoiar novas práticas ligadas ao policiamento comunitário, orientado para solução de problemas e desenvolvimento de programas socioeducativos voltados para a promoção da cidadania e da ordem pública. Mais especificamente pergunta-se: As taxas de criminalidade têm sido discutidas nos Consep de forma a orientar intervenções focalizadas da PM? As possíveis medidas sociais coadjuvantes na prevenção da criminalidade são desenvolvidas com ajuda de uma análise das ocorrências da região? Como as IEG, produzidas com auxílio das TI, tem sido utilizadas pela PM nos Consep? Que discursos ou argumentos apóiam a utilização ou não dessa informação na relação da PM com a comunidade?

Capítulo 5

Campo empírico e metodologia

Neste capítulo procura-se, em primeiro lugar, caracterizar os Consep. Para isso, buscou-se subsídios na Constituição Federal em vigor, em documentos da PMMG e também na literatura que evidencia a relação do Consep com o policiamento comunitário. Em segundo lugar, buscou-se abordar o modo como é concebido o Consep nessa investigação, ou seja, como um campo social no qual têm lugar práticas informacionais e efeitos de sentido. Por último, discorre-se sobre aspectos operacionais da pesquisa, ou seja, como foi realizado o trabalho de campo e sobre a observação como perspectiva metodológica.