1.2. YOL BAĞIMLILIĞI
1.2.3. Yol Bağımlılığının Bileşenleri
Nos dois itens seguintes busca-se abordar o Consep enquanto um espaço social no qual movimenta-se a informação.
5.2.1 As práticas informacionais e os efeitos de sentido nos Consep
Do ponto de vista da CI os Consep podem ser estudados como um espaço social em que dois segmentos principais, o poder público, representado pela PMMG, e a sociedade civil, representada por membros da comunidade, estabelecem práticas informacionais e comunicacionais visando ao aprimoramento das políticas públicas de segurança. Nessas práticas, procura-se controlar os processos de transferência de informação de forma que os sentidos propostos tenham os efeitos ou produtos desejados. Nas reuniões dos Consep sobressaem as práticas discursivas e os atos de fala.
Como espaços políticos, abrigam relações de poder nas quais os diversos interesses dos atores envolvidos fazem-se presentes, interagindo na tentativa de garantir a construção e o alcance de objetivos comuns. Busca-se um consenso através de negociações e articulações, cujos instrumentos são as práticas informacionais e comunicacionais, visando controlar os efeitos de sentido presentes nos discursos. Opera-se, portanto, no mercado de bens simbólicos, que é específico de cada área de domínio da política, estabelecendo regras, procedimentos e papéis. Nesse processo fica evidenciada uma luta pela hegemonia que se manifesta nos discursos e nas práticas de natureza simbólica, ou seja, comunicacionais e informacionais.
Na ciência social contemporânea, a linguagem é estudada como discurso, ou seja, mais do que um apoio à interação e à comunicação, é um modo de produção social, um instrumento de manifestação da ideologia e de exercício do poder. Diferentemente da língua, o discurso não constitui apenas um universo de signos destinados a dar suporte e a comunicar o pensamento, mas está carregado de intencionalidade. Isso significa que a linguagem de uma maneira geral, e o discurso de modo particular, não podem ser considerados neutros, ingênuos ou naturais. Assim, os discursos, além de não brotarem do nada, adquirem sentido independentemente de seus produtores, por causa de sua materialidade histórica.
Dentro da análise do discurso diz-se, então, de um interdiscurso (BRANDÃO, 1998), o que quer dizer que todo discurso, para existir, pressupõe um discurso anterior que fornece os elementos para sua constituição. É essa exterioridade histórica, antecedente ao discurso, que o sustenta, legitima e possibilita sua interpretação. Assim as falas que se verificam nas reuniões observadas e as entrevistas com membros da PM e conselheiros civis do Consep são analisadas da perspectiva de outros discursos que lhes são historicamente anteriores.
Para Bourdieu (1996; 2002), o que dá às palavras o poder de manter ou subverter a ordem é a crença em torno de sua legitimidade e daquele que as pronuncia (capital simbólico). Ele chama a atenção para as características simbólicas, historicamente construídas, embutidas em cada discurso, e que perpetuamos nas nossas relações através de nosso habitus. Assim o discurso é uma das expressões do habitus, manifestando-se em opiniões sobre o mundo e suas circunstâncias.
Para ter seu discurso validado num determinado espaço social, os atores precisam estar afinados com essa exteriodade histórica, que é característica de cada campo de atuação social. Caso contrário, ele não será reconhecido pelo habitus ali constituído e não conseguirá influir nos processos de decisão política. Esse raciocínio vale também para a informação sobre segurança pública, na medida em que, também ela, se valida no contexto de uma materialidade histórica.
As representações simbólicas do poder também funcionam como legitimadoras dos discursos. Quem está falando? Um juiz, um professor universitário, um sindicalista, uma costureira? O efeito produzido pelo sentido de um determinado discurso é, muitas vezes, diferente em cada um desses casos, pois são diferentes as composições dos capitais.
Foucault (2000) fala na interdição como um procedimento de exclusão, segundo o qual só podem falar sobre determinadas coisas aqueles que estão legitimados para tal. Nesse processo são os sistemas simbólicos, constituídos no espaço social, que vão responder pelo estabelecimento daquilo que será reconhecido ou não como legítimo. Para Bourdieu (1996; 2002), eles cumprem uma função política, sendo instrumentos, estruturados e estruturantes, de imposição/legitimação que contribuem para assegurar a dominação de uma classe sobre a outra, naquilo que chamou de violência simbólica.
Além disso, os sistemas simbólicos, entre eles a informação, são responsáveis pela configuração dos capitais dentro de um espaço social e se organizam a partir de três
dimensões: volume global do capital possuído, estrutura desse capital e a sua evolução no tempo (em termos de volume e estrutura). Compreendido o capital como um conhecimento específico, constituído como recurso de vida que será um importante fator de formação do habitus de uma pessoa, é importante distinguir quatro tipos de capital que interferem nas práticas informacionais e comunicacionais no interior dos conselhos: simbólico, político, cultural e social.
5.2.2 Os Consep como campo social
A partir das considerações já feitas, podem-se tomar os Consep como um espaço de correlação de forças, no qual o público e o privado se cruzam e onde produtos de natureza política são gerados. Para sua análise, é possível utilizar o conceito de campo social de Bourdieu (1983), partindo-se do pressuposto de que um Consep, para consolidar-se como um campo político e, assim, ser capaz de interferir nas políticas públicas, precisa produzir sentidos.
No campo da segurança pública e do controle social, o conjunto, mais ou menos diversificado, de atores que atuam nos Consep (oficiais, policiais militares, policiais civis, cidadãos comuns, lideranças de bairros, comerciantes, etc.), forma uma rede de trocas informacionais, que pode envolver também escolas, igrejas, hospitais, empresas, etc. Na medida em que representa uma comunidade, o Consep deve dizer algo da perspectiva das múltiplas experiências dos diferentes representantes e, assim, produzir sentido, não só para a comunidade que representa, mas também para seus interlocutores.
O confronto de diferentes experiências, que também produz diferentes informações, gera novos conhecimentos e sentidos que podem influir nas práticas policias e, até mesmo, nas políticas de segurança de um modo geral.
Deve-se notar, entretanto, que a consolidação de um campo político implica o estabelecimento de relações de poder em que serão legitimados e reconhecidos procedimentos e normas que constituirão um novo habitus ou sistema estruturado e estruturante de opiniões e sentidos, constituído historicamente, que irá definir os tipos de relações que se estabelecerão dentro desse campo (BOURDIEU, 1986).
Segundo Barros (2003), para que um conselho seja formado é preciso plantar informações, mas uma das principais dificuldades encontradas na sua consolidação é a ausência de sentido. Em seus estudos, constata que muitas dessas iniciativas não mobilizam as pessoas, porque as informações não são capazes de produzir sentido nos receptores. Assim, pode-se dizer que é o sentido veiculado por uma determinada informação, dirigida para um determinado receptor, formulada num determinado tempo histórico, num determinado espaço geográfico e num contexto sociocultural, que vai contribuir (ou não) para a agregação dos atores em torno de interesses comuns27.
Assim, pode-se dizer também que a informação, carregada que é de intencionalidade, vai atuar como elemento de composição na construção desses interesses comuns, e que as práticas informacionais permeiam todo o processo de constituição e consolidação de um conselho, contribuindo para produzir sentidos capazes de fazerem valer os conhecimentos ali gerados e influenciar as políticas públicas.