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Yoklama Fişleri / Tutanakların Düzenlenmesi

O presente capítulo ocupa-se com a contextualização da economia internacional, centrando-se depois no caso português no período imediatamente anterior a 2011. Este é um passo necessário para compreender a cobertura do programa de financiamento português entre 2011 e 2014, porque aqui se fundamentam não apenas as razões, mas igualmente os significados presentes em leituras particulares das circunstâncias e diferentes prioridades e quadros normativos que informam as propostas para a ação de políticos e economistas nos ecrãs de televisão em Portugal.

As primeiras seções ocupar-se-ão assim de uma descrição sumária do quadro geral da economia internacional após a segunda guerra mundial, resultante das conferências de Bretton Woods. O FMI foi aqui uma das peças centrais, sendo a sua importância renovada nas décadas de 1970 e 1980. O desenvolvimento da União Europeia (UE) e das suas instituições será depois também brevemente considerado, principalmente nas décadas mais recentes. Situar a atuação destas instituições supranacionais permitirá depois compreender o contexto português económico e financeiro em relação aos enquadramentos fornecidos pelos media a partir de diferentes discursos na esfera pública. A delimitação de objetivos políticos no caso português não poderá, por exemplo, ser dissociada nem das possibilidades nem dos constrangimentos inerentes à condição do país como membro da UE. O objetivo deste trabalho não será o de avaliar opções políticas ou argumentos específicos do ponto de vista económico. Mas pressupõe que o seu objeto de estudo não existe de modo algum isolado destas realidades, ou do desenvolvimento e caraterização dos meios de comunicação social em Portugal, tratado nas últimas seções deste capítulo.

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Como será desenvolvido em maior pormenor no próximo capítulo, a perspetiva assumida neste trabalho identifica os media como um subsistema particular das estruturas de comunicação em sociedade – são estas organizações, pela sua penetração na sociedade civil, que estabelecem a ligação com as instituições políticas para a maioria dos cidadãos. É através deles que os políticos realizam discursivamente as suas propostas de ação, propondo programas que estabelecem prioridades do ponto de vista económico e social. Os media são parte de uma esfera pública onde se encontram diferentes perspetivas e racionalidades que pressupõem leituras particulares das circunstâncias como fundamento de objetivos que se pretendem coletivos no plano do discurso político. Estas leituras divergem consoante os valores e quadros normativos que as informam. Mas os media são também agentes autónomos, com interesses, objetivos e estratégias próprias, em constante negociação com outros subsistemas e a sociedade civil. Em Portugal, o discurso dos comentadores sobre a economia durante o período de crise demonstrava “uma assinalável coordenação” (Caldas e Almeida, 2016: 16), assente sobre um conjunto de qualificações comum. Interessa assim compreender primeiro os pressupostos implícitos em escolhas particulares na construção discursiva, e em que medida estes discursos constituíam já parte de outras narrativas institucionalizadas. Para tal, será necessário contextualizar as instituições envolvidas no programa de financiamento português.

a) A economia mundial desde o pós-guerra

Foi ainda durante a segunda guerra mundial que foram lançadas as bases para o que viria a ser uma nova ordem económica mundial. A ideia central era a de que a cooperação económica poderia assegurar paz e prosperidade num mercado livre global, regulado por organizações a operar em função de uma maior estabilidade e previsibilidade. As primeiras reuniões entre os países aliados, liderados pelos EUA e pelo Reino Unido, decorreram em 1944 em Bretton Woods, New Hempshire, menos de um mês após o dia-D. Como explica Peet (2003: 32), nestes encontros estava subjacente uma tentativa de prevenir um retorno às políticas da década de 1930, sobre valores como a dependência mútua e a reciprocidade. Ainda que estas ideias se encontrassem distantes da realidade no pós-guerra, o discurso público de Bretton Woods descrevia o mundo sobre a ideia de um mercado livre, politicamente neutro e

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formado por nações autónomas que usufruíam de igualdade de oportunidades num sistema internacional aberto. Duas organizações nasceram a partir destas conferências – o FMI e o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento, mais tarde apenas Banco Mundial. Uma terceira organização complementar seria a Organização Mundial do Comércio, que viria a formar-se posteriormente em 1995, como uma versão formal do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (ou GATT, General Agreement on

Tariffs and Trade), assinado por 23 países em 1947, com o objetivo de regular as trocas

internacionais de bens e serviços (Stiglitz, 2003:15). A construção do FMI foi devida em parte ao trabalho de economistas inspirados pelo New Deal, como Harry Dexter White. Os seus planos originais colocavam um banco central mundial como garante da estabilidade financeira. O seu papel residiria na eliminação de flutuações financeiras, e na redução da probabilidade, intensidade e duração de depressões mundiais. A estabilização dos preços das matérias-primas essenciais ou o aumento dos níveis de produção e das condições de vida seriam também objetivos. Como explica o sociólogo Fred Block (1977: 44), o plano original pretendia criar instituições com influência sobre as políticas económicas dos países membros no sentido da eliminação global do desemprego sem que tal implicasse a deflação na economia. O plano original pretendia ainda um melhor controlo, por parte dos governos nacionais, sobre a fuga de capitais para o exterior, problema verificado em França no período entre as duas guerras mundiais.