4. ZĠLE VE ÇEVRESĠNDE MANEVĠ KÜLTÜR ÖĞELERĠ
4.1. Doğa ve Evrenle Ġlgili Bilgi ve Uygulamalar
4.1.2. Yerel Ġklim Bilgisi ve Halk Takvimi
Observa-se na Tabela 19 que a adição de lodo de esgoto ao solo promoveu incrementos crescentes de Ca e em contrapartida, reduziu os teores de Mg. Já a aplicação de EET não diferiu estatisticamente da AT, para nenhuma das épocas avaliadas.
Figura 19. Teores de Ca e Mg (mmmolc dm-3) no solo em função da aplicação de lodo de
esgoto compostado ao solo nas doses de 0, 6, 12, 18, 24 e 30 kg planta-1, que representa 0, 25, 50, 75, 100 e 125% da quantidade requerida de N pela cultura da laranjeira, em 3 épocas distintas (abril/2010; outubro/2010 e abril/2011).
Laperuta Neto (2006) em experimento utilizando três tipos de lodo de esgoto (ETE- Lageado, ETE-Franca e ETA-Botucatu) e duas qualidades de água para irrigação (AT e EET), observou valores altos de Ca, da ordem de 124 mmolc dm-3, em LATOSSOLO VERMELHO
distroférrico fertilizado com lodo da ETE-Lageado. Conforme resultados obtidos no presente experimento, o autor também verificou que o tratamento referente à adição de lodo da ETE- Lageado, o qual resultou nos maiores teores de Ca, apresentou os menores teores de Mg quando comparado aos demais lodos provenientes da ETE-Franca e ETA-Botucatu, indicando que o maior fornecimento de Ca acabou por reduzir as quantidades de Mg presentes no solo.
Ferraz (2009) em concordância com os dados apresentados neste experimento observou aumento dos teores de Ca de até vinte e cinco vezes entre o tratamento que utilizava lodo de esgoto da ETE-Parque Novo Mundo quando comparado ao tratamento que utilizava apenas fertilizantes minerais, na camada de 0-5cm de profundidade. Quando comparado o tratamento utilizando lodo de esgoto da ETE-São Miguel, esta diferença com relação à fertilização mineral caiu, porém ainda assim aumentou em oito vezes os teores de Ca. Apesar dos acréscimos observados pelo autor serem superiores aos obtidos no presente ensaio, a tendência de aumento das concentrações de Ca no solo em decorrência das adubações com lodo de esgoto mostrou-se semelhante, e uma possível explicação para esta menor diferença no presente experimento está no fato da fonte utilizada para fornecimento de N via fertirrigação ter sido o Nitrato de Cálcio, aumentando o aporte de Ca nos tratamentos que necessitavam de maiores quantidades de N-mineral. O mesmo autor discorda dos dados apresentados neste experimento com relação ao Mg, onde, apesar de ter elevado significativamente os teores de Ca, também observou acréscimos de duas a nove vezes nos teores de Mg quando comparados os tratamentos que utilizavam lodo de esgoto e adubação mineral.
Uma observação a respeito do emprego do lodo de esgoto como fonte de fornecimento de nutrientes às culturas deve ser ressaltada. Oliveira (2000) realizou uma aproximação da amplitude de variação da composição química dos lodos de esgoto produzidos na região metropolitana de São Paulo, chegando aos seguintes valores: matéria orgânica = 313 a 722 g kg-1 ; C-orgânico = 133 a 229 g kg-1 ; N total: 7,2 a 30,7 g kg-1 ; P total = 0,5 a 21,0 g kg-1 ; K = 0,8 a 14,6 g kg-1 ; Ca = 13,5 a 162,7 g kg-1 ; Mg = 2,1 a 27,3 g kg-1 ; S-total = 7,2 a 19,2 g kg-1. De acordo com estes dados, pode-se facilmente notar o desbalanço nutricional que a aplicação deste resíduo pode causar. Muitos autores citam que uma das preocupações relevantes ao uso de lodos de esgoto em culturas comerciais é o potencial desbalanço nutricional que este pode ocasionar ao solo, principalmente com relação às concentrações de Ca, Mg e K. Este desbalanço pode ser provocado pelo excesso de um ou mais nutrientes no material e pela lixiviação de íons (MEDALIE et al., 1994; BERTONCINI; MATTIAZZO, 1999; ANJOS; MATTIAZZO, 2000 e OLIVEIRA et al. 2002). E neste sentido, os teores destes nutrientes encontrados no solo puderam constatar tal preocupação, visto que o fornecimento excessivo de Ca acabou por reduzir as quantidades disponíveis de Mg e K,
inclusive a limites críticos ao cultivo dos citros, já que segundo Quaggio; Raij; Piza Junior (1997) o teor de magnésio deve ser mantido no mínimo em 9 mmolc dm-3, acima dos dados obtidos em todos os tratamentos, exceto dos tratamentos 1 e 2 em todas as épocas e tratamento 3 apenas na época 3.
Efeitos semelhantes a adição elevada de Ca ao solo através da aplicação de lodo de esgoto nas fertilizações das culturas foram observados por diversos autores (SANTOS, 1979; PHILLIPS; FISHER; MEXAL, 1986; BERTON; CAMARGO; VALADARES, 1989; BEVACQUA; MELLANO, 1994; DUTCH et al., 1994; MELO et al., 1994; OLIVEIRA et al., 1995; SILVA et al., 1998; SKOUSEN; KLINGER, 1998; SORT; ALCAÑIZ, 1999; ANDREOLI, 1999; BRAMRYD, 2001; SIMONETE, 2001; ROCHA, 2002; VAZ; GONÇALVES, 2002; OLIVEIRA et al., 2002; TRIGUEIRO, 2002). Estes resultados, portanto, evidenciam a necessidade de um constante monitoramento de culturas com aplicação de resíduos orgânicos, a fim de corrigir possíveis deficiências nutricionais (ZABOWSKI; HENRY, 1994).
Soares (2003) em estudo verificando o potencial do lodo de esgoto na fertilização de eucalipto em comparação à adubação mineral, em solo cultivado e solo degradado, encontrou efeito semelhante ao observado neste experimento. Aos treze meses após a aplicação de lodo de esgoto, verificou aumento dos teores de Ca para as doses de 10 e 20 Mg ha-1, com valores
variando de 16,3 à 29,0 mmolc dm-3, respectivamente. Estes resultados mostraram-se
superiores estatisticamente ao tratamento que recebeu adubação mineral, evidenciando o potencial do material em fornecer Ca ao desenvolvimento das culturas. Analogamente aos resultados obtidos no presente trabalho, o autor observou redução linear dos teores de Mg em função do aumento da dose de lodo de esgoto empregada, tanto na camada de 0-3cm como na camada 3-10cm, ficando dentro da faixa considerada baixa (0-4 mmolc dm-3) para fins de
interpretação de recomendação de adubação, segundo Raij et al. (1996).
Em discordância dos resultados observados, Franco (2009) em estudo sobre alterações nos atributos químicos do solo em função da aplicação de doses crescentes de lodo de esgoto em comparação à adubação mineral não observou alteração dos teores de Ca, Mg e K. O autor atribui como justificativa o origem do material, que não sofreu processos de tratamento com cal, bem como concluindo que a calagem e adubação potássica realizada em todos os tratamentos foram suficientes para suprir a demanda da cultura.
De acordo com Quin; Woods (1978) e Wang et al. (2003), após longo período de irrigação com EET têm sido observados pequenos acréscimos nas concentrações de Ca trocável e ligeiro decréscimo nas concentrações de Mg trocável. Pereira (2009) corrobora com os resultados obtidos neste experimento, visto que a aplicação de EET em solo cultivado com citros não indicaram correlação positiva entre EET e teores de Ca e Mg no solo. O mesmo autor avaliando um solo submetido à aplicação de EET durante onze anos sob cultivo de citros na Flórida, também não observou alterações no Ca trocável do solo, indicando a necessidade de complementação com fontes minerais deste elemento para buscar excelência em produtividade.
Já Fonseca (2005) analisando os efeitos provocados no solo pela aplicação de EET em comparação à AT, observou diferença estatística significativa quanto aos teores de Ca trocável do solo, apresentando maiores teores deste elemento no tratamento com aplicação de EET, porém com o passar do tempo, os teores de Ca reduziram significativamente, concluindo o autor que a aplicação de EET não é suficiente para fornecer todo o Ca necessário a maioria das culturas.
Nota-se, portanto, que a aplicação de lodo de esgoto alterou significativamente os teores de Ca presentes no solo, com respostas lineares positivas em função do acréscimo de resíduo aplicado na cultura da laranja. Em contrapartida, reflexos negativos foram causados pela baixa adsorção de Mg aos coloides do solo, apresentando-se em todos os tratamentos avaliados, exceção feita aos tratamentos 1 e 2 que não receberam adição de lodo, abaixo do limite mínimo de 9 mmolc dm-3, conforme sugere Quaggio; Raij; Piza Junior (1997). Isso é
preocupante, já que o desbalanço entre os elementos Ca:Mg:K é altamente prejudicial ao desenvolvimento de qualquer cultura, e este desbalanço se confirmou através da análise dos teores nutricionais nos tecidos vegetais, reflexos da disponibilidade de nutriente no solo. No item 4.3.3 destaca-se a baixa absorção de Mg pelas plantas dos tratamentos 7 a 12, encontrando-se abaixo da faixa considerada adequada por Quaggio; Mattos Jr; Cantarella (2005), fato limitante à produção e que deve ser analisado no programa de adubação.