• Sonuç bulunamadı

Yeminli Mali Müşavirlerin Kimlik Tespiti (Müşteriyi Tanıma) Yükümlülüğü a. Kimlik Tespitine İlişkin Yasal Düzenleme:

Paulo, na etapa 1 da pesquisa, apesar de haver sido indicada pela professora como uma das crianças mais falantes de sua turma, Jardim III, não participou oralmente da atividade de reconto coletivo da história de Chapeuzinho Vermelho. Ele estava presente, mas apenas brincava com os pés ou queria se apossar dos nossos instrumentos de trabalho. Assim, o registro de participação de Paulo durante a atividade desse reconto consiste em um comentário da pesquisadora: Paulo ((brinca com os pés em batidas ritmadas no chão)). (Etapa 1:14/08/06).

Na etapa 2, o reconto coletivo da história de Chapeuzinho Vermelho na E3, com a ausência de S1(que não participou a partir de 2008) e de Letícia que estava matriculada na mesma escola, mas em turno oposto, resultou na produção oral seguinte.

S4: eu tinha um DVD da Chapeuzinho Vermelho... S4: eu tinha também da Chapeu Amarelo... S5: como a vovozinha e corta a barriga do lobo...

S5: vovozinha ficou feliz em ver a ChapeuzinhoVermelho... S4: porque ela estava doente... doente...

S4: não sei...

Paulo: a história da Chapeuzinho Vermelho... Paulo: eu gostei de tudo...

Paulo: não sei não...

Paulo: não me lembro não... (Etapa 2 - 04/11/2008).

Nessa produção de turnos, resultado da mediação da pesquisadora com o grupo de três crianças, Paulo nos revelou saber o nome da história, ter gostado de toda a história lida pela pesquisadora e ainda que não sabia ou não se lembrava da trama narrada.

115 Na etapa 3, constatamos que não há sequência temporal ou causal no texto oralizado pela criança. Os turnos de fala a seguir são resultados de perguntas e respostas entre a pesquisadora e a criança. Vejamos:

P:Paulo (...) como é que começa a história? (...) quem são as personagens dela? Paulo: avó... a mãe dela... e o lobo...

P: e quem mais no final que você tava até... Paulo: o caçador...

P: ISSO... e o quê que eles estavam fazendo nessa história esse pessoal todos juntos.... o quê que eles faziam na história?

Paulo: pra () o lobo o caçador vai procurar ele... ele pegou a espingarda e atirou no lobo....

Paulo: comeu a Vovó .... e comeu a menina e o caçador ouviu com o grito.... e viu o lobo () atirou...

P: o caçador ouviu um grito e aí?

Paulo: pegou a espingarda e atirou no lobo ....

Paulo: ele tirou a Vovó da barriga... tirou a menina.... e ::: pegou e colocou um monte de pedra na barriga dele e costurou a barriga dele.... e viu o caçador que fugiu e tava correndo... mas tava pesada as pedras, é GRANde ... e assim terminou a história...

P: e como é que começa essa história? Paulo: Chapeuzinho vermelho....

P:e o que é que ela faz no começo da história?....

Paulo: leva um pedaço de bolo .... e também a Vovó comeu o bolo e bebeu e agora ficou () para sempre... ficou bom

Paulo: a Chapeuzinho Vermelho levou um bolo ( ) e o lobo abriu a porta e comeu a Vovó (Etapa 3: 05/01/2010 referente a 2009).

Apesar da necessidade constante de nossa mediação, a criança contempla alguns aspectos narrativos, conforme podemos verificar na tabela abaixo:

Tabela 9 - Etapa 3 - Chapeuzinho Vermelho - 05/01/2010 referente a 2009 ORIENTAÇÃO Paulo: a vó... a mãe dela... e o lobo...

Paulo: o caçador (...)

COMPLICAÇÃO

Paulo: comeu a Vovó .... e comeu a menina...

RESOLUÇÃO Paulo: e o caçador ouviu com o grito.... e viu o lobo ( ) atirou... P: o caçador ouviu um grito e aí?

Paulo: pegou a espingarda e atirou no lobo .... (...)

Paulo: ele tirou a Vovó da barriga, tirou a menina.... e ::: pegou e colocou um monte de pedra na barriga dele e costurou a barriga dele.... e viu o caçador que fugiu e tava correndo... mas tava pesada as pedras, é GRANde ...

SITUAÇÃO FINAL Paulo: (...) e também a Vovó comeu o bolo e bebeu e agora ficou () para sempre... ficou bom...

CODA Paulo: ...e assim terminou a história...

116 Assim, na etapa 3, Paulo, motivado por nós, contempla à Orientação, citando as personagens da ação narrativa. Na Complicação, a criança exibe, sem detalhes, o ápice do conflito: o lobo come a Vovó e a menina. A Resolução é introduzida com a presença do caçador que ouve um grito. Na versão lida para a criança, o caçador “ouve roncos e pensa que

a velha pode estar passando mal...” O texto da resolução oralizado pela criança é bastante resumido e com elementos confusos como na construção: “...e viu o caçador que fugiu e tava correndo...”, não ficando claro quem viu quem, nem quem estava fugindo. A ação de salvação

das personagens é garantida e com ela o retorno ao equilíbrio inicial do mundo narrativo. Assim, na Situação Final, a Vovó encontra-se comendo bolo e bebendo vinho e, nas palavras de Paulo, “ficou () para sempre... ficou bom...”

Paulo refere-se à Coda “...e assim terminou a história...”indicando que concluiu a história, fechando o mundo da narrativa.

Na quarta etapa, Paulo inicia seu texto oral pela Orientação, ao narrar que a mãe de Chapeuzinho a faz ir a casa da avó para levar alimentos, caracterizando um estado de tranquilidade das personagens. Na Complicação, a criança menciona o encontro do lobo com a personagem principal, o ápice do conflito: o lobo come a Vovó; entretanto, deixa em suspenso se come a Chapeuzinho. Há muitas elipses na fala dessa criança; assim, tornam-se incompreensíveis certas construções, como, por exemplo, “...e a Chapeuzinho chegou na casa...o lobo...que orelha mais grande... que... pra escutar a Chapeuzinho...” Não fica evidente se quem fala é o lobo ou a Chapeuzinho. A Resolução e a Situação Final não são oralizadas pelo narrador. A Coda indica o término da ação do narrador.

Considerando que um texto narrativo se caracteriza pelo encadeamento causal, em ordem cronológica, e as ações devem resultar umas das outras em função de um determinado fim (ADAM, 1992), a produção oral dessa criança, apesar de ela haver avançado na quantidade e qualidade da linguagem, o que é evidenciado pela elaboração de turnos mais longos e mais complexos em relação as etapas anteriores, não constitui texto narrativo, pelo fato de a criança não o haver concluído, deixando em suspenso o destino final das personagens.

117

Tabela 10 - Etapa 4 - Chapeuzinho Vermelho - 13/09/2010

ORIENTAÇÃO Paulo: a mãe deu o vinho e o bolo pra dar pra Vovó pra ficar boa... ela tava bem (cansada) ela não dava pra levantar...

COMPLICAÇÃO Paulo: ...e o lobo apareceu bem pertinho da Chapeuzinho...e a...e a Chapeuzinho queria pegar flores pra dar pra Vovó...e...o lobo chegou na casa e comeu a Vovó...e a Chapeuzinho chegou na casa...

o lobo...que orelha mais grande... que... pra escutar a Chapeuzinho... o (olho) pra ver a Chapeuzinho...e as mãos é pra abraçar e...a boca tão grande é pra comer...

RESOLUÇÃO SITUAÇÃO FINAL

CODA Paulo: pronto...

Fonte: Produzida pela autora com base no reconto da criança pesquisada

Ao analisar a produção de Paulo desde a etapa 1 da pesquisa, constatamos que ele avança de um estádio de não participação oral para elaborações de turnos breves, resultado da nossa mediação ou de contágio dos pares, inclusive, fazendo alusão a outros temas para elaborações de textos orais mais longos, como os das etapas 3 e 4, respectivamente:

Paulo: ele tirou a Vovó da barriga... tirou a menina.... e ::: pegou e colocou um monte de pedra na barriga dele e costurou a barriga dele.... e viu o caçador que fugiu e tava correndo... mas tava pesada as pedras... é GRANde ... (ETAPA 3: 05/01/2010 referente a 2009).

Paulo: ...e o lobo apareceu bem pertinho da Chapeuzinho...e a...e a Chapeuzinho queria pegar flores pra dar pra vovó...e...o lobo chegou na casa e comeu a vovó...e a Chapeuzinho chegou na casa...o lobo...que orelha mais grande... que... pra escutar a Chapeuzinho... o (olho) pra ver a Chapeuzinho...e as mãos é pra abraçar e...a boca tão grande é pra comer... (ETAPA 4:13/09/2010).

Desse modo, apesar de não haver sequência temporal e causal em seus textos orais, e sua produção ser resultado da nossa mediação constante, o que compromete o fio condutor da narrativa, o ritmo da ação, há referências aos aspectos narrativos.

De acordo com Bruner (1997), uma das funções da narrativa é organizar a experiência. Assim, uma das propriedades inerentes à narrativa é a sequencialidade, garantida pela sucessão de eventos interligados. Os textos orais de Paulo não se reporta a essas características. Assim, e em decorrência de sua produção oral ser resultado do jogo de perguntas e respostas entre nós e ele, sua produção foi classificada no nível 1, conforme a tabela a seguir38:

38Para “Escala de Critérios de Classificação de Narrativas Orais”, ver Seção 3-7 Parâmetros para a análise dos

118

Figura 2 - Evolução da estrutura narrativa oral - CASO 1- S3E3 – PAULO

Fonte: Produzido pela autora

Ressaltamos, entretanto, que há evolução em sua capacidade de reelaborar textos formais de modo espontâneo, desde que consideremos sua participação na etapa 1 da pesquisa, quando ele sonega a fala e apenas participa mediante de gestos; na etapa 2, quando participa sob a nossa mediação com turnos breves e desconectados. Nas etapas 3 e 4, evolui em quantidade de fala sob a nossa mediação.