ŞÜPHELİ İŞLEM BİLDİRİM FORMU A- FORMU DÜZENLEYEN YÜKÜMLÜ BİLGİLERİ
G- SUÇA İLİŞKİN ŞÜPHE KATEGORİLERİ
14. Değerlendirme ve Sonuç
Na primeira entrevista, Luana informou não saber ler e não dispor de materiais escritos para olhar, ler em sua casa. Informou que o pai a ajudava na realização dos deveres
escolares: “Ele faz minhas tarefas mais eu e também passa tarefas, aí eu faço aí ele manda eu ler...”
Apesar de afirmar que não sabe ler, disse que sabe escrever e que aprendeu na escola:
P: uhum... certo... eh:::: você sabe escrever...
Luana: ((a criança balançou a cabeça dizendo que sim))... P: onde foi que você aprendeu a escrever?...
Luana: foi nessa sala aqui... P: e quem foi que te ensinou?...
Luana: a tia (...) aí quando o meu pai me deixava aqui eu ficava direto chorando papai... papai... mamãe... mamãe ficava assim... aí depois eu passei pra sala da tia (...)... aí depois eu fui passar pra primeira série e fiquei mais grande...
P: certo... e tua mãe sabe ler?...
Luana: sabe só que ela sabe ler bem pouquinho... (ENTREVISTA Individual em 05 /01 /2010 - Corresponde a 2009).
Na segunda entrevista, Luana garante, utilizando gestos, que já sabe ler e explica o método de aprendizagem:
P: é::...como foi que você aprendeu?
144 P: foi... você podia falar um pouquinho como foi isso?... você aprendeu o alfabeto como?
Luana: aprendi o a... o e... o i...o o...o u...aprendi os numerais...
P: certo...e depois... de aprender essas letras e esses números... como foi que você conseguiu ler?
Luana: a tia passa tarefa... aí eu faço no reforço... a tia fez um caderno que me ensina eu a ler...
Elenca os livros que há disponíveis na escola e comenta que em casa só “tem minhas tarefa que eu leio e faço sozinha ( )...”. Sobre a preferência pelos livros, relatou:
P: certo...e o quê que você lê? Luana: gosto de ler estÓria... P: é::...quais estórias?
Luana: Branca de Neve... Chapeuzinho Vermelho... P: porque que você gosta de ler essas estórias? Luana: porque eu acho muito legal...
P: é::...e o que é que tem de muito legal nessas estórias? Luana: tem...figura...
P: hum:::...e:::...além de ler esses livros o que mais você costuma ler?...que outros livros...que outros textos você lê?...hum?
Luana: eu leio os texto chamado é:::...(deixa eu ver)...“a escola é um lugar
divertido... na eu aprendo a ler...a escrever e a fazer amigos”...
A respeito da aprendizagem da escrita, acentuou que já sabe ler e explica, mais uma vez, como a professora ensinou e como é utilizada a escrita na escola:
P: é...e como foi que ela ensinou? Luana: ensinou o abc...ensinou a ler... P: hum rum...
Luana: ensinou o a...o e...o i...o o...o u...os numerais...ensinou as dezenas...ensinou a ler...ensinou tudo ela...
P: e o quê que você gosta de escrever? Luana: escrever?... cópia...
P: cópia? cópia de onde? Luana: dos livros...
P: quem é que passa a cópia? Luana: a tia... (...)
P: e porque que ela passa cópia pra você?
Luana: porque tem umas vezes quando agente é quieto ela não fica mau ela passa bem pouquinho... quando os meninos começam a se bater a tia passa muita cópia... P: e pra quê que serve fazer cópia?
Luana: pra poder caprichar na letra... P: e o que mais?
Luana: pra ensinar a ler... a escrever dire::ito... P: hum rum...
Luana: só isso...
P: e o quê que você acha de fazer cópia?
Luana: eu acho que é muito ruim que a tia passa... P: porque que é ruim?
Luana: porque tem umas vezes que ela passa muito e eu não gosto... (ENTREVISTA Individual em 13 /09 /2010 )
Na segunda etapa, a criança recusou-se a escrever, alegando que não sabia.
Na terceira etapa, ela aceitou escrever e apresentou escrita pré-silábica. Observamos que ela estabeleceu um mínimo de cinco letras em suas grafias, à exceção da
145 quarta palavra, escrita com seis caracteres, variando a posição das letras nas palavras grafadas para garantir leitura e interpretações diferentes em cada escrito. A criança apresenta regulação de quantidade mínima e variação interna de caracteres em suas grafias, mas sem significantes sonoros.
Tabela 18 - Evolução da escrita - 05/01/2010/2009
(continua) Figura 11 - Evolução da escrita - 05/01/2010/2009
Fonte: Produzida pela autora
Tabela 17 - Evolução da escrita - 05/01/2010/2009
(conclusão)
Teste:
Flor/jardim/tulipa/margarida O jardim é colorido
Fonte: Produzida pela autora
A produção escrita dessa criança, na terceira etapa, é muito interessante, sobretudo, se considerarmos que ela informou em entrevista, como se pode ler acima, que não sabe ler, mas que sabe escrever. Coerente com a informação inicial, não aceitou ler, alegando que não sabia. Sua escrita compõe-se de letras que ela conhece; as pseudopalavras são bastante longas e alguns caracteres se repetem ao longo do texto indecifrável.
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Figura 12 - Etapa 3 –Escrita 07/01/2010 (corresponde a 2009)
Fonte: Produzida pela autora
O espaçamento entre as palavras de modo geral não se apresenta na escrita das crianças nessa fase de aprendizagem. São convenções sociais que não fazem parte do processo de apropriação da linguagem escrita, o que parece ter sido antecipado pela escola em função das atividades de cópias e ditados escolares. Ferreiro, discutindo a respeito dessa questão, salienta que “as crianças tratam de entender os princípios fundamentais do sistema
alfabético e, depois, tratam de entender o que não é alfabético dentro do sistema alfabético”.
(2003, p. 86); ou seja, as convenções sociais referentes ao sistema, tais como separação entre palavras, sinais de pontuação, o uso de letras maiúsculas e minúsculas, as alternativas gráficas para semelhanças gráficas e sonoras, dentre outras.
Apesar de não aceitar ler o texto, a disposição em escrever “do jeito que sabe” é
muito importante para o acompanhamento pedagógico, pois, desse modo, os adultos responsáveis por sua aprendizagem poderão planejar e mediar em vista de seus avanços nesse processo de apropriação da linguagem escrita, em vez de insistir na reprodução de modelos prontos que desconsideram a dinâmica específica de cada sala de aula, seus sujeitos, contextos e interações. Ferreiro, tratando sobre essa questão, salienta que
Este fato que facilita o trabalho do professor é o que contribui para desprofissionalizá-lo, na medida em que delega a uma fonte estranha a responsabilidade da condução da aprendizagem. O que é pior ainda: isto, que facilita o trabalho do professor, não ajuda em nada as crianças, porque a atenção aos aspectos formais da escrita é o mais fácil de se adquirir, sem que isso ajude em absoluto a entender o que é que a escrita representa e como o representa. (Ibid., p. 40).
147 Considerando que a criança não escrevia textos alfabeticamente e que somente no penúltimo reconto da quarta etapa da pesquisa escreveu em nível alfabético, não é possível avaliar a evolução dos aspectos narrativos em sua produção escrita, mas analisar a manutenção da estrutura narrativa em seu último texto escrito.
A produção escrita de Luana apresenta a compreensão de gênero pelo início e o final canônicos, que caracterizam, especialmente os contos de fadas. Não há a sequência começo, meio e fim, porque a criança subtrai a resolução. Ela narra a tensão e a complicação, mas não a resolução, o que compromete a sequência narrativa, uma vez que, em se tratando de sequência narrativa, o encadeamento lógico causal é indispensável à composição do texto.
Tabela 19 - Etapa 4 - A Bela e a Fera - 22/10/ 2010
(continua) ORIENTAÇÃO Figura 13 - Etapa 4 – Orientação - A Bela e a Fera - 22/10/ 2010
Fonte: Produzida pela autora
Um dia a vibela uma festa bela seu pai resebeu uma cata idepois i um dia pai de bela moto no seu cavalo...
COMPLICAÇÃO
Figura 14 - Etapa 4 – Complicação - A Bela e a Fera - 22/10/ 2010
Fonte: Produzida pela autora
UMA NOITE PAI DE BELA VIU UMA LUIS ACESSA E VIO QUE ERA UM CASTELO DEPOIS ERA RICO DE MANHA E
PAI DE BELA PEGO UMA ROSA E APARESUE AFERA E A FERA VIU A FERA FALOU VOCE ETRA COME É DOME NA MIA CAMA E O PAI DE BELA FICO TRISIS . E A FERA VIU A BELA NO SAI IPELHO MÁGICO E TRAGA A SUA FILHA A MIM A MOTE SEM PEDÃO E PAI DE BELA VOI E A BELA VIÇAVA TRISE BOA CASA BELA VEIO DA CASTELO E A BELA FOI CUIDA DO SEUE PAI E CUANDO A BELA CHEGO RESOLUÇÃO
SITUAÇÃO FINAL Figura 15 - Etapa 4 – Resolução - A Bela e a Fera - 22/10/ 2010
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Tabela 19 - Etapa 4 - A Bela e a Fera - 22/10/ 2010
(conclusão) A FERA FICARO FELIZ PARA SEPRE
CODA
Fonte: Produzida pela autora com base no reconto da criança pesquisada
Assim, ela conserva a Orientação quando situa o tempo: “um dia...” um acontecimento: uma festa e a viagem do pai da princesa.
Na Complicação, a escritora apresenta o nó da intriga: a subtração da rosa do
jardim e a sentença da Fera para o pai da princesa: “TRAGA A SUA FILHA A MIM A MOTE SEM PEDÃO”.
A Resolução não é narrada. Essa descontinuidade do encadeamento causal da trama narrativa na escrita a criança já havia apresentado na terceira etapa no texto oral ao suprimir a complicação. A resolução nesse conto é tão fundamental quanto a complicação, em vista da necessidade de transformação da personagem para que se encaminhe a ação seguinte. Tratando-se de manter uma estrutura narrativa, o encadeamento causal, as relações lógicas, cronológicas e hierárquicas, componentes que garantem a coerência global da narrativa, precisam ser mantidas minimamente. Assim, narrar a transformação da
personagem garantiria o elo causal e sequencial com o “FICARO FELIZ PARA SEPRE.” De
outro modo, os acontecimentos subsequentes perdem a coesão (ADAM e REVAZ, 1997; REUTER, 2002).
Assim, na Situação Final, a narradora-escritora registra que “A FERA FICARO FELIZ PARA SEPRE.” De fato, como não houve transformação, a Fera permanece em sua condição inicial. Nesse aspecto, a escritora manteve a coerência interna referente à sua versão da história escrita.
Em relação a sua evolução no processo de aprendizagem da escrita, a criança nessa etapa não só escreve como também lê o texto. De fato, ela nos informou, na última entrevista, que já sabia escrever e que gostava muito de ler. Desse modo, seu texto escrito foi classificado conforme a tabela seguir42:
42 Para “Escala de Critérios de Classificação de Narrativas Escritas,” ver Seção 3.7 Parâmetros para a análise dos dados.
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Gráfico 1 - Evolução da estrutura narrativa escrita - CASO 3 - S5E3 - LUANA
Fonte: Produzido pela autora
Os contextos de interações sociais dessa criança na família e na escola e as práticas sociais de uso da linguagem oral e escrita nesses contextos são fatores que intervêm em suas aprendizagens. Assim, vamos considerá-los a seguir.
Na primeira etapa, essa criança não produziu nenhum turno sobre as histórias recontadas. Sua capacidade narrativa, entretanto, pode ser evidenciada quando ela narra uma experiência cotidiana de ida à praia com fluência e abundância de recursos linguísticos, em sequência temporal e causal dos fatos.
A evolução dessa criança na produção de textos narrativos orais pode ser evidenciada na leitura da tabela de categorização. Ela apresenta evolução na quantidade e qualidade da linguagem, sobretudo, na teceria e quarta etapas, entretanto, há muitas lacunas em seu texto, a ausência da sequência temporal e causal, o que compromete a estrutura de suas narrativas.
A análise desse caso nos traz um elemento importante sobre a discussão do trabalho com a oralidade de modo sistemático na escola. Constatamos na primeira etapa que essa criança apresentava excelente capacidade de narrar o cotidiano, entretanto, quando solicitada a narrar um texto formal, mesmo sendo a história de Chapeuzinho Vermelho, que é de domínio público, ela não se dispôs a fazê-lo.
Diversos autores (AMARILHA,1997; BETTELHEIM, 1980; CAUSSE, 2000; COELHO, 1991; TEBEROSKY e COLOMER, 2003) defendem a prática de “contação” e leitura de histórias, leituras compartilhadas, “recontação” de histórias, utilizando diversas
150 estratégias para que a criança se aproprie da linguagem dos livros, amplie o vocabulário e internalize a estrutura narrativa, dentre outros benefícios.
Bonnafé (2001) situa duas formas de linguagem oral: uma fatual, que se relaciona aos fatos cotidianos, que não supõe começo, meio nem fim, ou seja, que é pouco estruturada; outra, a linguagem narrativa, que se aproxima da linguagem mais formal. A linguagem fatual, na relação com as crianças pequenas, torna-se mais resumida ainda. No intuito de simplificar, para favorecer a compreensão da criança, os adultos respondem-lhe, numa linguagem sucinta, frases que constam de poucos elementos, o suficiente para estabelecer a relação de comunicação. Talvez haja certa infantilização da linguagem adulta nesse contexto. Ao ler ou contar as histórias, a estrutura (narrativa) é conservada, as frases são completas, o vocabulário é mais elaborado; e, nessa forma de interação verbal, a criança beneficia-se da segunda modalidade de linguagem oral, - o texto oralizado. Com efeito, é considerável a diferença na estruturação da linguagem oral das crianças que ouvem e daquelas que não ouvem histórias.
O interesse suscitado pelo desejo de rever a história promove desenvolvimento cognitivo e expansão vocabular e capacidade de ordenar os fatos, dentre outras aprendizagens, pois
[...] qualquer releitura de um texto literário permite ao leitor uma nova criação, uma nova história, em função de suas novas experiências e de seus estados no momento. Jamais um texto é lido da mesma forma (...) numa leitura, ele se apoia sobre o fixo, noutra sobre a abertura inicial, noutro momento a qualidade estética de sua forma e de seu conteúdo despertam a atenção. Esta reconstrução que é um enriquecimento se produz também com a obra literária que é uma forma de ópera ou uma outra obra de arte. (2001 p.118). 43
Remarcamos a importância do trabalho com o texto literário e outras linguagens, de modo que garanta à criança oportunidades de se expressar por meio de múltiplas linguagens, de tal modo que ela construa a capacidade de narrar, reinventar histórias, ser produtora de cultura e não reprodutora do silêncio que lhe é imposto nas salas de aulas.
Em relação à escrita, Luana somente aceita escrever a partir da terceira etapa, e escreve pré-silábico. Na quarta etapa, apresenta escrita alfabética em produção de texto convencional.