ŞÜPHELİ İŞLEM BİLDİRİM FORMU A- FORMU DÜZENLEYEN YÜKÜMLÜ BİLGİLERİ
G- SUÇA İLİŞKİN ŞÜPHE KATEGORİLERİ
9. Yükümlülük Denetimi
Na etapa 1 da pesquisa, os turnos de fala produzidos por Leo resultam do pensamento sincrético e global (WALLON, 1981). Em sua fala, sobressaem fantasia e realidade, simultaneamente. Assim, não há contemplação dos aspectos narrativos, mas a criança entra na história, e com ela participam também sua avó e seu pai. O único turno que parece fazer sentido, pelo fato de ela haver se referido a “minha vó”, não é possível saber se,
no turno 400, a mencionada “Vovó”, é a da personagem principal ou se a sua própria avó.
Vejamos a seguir:
365: Leo: oi... eu caí aqui (mostrando o joelho, supostamente, machucado)... 373: Leo: eu... eu cor... o:::...
375: Leo: não... né... eu cortei a barriga do lobo... 381: Leo: aí (...) a minha vó morreu... aí pegou o lobo... 387: Leo: au... au...
389: Leo: aí... aí o meu pai (pausa) pegou a faca... cortou o rabo dele... 400: Leo: aí a Vovó ficou feliz para sempre...
411: Leo: ia::::.... (Etapa 1 - 10/10/2006).
Para Wallon (1981), o pensamento discursivo (verbal) é sincrético em função do prolongamento da simbiose fetal no plano cognitivo e o sincretismo não desaparece, mas simplesmente se transforma progressivamente em pensamento categorial. Este fato significa que, em relação à linguagem, a criança já é capaz de lidar com os diversos planos de conhecimento e com as determinações da linguagem, quando já é capaz de se colocar sob a perspectiva do outro. O egocentrismo, para Wallon, não é a causa, mas a consequência da indiferenciação.
Assim, o sistema das coisas não forma para a criança, como para nós, um rigoroso encadeamento. Então, mesmo que ela saiba indicar a sucessão dos termos que o compõem, no momento em que dele se apercebe, ela o fragmenta segundo uma delineação que responde seja às rotinas de sua experiência, seja às exigências de suas intuições concretas. Ao sabor de suas intuições concretas, do conteúdo limitado das coisas; da impermeabilidade mútua delas, sua representação das mesmas constrói-se por peças simplesmente justapostas e oferece lacunas. (1989 p.25-26).
125 Segundo Piaget, a narrativa é o meio que a criança utiliza para evocar e reconstituir o passado (1990 p. 285), uma forma de socializar o pensamento, comunicação difusa, mas que já se destaca da ação motora e se mostra como um esquema verbal de representação imitativa. Em suas observações, constatou que as primeiras narrativas da criança, em sua maioria se dirigem a si mesma. Esta forma de lidar com a realidade possibilita a construção progressiva de uma espécie de banco de palavras sem o qual não é possível a formação de conceitos, ou seja, diferenciar, comparar e relacionar. Desse modo, as interações da criança com o material escrito, a “contação” e a leitura de histórias constitui atividade fundamental para a elaboração da capacidade narrativa das crianças.
Na etapa 2, a criança necessita de mediação para elaborar individualmente alguns turnos relativos à história lida. Ela contempla a Orientação, ao mencionar as personagens da história e de modo mais consistente o estado inicial de Chapeuzinho Vermelho a caminho da casa da avó, o encontro e o diálogo da personagem com o lobo.
São narrados a Complicação e a Resolução de modo difuso, ou seja, há muitas elipses em seu pensamento, deixando subentendida, em sua fala, a ideia de que a criança compreendeu a trama da história, mas faltam-lhe recursos linguísticos para narrá-la fluentemente. Na Orientação e na Complicação, a criança alterna discurso direto e indireto (GANCHO, 2004), vejamos:
Leo: a Chapeuzinho foi levar a cESTA aí o lobo perguntou o que era que tinha dentro... era um vinho... um bolo... aí ele... pra onde você vai... eu vou pra casa da Vovó... aí foi amostra:::r o campo...
Leo (...) aí batendo na porta disse que era a Chapeuzinho... entrou::: ... o lobo disse... ela disse... que boca::: bem grandona... é pra te comer melhor...
Na Situação Final, também, não é possível saber quem são os sujeitos da ação narrada pela criança, porque ela sonega o nome das personagens. Não há Coda. Vejamos os dados na tabela a seguir:
Tabela 11 - Etapa 2 - 7/04/2009 referente a 2008 - Chapeuzinho Vermelho
ORIENTAÇÃO Leo: a Vovó... o Lobo... o Caçador e a Chapeuzinho Vermelho...
Leo: a Chapeuzinho foi levar a cESTA aí o lobo perguntou o que era que tinha dentro... era um vinho... um bolo... aí ele... pra onde você vai... eu vou pra casa da Vovó... aí foi amostra:::r o campo...
COMPLICAÇÃO Leo: ...aí batendo na porta disse que era a Chapeuzinho... entrou::: ... o lobo disse... ela disse que boca::: bem grandona... é pra te comer melhor...
RESOLUÇÃO Leo: aí depois o caçador ouviu ela roncando e cortou a barriga...
Leo: é:::::: o caçador tava ouvindo o lobo arroncando... arrocando ((risos)) é... e depois... ah... rá... aí depois cortaram a barriga do lobo...
SITUAÇÃO FINAL Leo (...) e tomaram o vinho e comeram o bolo... CODA
126 Na etapa 3, a produção oral de Leo contempla a Orientação, situando o tempo: era uma vez (tempo fora do tempo) as personagens da história e o espaço: a floresta.
Leo: era uma vez a Chapeuzinho... a mãe dela mandou ir deixar uma garrafa de vinho e um bolo... aí ela foi pra floresta...
A Complicação é narrada com detalhes, desde a estratégia do lobo para enganar a personagem principal até a sua atuação como Vovó, culminando com o ápice do conflito: devorou a Chapeuzinho Vermelho.
Gondim (2004) e Adam (1992), dissertando sobre a importância da causalidade narrativa, para que um texto possa ser classificado como narrativo, salientam que a trama da intriga é um elemento fundamental. Em outras palavras, se o narrador apresenta somente uma Situação Inicial, uma transformação e uma Situação Final, o seu texto não se configura como uma narrativa, uma vez que
[...] os acontecimentos devem vir postos uns sobre os outros, isto é, os acontecimentos da narrativa surgem em razão de outros. Assim, podemos evidenciar a lógica causal da narrativa, pois se todos os acontecimentos caminham para uma Situação Final, não podemos fragmentá-los, separando as partes do todo sem alterar o conteúdo. (IBID., 73).
A Resolução é narrada de modo sucinto pela subtração de elementos fundamentais para o desfecho da trama. Assim, não é possível saber pela resolução o que aconteceu com o lobo nem com a Chapeuzinho Vermelho.
Na Situação Final, é mencionada apenas a Vovó, mas fica subentendido que as outras personagens, A Chapeuzinho Vermelho e o caçador, foram contempladas com e “eles”
“felizes para sempre”, ou seja, o final canônico é contemplado pela criança. A Coda aparece
mais como uma necessidade de concluir a atividade do que dar um fecho a trama. A seguir a tabela dos dados referidos:
Tabela 12 - Etapa 3 - 11/11/2009 - Chapeuzinho Vermelho
ORIENTAÇÃO Leo: era uma vez a Chapeuzinho... a mãe dela mandou ir deixar uma garrafa de vinho e um bolo... aí ela foi pra floresta...
COMPLICAÇÃO Leo: (...) o lobo mandou ela pegar um pouquinho de flor aí// disse assim... olha os passarinho cantando... por que que você só olha pra cima ( ) aí o lobo entrou... comeu a Vovó... a Chapeuzinho falou... Vovó que orelhas tão grandes assim... é pra te escutar melhor... Vovó que mão tão grande é assim... é pra te pegar melhor... Vovó que boca grande... é pra te comer... aí ela comeu a Chapeuzinho...
RESOLUÇÃO Leo: (...) aí// o Caçador escutou uma voz tão grande, um ronca (...) Vovó... aí foi lá encontrou o lobo atirou... ele só na espingarda...
SITUAÇÃO FINAL Leo: aí a Vovó tomou o vinho e comeu bolo... aí eles ficou felizes para sempre...
CODA Leo: (...) pronto...
127 Na quarta etapa, Leo contempla a Orientação, ao situar as personagens e o lugar: na floresta.
A Complicação não obedece à cronologia dos fatos, porque, primeiro, o lobo come a Chapeuzinho para em seguida iniciar o diálogo sobre o estranhamento da neta em relação às características físicas da falsa avó.
Na Resolução, há elipses no pensamento da criança, pois ela não verbaliza a ideia de que “o lobo estava roncando tão alto que...” mas passa para a voz interior da personagem
pacificadora do conflito: “que voz é essa?” e finaliza com a ação de salvamento. A nossa
pergunta: “como foi que ele descobriu? - ” entretanto, é elucidativa. A criança, contudo, sonega os detalhes, por insuficiência de recursos verbais, mas também, no caso específico dessa criança, pela pressa que ela tem em concluir as atividades. O narrador subtrai a
Situação Final.
Considerando que uma narrativa supõe um acontecimento que se constitui de começo, meio e fim, e que o encadeamento causal deve se encaminhar para uma Situação
Final que restabelece o equilíbrio da Situação Inicial perdida durante o conflito, o texto
dessa criança apresenta uma lacuna que não permite ser considerado narrativo, pela inconclusão desse tópico, fundamental ao desfecho da trama (ADAM, 1992). O destino da Vovó não é mencionado. E, apesar de não se saber como a personagem Chapeuzinho Vermelho foi salva, reaparece na Coda fazendo promessas de obediência.
A Coda é narrada também como uma avaliação externa ao contexto da história. Na verdade, relaciona-se com o uso que a escola faz da Literatura Infantil, ou seja, para moralizar as crianças, mostrando por meio dessa história, por exemplo, que crianças não são obedientes, além de se meterem em apuros, ainda comprometem os adultos que as cercam. Vejamos na tabela seguinte os dados retro analisados.
Notemos que, nos quatro tópicos narrativos, inclusive, ele põe termo à narração, sendo necessária nossa mediação para que ela continue: “--- só isso... --- tudo... fim::: (...)
aleluia... “ Ao final utiliza uma expressão litúrgica que significa alegria máxima mas que utilizada nesse contexto significa “finalmente estou liberado dessa atividade”40.
40
Informamos, a propósito, que todas as crianças participantes da pesquisa foram consultadas se queriam continuar contando histórias e essa, inclusive, dizia gostar muito. Diversas vezes fomos à escola realizar a atividade e não foi possível, porque ela dizia que naquele dia não queria contar histórias. Outras vezes, a coordenação queria impor que ela fosse, mas intervínhamos em favor da criança.
128
Tabela 13 - Etapa 4 - 03/11/2010 - Chapeuzinho Vermelho
ORIENTAÇÃO Leo: Chapeuzinho o Lobo... cobria o bolo... aí ela foi na floresta...
Leo: (...) e encontrou o lobo... --- aí... aí... aí... aí... aí e ela foi pro caminho errado... aí ela foi pegou flores pra sua Vovó...
COMPLICAÇÃO Leo: ... o lobo entrou na casa... comeu foi... comeu a Vovó... e... e... e... e do... e do... e do...e a Chapeuzinho... VOVÓ:::::: abre aqui... aí o lobo... disse assim ó... pode entrar minha netinha... aí o lobo comeu ela... disse assim... Vovó que orelha grande a senhora tem... era pra te ouvir... pra te ouvir melhor... Vovó que orelhas tão grandes são essas pra... NÃO... Vovó... que na aqui... que olhos grandes (...) pra te ver melhor... Vovó que mãos são essas... pra te pegar melhor... Vovó que boca tão grande essa... pra te comer melhor... (...)
Leo: Vovó que orelhas grandes são essas? é pra te escutar melhor... Vovó que olhos grandes são esses? é pra te ver melhor... Vovó que mãos são essas... que mãos... que mão é essas grandes... é pra te pegar melhor... Vovó que boca é essa grande? é pra te comer melhor... --- só isso...
RESOLUÇÃO Leo: e aí o caçador... que voz é essa... aí depois ele abriu a barriga do lobo e tirou a Vovó e a Chapeuzinho... --- pronto...
P: huhum... como foi que ele descobriu? S5: por causa que ele ouviu vo:::z
S5: e ele foi lá e cortou a barriga do lobo... --- tudo... fim:::
SITUAÇÃO FINAL
CODA Leo: a Chapeuzinho disse que não ia mais... não ia mais pro lado do lobo... ela só ia pro lado certo...
(...) aleluia...
Fonte: Produzida pela autora com base no reconto da criança pesquisada
No reconto da quarta etapa, Leo introduziu a ideia de que “aí e ela foi pro caminho errado...” Essa interpretação da criança relaciona-se certamente com o fato de essa história ser contada e finalizada com uma lição de moral em relação à obediência aos adultos, sob pena de se meter em apuros, como presenciamos em recontos no período da creche na escola que essa criança frequentava; a professora finalizava essa história alertando às
crianças: “Estão vendo o que acontece com crianças desobedientes?” Por isso é bom obedecer aos pais, aos professores, aos avós...”
Para Bettelheim (1980), contar um conto de fada com uma função didática é transformá-lo em um conto moralizante, atingindo diretamente o nível consciente da criança, o que descaracteriza esse gênero. Isso porque um dos grandes méritos dessa literatura é falar ao inconsciente da criança. Em outras palavras, “todos os bons contos de fadas têm significados em muitos níveis; só a criança pode saber quais significados são importantes para
129 Em relação aos aspectos narrativos, na etapa 2, ele os contempla parcialmente. Na etapa 3, narra a Orientação e a Situação Final, conservando a forma canônica. A
Complicação é narrada com riqueza de detalhes, mas a Resolução é expressa parcialmente.
Na etapa 4, a criança apresenta uma quantidade de linguagem superior às etapas precedentes, entretanto, não conservou a sequência temporal e causal dos fatos e subtraiu a Situação Final, além de necessitar de nossa mediação constante.
Nas quatro “recontações”, em relação à quantidade e à qualidade de linguagem verbal, podemos notar que há uma evolução constante e considerável entre as etapas 1 e 4 na aprendizagem e desenvolvimento da criança.
Em razão das ausências constatadas em suas produções textuais na modalidade oral, temos a seguinte classificação de suas narrativas orais:
Figura 5 - Evolução da estrutura narrativa oral - CASO 2 - S5E2/4 - LEO
Fonte: Produzida pela autora