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ŞÜPHELİ İŞLEM BİLDİRİM FORMU A- FORMU DÜZENLEYEN YÜKÜMLÜ BİLGİLERİ

G- SUÇA İLİŞKİN ŞÜPHE KATEGORİLERİ

12. Adli Ceza ve İdari Para Cezalarında Zamanaşımı

Na etapa 1, a participação de Luana durante o reconto de A Bela e a Fera resume- se a turnos breves, resultado de perguntas do tipo teste ou de comentários acerca da fala dos colegas ou ainda de momentos em que ela entra na trama trazendo, inclusive, a figura do pai. Vejamos:

677: Luana: não tenho da Chapeuzinho... 683: Luana: ah... o meu pai vem hoje aqui... 699: Luana: da bela...

703: Luana: ninguém sabe... não sabe também... 705: Luana: da bela...

707: Luana: não sei contar não... 718: Luana: um castelo... S5 : castelo...

768: Luana: ela falou...

770: Luana: não... (Etapa 1: 14/08/2006 – A Bela e a Fera).

Quando se trata de narrar a experiência, a linguagem é aquela que circula no cotidiano, mais espontânea e sem marcas, que, normalmente, se encontram na linguagem escrita, como vemos no exemplo da linguagem dessa criança ao narrar sua experiência de ida a praia:

634:Luana: ó povo... nem sabe contar história... eu vou amarar meu cabelo é assim. (...) a menina desceu né... a passarela, aí foi pa paia hoje. foi pa água, eu fiqui bonziada...

635: P: pessoal... olha só um pouquinho... 636: Luana: eu molhei meu cabelo todinho...

140 637: Luana: eu fiquei bonziada e a paia tava me matando... a paia tava com pé aí tirou o sapato... aí... ficou de chinelo eu... nem tirei minha chinela... tava de biquíni... jogando... nim mim ó...

(Etapa 1:14/08/06 – Chapeuzinho Vermelho).

Esse dado a respeito dessa criança corrobora o que registramos de seu desenvolvimento oral, no que concerne a narrativas de textos formais ao longo das quatro etapas em que foi acompanhada. Desde o início, contudo, assinalamos que ela não apresenta nenhuma dificuldade em narrar, a não ser que se trate de narrativas desconhecidas como eram os Contos Maravilhosos cujos recontos lhe solicitamos na primeira etapa da pesquisa. Isso se explica pelo fato de que, no período da creche, essa criança não participava de atividades com a Literatura Infantil. Nas etapas seguintes de sua vida escolar, ela participa de atividades com o texto literário na escola, conforme ela mesma nos informou em entrevista individual.

Na segunda etapa, registramos avanços significativos no que concerne a reconstituição de narrativas formais na produção dessa criança. Embora não haja sequência temporal e causal e os turnos ainda sejam resultados de intervenção nossa, evidenciamos o fato de serem construções mais longas e relativas à história em foco.

P: como é que começa essa história?

Luana: aí eu vi as três irmãs... o pai eu vi também A Bela e a Fera e eu vi também... sabe quem? a mulher malvada... aí também e o resto tia... não sei mais não tia...

P: o que que acontece na história?

Luana: aí o pai dela... ela pediu flores ao pai dela aí foi e trouxe ela pra Bela... a mulher malvada... né tia... aí foi a... o a Bela tá// aí a malvada tava precisando da Bela ela foi lá e a Bela tava assim... a Bela aí os ladrões bateram nela... P: quem são as personagens dessa história?

Luana: é a Bela... o pai dela... as três irmãs e a bruxa e o príncipe... P: quem era o príncipe antes de se tornar príncipe?

Luana: a malvada... aí ela se transformou em príncipe... aí foi terminou a história... (Etapa 2: 03/02/2009 referente a 2008).

Na terceira etapa, o avanço na reelaboração oral do texto protótipo é significativo em relação ao reconto anterior, sobretudo, pela elaboração de turnos mais longos sem nossa mediação, inclusive a narração da Complicação, elemento fundamental no texto narrativo.

Assim, Luana inicia seu texto oral, mencionando o título da história que dá nome às personagens principais: “A Bela e a Fera”. Em seguida, apresenta a viagem do pai da Bela e o pedido da filha: uma rosa de presente; ou seja, o nó da intriga, que nessa história é anunciado na Situação Inicial, uma vez que a tensão e o conflito ocorrem em função de o pai da personagem haver colhido uma rosa do jardim da Fera.

Na Complicação feita pela criança, “o pai dela foi levar uma rosa pra ela que pediu ela depois... Luana: (...) e também apareceu a Fera... a Fera disse... você vai ficar de

141 narrar a morte da personagem, põe fim à sequência causal. O que segue após esse fato narrado não atende à coerência interna da história nem à sequência temporal lógico-causal, mas contradições, pelas ações pós-morte, o que não faz parte do mundo ficcional do texto narrado.

Outras contradições são encontradas na Resolução e na Situação Final. Na

Resolução: Luana: (...) “deu um beijo na Fera e também a Fera virou um homem...” Situação

Final: “e ficaram tudo felizes para sempre e também a Fera se casou com a Bela...”

Observemos que, após a metamorfose da Fera em príncipe, quem se casa com a princesa é a Fera e não o príncipe. O pensamento da criança parece confuso.

A Coda é subtraída.

Assim, apesar de a criança haver apresentado quantidade e qualidade de linguagem superior às etapas anteriores, sua produção não constituiu texto narrativo. Vejamos na tabela seguinte.

Tabela 16 - Etapa 3 - A Bela e a Fera - 07/01/2010 - referente a 2009

ORIENTAÇÃO Luana: A Bela e a Fera... o pai dela viajou e também né... ela foi aí ela... o pai dela foi levar uma rosa pra ela que pediu ela depois...

COMPLICAÇÃO Luana: (...) e também apareceu a Fera... a Fera disse... você vai ficar de castigo... por favor... não faça isso... e também... a Fera... ela:::... ela fala de levar a::: Bela pra passear ela pergunta todo dia... Bela você me ama... ela disse NÃO... todo dia ela perguntava e também aí:: quando a Bela foi... quando seu pai estava doente a Bela foi cuidar dele e quando sarou foi viajar com o cavalo e encontrou a FEra morta aí...

RESOLUÇÃO Luana: (...) deu um beijo na Fera e também a Fera virou um homem... e SITUAÇÃO FINAL Luana: (...) ficaram tudo felizes para sempre e também a Fera se casou com a

Bela... CODA

Fonte: Produzida pela autora com base no reconto da criança pesquisada

A criança narra a Orientação: situando o mundo narrativo a partir de um

acontecimento e neles as personagens, em “uma festa...”, acrescentando o objeto de desejo da

Bela, causa da intriga, a rosa.

O início da Complicação é recriado e narrado com os detalhes; entretanto, a criança não apresenta o ápice do conflito, mas a tensão posterior provocada pela intriga que não foi narrada. Desse modo, mesmo havendo a sucessão de eventos em ordem cronológica, seu texto não se caracteriza texto narrativo, porque todo o encadeamento causal, as relações lógicas, cronológicas e hierárquicas, componentes que garantem a coerência global da narrativa, perderam seus referentes: o embate da Fera com o pai da Bela ao apanhá-lo subtraindo uma rosa do seu jardim. Sem esse acontecimento, os subsequentes não têm razão de ser nessa narrativa (ADAM e REVAZ, 1997; REUTER, 2002).

142 Assim, apresentamos a Resolução: “aí a Bela beijou na Fera... aí se transformou

em um lindo príncipe...” e a Situação Final: “viveram felizes para sempre...” Registramos o

fato de que a criança produziu esses turnos de fala mediante nossas intervenções. Ressaltamos também que ela narra as declarações de amor da Bela pela Fera, a transformação da personagem em príncipe, omite o casamento, mas encerra, indicando que eles “viveram

felizes para sempre”. Esse final canônico parece internalizado pelas crianças, de tal modo que

recriam e encerram com essa máxima, outros gêneros literários, pelo conforto da promessa de eterna felicidade:

Luana: quando Bela chegou lá ela tava vivo aí a Bela ela quase morria... aí a Bela falava assim... eu te amo Fera... não morra... aí ela não morreu... aí a Bela beijou na Fera... aí se transformou em um lindo príncipe...

e viveram felizes para sempre...

A Coda é subtraída nas quatro etapas por essa criança. A coda não faz parte do mundo narrativo. A criança não achou necessário fazer mais comentário, mas fecha o mundo narrativo com a promessa de felicidade.

Vejamos a seguir os dados analisados:

Tabela 17 - Etapa 4 - A Bela e a Fera - 22/10/ 2010

ORIENTAÇÃO Luana: quando viu uma festa... Bela... a servia todo mundo... aí o pai de Bela recebeu uma carta aí foi... montou no seu cavalo e foi e viajou...(e assim) pediu uma rosa e a outra pediu joia e a outra pediu terço pra fazer roupa...

COMPLICAÇÃO Luana: (...) aí o pai de Bela chegou no meio da tempestade... aí viu uma luz aí era um castelo... entrou...bateu... chamou e ninguém falou... aí o pai de Bela comeu depois foi dormir... quando ficou de manhã ele ( ) lembrou... aí pegou uma rosa... aí depois a Fera tinha um espelho mágico e deu... e disse assim... tem sete dias pra você vir aqui com a sua filha... chamada Bela... aí ele foi... foi chegou em casa falou... contou tudo pras três filhas... aí depois trouxe Bela... aí a Fera passava o dia perguntando... Bela você me ama? aí no barco... Bela você me ama? levava ela pra passear e ela ficava triste... quando o pais dela foi embora... --- só isso...

RESOLUÇÃO P: como é que termina a história?

Luana: aí a Fera se transformou em um lindo príncipe aí viveram felizes para sempre...

P: o que foi que aconteceu? Por que que ele se transformou em um príncipe? Luana: porque o caçador... umas pessoas invadiram o castelo da Fera aí foi...aí deram uma coisa na Fera aí coisou...

P: coisou o que?

Luana: quando Bela chegou lá ela tava vivo aí a Bela ela quase morria... aí a Bela falava assim... eu te amo Fera... não morra... aí ela não morreu... aí a Bela beijou na Fera... aí se transformou em um lindo príncipe...

SITUAÇÃO FINAL Luana: e viveram felizes para sempre... CODA

143 Desse modo, no que se refere aos aspectos narrativos, seus textos orais foram classificados nas quatro etapas, conforme figura a seguir.

Figura 10 - Evolução da estrutura narrativa oral - CASO 3 - S5E3 - LUANA

Fonte: Produzido pela autora