financiamento
A definição do PSPN teve desdobramentos na rede estadual de ensino da Paraíba. No quesito jornada, era praticava uma jornada de 25h, de forma que para essa carga horária, o valor do piso ficaria reduzido para R$ 593,75 (TAB. 5).
Observou-se ainda que, para 2009, a lei aprovada franqueou aos poderes públicos estaduais e municipais contabilizar no cômputo do piso os adicionais existentes.Como isto foi considerado, o magistério paraibano não teve inicialmente vantagem salarial substancial com o novo piso, pois se adicionando ao vencimento às gratificações pelo exercício da docência ou na função de suporte pedagógico, o total final ultrapassou o piso nacional em 7,30%.
Assinala-se também que na distribuição da jornada, a rede estadual da Paraíba tinha uma fração inferior para horas atividades (H.A) do que a prevista pela lei do piso. Essa mudança creditou mais horas aulas na carga horária semanal que passou de 25h para 30h (TAB. 6).
Tabela 5 - PSPN x Remuneração e jornada do magistério paraibano-2008
Fonte: Elaboração própria a partir de BRASIL, 2008; PARAÍBA, 2008
PSPN
Distribuição da
Jornada semanal (h) Piso - PB (R$)
Distribuição da Jornada semanal (h)
(R$) Total Regência H.A Total Regência H.A
593,75 950,00 25 40 17 27 8 13 636,85 1.018,95 25 40 20 32 5 8
A vantagem mais significativa deveu-se a elevação em 60% (de um quinto para um terço) nas horas atividades dos docentes da rede estadual. Ampliar o tempo para as horas atividades representou melhoria nas condições de trabalho, pelo fato do docente dispor de mais tempo para a preparação exigida ao exercício da função.
A tabela acima simula a correlação entre jornadas e remuneração. Percebe- se um descompasso entre a remuneração e as jornadas. Enquanto a remuneração do docente estadual se configurou num valor superior ao do PSPN, na distribuição da jornada, até então praticada, tinha valores a mais para as horas de interação com os alunos, e a menos para as horas atividades, contrastando com a aprovada nacionalmente.
No final de 2008 o governo estadual promoveu alterações no plano de carreira: elevou de 15% para 20%, a diferença entre a remuneração do docente com nível médio com a remuneração do docente com licenciatura plena; ampliou a jornada de trabalho semanal para 30h, distribuindo 20h para interação direta com os alunos, e 10h para atividades didáticas decorrentes da referida interação, como a formação continuada e atividades departamentais, igualando com a distribuição prevista pela lei do piso (TAB. 6).
Tabela 6 - Remuneração e jornada: PSPN X Piso paraibano – jan. 2009 (com formação em nível médio na modalidade normal)
Pisos salariais (R$1,00) Distribuição da Jornada semanal (h) PSPN Piso - PB Regência Horas atividades Total
712,50 950 776,93 1.035,91 20 27 10 13 30 40
Fonte: Elaboração própria a partir de BRASIL, 2008a; PARAÍBA, 2011a
Em maio de 2009, a remuneração do magistério paraibano obteve outro reajuste, continuando superior, com pouca margem, ao valor atualizado do PSPN.
Enquanto o piso nacional foi definido em R$ 849,30 para uma jornada de 30h semanais, o piso remuneratório do docente paraibano, com mesma jornada, foi elevado para R$ 854,61.
O artigo 5º da Lei nº11.738/08, que instituiu o PSPN, estabeleceu janeiro como mês de sua atualização, utilizando-se como critério o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente para o exercício seguinte, nos termos da Lei no 11.494/2007, que instituiu o Fundeb.
A Portaria Interministerial nº 1.227, de 31 de dezembro de 2009, reajustou o valor mínimo do Fundeb para 2010 em 15,94%, que elevaria o valor do PSPN para R$ 1.312,85. No entanto, o percentual que contemplou o piso foi rebaixado para 7,86%, além do fato de incidir sobre o valor do Piso de 2008, de R$ 950,00, elevando-o para R$ 1.024,67.
O Ministério da Educação (MEC) assim procedeu a partir de um parecer da Advocacia Geral da União (AGU), que julgou indevido o reajuste do piso com base no valor do custo aluno de 2009, por conta da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 38.
A CNTE discordou do parecer da AGU, até porque a ação mencionada, ateve-se às questões de desconsiderar o piso enquanto vencimento, mais como o conjunto dos valores pagos (a qualquer título) e das frações destinadas à distribuição da carga horária semanal prevista na Lei que instituiu o PSPN.
A discussão no plano nacional entre o valor oficial do PSPN e o defendido pela CNTE trouxe reflexos no plano local. No início de março de 2010, antecedendo a decisão do MEC, o governo estadual reajustou o valor do piso em 5% através de medida provisória (MP nº 146/10). Tal medida garantia o pagamento da diferença que por ventura existisse quando da definição do índice oficial para todo o país.
Assim posto, ao final do mencionado mês foi sancionado uma nova Medida Provisória (MP nº 151/10), assegurando ao piso local o percentual de 7,86%, retroagindo seus efeitos a partir de janeiro de 2010.
Em maio de 2010, foi elevado o percentual entre as classes (Lei nº 9.085/10), passando a ter as seguintes diferenças relativas:
a) da classe A para Classe B, 25%; b) da Classe A para Classe C, 30%; c) da Classe A para Classe D, 35%; d) da Classe A para Classe E, 40%.
O processo eleitoral de 2010 trouxe a mudança da composição política do governo estadual. Uma das primeiras medidas do novo governo que assumiu em janeiro de 2011, em relação ao magistério, foi a revogação do escalonamento entre as classes anteriormente referido. Esse fato e o não atendimento da pauta de
38 Trata-se da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.167/08, movida no Supremo Tribunal Federal
(STF) contra a Lei que regulamentou o PSPN, pelos governadores dos estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Ceará. Em 2011,o STF julgou improcedente a Ação, por não existir estudos técnicos que justificasse os motivos da Ação.
reivindicações, como a do piso salarial enquanto vencimento base da categoria, levou os professores a entrar em greve em 2009.
Além da questão salarial dos professores efetivos, a pauta de reivindicações que incluiu: eleições diretas em todas as escolas públicas estaduais em todas as cidades, independente do número de habitantes; aumento na gratificação dos diretores das escolas, conforme o padrão das mesmas; criação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos funcionários das escolas públicas estaduais; realização de concurso público para todos os cargos da educação; remuneração para prestadores de serviço e pró-tempores equivalente ao pessoal do quadro permanente e de acordo com o seu grau de qualificação; mudanças de níveis automáticas por tempo de serviço para o magistério; agilidade nas progressões funcionais; expediente único de 6 horas para funcionários de escola e nomeação imediata das direções eleitas.
Um item da pauta chama a atenção. O contratado temporariamente, pelas sucessivas renovações realizadas a cada ano, levou as instancias representativas da categoria a incorporar na pauta de suas reivindicações a equiparação com os efetivos, inclusive levando-se em conta sua formação. A conjuntura foi marcada por ameaças por parte do governo, como a de corte de ponto e da rescisão dos contratos temporários (cerca de 6 mil), fato esse que provocou a pouca adesão desse segmento ao movimento, apesar de constar da pauta de reivindicações a equiparação com os integrantes do quadro efetivo. Sobre o assunto assim se expressou o dirigente sindical:
Não chegamos a 100% porque temos muitos prestadores de serviço que não aderiram à greve, com receio de demissão. E olhe que muitos deles estão sem receber remuneração desde o inicio do período letivo, que foi em fevereiro. (GREVE..., 2011).
As medidas tomadas pelo governo, com a edição da Medida Provisória nº 175/ 11, objetivou incorporar ao vencimento, a gratificação de 40% (GED/GEAP), Observa-se que o vencimento (piso) praticado na rede estadual continuou um pouco acima do PSPN (TAB.7).
Tabela 7 - Comparativo: PSPN x Piso paraibano – fev. 2011
(com formação em nível médio na modalidade normal)
Pisos salariais (R$1,00)
Distribuição da Jornada semanal (h)
890,98 1.187,97 926,17 1.234,04 20 27 10 13 30 40
Fonte: Adaptado pelo autor a partir de BRASIL, 2008a; PARAÍBA, 2011a
Na tabela seguinte aponta-se a trajetória profissional de um docente. Em destaque a composição da remuneração de 1996 a 2010, período compreendido pela aplicação de políticas de fundos de financiamento educacional.
Observa-se a transitoriedade de adicionais como: a gratificação pelo efetivo exercício no ensino fundamental, a gratificação por hora-aula suplementar e a gratificação temporal educacional, que apresentam especificidades quanto aos limites impostos à sua concessão, em consonância com os objetivos propostos pelas políticas de fundos de financiamento educacional.
Na sequência temos a remuneração dos respectivos anos. Em destaque a correspondência entre os valores e a trajetória da formação profissional; Licenciatura Curta em 1996, Licenciatura Plena em 1997, especialização em 2005.
Verifica-se também o final de carreira em 2007, momento em que a remuneração foi convertida em proventos em decorrência da aposentadoria.
Entre os adicionais destacam-se, por apresentarem valores simbólicos, salário família de R$ 0,90 (noventa centavos) e a antecipação de aumento de R$ 9,27. Outro dado que chama a atenção é a desvinculação do ADTS do vencimento,
Tabela 8 – Composição da remuneração do magistério estadual da Paraíba – 1996-2010 (R$ 1,00) Nº 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 I 73,38 231,24 231,24 231,24 231,24 231,24 342,06 468 468 594,59 645,15 1093,82 1.159,00 1413,4 1554,7 II 14,67 57,81 57,81 57,81 57,81 57,81 102,61 140,4 140,4 140,4 140,4 - - - - III 73,38 15,91 15,91 31,82 57,73 65,91 41,82 234 234 237,83 258,05 - - - IV 73,38 - - - - V - - 59,66 119,32 216,48 247,16 156,81 - - - - VI - - - 105,3 - - - - VII - - - - 72,84 105,21 15 - - - - VIII - - 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 - - - - - IX 234,81 304,96 365,52 441,07 637,00 708,26 659,20 948,60 843,30 973,72 1043,6 1093,82 1.159,00 1413,4 1554,7 X - 9,27 9,27 9,27 9,27 9,27 9,27 - - - - XI 234,81 314,23 373,89 449,46 646,27 717,53 668,47 948,60 843,30 973,72 1043,6 1093,82 1.159,00 1413,4 1554,7 XII 78,27 104,74 104,74 110,04 158,15 203,79 189,87 269,44 239,3 276,57 296,42 - - - - XIII - - - 611,1 - - - 77,78 - - - - -
Fonte: Dados da pesquisa LEGENDA
I – Vencimento
II – Adicional por Tempo de Serviço (a partir de 2003, Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada - VPNI) III – Gratificação de Regência de Classe
IV – Gratificação Isonômica
V – Gratificação pelo Efetivo Exercício no Ensino Fundamental VI – Gratificação por Hora-aula (aulas suplementares) VII – Gratificação Temporal Educacional
VIII – Salário-família IX – Total da remuneração X – Antecipação de aumento XI - Décimo Terceiro Salário XII – Férias
XIII – Atrasados
A seguir, focaliza-se o resultado da pesquisa na rede municipal de ensino de João Pessoa.
6.2 A rede municipal de ensino do município de João Pessoa: políticas de