Na contemporaneidade, as associações e sindicatos de professores enfrentam a difícil tarefa de organizar e de responder às diversas formas de exprimir sua indignação para com o processo de precarização de suas condições de trabalho provocada pela massificação do ensino e dos novos dispositivos de regulação.
A questão de fundo é a de que o Estado neoliberal direciona a maior parte do fundo público para reprodução do capital em detrimento dos gastos sociais. Para que isso aconteça combate-se a organização coletiva dos trabalhadores, o sindicato, pois os princípios neoliberais se contrapõem a ações coletivas e universais, pois suas ações estão focadas no fortalecimento da iniciativa e do mérito individuais e a limitação dos recursos com políticas sociais, como aponta Anderson.
A estabilidade monetária deveria ser a meta suprema de qualquer governo. Para isso seria necessária uma disciplina orçamentária, com a contenção dos gastos com o bem-estar, e a restauração da taxa „natural‟ de desemprego, ou seja, a criação de um exército de reserva de trabalho para quebrar os sindicatos [...]. (ANDERSON, 1995, p.11).
Os sindicatos estão vivendo este desafio ao mesmo tempo em que sofrem o desgaste que o conjunto dos sindicatos tem vivenciado como consequência dos
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processos de reestruturação da produção, que flexibiliza as relações trabalhistas com perda de direitos adquiridos, precarizando o emprego formal.
É como se os sindicatos tivessem, na atualidade, o duplo desafio de defender a si mesmos como instituição e os trabalhadores enquanto classe. O conflito para os sindicatos representa um mecanismo que mede as relações de força, permite a negociação, atualiza permanentemente o compromisso entre as partes implicadas. Cada negociação permite ao sindicato renovar suas credenciais como mediador e negociador das demandas de base e proporciona aos governos instâncias de consensos políticos.
O sistema opera através da renovação constante das expectativas de uma melhora futura e, desta maneira, atualiza sua finalidade. A manutenção da pauta reivindicatória de salários e condições de trabalho constitui a linha de continuidade na ação sindical na América Latina. (OLIVEIRA, 2004).
A relação entre o poder público e o movimento sindical ocorre em fóruns institucionais, como em conselhos de acompanhamento e controle social, em comissões de gestão do plano de carreira e de concursos onde o movimento sindical tem acento.
A composição das comissões mencionadas, pode ser paritária ou não, com relação ao número de representantes do poder público e do movimento sindical. Outra questão levantada se relaciona com a liberação do dirigente para o exercício da atividade sindical. O quadro seguinte apresenta detalhes.
Quadro 10 - Relações entre o poder público e o movimento sindical
Fonte: Elaboração nossa a partir do instrumento PCCR, 2010
Percebe-se ainda, no quadro acima, situações em que há prejuízos na carreira com sua liberação das atividades em sala, como, por exemplo, a perda de
UF Formas de concessão Participação sindical
PA Assegura mandato classista com prejuízo (não conta o tempo para promoção por merecimento).
Comissão de avaliação de desempenho Comissão gestora do plano de carreira.
RR
Com ônus para o poder público, e de no máximo dois por entidade; sem direito a promoção, exceto quando representante na Comissão gestora do PCCR.
Comissão paritária de Gestão do PCCR (composta de oito membros: quatro de órgãos governamentais e entidades, três do sindicato e um da Organização dos Professores Indígenas).
PI
É assegurado o direito a licença para desempenho de mandato com remuneração do cargo efetivo, de três dirigentes com inamovibilidade de até um ano após mandato findo.
Comissão Paritária de Avaliação de Desempenho e na fiscalização do concurso
RN Assegura mandato classista s/ prejuízo. Comissão paritária de Gestão do PCCR Comissão de avaliação de desempenho
PB Assegura afastamento sem prejuízo. Comissão de avaliação de desempenho Comissão de promoção funcional Conselho Estadual de Educação
MG Assegura mandato com estabilidade ao Diretor Sindical (Executiva). Comissão permanente de gestão do plano
MT Assegura mandato classista sem prejuízo. Comissão de avaliação de desempenho e na comissão de concursos
MS
Dispensado pelo Chefe do Poder Executivo de suas atividades funcionais, sem qualquer prejuízo dos direitos e vantagens
Comissão paritária do PCCR e participação na comissão de concursos.
SP
Poderão ser afastados do exercício de seu cargo, respeitado o interesse da Administração Estadual, até o limite máximo de dez dirigentes por entidade.
Comissão de gestão da carreira composta de forma paritária.
PR Assegura mandato classista sem prejuízo. -
SC O PCCR é omisso sobre o tema. -
RS
Poderá, mediante proposta do Secretário da Educação, ser dispensado, pelo Chefe do Poder Executivo, de suas atividades funcionais, sem qualquer prejuízo.
gratificações presenciais e da não contagem do tempo de afastamento para promoções e para a aposentadoria especial.
Por seu turno, a LDB vigente, definiu no artigo 70 os itens de despesas que constituíam a manutenção e desenvolvimento do ensino e no artigo 71, os itens de despesas que não poderiam ser mantidos com os recursos vinculados. Tal instrumento norteou as ações de dirigentes sindicais do magistério, na participação em conselhos de acompanhamento e controle social e em outras instâncias similares.
Por outro lado, nota-se a subtração do direito à promoção na carreira, devido os critérios estabelecidos vincularem como pré-requisito à promoção, o exercício da atividade em sala de aula. Já outros estados, limitam a liberação aos integrantes da diretoria executiva. Há estados que liberam o dirigente sem prejuízo de suas funções e vencimentos.
Este capítulo buscou identificar as semelhanças e diferenças nos planos de carreira e remuneração do magistério de redes públicas de ensino da educação básica. Foram selecionadas categorias dos planos que caracterizam a atividade docente, a partir do ingresso, evoluindo para uma perspectiva de crescimento na carreira.
Constatou-se que nos tipos de admissão ao exercício da docência, se por um lado, os planos analisados seguem o princípio constitucional de ingresso no quadro efetivo pelo instrumento do concurso público de provas e títulos, por outro, as excepcionalidades que a Carta Magna aponta para formas de contratação virou regra, a ponto de se ter sistemas de ensino onde o número de contratos temporários ultrapassa o número de integrantes do quadro efetivo.
Com relação à formação continuada, percebe-se que há um descompasso entre os instrumentos legais aprovados nacionalmente, relativos à licença para o afastamento das atividades, pelos condicionantes impostos no plano local.
6 DESVELANDO OS PLANOS DE CARREIRA E REMUNERAÇÃO DOS DOCENTES DE REDES PÚBLICAS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO BÁSICA PARAIBANA
Analisa-se nessa seção as condições de trabalho e de remuneração do professor da rede pública estadual paraibana e da capital do Estado, João Pessoa. O estudo focaliza o período de vigência do Fundef e do seu substituto, o Fundeb.
No primeiro momento, o enfoque recai sobre o ano de 2003 quando entrou em vigor o Plano de Carreira e Remuneração dos Profissionais da Educação da rede pública estadual paraibana, instituído pela Lei nº 7.419/03, até as alterações ocorridas em 2011. O segundo momento é dedicado ao magistério da rede municipal de ensino de João Pessoa.
Para se realizar este estudo optou-se pela análise documental das legislações que normatizam a categoria dos professores e assim compreender como se processa a movimentação na carreira docente. Tal evolução é demonstrada pelas sucessivas posições de vencimentos possíveis de serem ocupadas, em decorrência da formação continuada e pelos reajustes coletivos concedidos pelo governo estadual no período. Desse modo, ao se traçar o perfil da remuneração docente no início da presente década até o presente, procurou-se evidenciar os reflexos das políticas de fundos de financiamento, na carreira e remuneração dos docentes paraibanos, fazendo-se uma interface com o Piso Salarial Profissional Nacional – PSPN, definido pela Lei nº 11.738/08.
O instrumento utilizado para análise constituiu-se de uma matriz de vencimento demonstrativa da dispersão na carreira docente, compreendendo a remuneração por níveis de formação do professorado da rede estadual da Paraíba.
Para se chegar ao demonstrativo, comparou-se a situação do piso e do teto do vencimento, evidenciando-se em períodos específicos o poder aquisitivo do professor frente aos reajustes obtidos, ao mesmo tempo em que se expõe a posição do vencimento e de carreira ocupada pelos docentes paraibanos, com as alterações ocorridas no plano de carreira do magistério estadual.