• Sonuç bulunamadı

de João Pessoa

Inicialmente, procura-se analisar a evolução das receitas do município e a corresponde despesa com pessoal, ao longo de seis anos que antecederam ao ano da pesquisa sobre a composição da remuneração do magistério municipal de João Pessoa.

Verificou-se que a Receita Corrente Líquida (RCL) cresceu mais do que a despesa com pessoal. Enquanto que a receita mais do que dobrou no período, a participação da despesa com pessoal evoluiu em 65,19%.

Tabela 9 - Percentual de comprometimento da receita x despesa com pessoal de João Pessoa - 2003-2008

Ano RCL Despesa com Pessoal %

2003 359.657.480,35 175.109.171,26 48,69 2004 451.481.650,15 227.548.977,62 50,40 2005 535.229.217,64 217.383.581,81 40,62 2006 603.518.851,74 268.570.129,18 44,50 2007 692.563.286,59 240.835.888,40 34,77 2008 840.664.422,41 289.266.477,53 34,41 Variação (%) 133,74 65,19 -

Fonte: Elaborado a partir de SEMANÁRIO OFICIAL, Balanços anuais, 2003-2008

Observou-se a redução do comprometimento da receita em relação à despesa com pessoal, no inicio do período era de 48,69%, caiu para 34,41% em 2008, ficando abaixo do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal em todos os anos (TAB. 9).

Tomamos como referência para esse tópico, a adequação do plano de carreira e remuneração do magistério da rede municipal frente à Lei nº11.738/08, que definiu o PSPN. Apreciamos também os embates entre governos e representações da categoria dos professores, durante o período que culminou com a negociação salarial entre governo municipal e o magistério da educação básica da capital, compreendendo os meses de abril e maio de 2009.

Na tabela seguinte compara-se a evolução da receita vinculada com a variação da remuneração no período 2003-2010, constata-se um crescimento superior da receita vinculada, como se percebe na tabela abaixo, a receita cresceu 194,30%, ao passo que a remuneração cresceu 100,11%, guardando uma defasagem de 47,07%, ou seja, o magistério municipal foi reajustado pela metade, quando comparado ao incremento das receitas.

Tabela 10 – Receita vinculada x Remuneração docente de João Pessoa - 2003-2010

Ano (R$1.000,00)Receita Remuneração(R$ 1,00)

2003 249.662 756,25 2004 289.427 786,50 2005 349.590 859,32 2006 391.949 760,82 2007 452.325 1.158,77 2008 618.940 1.250,72 2009 719.356 1.375,79 2010 734.756 1.513,37 Variação (%) 194,30 100,11

Fonte: SEMANÁRIO OFICIAL, Balanços anuais, Números especiais, 2003-2010; Fichas financeiras anuais do docente no período 2003-2010

Nessa direção apontou o processo de negociação entre a prefeitura e os trabalhadores em educação. O discurso do poder executivo foi permeado pela redução das expectativas de arrecadação, especificamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Segundo o Secretário da Administração de João Pessoa, o reajuste foi concedido após estudos sobre a queda do FPM (R$ 3,5 milhões) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb, cuja estimativa apontava uma redução de R$ 10 milhões, dos R$ 86 milhões previstos inicialmente para 2009. Segundo o Secretário da Administração e Recursos Humanos, o reajuste custaria um incremento na folha do magistério de recursos da ordem de R$ 1 milhão/mês.

Os professores da rede municipal de ensino obtiveram 47,5% de reajuste sobre o vencimento base entre 2005 e 2008, mesmo assim a precarização do trabalho docente ficou evidente no baixo valor hora-aula dos professores prestadores de serviço na declaração do Secretário Municipal da Administração:

[...] atualmente a remuneração total de um professor da educação básica I, para um regime de 40h, é de R$ 1.068,84. Já o professor da educação básica II, com a mesma jornada de trabalho recebe como remuneração total R$1.997,00 (incluídas: gratificações por serviço especial, percentual do pó de giz e quinquênios). O reajuste em 2009 foi de 10%, superior ao de 2008 que foi de 8,5%. “Os professores prestadores de serviço foram reajustados no valor hora-aula, passando de R$ 5,40 para R$ 6,00”. (PROFESSORES..., 2009b, grifo nosso).

Geralmente o poder executivo apresenta uma situação que não é comum para a maioria da categoria, o que leva a falsear dados. Para o dirigente sindical, os

valores pagos pela prefeitura diferem dos citados pelo representante do poder público, a começar pela jornada de trabalho semanal, onde predomina a jornada de 25h. A carga horária oficial da prefeitura é de 25h e não 40h. Além disso, os professores que hoje recebem acima de R$1.000,00 são aqueles que dobram o expediente, “[...] Contudo apenas cerca de 200 profissionais se encontram nessa situação.” (PROFESSORES..., 2009b).40

No entanto, o dirigente sindical reconhece que nas negociações houve avanços, na medida em que o reajuste foi estendido aos aposentados, mantendo a paridade com os docentes da ativa. Já para os professores prestadores de serviço foram contemplados com 10h para capacitação e planejamento (horas atividades), como já dispunham os docentes do quadro efetivo.

[...] Ainda tivemos avanço na “gratificação pela dobra de carga horária do professor”, que no caso dos polivalentes, passou de R$ 232 para R$ 401, enquanto dos licenciados saltou de R$ 432 para R$ 526 [...]. (PROFESSORES..., 2009, grifo nosso).

Porém, o reajuste foi insuficiente para equivaler à dupla jornada de trabalho o dobro do vencimento. A Gratificação de Serviço Especial (GSE) para quem amplia jornada de trabalho em outro turno, apresenta indícios de precarização do trabalho docente, pois a GSE corresponde de 45% do vencimento (TAB.11).

A instituição da Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI) foi o artifício utilizado pela prefeitura para desvincular adicionais do vencimento. Formada pelo somatório de adicionais percebidos pelas categorias funcionais, quer pelo exercício de funções comissionadas ou de qualquer outra natureza, por conta da desvinculação, permanece em valores constantes, mesmo que outros componentes da remuneração variem como foi o caso do vencimento e da gratificação por horas de atividades em maio de 2009.

A criação da VPNI seguiu a norma determinada pela reforma administrativa encetada pelo governo federal em 1998, com a edição da Emenda Constitucional n. 59, a qual modificou o artigo 37 inciso XIV, dando seguinte redação: “os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores”. (BRASIL, 1998).

A progressão horizontal na rede municipal de João Pessoa é realizada a cada 3 anos, para tanto, o candidato deve obter uma pontuação mínima de 300 pontos.

Quadro 11- Atividades de pontuação na avaliação de desempenho do magistério municipal de João pessoa - 2010

Fonte: JOÃO PESSOA, 2010

Observa-se que, pelo escore mínimo de pontos necessários à promoção e pela dificuldade de preencher determinados requisitos, como, por exemplo, publicações, tornam a promoção limitada a um universo muito restrito de docentes.

6.2.2 Desvelando a composição dos vencimentos do magistério municipal