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2.2. Yaratıcılık

2.2.3. Yaratıcı Ortam Oluşturma

De acordo com Gil (2005), a deficiência é tão antiga quanto a humanidade. Desde a pré-história até hoje, as pessoas sempre tiveram que decidir qual atitude adotar em relação aos membros mais vulneráveis da comunidade que precisavam de ajuda para obter alimento, abrigo e segurança (como as crianças, os idosos e as pessoas com

deficiência). Para Feijó (2002), a concretização do direito constitucional de ir e vir é fundamental para estas pessoas, pois as habilita para usufruir muitos outros, como o direito à escola, ao trabalho, ao lazer etc.

Para Ubierna (2008), as pessoas com capacidade de locomoção ou comunicação reduzida são as que têm maior dependência dos serviços públicos para alcançar sua autonomia pessoal, sua participação e integração social e o exercício de sua liberdade. Como consequência, a melhora da acessibilidade é um dos elementos-chave no processo gradual de transformação do entorno físico que favorece a igualdade social de oportunidades e possibilita o máximo de autonomia pessoal e integração na cidade.

Segundo citado em Brasil (2000a), as pessoas com deficiência (PCDs) são aquelas que, temporária ou permanentemente, têm sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo de forma limitada. De acordo com o último censo demográfico (IBGE, 2000), no Brasil, o número de PCDs chega próximo a 14,5 % da população. Na Figura 2.4, é mostrada esta proporção. Na mesma figura pode ser vista a comparação entre o Brasil e alguns países selecionados em uma pesquisa sobre pessoas com deficiência em âmbito mundial durante os anos de 1986 e 2000.

Figura 2.4: Percentual de PCDs, segundo países selecionados

Fonte: Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio de Janeiro apud Cohen (2006)

Um fato importante a ser observado é que desses 14,5 % de PCDs, quase a metade (48,1 %) possui deficiência visual e um pouco mais de um quarto (ou seja, 27 %) possui deficiência física e deficiência motora (Figura 2.5).

22 Capítulo 2 – Mobilidade e Acessibilidade

Figura 2.5: Distribuição de PCDs no Brasil

Fonte: IBGE (2000) apud Cohen (2006) e Cambiaghi (2007)

Segundo a CET (1980), o número de pessoas com deficiência tende a crescer, devido ao aumento da expectativa de vida do brasileiro e aos elevados índices de acidentes de trabalho e trânsito. Fruin (1971), em pesquisas realizadas desde a década de 70, já citava que o avanço da medicina tem diminuído o número de mortes por acidentes, mas muitas vezes não consegue impedir que o acidentado adquira alguma deficiência física. De acordo com o MDT (2003) no Brasil, em média, 40 mil pessoas por ano morrem nos acidentes de trânsito e 350 mil ficam feridos. Deste total, 120 mil se tornam PCDs.

De acordo com Cancella (1994) apud Magalhães (1999), se forem somadas às PCDs as pessoas com restrição de movimento (PRMs), como idosos, crianças, obesos, gestantes após o sexto mês e os de visão subnormal, esse número aumenta quase três vezes e pode ultrapassar 40 %. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002

apud Sant’Anna et al., 2002), indicam que, entre 1950 e 2025, a população de idosos

(acima de 65 anos), no Brasil, crescerá 16 vezes enquanto o crescimento da população total será de apenas 5 vezes.

Apesar dos avanços tecnológicos e médicos terem melhorado a expectativa de vida, o envelhecimento é uma realidade. Pessoas acima de 65 anos têm grande chance de apresentar deficiências e dificuldades para enxergar, ouvir e se locomover. Entretanto, os recursos de infraestrutura ainda não são condizentes com as suas necessidades mais básicas de locomoção. Segundo Cambiaghi (2007) as pessoas idosas podem apresentar capacidade de reação mais lenta e visão e audição deficientes em

relação ao “usuário médio”. Isto ocorre porque suas capacidades motoras e sensoriais costumam sofrer redução gradual, o que as torna mais suscetíveis a sentir os efeitos negativos do meio construído.

Segundo Sant’Anna et al. (2002) a distribuição prevista da população com no mínimo 60 anos de idade para alguns países para o ano 2050, revela que os países em desenvolvimento e mais jovens registrarão as maiores taxas de crescimento de populações idosas. O Brasil apresenta a quinta maior taxa de crescimento prevista, o que corresponde a 188% (Figura 2.6).

0% 50% 100% 150% 200% 250% 300% Ano 2000 24% 23% 23% 22% 18% 16% 10% 9% 8% 8% 7% 7% Ano 2050 41% 35% 38% 43% 41% 28% 30% 30% 23% 21% 22% 24% Taxa de crescimento 63% 52% 65% 96% 127% 75% 200% 233% 188% 163% 215% 243%

Itália Alemanha Japão Espanha República Checa

Estados

Unidos China Tailândia Brasil Índia Indonésia México

Figura 2.6: Previsão de crescimento da população acima de 60 anos para 2050 Fonte: Sant’Anna et al. (2002)

Segundo Fisk et al. (2004) o subgrupo de idosos que cresce mais rapidamente, em termos comparativos aos anos anteriores, é o daqueles com mais de 80 anos. Os autores definem como idoso o indivíduo que tem 60 anos ou mais, embora afirmem que essa definição não seja sempre tão completa e citam que existem autores que apresentam outras classificações. Na verdade, não existe uma faixa definitiva entre o que é considerado “pessoa adulta” e a “pessoa idosa”. Sendo assim, a idade não é facilmente representada como uma variável nominal. A idade cronológica é usada apenas como um marco que corresponde às mudanças comportamentais.

Um dos grandes avanços para a inclusão de PCDs e PRMs na sociedade aconteceu na década de 70, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) adotou uma classificação de deficiências e desvantagens em um suplemento adicional denominada de Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e não mais como parte integrante da Classificação Internacional de Doenças

24 Capítulo 2 – Mobilidade e Acessibilidade

(CID). Isto retirou das necessidades especiais a relação com doença e estabeleceu uma nova visão que refletiu positivamente também na esfera social (Cambiaghi, 2007).

Assim, a deficiência (apresentada por alguém) foi classificada em três níveis:

impairment (deficiência), disability (incapacidade) e handcap (desvantagem). Segundo

Luchetti (2008), nesta nova classificação (CIF), além de se considerar a atuação da pessoa com deficiência em três dimensões: orgânica, pessoal e social, se identifica tarefas importantes que envolvem a mobilidade. Dentre estas tarefas está o grau de deambulação: ato de caminhar no plano, em piso desigual, subir degrau, atravessar obstáculo e correr.

Um dos pontos mais importantes verificados na CIF é o aspecto positivo que mostra a maneira como a deficiência depende do ambiente ao qual está ligada e também, da estrutura do corpo do indivíduo. Nesta classificação ainda é mostrado o reflexo dessa dependência na participação do indivíduo na sociedade. Assim, no Quadro 2.1, adaptado de Rocha (2006), são citadas as principais definições utilizadas na CIF.

Quadro 2.1: Definições utilizadas pela Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

Dano Doença ou distúrbio

Deficiência Anomalias ou perdas na estrutura corporal e na aparência e/ou função de um órgão ou sistema

Incapacidade Restrições ou perdas de habilidades devido a distúrbios do ponto de vista funcional e da atividade do indivíduo

Desvantagem Consequências sociais e ambientais que afetam o indivíduo ao não poder se adequar às expectativas e normas de um meio sócio-cultural

Fonte: CIF (2001) apud Rocha (2006)

No Quadro 2.2 é mostrado um exemplo que relaciona os termos citados anteriormente e seus efeitos, de forma a esclarecer o que é a deficiência. Nesse caso foi apresentado o exemplo de uma pessoa com deficiência sensorial/auditiva.

Quadro 2.2: Exemplo que relaciona uma deficiência (no caso, auditiva) e seus efeitos

Dano Lesão do nervo auditivo

Deficiência Surdez neuro-sensorial

Incapacidade Ausência de audição / diminuição da capacidade labiríntica

Desvantagem Restrição de comunicação / diminuição de oportunidades de trabalho etc.

Fonte: Elaborado a partir de Rocha (2006)

A desvantagem citada no exemplo indica que o portador de deficiência auditiva apresenta restrições de comunicação, podendo ter dificuldades no entendimento dos espaços, quando estes não apresentarem sinalizações e orientações adaptadas ao seu uso.

2.5 Principais Características Físicas de Pedestres Quanto à