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YAHYA KEMÂL BEYATLI’ DAN BAHSEDEN ESERLER:

Belgede Abide adam (sayfa 67-69)

önem li tesirleri vardır

YAHYA KEMÂL BEYATLI’ DAN BAHSEDEN ESERLER:

Se tivesse que extrair uma única impressão da primeira atividade realizada dentro do Projeto Profissões seria a importância da autonomia. Sobre esta importância é imprescindível que eu convide para dialogar a respeito Freire (1996) quando o mesmo nos propõe uma Pedagogia da autonomia:

Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente, aos 25 anos. A gente vai amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade (FREIRE, 1996, p. 41).

Indo ao encontro da fala de Freire (1996), confesso que fiquei impressionada com a capacidade dos pequenos de raciocinar acerca de um problema, relacionar o conhecimento que eles possuem com a problemática proposta. Foi muito mais interessante utilizar a capacidade de dedução e associação deles, do que se eu estivesse explanado as profissões e seus significados na lousa, de maneira explicativa.

Sobre esta forma de transmissão do conhecimento, feita de maneira a desconsiderar o saber do educando, Freire, a chama de Educação bancária e diz que:

Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem de aço que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá- los e arquivá-los. Margem para serem colecionadores ou fichadores das coisas que arquivam (FREIRE, 1987, p.33).

Freire (1987) ainda diz que na Educação bancária há uma doação por parte daquele que julga saber tudo àquele que este julga nada saber. Isto para Freire (1987, p.33) “se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão” e se constitui na ignorância do outro o que Freire chama de “alienação da ignorância”. Foi pensando nos conceitos de Freire sobre este educar desrespeitoso ao aluno e a sua autonomia, que decidimos não explicitar as profissões e sim trabalhar coletivamente o conceito de cada uma delas.

Na execução desta atividade, percebi que eles sentiram prazer em desvendar problemas, eles se fizeram parte da tarefa quando foram convidados a construir uma resolução para uma questão posta. Fiquei imensamente feliz com o resultado da primeira atividade do

projeto. Esta me deu um retorno no sentido da avaliação muito rico ao que diz respeito à autonomia do aluno em raciocinar e atribuir significado às tarefas. Ao falar sobre a avaliação do professor acerca de si mesmo e de sua prática docente, Freire (1996, p.26) diz que “o exercício ou a educação do bom senso vai superando o que há nele de instintivo na avaliação que fazemos dos fatos e dos acontecimentos em que nos envolvemos”. Para o autor a prática da educação pelo bom senso na perspectiva de uma avaliação moral do que acontece ao educador, tem um importante papel em sua tomada de posição acerca do que deve ser realizado na prática docente. Penso que pratico agora o exercício do bom senso dito por Freire ao perceber os significados que a atividade trouxe para minha formação docente.

Surpreendi-me também com a atitude cooperativa que eles possuem. A capacidade deles em dar continuidade ao raciocínio do coleguinha, sem perder o conhecimento constituído até ali. O sucesso da primeira atividade, sem dúvida me estimulou a preparar as demais atividades com o foco direcionado para a prática de uma Pedagogia da Autonomia presente na obra de Freire. Sobre a postura ética do professor em sua prática pedagógica o autor diz que:

O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Precisamente porque éticos podemos desrespeitar a rigorosidade da ética e resvalar para a sua negação, por isso é imprescindível deixar claro que a possibilidade do desvio ético não pode receber outra designação senão a de transgressão. O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE, 1996, p. 25).

Por isso na ocasião da elaboração das atividades do Projeto Profissões, eu e a professora da sala tomamos o cuidado de não apresentar o conhecimento pronto a eles, de maneira a fazê-los como depósitos de um conhecimento estático, incapaz de permitir aos alunos vivenciarem a construção de um saber transformador. Volto a dialogar com Freire (1987) quando o autor fala de educação bancária e alerta para a ausência de transformação em um saber transmitido de maneira prepotente e arrogante por parte do educador.

Não é de estranhar, pois, que nesta visão “bancária” da educação, os homens sejam vistos como seres da adaptação, do ajustamento. Quanto mais se

exercitem os educandos no arquivamento dos depósitos que lhes são feitos, tanto menos desenvolverão em si a consciência critica de que resultaria a sua inserção no mundo, como transformadores dele. Como sujeitos (FREIRE, 1987, p. 34, grifo do autor).

A importância da autonomia extraída por mim com essa releitura da primeira atividade do projeto, pauta-se nas concepções de Freire (1996) acerca de uma pedagogia democrática e libertadora. Segue o registro contido no relatório de estágio elaborado por mim e pela professora da sala, onde expressamos os sentidos constituídos com a realização da primeira atividade do Projeto Profissões. Nesse registro é possível elencar diversos elementos contidos15 na proposta freiriana de educação.

REE2a – 12 de junho de 2008.

Foi delicioso trabalhar esta atividade com eles, aprendemos muito mais com eles do que eles aprenderam com a atividade. Observamos que muitos deles possuem um poder de associação e criatividade muito apurados. E também que eles gostam de compartilhar o raciocínio e a descoberta de coisas novas.

Algumas profissões eram mais fáceis por serem mais comuns, outras como o oceanógrafo, alfaiate, oficial de justiça, proporcionou a eles momentos de pensar na palavra, como no caso do oceanógrafo, e relacionar com outras palavras já conhecidas: oceano + fotógrafo = oceanógrafo.

Como registro da atividade, todos os participantes elaboraram um relatório contando qual das profissões sorteadas ele (a) havia achado mais interessante e quais os motivos da escolha. Alguns relatos surpreenderam pela originalidade, criatividade e capacidade imaginativa. Segue o registro contido nos relatórios elaborados pelos alunos.

REA1 – 11 de Abril de 2008. Eu gostei do oceanógrafo.

Por que: Tem muitas paisagens bonitas e eu gostei porque muitas coisas acontecem no fundo do mar. REA1 – 11 de Abril de 2008.

Cientista: O cientista é aquele homem ou mulher que estuda a natureza e as pessoas e muitas outras coisas. Gosto de ciências porque descubro muitas coisas novas

REA1 – 11 de Abril de 2008.

Padeiro: Eu gostei da profissão do padeiro, porque ele faz vários pães e doces, você também pode experimentar para ver se já está pronto os pães. Dessa parte eu gosto mais, de experimentar o pão e também é divertido fazer eles.

Por isso eu gostei dessa profissão.

REA1 – 11 de Abril de 2008.

Telefonista: É uma pessoa que atende os telefonemas. Eu gostei dessa profissão porque pode atender telefonemas toda hora, você também recebe ligações de outros países como Japão, Itália e Alemanha.

REA1 – 11 de Abril de 2008.

Tesoureiro: Eu gostei do tesoureiro por que meu pai é um tesoureiro, ele é na minha igreja, e com ele eu aprendi a contar dinheiro desde 5 anos eu ajudo o meu pai a contar dinheiro e moedas, e ajudo nos relatórios e sempre fui muito prestativa no que contava e escrevia.

REA1 – 11 de Abril de 2008.

Aeromoça: aeromoça é uma moça que fica num avião e serve comida e verifica se os outros estão bem.

Eu gosto da profissão de aeromoça porque eu adoro altura. REA1 – 11 de Abril de 2008.

Bibliotecária: Bibliotecária é o que eu gostei porque eu acho muito legal os livros da biblioteca e porque eu acho muito legal a [nome da bibliotecária] mexendo com os livros e é por isso que eu gostei da bibliotecária.

Percebi ao analisar os relatórios dos alunos que eles conceituam a profissão como algo que está ligado a satisfação e ao gosto particular de cada um. E foi um ponto que eu considerei, na época, que estava correto e que não haveria necessidade de reconceituá-lo.

Belgede Abide adam (sayfa 67-69)

Benzer Belgeler