• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 1: YAŞAMA HAKKI KAVRAMI VE SINIRLARI

1.2. Yaşama Hakkı Kavramı ve Temelleri

1.2.1. Yaşama Hakkı Kavramı

Conforme mencionamos no capítulo anterior, a creche por nós investigada atende a quase cento e cinqüenta crianças com idades que variam entre quatro meses e seis anos e seu quadro de funcionários é composto por uma diretora, duas merendeiras, duas faxineiras, um porteiro, uma responsável pela lavanderia e dez profissionais encarregadas especificamente do atendimento dessas crianças.

Para esse atendimento, as dez profissionais da creche que trabalham diretamente com as crianças estão divididas em três grandes grupos: três delas, são responsáveis pelo Berçário, no qual se incluem crianças com faixa etária entre quatro meses e um ano e onze meses; quatro, dedicam- se ao Infantil I, reservado àquelas com idades entre dois e três anos e onze meses; e três, ocupam-se do Infantil II, que compreende as crianças situadas na faixa entre quatro e seis anos de idade.

Com exceção do Berçário – que recebe 20 crianças –, os demais grupos são subdivididos também de acordo com faixa etária das crianças. São quatro subgrupos no Infantil I e três, no Infantil II.

No que se refere aos quatro subgrupos do Infantil I, o primeiro recebe crianças entre dois anos e dois anos e cinco meses; o segundo, entre dois anos e meio e dois anos e onze meses; o terceiro, entre três anos e três anos e cinco meses; e o quarto, entre três anos e meio e três anos e onze meses. São doze crianças atendidas no primeiro subgrupo e quinze, em cada um dos demais.

A respeito do Infantil II, os três subgrupos referem-se a crianças de quatro, cinco e seis anos. Os dois primeiros, atendem a vinte e cinco crianças cada um e o último, dezenove crianças.

A distribuição das crianças pelos subgrupos pode ser melhor observada a partir do quadro abaixo.

Quadro 1: Distribuição das crianças por grupos/subgrupos

Educadoras Faixa etária

Nº de crianças BERÇÁRIO 3 profissionais 4 meses a 1 ano e 11 meses 20 crianças

1 profissional 2 anos a 2 anos e 5 meses 12 crianças 1 profissional 2 anos e meio a 2 anos e 11

meses

15 crianças

1 profissional 3 anos a 3 anos e 5 meses 15 crianças INFANTIL I

1 profissional 3 anos e meio a 3 anos e 11 meses

15 crianças

1 profissional 4 anos 25 crianças

1 profissional 5 anos 25 crianças

INFANTIL II

1 profissional 6 anos 19 crianças

TOTAL 10 profissionais – 146 crianças

No que diz respeito à organização das crianças por faixa etária, faz-se necessário levar em conta que, segundo CERISARA (1999, p. 36), não existe consenso entre os pesquisadores da área de Educação Infantil quanto à forma de proceder essa distribuição e nem, tampouco, a respeito de sua necessidade, ou não.

Apesar de acreditarmos que as especificidades das diferentes faixas etárias devam ser levadas em conta e tomadas como ponto de partida para a proposição de atividades para as crianças, consideramos que mais importante do que essa distribuição, são as possibilidades de interação e a troca de experiências entre as crianças dos diferentes grupos, bem como o conhecimento das profissionais da creche a respeito dos processos por meio

dos quais os indivíduos se desenvolvem, no sentido de assumirem atitudes intencionais que visem a promoção da aprendizagem e do desenvolvimento dessas crianças, pois concordamos com os Critérios elaborados por CAMPOS & ROSEMBERG (1995, p. 19), ao afirmarem que “bebês e crianças bem pequenas aproveitam a companhia de crianças maiores para desenvolver novas habilidades e competências”.

Para analisar a proporção entre o número de crianças atendidas por profissional, nos reportamos – mais uma vez – às sugestões postas pela equipe de conselheiros do MEC (op. cit., p. 36), por meio do qual é

“recomendada a seguinte relação professor/criança: Crianças de 0 a 1 ano 06 crianças/01 professor Crianças de 1 a 2 anos08 crianças/01 professor Crianças de 2 a 3 anos12 a 15 crianças/01 professor Crianças de 4 a 6 anos 20 a 25 crianças/01 professor”.

Assim, pudemos observar que a creche investigada, apesar de exibir – de modo geral – números concentrados no limite máximo da relação educador/criança sugerida, não chega a ultrapassá-lo.

Com relação ao menor número de crianças (dezenove) atendidas pelo subgrupo de seis anos, de acordo com uma das profissionais do Infantil II, isso se deve à configuração do espaço reservado para atendê-las, pois além de ser a menor sala de atividades disponível, constitui-se no único acesso à sala destinada ao grupo das crianças de cinco anos.

Nós não podemos pegar mais [crianças] por motivo de espaço. O espaço é muito pequeno! Você vê, essa sala aqui é pequena... não comporta tanta criança... E... devido a essa outra que tem aqui [referindo-se à sala ao lado, cujo único acesso se faz através da sala em que nos encontrávamos]. Porque se fosse abertura separada, ainda dava... para você controlar. (Infantil II)

Apesar da conformidade com os parâmetros sugeridos pelo MEC (id. ibid.) para a relação educador/criança, foram freqüentes os relatos das profissionais da creche acerca das dificuldades em atender a um elevado número de crianças.

A criança, o tempo inteirinho, ela está ali [gesticulando com as mãos em direção ao ouvido, referindo-se ao ruído das crianças]... (...) Não é uma! É vinte e cinco que fica ali! [repetindo os gestos com as mãos em direção aos ouvidos]. Pedindo, querendo... E você tem que ficar em cima para você ensinar. Para você ter tempo, para você estar descansada e poder educar bem, poder ensinar, eu acho que tem que ter meio período. Você trabalha meio período. Como professor de EMEI! (Infantil II)

Eu acho que um total de vinte e cinco crianças no grupo de quatro, cinco e seis anos, eu acho que é o suficiente. Mais, já estraga um pouco. Você não consegue dar atenção para a criança como tem que ser. É muito... muita criança! Então, muita criança atrapalha um pouco, né. Você não consegue... Você vê, enquanto você está agradando esse aqui, esse aqui já está querendo atrapalhar o outro lá. Então... (Infantil II)

Ah, eu acho que deveria ter ou mais funcionários, né, ou menos crianças para a gente poder cuidar bem melhor, né. (Berçário)

Apesar de estarmos de acordo com a idéia geral expressa por essas profissionais por meio desses relatos – a de que aos grupos menores de crianças pode-se oferecer uma melhor qualidade de atendimento –, suas afirmações devem ser consideradas com cautela.

Tomamos, a título de exemplo, duas outras declarações.

Uma das... do meu berçário foi sorteada e foi para Ribeirão e lá foi visitar uma creche da USP. (...) os bebês lá tem... a tia cuida de oito. (...) E ficam lá, oito bebês. No nosso são vinte, né! (Berçário)

Outro dia tinha quarenta e cinco crianças para três. Então, como que você não perde [roupas], não morde? É muita criança! Não dá para olhar mesmo! (Infantil I)

No primeiro excerto – no qual a profissional da creche compara a relação criança/educador entre a creche da USP de Ribeirão Preto com a situação do seu berçário – verificamos que apesar de que sua intenção fosse a de evidenciar a disparidade entre as duas instituições, na verdade, não se dá conta de que se no seu berçário trabalham três educadoras para atender a vinte crianças (implicando numa proporção de 6,67 crianças/educadora) sua situação é ainda mais favorável do que aquela apresentada pela instituição considerada como modelo.

Também o último excerto citado chamou nossa atenção, pois – ao tentar ressaltar o “grande” número de crianças presentes, justamente, no dia em que uma das profissionais do seu grupo (Infantil I) havia faltado, resultando na proporção de quinze crianças/educadora – a profissional não chega a

perceber que essa é praticamente a mesma proporção que se estabelece nos dias em que todas as profissionais e todas as crianças desse grupo estão presentes (14,25 crianças/ profissional).

Esses dados nos permitem inferir que a possível causa dos problemas enunciados por essas profissionais talvez não esteja diretamente relacionada ao número de crianças, mas a sua compreensão sobre como devem ser conduzidas suas atitudes nos diferentes momentos de interação com as crianças e à forma como está organizada a rotina de trabalho – que vem sendo determinada pela política pública adotada pela administração municipal no que se refere ao número e à formação exigida dos profissionais que nela atuam (provavelmente em função das responsabilidades que vem assumindo com o ensino fundamental).

Assim, apresentados os dados referentes ao espaço físico e à organização da creche, passamos à análise da rotina de trabalho, pois – do nosso ponto de vista – esses aspectos poderão fornecer os primeiros indícios sobre as concepções de educar que vêm referenciando a prática dessas profissionais.