1. LITERATÜR ÖZETI ............................................................•...................... 1 O
2.2. Araştırmada Kullanılan Alet ve Makineler
2.2.1. Yüzey Pürüzlülük Ölçme Aleti
Como já vimos na análise do depoimento do acusado (A1) empreendida anteriormente, o depoimento da acusada serve como meio de prova de ambas as partes e conterá dados pessoais e questionamentos quanto à vida diária da ré e quanto à acusação a ela imputada, além de servir como meio de autodefesa.
Da mesma forma que na análise anterior, após lida a denúncia, o juiz pede que a acusada/ré relate o que aconteceu na data do crime.
A oradora começa seu depoimento/discurso com a utilização da paixão denominada por Aristóteles como “amor”, quando faz a escolha lexical “ela me
pediu com um jeitinho todo meigo e carinhoso”, e com isso busca a adesão do auditório pela emoção, por não ser crível uma pessoa cometer um homicídio de uma criança tão meiga.
A guarda era da mãe dela; na quarta-feira nós estivemos com a V, na quarta-feira minha cunhada, C, pegou a V na escola porque nós íamos num aniversário de um amigo e quando fomos leva-la de volta para a casa dela, eu e meu marido, no caminho a V me pediu, ela pediu com um jeitinho todo meigo e carinhoso, ela falou: “tia A2, eu quero fazer um pedido”, eu falei: “pode falar”, e ela me pediu assim: “deixa o P ir na minha casa amanhã?”, eu olhei para ela e falei: “Claro que a tia deixa”. Aí deixamos ela lá, conversamos com a “C” na porta da casa dela.
A ré também tenta persuadir o auditório por meio da demonstração do amor e do carinho que ambas, ré e vítima, nutriam uma pela outra, o que a coloca na posição de inocente. Presente também o argumento quase lógico de incompatibilidade: como ela, ré, poderia matar V, a quem amava e era correspondida?
Não, eu coloquei eles para tomar banho, nós duas tomávamos banhos juntas e todas as vezes, quando embaçava o vidro, ela fazia o coração dela e o meu coração, ela falava que era o amor que ela sentia por mim (depoente se emociona). Eu entrei no banho de roupa e tudo porque eu estava dando banho no P e nela, eu fiz um coração enorme, do tamanho do boxe, aí ela falou que não valia, que o meu coração era muito grande, por isso que eu fiz daquele tamanho...
Em seu discurso, a oradora também se vale de outra paixão aristotélica, a “calma”, ao tentar construir seu ethos como uma pessoa equilibrada, madura
62 e, sobretudo, calma, diferentemente do que foi demonstrado pelo MP na denúncia. Menciona, inclusive, a felicidade que ela tinha em ficar com a vítima.
(...) Eu fiz isso, era uma coisa normal em casa, levei meu filho para a escola que tinha passeio, o P foi, aí meu estava saindo, eu esperei o ônibus sair por volta das duas da tarde e o celular tocou, era a C, eu atendi o telefone, ela falou: “A1, você está muito ocupada?”, eu falei: “não, o que aconteceu?” aí ela disse assim: “é que a V (diminutivo do
nome) não quer ficar com a minha mãe, ela quer ficar aí com você”,
eu até fiquei feliz e falei pra ela: “então daqui a dez minutinhos eu estou lá para pegar ela” (...)
A oradora se mostra, assim como o réu, uma verdadeira oradora, uma artista, no sentido de descobrir argumentos mais eficazes (REBOUL, 2004) ao descrever detalhadamente tudo o que aconteceu anteriormente ao crime. Descreve a maneira como a vítima foi retirada do carro, por meio da escolha lexical: “colocou a cabeça dela no ombro, a perninha dela para baixo”; descreve que o elevador social possuía sensores que acendiam luzes e poderiam acordar seu filho; descreve que a chave do apartamento estava no bolso de A1, que achou estranho a luz da cozinha estar acesa. Enfim, relata detalhes que uma boa oradora sabe que farão a diferença e, dessa forma, poderá conseguir a adesão do auditório por meio de outra paixão, a “confiança”, pois, ao descrever cada detalhe, ela demonstra estar segura do que aconteceu e dissocia por completo a sua imagem da de uma pessoa insegura.
Entramos na garagem, o A1 pegou ela no colo normal, e sem machucado nenhum, colocou a cabeça dela no ombro, a perninha dela para baixo...Excelência, eu quero deixar bem claro que no carro não tinha fralda nenhuma, a mala deles estava atrás, no porta-malas, fralda que estava no balde foi achada de molho foi do sábado de manhã, se não me engano, ou da sexta-feira à noite, que eu tinha dado mamadeira para o meu filho e ele tinha sujado a fralda, não tinha fralda no carro... Nisso ele foi para o elevador social e eu fui para o lado do elevador de serviço, que o elevador social tem sensores, já acende a luz, então eu fiquei assim, (depoente gesticula) segurando a mão em cia do C, aí nisso nós subimos no elevador, normal, sem briga, sem nada. Subimos, chegamos no apartamento, o A1 tirou a chave do bolso, ele estava com o P no colo e eu com o C, vi ele tirando a chave do bolso, ele abriu a porta de casa, ali eu notei que a luz da cozinha estava acesa, achei estranho porque sempre que nós entramos em casa a gente acende a luz do hall, que é uma entrada dentro do apartamento. Mas eu não falei nada, tirei meu tamanco, deixei na cozinha para não fazer barulho, parei no meio da sala em direção ao quarto, deixei a bolsa no meio da mesa de jantar, saí, aí nisso o A1 foi na frente entrando no corredor, acho que ele notou que as luzes estavam diferentes de como ele tinha deixado.
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Por meio da utilização do recurso de estilo “repetição”, que facilita a atenção e a lembrança (REBOUL, 2004), a oradora tenta distrair o auditório com o intuito de reforçar a adesão e faz uso repetidamente da escolha lexical: “fralda nenhuma”, “fralda que estava no balde”, “ele tinha sujado a fralda”, “não
tinha fralda no carro”.
Vale-se de outra paixão aristotélica – também no anseio de conseguir a adesão do auditório –: o temor, que é a preocupação com um mal eminente, danoso ou penoso (ARISTÓTELES, 2003). A oradora tenta demonstrar por meio de suas atitudes (gritar, entrar em desespero, xingar etc.) o temor por algo de mal que poderia ter ocorrido com a criança, e, assim, inverter-se os papéis, passa de acusada a vítima.
(...) e falou: “A2, a V está lá embaixo”, ele falou para mim, aí eu falei
“não, é mentira”, e já comecei a gritar, eu não me lembro se eu falei palavrão, mas eu me lembro que eu gritei desesperadamente eu fui conferir, fui lá, eu não coloquei a cabeça no buraco, eu só fiz assim (depoente gesticula como se encostasse à cabeça em algo) e eu pude ver ela, ela estava jogada lá embaixo (...)
(...) eu estava desesperada, gritando, eu gritei com o porteiro, realmente eu gritei com ele, não lembro do que eu xinguei ele, mas realmente eu falei vários palavrões para ele, isso eu confirmo, eu perguntei onde ele estava (...)
(...) eu vi o porteiro saindo do fundo, não foi nessa hora que eu xinguei ele, nessa hora eu perguntei onde ele estava, ele estava todo suado, transpirando muito e eu comecei a xingar ele, muito, muito, muito, aí eu peguei, liguei para a C, eu não conseguia falar com ela, eu gritava no telefone (...)
Podemos perceber que a utilização da repetição é uma estratégia constante no depoimento/discurso da ré/oradora, para se mostrar preocupada com a vítima e prender a atenção do auditório. Em outro trecho se dá a repetição com a escolha lexical: “desesperada”, “gritar” e “chorar”, senão vejamos:
(...) eu fiquei desesperada, comecei a gritar e chorar na cozinha (...)
Para corroborar com a assertiva acima, de que a oradora se vale da estratégia da figura de presença repetição, temos a utilização das escolhas lexicais: “pegou” (sete vezes); “papel filme” (três vezes); “tesoura” (dez vezes); “cortar carne” (quatro vezes); “tesoura que corta frango” (duas vezes); e “faca” (duas vezes):
64 aí o investigador pegou, foi na pia, pegou o papel-filme, que gruda, pegou a tesoura e falou assim, ele pegou a tesoura que eu tinha usado no sábado de tarde para cortar carne, que eu cortava carne com a tesoura, pegou a tesoura com o papel filme e falou assim: “mocinha, o que é isso?” Ele pegou a tesoura com o papel filme e olhou assim para mim, falou o que era. Expliquei para ele que era a tesoura que eu usava, que era de frango, mas eu usava para cortar carne. Aí ele pegou a tesoura, me mostrou, expliquei para ele que era de cortar carne, aí nisso ele não me mostrou a faca, que eu não usei essa faca no sábado, só a tesoura, que é uma tesoura que corta frango.
O juiz de Direito retoma o foco central, pede que a A2 relate seu relacionamento com A1, direciona o discurso para a construção do ethos da acusada, a fim de esclarecer os fatos relacionados ao objeto judicial, e pergunta se o relacionamento entre A1 e A2 era bom, se havia discussões, brigas.
J: Gostaria que a senhora relatasse um pouquinho agora a respeito do relacionamento da senhora com o senhor A1. Há quanto tempo vocês estão juntos, o relacionamento era bom, tinha muitas discussões, brigas?
D: Nós estamos juntos há sete anos e, antes de ter o meu filho P, eu discutia bastante com ele, antes do nascimento do meu primeiro filho, há cinco anos atrás.
J: O que é bastante?
D: Eu discutia muito com ele, eu brigava muito com ele, gritava bastante, isso foi no edifício da P. C., se não me engano.
(...)
J: Como eram as brigas, discussão verbal?
D: Só discussão verbal, não é da maneira que as pessoas estão falando, parece que eu e ele “se pegava” todos os dias, isso não, ele nunca partiu para cima de mim e eu nunca parti para cima dele. J: Brigava bastante, eu quero que a senhora me explique o que era brigar bastante.
D: Não eram todos os dias, eu brigava com ele, eu xingava ele, eram essas coisas.
J: Eram motivos específicos ou não, qual era o motivo dessas brigas? Eu brigava por tudo, acho.
(...)
J: Quero que a senhora relate um pouco do relacionamento especificamente da senhora com a V, se era muito bom, se dava bem com ela, se ela gostava da senhora ou não. Quero saber do relacionamento da senhora com a V.
65 D: Era muito bom, eu tinha ela como se fosse a minha filha, eu cuidava dela, eu fazia tudo por ela.
Pela primeira vez o ethos do juiz de Direito ecoa e mostra-se compassivo e comedido. Ele faz uso de sua autoridade para despertar no auditório como o ethos da ré/oradora se compõe e, para isso, faz algumas escolhas lexicais: “Gostaria que a senhora relatasse um pouquinho”, “eu quero
que a senhora me explique como era brigar bastante”, “quero que a senhora
relate um pouco do relacionamento”.
É interessante perceber que a escolha lexical da oradora para responder ao questionamento do juiz de Direito demonstra o seu ethos como uma pessoa bastante agressiva: “discutia bastante com ele”, “eu discutia muito com ele”, “eu
brigava muito com ele”, “gritava bastante”, “eu brigava com ele”, “eu xingava
ele”, “eu brigava por tudo”.
O MP, por sua vez, tenta construir o ethos da ré como uma pessoa articulada e mentirosa, e faz uso da paixão “ironia” em três momentos de seu discurso, para conseguir a adesão do auditório por meio das escolhas lexicais: “esqueceu”, “tinha tudo fresco na cabeça” e “operação aritmética”.
MP: A senhora esqueceu? Porque no depoimento prestado na delegacia da polícia, a senhora afirma claramente que ficaram dez minutos na garagem.
D: O senhor falou o tempo que ficou o barulho lá embaixo, eu não sei o tempo que as pessoas ficaram falando.
MP: Não, estou perguntando o tempo que a senhora junto com as duas crianças e o corréu A1 permaneceram lá aguardando que o barulho cessasse, o que a senhora declarou dez minutos.
D: Se eu declarei isso, é que na época eu lembrava, hoje eu não lembro direito as coisas, os fatos, não me recordo.
MP: A questão também do porteiro, que apareceu correndo, todo molhado de suor, só apareceu em juízo quando a senhora foi interrogada, nos dois depoimentos anteriores, um dos quais na presença de seu advogado, a senhora tinha tudo fresco na cabeça, que havia acabado de acontecer, a senhora nem mencionou isso. Por quê?
D: Isso o senhor está falando perante o juiz, que eu falei?
MP: A senhora veio com essa história do porteiro correndo dos fundos, todo molhado de suor, em juízo, no final de maio de 2008. A senhora foi ouvida duas vezes anteriores, no dia trinta de abril e no dia dezoito, no dia trinta de março e no dia dezoito de abril, em nenhum momento a senhora mencionou isso, tinha tudo fresco na cabeça. Essa é a pergunta: por que a senhora não mencionou isso, mesmo acompanhada de seus advogados?
66 D: Doutor, pelo fato, o senhor pode até notar, eu fico nervosa e acabo querendo falar muita coisa e acabo esquecendo muita coisa também de falar.
(...)
MP: Operação aritmética, ou as brigas cessaram em 2005 ou as brigas cessaram em 2008.
Com o intuito de demonstrar que a ré, além de articulada e mentirosa, também era invejosa, tenta construir o seu ethos por meio de outra paixão, a “inveja”. O ciúme é que a crença de que todos tentam arrebatar o que nos pertence. (ARISTÓTELES, 2003).
MP: Fl. 23, no dia trinta de março, acompanhada de seu advogado doutor R, a senhora declarou o seguinte: “já tive muito desentendimento com a C. no decorrer da relação, visto que inicialmente tinha ciúmes dela com seu marido, sendo que esses desentendimentos terminaram há pouco tempo atrás”.
Para confirmar o ethos da oradora como uma pessoa agressiva e desequilibrada, o MP faz a seguinte escolha lexical: “quebrávamos o pau todos
os dias”, “esmurrou uma vidraça”, “pessoa nervosa”, “tomar calmante”.
MP: Fl. 1449, a senhora disse: “na rua P. C., a gente brigava bastante”. Tem outros depoimentos da senhora, em que a senhora também menciona que aquele apartamento novo parecia ter algo diferente e as brigas pararam quando o casal se mudou. A frase usada é exatamente essa: “no antigo apartamento quebrávamos o pau todos os dias”.
MP: A frase é: “no apartamento da rua P. C., quebrávamos o pau todos os dias”. Esta frase que a senhora diz, que o casal morou nesse edifício até um mês antes do crime.
MP: No dia 20 de janeiro há um registro de uma briga que a senhora teve com o acusado A1, que a senhora esmurrou uma vidraça, que teria se cortado toda. A pergunta é: essa é uma briga normal?
MP: A senhora é uma pessoa nervosa?
MP: Por que as fls. 1453 a senhora relata um diálogo com seu pai para contar a ida ao médico, ele teria dito: “meu, você precisa tomar calmante”?
D: Meu pai teria falado isso? MP: Consta isso.
D: É que eu chorava muito, foi logo depois que o C nasceu, meu pai e minha mãe falaram que eu tinha que ir ao médico, eu fui numa médica em Santana, porque toda vez que o menino chorava eu
67 chorava junto, eu tinha casa e filhos para cuidar, tinha a minha casa para arrumar, eu não sabia o que fazia, ele só chorava o tempo todo e grudava na minha perna e eu chorava do outro lado.
Interessante perceber que, além de se deixar levar pelo MP na construção de seu próprio ethos, a oradora ainda faz escolhas lexicais que a demonstra como uma pessoa imatura: “eu chorava muito”, “o menino chorava e
eu chorava junto”, “eu não sabia o que fazia, ele só chorava o tempo todo e eu
chorava do outro lado”.
Percebemos ainda a estratégia da ironia sendo usada mais uma vez pelo MP quando pergunta “se essa era uma briga normal”.
E, por meio da utilização do recurso de estilo “repetição” – estratégia contumazmente utilizada pela oradora como já vimos anteriormente e aqui pelo promotor de justiça –, o PJ constrói o ethos da ré como uma pessoa insensível e com frieza emocional, uma vez que tinha outras preocupações enquanto a criança estava caída no chão e necessitava de socorro urgente.
MP: Eu vou ler o que consta às fls. 1480, o depoimento dela em juízo, a respeito do momento em que a senhora, já lá embaixo, ao lado do seu marido, a V ainda no chão, viva; segundo ele, o coração dela
batia acelerado...
D: Batia.
MP: A senhora relatou o que houve quando da chegada dos primeiros policiais os seguintes detalhes entre a senhora e o seu marido, eu vou perguntar para a senhora responder se está correto. O juiz faz uma pergunta e a senhora responde: “então, Excelência, foi assim: o policial pediu para alguém subir com ele, para ver se faltava alguma coisa no apartamento, tinha que ir porque tinha que estar na presença de testemunhas”. V estava lá no chão?
D: Estava.
MP: Necessitando de urgente socorro? D: Estava.
MP: Seu marido falou para a senhora: “vai você, amor”. V continuava
lá, caída?
D: Sim.
MP: Esperando socorro?
D: (Depoente balança a cabeça afirmativamente).
MP: Então a gente falou: “é ladrão, alguém entrou lá dentro” (...) V
continuava caída lá, necessitando de urgente socorro?
J: A senhora confirma?
D: Eu não me lembro de ter falado isso daí, o que eu lembro é que o policial desceu, falou para evacuar o prédio, eu não lembro se eu falei desse jeito, mas ele falou: “sobe lá você”, ele estava nervoso,
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desesperado, e eu falei para ele: “não vou subir”, aí ele disse “vai lá,
sim” , aí meu subi.
MP: Esse é o depoimento, a senhora falou isso para o Juiz no dia 28 de maio de 2008. Continuando: “... é ladrão, alguém entrou lá dentro”.
V continuava caída lá?
J: A senhora se recorda dessa frase dita em juízo, quando a senhora foi ouvida?
D: Eu não recordo.
J: Durante essa conversa que era para alguém subir, a V estava
caída ainda?
D: Sim, o A1 que falou para „mim‟ subir.
MP: O policial falou: “a porta esta arrombada” e a senhora falou: “não está arrombada”. V continuava caída...
DEF: Excelência, ele vai continuar repetindo que a V continuava caída... (grifo nosso)
Notemos aqui a preocupação por parte do advogado de defesa com a estratégia da repetição utilizada pelo MP.
J: Durante esse tempo em que vocês foram até o apartamento a pedido policial e voltaram, a V continuava caída e precisava de
socorro ainda?
D: Estava o A1 e a C do lado do corpinho dela e o pessoal no gramado.
J: Esses diálogos doutor, qual o propósito? Eu também não estou entendendo.
MP: Eu estou lendo o depoimento dela, se eu puder continuar eu chego na pergunta. Eu estava perguntando se a V estava lá caída, a pergunta é objetiva. A senhora disse: “não tinha o miolo na chave, só o buraquinho de pôr a chave, não tínhamos terminado de reformar o negócio da porta”. V continuava caída?
J: Durante esse diálogo que a senhora teve, esse diálogo sobre a porta, a fechadura, esse tempo todo, a menina não tinha sido
socorrida?
D: Nessa hora que eu falei que não tinha o negocinho da chave, eu acho que a V tinha sido socorrida, o policial desceu e falou, olhando nos meus olhos, eu comecei a chorar mais ainda, eu pensei que ela tinha levado um tiro.
J: A V, nesse último diálogo, tinha sido socorrida?
D: Se não me engano, parece que sim, foi a hora que eles desceu, ele pediu para evacuar o prédio nessa hora.
MP: A última frase que ele teria dito para a senhora: “sobe lá e veja se está faltando alguma coisa”, que hora foi?
D: Ele não falou no tom que o senhor está falando, ele falou nervoso, ele falou: “sobe lá você e veja se está faltando alguma coisa”, e eu falei que não ia coisa nenhuma, que eu estava preocupada com a V. MP: E a V nesse momento, estava onde?
J: Nesse diálogo, ela continuava lá? D: Continuava
69 J: E no diálogo sobre o miolo da chave, ela tinha sido socorrida? D: Se não me falha a memória, eu acredito que estava lá ainda o corpinho dela, hoje eu não me recordo.
MP: Lá onde, na grama?
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