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2. ÇİN’İN SERBEST PAZAR SOSYALİZMİNE GEÇİŞİ VE YÜKSELİŞİ

2.3. Çin’de Deng Şiaoping Dönemi (1978-1997): Reform Dönemi

2.3.3. Yüksek Büyüme Dönemi(1992-1997 Dönemi)

Segundo Penido (2010), a justiça do ponto de vista restaurativo, foca na corresponsabilização pelas causas e consequências do conflito e, neste sentido, gera graus de responsabilidade tanto no âmbito individual, coletivo e, também, das estruturas institucionais que reforçam situações de conflito e violência. Além disso, o autor acrescenta que quando a justiça é colocada como um valor a ser construído de modo ativo nas relações, conforme

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defendido pela Justiça Restaurativa, também está direcionada ao reequilíbrio social, onde as necessidades de todos os envolvidos podem se atendidas sem processos de exclusão.

Segundo o autor, este proceder devolve à comunidade o poder de decidirem pelo desfecho de seus problemas, o que remeterá à justiça ao ponto de vista dos participantes. Nas palavras de Brancher, Todeschini e Machado (2008), uma justiça entendida como valor, e não como instituição de justiça.

Para que a justiça, na perspectiva restaurativa, expresse valores restaurativos, Zehr (2008a) afirma que ela deva ser direcionada para o futuro, para a solução do problema. As necessidades dos direta e indiretamente afetados pela ofensa devem ser atendidas: receptores do ato violento, autores do ato, suas respectivas redes de pessoas afetivamente ligadas e comunidade. O foco está nas demandas de restauração e reparação dos danos determinantes e emergentes do ato violento praticado, em resultados do tipo ganhar-ganhar. Os elementos chave são o vitimado e aquele que vitimou, mas contam com ajuda de profissionais. O diálogo é a ferramenta utilizada para identificar as necessidades e os encaminhamentos pertinentes, mas também um espaço para que as pessoas vitimadas digam suas verdades, sejam acolhidas, informadas e participem de todo processo. Através do diálogo o contexto condicionante do ato violento é considerado, e o autor do ato é visto de modo holístico, compreendido, auxiliado e integrado com a comunidade. Ele participa de todo o processo e assume a responsabilidade pela resolução, no entanto, todos os participantes também terão papéis a desempenhar nesta perspectiva. O reestabelecimento das relações quer seja pelo perdão, arrependimento, pela busca de traços comuns, reciprocidade e cooperação, são favorecidos durante o processo, mas não se constituem como meta, em respeito às possibilidades dos participantes.

Brancher, Todeschini e Machado (2008), em acordo com a rede de Justiça Restaurativa da Nova Zelândia, atribui a diferença da Justiça Restaurativa das abordagens adversariais de justiça, aos valores fundamentais, os quais devem ser vividos nos encontros restaurativos:

Participação: Os mais afetados pela transgressão – vítimas, ofensores e suas comunidades de interesse – devem ser, no processo, os principais oradores e tomadores de decisão, ao invés de profissionais treinados representando os interesses do Estado. Todos os presentes nas reuniões de Justiça Restaurativa têm algo valioso para contribuir com as metas da reunião.

81 Respeito:Todos os seres humanos têm valor igual e inerente, independente de suas ações, boas ou más, ou de sua raça, cultura, gênero, orientação sexual, idade, credo e status social. Todos, portanto, são dignos de respeito nos ambientes da Justiça Restaurativa. O respeito mútuo gera confiança e boa fé entre os participantes. Honestidade: A fala honesta é essencial para se fazer justiça. Na Justiça Restaurativa, a verdade produz mais que a elucidação dos fatos e o estabelecimento da culpa dentro dos parâmetros estritamente legais; ela requer que as pessoas falem aberta e honestamente sobre sua experiência relativa à transgressão, a seus sentimentos e responsabilidades morais.

Humildade: A Justiça Restaurativa aceita as falibilidades e a vulnerabilidade comuns a todos os seres humanos. A humildade para reconhecer esta condição humana universal capacita vítimas e ofensores a descobrir que eles têm mais em comum como seres humanos frágeis e defeituosos do que o que os divide em vítima e ofensor. A humildade também capacita aqueles que recomendam os processos de Justiça Restaurativa a permitir a possibilidade de que consequências sem intenções possam vir de suas intervenções. A empatia e os cuidados mútuos são manifestações de humildade.

Interconexão: Enquanto enfatiza a liberdade individual e a responsabilidade, a Justiça Restaurativa reconhece os laços comunais que unem a vítima e o ofensor. Ambos são membros valorosos da sociedade, uma sociedade na qual todas as pessoas estão interligadas por uma rede de relacionamentos. A sociedade compartilha a responsabilidade por seus membros e pela existência de crimes, e há uma responsabilidade compartilhada para ajudar a restaurar as vítimas e reintegrar os ofensores. Além disso, a vítima e o ofensor são unidos por sua participação compartilhada no evento criminal e, sob certos aspectos, eles detêm a chave para a recuperação mútua. O caráter social do crime faz do processo comunitário o cenário ideal para tratar as consequências (e as causas) da transgressão e traçar um caminho restaurativo para frente.

Responsabilidade: Quando uma pessoa, deliberadamente causa um dano à outra, o ofensor tem obrigação moral de aceitar a responsabilidade pelo ato e por atenuar as consequências. Os ofensores demonstram aceitação desta obrigação, expressando remorso por suas ações, através da reparação dos prejuízos e talvez até buscando o perdão daqueles a quem eles trataram com desrespeito. Esta resposta do ofensor pode preparar o caminho para que ocorra a reconciliação.

Empoderamento: Todo ser humano requer um grau de autodeterminação e autonomia em sua vida. O crime rouba este poder das vítimas, já que outra pessoa exerceu controle sobre elas sem seu consentimento. A Justiça Restaurativa devolve os poderes a estas vítimas, dando-lhes um papel ativo para determinar quais são as suas necessidades e como estas devem ser satisfeitas. Isto também dá poder aos ofensores de responsabilizarem-se por suas ofensas, fazerem o possível para remediarem o dano que causaram, e iniciarem um processo de reabilitação e reintegração.

Esperança: Não importa quão intenso tenha sido o delito, é sempre possível para a comunidade responder, de maneira a emprestar forças a quem está sofrendo, e isso promove a cura e a mudança. Porque não procura simplesmente penalizar ações criminais passadas, mas abordar as necessidades presentes e equipar para a vida futura, a Justiça Restaurativa alimenta esperanças – a esperança de cura para as vítimas, a esperança de mudança para os ofensores e a esperança de maior civilidade para a sociedade (p. 7).

Diante das definições acima, nos chama atenção, especialmente, os valores “Responsabilidade” e “Empoderamento”, visto que demonstraram parecer não estar em consonância com a Justiça Restaurativa.

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Soa-nos soa justo que um ato violento ou crime praticado, deva ser assumido pelo autor e que ele se responsabilize pelas consequências, no entanto, demonstrar a “aceitação desta obrigação expressando remorso [...] e talvez até buscando o perdão”, parece consoante com a justiça retributiva que pretende incutir dor àquele que ofende por alguma razão. A justiça que busca restaurar, também lançará entendimento aos condicionantes da prática violenta e intercederá por justiça, todavia, na definição acima está considera apenas a responsabilidade do autor “quando o jovem fere a lei e o direito de outro, ele é réu em processo criminal; quando os direitos humanos básicos não são cumpridos, não há acusado” (BOONEN, 2010, p. 44).

Quanto à definição de empoderamento, no que cabe ao autor do ato violento, está o poder em se responsabilizar por suas ofensas e investir no processo de “reabilitação” e “reintegração”, mas não está considerada a possibilidade em empoderar a crítica social que manifesta com seu ato, conforme pode ser considerado o ato infracional39 (KONZEN, 2007; ZEHR, 2008a).

Diante deste entendimento de justiça, Zehr (ibidem) confidenciou durante conferência em São Paulo, que sonhava chegar o dia que, ao falarmos da justiça restaurativa não precisássemos mais mencionar o seu adjetivo, e pudéssemos dizer simplesmente “justiça”.

Quadro 3 - Concepções de justiça conforme Zehr (2008a; 2008b); Brancher, Todeschini e Machado (2008); Penido (2010); Boonen (2010)

Justiça para Justiça Restaurativa

As violações criam graus de obrigações e responsabilidades entre os envolvidos (individual, coletiva e das estruturas institucionais).

Busca-se justiça do ponto de vista dos envolvidos, remetendo a justiça a um valor e não a instituição de justiça.

A justiça se constrói como valor na relação, na experiência vivida entre os envolvidos. Oferece espaço de acolhida para falarem sobre a experiência relativa ao conflito.

Fortalece indivíduos e comunidade na competência e responsabilidade em resolverem os próprios conflitos. Autor do ato violento, receptor do ato violento e comunidade buscam consensual e conjuntamente pela restauração do dano.

Foca nas necessidades determinantes e emergentes do conflito. Visa desenvolver ações construtivas que beneficiem a todos.

Difere de outras abordagens de resolução de conflitos por seus valores fundamentais: participação, respeito, honestidade, humildade, interconexão, responsabilidade, empoderamento e esperança.

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Esta discussão pode ser vista no item 2.1. Justiça Restaurativa: Alguns elementos Histórico-Conceituais com Konzen (2007) e com Zehr (2008a), no item 2.2.3.1. Conflito.

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Buscando olhar mais especificamente sobre nosso contexto de estudo, vejamos como a experiência de conflito, participação, justiça, no caso dos adolescentes autores de ato infracional, pode levantar problematizações para as quais a Justiça Restaurativa traz algumas perspectivas. Estas grades de análise serão retomadas na análise dos conflitos, especialmente os protagonizados pelos adolescentes, vividos na experiência dos Centros no próximo capítulo.

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3- O PERCURSO DA PESQUISA: UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO DE