3. ÇİN’İN EKONOMİK BÜYÜMESİNDE YABANCI SERMAYENİN ROLÜ
3.4. Yabancı Sermaye Girişlerinin Çin’in Büyümesi Üzerindeki Etkileri
3.4.4. DYS Girişlerinin Çin Sosyo Demografik Yapısına Etkisi
A ECA (Equipe da Clínica da Atividade) trabalha com o conceito de gênero da atividade de maneira interdisciplinar65, ou seja, em conjunto com outras ciências, objetivando responder a vários questionamentos em torno da problemática que envolve o ser humano em situação de trabalho.
Os pesquisadores que atuam na ECA vêm se empenhando para responder a esses questionamentos, em meio a tantos que se fazem necessários, por envolver um tema atual e preponderante no desenvolvimento da relação homem – linguagem – trabalho. Contudo, um é recorrente: quem é o responsável pelas mudanças pretendidas em situação de trabalho? A resposta é complexa. Em primeiro lugar, é necessário aceitar que as mudanças não podem ser impostas e, em segundo, elas não são feitas de fora para dentro.
Observando o poder de agir de um coletivo profissional, os pesquisadores Clot e Faïta (2000) perceberam, por meio do método da autoconfrontação cruzada66, que as mudanças mais eficazes são aquelas desenvolvidas com a participação do coletivo de trabalho. Sabemos da importância do método da autoconfrontação cruzada, entretanto, trabalhamos com o método da autoconfrontação simples.
O método da autoconfrontação simples permitiu-nos observar o gênero e o desenvolvimento do métier. O estudo do conceito de gênero que é assumido em situação de trabalho está relacionado às teorias de Bakhtin em relação aos gêneros do discurso. Para Bakhtin (2003), a relação do homem com o mundo por meio da linguagem não se estabelece de maneira direta. É necessário manipular um gênero existente para se estabelecer essa
65 O trabalho de pesquisa desenvolvido pela ECA foi explicado na primeira parte desta tese. 66 Método desenvolvido pela ECA foi exposto na Parte I.
relação. A existência e o uso de um gênero estão condicionados ao momento sócio-histórico- cultural. Dessa forma, os gêneros organizam a comunicação humana.
Entender a noção de gênero proposta por Bakhtin é muito importante, uma vez que essa noção vai contribuir para observar o gênero de trabalho também conhecido como gênero da atividade (Clot & Faïta, 2000) e gênero profissional (Boutet, 2005) desenvolvido em situação de trabalho. Como as noções estão em proximidade no plano semântico, trabalharemos aqui com as três designações sem fazer distinção teórica. Partindo do pressuposto bakhtiniano de que o conhecimento do gênero do discurso facilita a comunicação, acreditamos que o conhecimento do gênero da atividade facilita o desempenho da atividade de trabalho, representando economia de ação.
O triângulo apresentado abaixo identifica os elementos necessários para o desenvolvimento da atividade: o sujeito, o objeto, o instrumento e os outros. No centro do triângulo, podemos observar a presença do gênero da atividade.
Sujeito Gênero da Atividade 1 Objeto Outros
Para que o gênero da atividade seja constituído em situação de trabalho, é necessário compreender os quatro pilares que integram a atividade, ou seja, compreender o que é atividade é pressuposto para a compreensão do gênero da atividade. O primeiro pilar que constitui a atividade é representado pela dimensão pessoal, ou seja, ela é única, não deve ser sobreposta à atividade de outro. O segundo, é representado pela dimensão impessoal tendo em vista que a atividade, na maioria das vezes, nasce de uma tarefa (prescrito) concebida por outras pessoas; o terceiro, está entre a atividade pessoal e a impessoal, é a representação da dimensão interpessoal da atividade; e, o quarto, é representado pela dimensão transpessoal da atividade que se apresenta mais genérica. Quando se fala ou se age, coloca-se em andamento a dinâmica dessas quatro dimensões. Nenhuma atividade escapa a essas quatro dimensões, seja no plano teórico, seja no prático ou no lógico67.
É por isso que um métier não é somente uma “prática”, uma atividade ou uma profissão. Nós o definiríamos como uma discordância criadora – ou destruidora – entre as quatro instâncias em conflito de uma arquitetura fundamentalmente social. O métier é, ao mesmo
67 Ler Clot (no prelo) « De l’analyse des pratiques au développement des métiers ». In : M. Altel (Ed.).
L’analyse de pratiques: une démarche de formation et de recherche. Paris: PUF.
Instrumento
Organograma 1.1- Gênero da atividade
tempo, irredutivelmente pessoal, interpessoal, transpessoal e impessoal. Pessoal e interpessoal ele o é em cada situação singular, de início como atividade real exposta sempre ao inesperado. Sem destinatário, a atividade perde seu sentido. É por isso que o métier na atividade é ao mesmo tempo muito pessoal e sempre interpessoal, ação situada, endereçada e, em um sentido, não reiterável. Ela é em seguida transpessoal porque atravessada por uma história coletiva que ultrapassou numerosas situações, de uma situação a outra, de uma época a outra. São os esperados genéricos da atividade que são reiteráveis no gênero profissional e construídos para o sobre-destinatário do esforço consentido por cada um (Clot et Faïta, 2000). O trabalho coletivo de reorganização da tarefa assegura ou não a sua “manutenção”. A história transpessoal do métier que cada um traz em si é o objeto do “métier ao quadrado”, esse “segundo métier” que somente vive graças ao coletivo de trabalho que cuida ou não de si. Se ele não for contábil desenvolve-se, então, o sentimento de viver a mesma história que dá a cada um o garante68 indispensável para trabalhar. Enfim, o métier é impessoal, desta vez sob o ângulo da tarefa ou da função definida. Essa última é, na arquitetura da atividade de um trabalhador, o que é necessariamente o mais descontextualizado. Mas, de repente, ela é justamente o que retém o métier para além de cada situação particular, cristalizada na organização ou na instituição. Prescrição indispensável ela pode – ela deveria sempre – se nutrir do “métier ao quadrado” que os trabalhadores procuram fazer em sua atividade para realizá-la apesar de tudo, às vezes, apesar da organização oficial do trabalho. Então, o métier passa também pela tarefa prescrita. É ela que a retém, codificando-a longe da atividade efetiva, como um modelo congelado que deve ser descongelado por cada um e por todos, face ao real, com a ajuda dos esperados de uma história comum.
Como dizem Clot & Faïta (2000) os gêneros:
[...] são os antecedentes ou os pressupostos sociais da atividade em curso, uma memória impessoal e coletiva que dá sua abrangência à atividade pessoal em situação: maneiras de se manter, maneiras de se localizar, maneiras de começar uma atividade e de terminá-la maneiras de conduzir com eficácia seu objetivo (objeto). Essas maneiras de colocar as coisas e as pessoas em um meio de trabalho dado formam um repertório de atos condizentes ou deslocados que a história de seu meio reteve. Essa história fixa os esperados dos gêneros que permitem suportar - em todos os sentidos do termo – os inesperados do real. Mobilizar o gênero do
métier é também se colocar no “diapasão profissional”. É poder se manter nele, em todos os sentidos do termo (Clot & Faïta, 2000: 12-13) (Tradução nossa).69
O conhecimento do gênero profissional, momentaneamente estabilizado, faz parte do conhecimento social de uma memória coletiva em dada situação de trabalho. Representa saber como agir, como se conduzir nos relacionamentos interpessoais exigidos em torno dos objetivos da ação de uma determinada situação, evitando, assim, o erro ou a inadequação no uso de um determinado gênero.
Entretanto, como dizem Clot & Faïta (2000), parafraseando Bakhtin, os gêneros não são amorfos e sua estabilidade é sempre transitória. Existem para facilitar o agir humano, contudo, são passíveis de modificação, são constantemente colocados à prova pelo agir do homem. Em situação de trabalho, os protagonistas agem mobilizados por meio de determinado gênero profissional estabilizado na memória coletiva, mas quando necessário retocam e modificam os gêneros, permitindo assim seu desenvolvimento. Dessa forma, eles imprimem ao gênero uma maneira própria de agir mediada pela circunstância, caracterizando um estilo profissional. Segundo Clot & Faïta (2000:15), O estilo pode ser definido então como uma metamorfose do gênero no seu movimento de ação.70. Essa maneira diferente do sujeito agir é percebida quando se coloca à prova, por meio da confrontação, o seu agir e o agir do outro.
Cada autoconfrontação faz reviver o gênero de um modo pessoal, oferecendo a possibilidade ao coletivo de um aperfeiçoamento do gênero ou, em todo caso, a
69 [...] sont les antecedents ou les présupposés sociaux de l’activité en cours, une mémoire impersonnelle et
collective qui donne sa contenance à l’activité personnelle en situation : manières de se tenir, manières de la conduire efficacement à son objet. Ces manières de prendre les choses et les gens dans un milieu de travail donné forment un répertoire des actes convenus ou déplacés que l´histoire de ce milieu a retenus. Cette histoire fixe les attendus du genres qui permettent de supporter – à tous les sens du terme – les inattendus du réel. Mobiliser le genre du métier, c’est pouvoir s’y tenir, à tous les sens du terme (Clot & Faïta, 2000: 12-13).
de um questionamento podendo provocar a validação coletiva de novas variantes (Clot & Faïta, 2000:16) 71.
Por meio das trocas verbais é possível se aproximar do conhecimento que o homem possui dentro de si. Somente por meio da interação o homem pode se conhecer. Segundo Bakhtin, é impossível captar a subjetividade humana de maneira imparcial e neutra. O dialogismo permite apenas uma aproximação a essa subjetividade. Pode-se descrever o homem interior por intermédio das representações de suas comunicações com os outros.
Podemos constatar como essa afirmação de Bakhtin apresenta-se na seguinte passagem da autoconfrontação em que o nosso protagonista do trabalho se mostra tranqüilo e seguro da sua atividade de trabalho. Contudo, conforme afirma Bakhtin é apenas uma aproximação da subjetividade:
não ... eu ... eu ... hoje ... eu percebo que ... eu estava tranqüilo ... me analisando eu não pude perceber tensões ... como estava fluindo tranqüilamente ... o fluxo das idéias estava ... surgindo ... tranqüilamente ... e eu estava fazendo uma tese na qual eu acreditava ...
Segundo Clot & Faïta (2000), é o diálogo e a ordem dialógica que oferecem a cena em que os sujeitos se reencontram e reencontram os outros, assim como suas histórias, seus meios e circunstâncias para Bakhtin todo diálogo se desenvolve em forma de teatro em que vozes variadas se confrontam e não pertencem a seus atores.
O método da autoconfrontação promove uma relação entre os interlocutores do discurso capaz de oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento discursivo tendo em vista que é possível reviver a ação e se revelar em um momento e um espaço diferentes, distantes de regras e de restrições sociais. O diálogo constituído na autoconfrontação, que representa uma instância do desenvolvimento, alimenta-se de outros diálogos anteriores e
71 Chaque autoconfrontation fait revivre le genre d’une façon personnelle, offrant la possibilité au colletif d’un
perfectionnement du genre ou, en tout cas, celle d’un questionnement pouvant déboucher sur la validation collective de nouvelles variantes (Clot & Faïta, 2000: 16).
paralelos existentes no grupo profissional, que retoma e re-elabora temas, sobre os quais se articulam múltiplos encadeamentos. Esse diálogo faz o protagonista do trabalho repensar e reavaliar as suas ações. Essa tomada de consciência pode contribuir para a transformação da situação de trabalho.
Vejamos no recorte abaixo como essa situação se apresenta:
... eu to reparando que: eu abusei de algumas palavras que não são do uso comum ... quando a gente trata pra um tribunal leigo ... a gente deve ter o máximo de cuidado de ser claro ... é: nosso ideal pessoal ... por aquilo que a gente tem trabalhado nessa tarefa ... é de procurar ter precisão e clareza ... precisão nas informações ... precisão na argumentação ... mas também clareza ... sempre se espera do Defensor Público ... ou do advogado de defesa ... um certo brilho pra falar ... uma certa eloqüência ... um certo poder de persuasão ... então tem que se aliar isso porque é a expectativa de todos ...
Nesse momento, o nosso protagonista do trabalho, após assistir a uma seqüência no vídeo, em que ele se vê trabalhando, percebe que o vocabulário usado foi inadequado aos seus co-enunciadores. Reconhece que poderia ter sido mais cuidadoso na escolha vocabular para atender à expectativa de todos.
Os enunciados a seguir foram retirados da primeira autoconfrontação simples72. Nesse recorte, iremos apresentar o discurso em que o protagonista do trabalho comenta os momentos mais relevantes que constituem a sua atividade de trabalho. Por se tratar de uma autoconfrontação simples, percebemos como o coletivo apresenta-se dentro do indivíduo, ou seja, o Defensor vai comentar a sua atividade se protegendo pelo “guarda-chuva” 73 do gênero. Para se explicar trabalhando, ele vai se respaldar pelo gênero da atividade que é assumido em uma história coletiva. As pesquisas realizadas pela ECA apresentam resultados na materialidade lingüística que corroboram com o que constatamos em nossos dados, ou seja, na constituição do discurso do indivíduo relacionado ao gênero de sua atividade de trabalho existe um eco do discurso coletivo que pode ser entendido como uma memória de uma
72 Como foi informado na Introdução desta tese, realizamos duas autoconfrontações simples. 73 Expressão metonímica utilizada pelo Professor Yves Clot.
história coletiva. Ele parte da dimensão pessoal: nosso ideal pessoal para atingir a dimensão transpessoal: sempre se espera do Defensor Público ... ou do advogado de defesa.
1.2.1. A posição em plenário
A disposição dos lugares físicos ocupados pelo Juiz, Promotor e Defensor no Tribunal do Júri revela uma posição de desvantagem para o Defensor. O Juiz ocupa o lugar central. Está em um degrau acima da posição do defensor. O Promotor ocupa o lado direito do Juiz e no mesmo degrau. O lugar reservado para o defensor, lado esquerdo do Juiz e após a cadeira do escrevente, possui uma desvantagem visual. Em seu campo visual, o corpo de jurados não é visível. Para que possa ter um bom desempenho em sua construção discursiva, é necessário que esse trabalhador esteja de pé e se posicione diretamente ao público e ao corpo de jurados.
PESQUISADORA: 11:04
antigamente o:: defensor ele... eu não sei se eu estou enganada mas ele ficava era de frente pro corpo de júri e não do lado do Juiz do lado esquerdo do Juiz ... é verdade isso?
DEFENSOR: 11: 15
é .... é correto ... na disposição do anterior Tribunal do Júri ... na sede do antigo Fórum ... a nossa posição era de frente pro corpo de jurados e ao mesmo tempo de frente pro Magistrado ... a disposição era bem mais favorável ... hoje nós ficamos assim ... é .. ocultos né?... nós temos uma posição de frente pra a ... platéia ... mas
sem assim a visualização direta do corpo de jurados sem o contato visual direto do Juiz quando há essa necessidade eu tenho de levantar ... e posicionar lá na frente de modo a enxergar como estão as expressões do Juiz as como estão as expressões dos jurados
PESQUISADORA 11:57
e essa disposição lá ela foi mudada por lei ... ou por... foi por que que mudaram essa disposição?
DEFENSOR: 12:04
a única disposição sobre ... a estrutura ... da sala ... vem em favor do MP (Ministério Público) ... o MP tem que sentar à direita do Juiz
PESQUISADORA 12:16
a lei só prescreve a respeito da postura do MP
e tem que sentar num tablado abaixo do Magistrado ... então há uma hierarquia visual ... uma expressão de poder também visual ... o Juiz num tablado acima ... a Promotoria um degrau abaixo ... e a defesa rente ao chão ... essa é que é a disposição ... visualmente ... isso ... isso ... nos revela que o Juiz está acima de todos ... que a Promotoria está acima da defesa ... e a defesa está a nível reduzido perante esses dois ... membros do judiciário ... aquele que julga e aquele que faz o papel da acusação ...
1.2.2. A escolha dos jurados
Ao iniciar o trabalho no Tribunal do Júri, o Juiz sorteia o corpo de jurados que irá atuar naquele tribunal. Tanto a defesa como a acusação podem contestar a atuação de até três membros, que poderiam fazer parte daquele tribunal em questão. O Defensor, nesse momento, volta sua atenção para a composição do corpo de jurados que poderá ser prejudicial ao acusado. A preocupação deve estar voltada para uma possível recusa de jurados que poderiam votar contra a defesa. Como fazer essa seleção? Com o tempo e com a experiência em atuar no Tribunal do Júri ele adquire um conhecimento da personalidade das pessoas que compõem a lista de jurados. Logo, a escolha ou a rejeição dos prováveis jurados, deve estar adequada às condições sócio-históricas. Percebemos aqui como o pré-discursivo participa da definição do quadro da interlocução.
DEFENSOR:1:21
(...).... aqui presentes estão TRÊS alunas minhas (...) a gente começa então ...conforme o tipo de causa e conhecimento que temos dos jurados ... a fazer a seleção a clivar a entrada e a rejeição de um ou de outro deles (...) então essa é que é a proposta ... ele realmente participou da ação ...ele tinha:: uma participação efetiva no processo e:: tentava-se amenizar o destino dele ali:: então esse corpo de jurados foi escolhido entre pessoas que a gente sabia que haveria uma aceitação a esse apelo da vida pessoal dele da mudança de vida dele porque
nós temos em Montes Claros um corpo de jurados muito elitizado pertencentes a::
camada média a camada da alta e eles não nos teriam assim:: muita abertura para esse discurso e fomos selecionando até ficar com três estudantes de Direito ... que têm um discurso mais aberto ... pessoas mais simples em termos de:: aspecto financeiro então um júri bem favorável para Daniel
seu M. ... à direita ... nós temos uma senhora ao fundo ali com quem nós tivemos uma certa convivência porque ela nos pediu para fazer uma separação judicial dela e nós temos lá no fundo uns jurados já conhecidos nossos pelas inumeráveis sessões que já participamos acaba sempre tendo esse contato...(...)
A produção discursiva sinaliza para uma prática que se organiza em torno do pré-discursivo no enunciado então esse corpo de jurados foi escolhido entre pessoas que a gente sabia que haveria uma aceitação a esse apelo da vida pessoal dele da mudança de vida dele percebemos como um posicionamento discursivo está entrelaçado a uma memória daquilo que foi vivido antes. Uma experiência que antecipa e organiza a enunciação.
1.2.3. Procedimentos que antecipam as estratégias para a realização da audiência
A atividade de trabalho do Defensor requer muita atenção, muita leitura e muito estudo. Como o volume de trabalho é enorme74, muitas defesas, muitas teorias, muitos casos para serem estudados, o Defensor deve centrar a sua atenção para a construção discursiva de defesa da audiência mais próxima. A história de cada processo deve ser recuperada em data anterior recente ao acontecimento da audiência no Tribunal do Júri, por isso ler uma, duas, três vezes o processo e selecionar o que pode ser útil, durante a constituição de seu discurso no Tribunal, observando o argumento relevante, adequado para cada momento.
(...) ...então a gente usa o critério de ler o processo três vezes ... pra ter:: é:: conhecimento mais íntimo de todos os depoimentos tudo que aconteceu então a gente passa dois três dias lendo o processo lendo uma duas ou três vezes...(...)
1.2.4. A escolha da tese de defesa
74 Minas Gerais é apontado como um dos Estados com menor desenvolvimento na área de assistência jurídica do
país, de acordo com o 2º. Diagnóstico da Defensoria Pública do Brasil. Esses dados são relativos a um estudo realizado em 2005 pela ADEP-MG – Associação dos Defensores Públicos de Minas Gerais. Apesar de compor o segundo maior número de Defensores Públicos do país (545), ficando atrás do Rio de Janeiro (674), Minas está muito aquém de alcançar o efetivo determinado pela Constituição, que é de 918 servidores. Minas Gerais possui 853 municípios e 545 Defensores Públicos, mas a Constituição estabelece 918. Outro dado levantado foi que, em 2006, foram atendidas cerca de um milhão de pessoas. Se dividirmos o número de Defensores por municípios mineiros, o resultado será de 0,6 Defensores Públicos por cidade. Outro dado relevante que foi apontado pela pesquisa é que dos 167 profissionais nomeados em 2005, apenas 100 permaneceram no cargo. A saída tem como principal motivo a baixa remuneração.
A escolha de uma tese adequada de defesa é a base da construção argumentativa. Trata- se da escolha de um posicionamento, ou seja, delimitar o seu espaço dentro de uma formação discursiva que corrobore com as condições sócio-históricas acessíveis naquele momento e lugar. É necessário estar seguro desse posicionamento, isto é, a tese escolhida pode atender às necessidades de defesa? Por isso o Defensor deve estar atento, durante o transcorrer da audiência, deve observar os mínimos detalhes trabalhados pelo Ministério Público. O nosso protagonista do trabalho articula com antecedência várias possibilidades para a construção de sua defesa. Como na organização temporal condicionada pelas leis processuais que regulam o