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5. ÖNERİLEN MODELLER VE ÖZELLİKLERİ

5.6 Yöntemlerde Sonucu Etkileyen Faktörler

A norma criadora do MERCOSUL buscou enunciar todos os aspectos internos e externos que fazem parte do processo de integração. Ao interpretar a norma constitutiva do MERCOSUL, verifica-se que esta listou e tratou de detalhar, no âmbito interno, acerca da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos produzidos pelos Estados membros – criação de uma zona de livre comércio, a respeito da livre prestação dos serviços, das pessoas e do capital, sem discriminação de nacionalidade dentro do bloco, oferecendo tratamento nacional a todos, o estabelecimento de uma tarifa comum e a adoção de uma política comercial comum em relação a terceiros89. No âmbito externo enunciou a necessidade de

coordenação das políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados-partes, além de reafirmar o compromisso dos países membros de harmonizar suas legislações, nas áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração e atingir o estágio de união aduaneira90, dentre outros assuntos.

No aspecto da integração econômica, em qualquer das modalidades (zona de livre comércio, união tarifária e união aduaneira), tem-se como pressuposto a existência de um marco comum de referência para sua criação e funcionamento, possibilitando a harmonização dos diferentes ordenamentos jurídicos nacionais e facilitando a atividade comercial entre as empresas dos diferentes países. Empresas essas que, em uma economia de mercado são de natureza essencialmente privada, pautadas nos princípios da livre concorrência e da liberdade econômica e em uma economia planificada correspondem a organizações estatais de produção de bens e serviços conforme os parâmetros fixados pelo governo central, sem autonomia alguma. Esse é um dos aspectos que dificulta e atrasa a inserção plena e de fato da Venezuela ao Mercosul.

De forma análoga, no século XX, durante a Guerra Fria, a Europa estava dividida em dois blocos econômicos, dos países ocidentais, agrupados em torno do Tratado de Roma (1957) e pautados na liberdade da iniciativa econômica e os países comunistas do leste, que

89 BALASSA, Bela. Teoria da Integração Econômica, op. cit., p. 13. 90 Idem, p. 13.

formaram em 1949, junto com a antiga União Soviética, o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON). O sistema econômico que vigorava nesses países pautava a produção de bens e serviços a cargo de empresas estatais, regidas estritamente sob diretrizes do governo central, bem parecido com o que ocorre atualmente na Venezuela. Ademais, o COMECON, no mesmo parâmetro do modelo que ocorre hoje no Mercosul, não possuía uma autoridade supranacional capaz de harmonizar os interesses e necessidades de cada Estado membro. Com o fim da Guerra Fria e o colapso das economias socialistas, o COMECON chegou ao fim, abrindo espaço para as economias de mercado em substituição às políticas de economia planificada91.

A experiência européia pós-Guerra Fria, com dois grupos de países integrados por ideologias políticas distintas e sistemas econômicos contraditórios, governos autoritários e democracias abertas, economia planificada e liberdade de comércio, remete à Venezuela de 2012, ao momento em que é oficializada sua entrada no Mercosul. Um país em transição de uma economia capitalista para um regime socialista onde o governo é detentor e explorador de todos os meios de produção une-se a países regidos essencialmente por uma economia de mercado e sistemas democráticos de governo.

Se no plano teórico, contudo, o ordenamento jurídico venezuelano encontra-se pronto para receber o direito comunitário do Mercosul, pois ainda partícipe da Comunidade Andina quando da edição da Constituição de 1999, o constituinte consagrou como prioridade a integração econômica com os países vizinhos, a exemplo do Tratado de Roma. Esse permitiu a adoção a órgãos supranacionais e aplicação direta da norma comunitária, conforme se extrai do preâmbulo da Carta Magna, e designou dispositivo próprio para tratar do tema da integração - o art. 153 da Constituição da Venezuela traz o seguinte texto:

Artículo 153° - La República promoverá y favorecerá la integración latinoamericana y caribeña, en aras de avanzar hacia la creación de una comunidad de naciones, defendiendo los intereses económicos, sociales, culturales, políticos y ambientales de la región. La República podrá suscribir tratados internacionales que conjuguen y coordinen esfuerzos para promover el desarrollo común de nuestras naciones, y que garanticen el bienestar de los pueblos y la seguridad colectiva de sus habitantes. Para estos fines, la República podrá atribuir a organizaciones supranacionales, mediante tratados, el ejercicio de las competencias necesarias para llevar a cabo estos procesos de integración. Dentro de las políticas de integración y unión con 91 HERNANDEZ, Alfredo Morales. La incompatibilidad del ordenamiento jurídico venezolano con el derecho de la integración del Mercado Comun del Sur, In: Venezuela Ante el Mercosur, Astrid Uzcátegui e Maria Inés de Jesus (Comp. y Coord.) Caracas: Academia de Ciencias Políticas e Sociais; Universidad de Los Andes, Universidad Católica Andrés Belo, 2013, pp. 29-61.

Latinoamérica y el Caribe, la República privilegiará relaciones con Iberoamérica, procurando sea una política común de toda nuestra América Latina. Las normas que se adopten en el marco de los acuerdos de integración serán consideradas parte integrante del ordenamiento legal vigente y de aplicación directa y preferente a la legislación interna92.

Em suma, no plano prático a situação mais se assemelha à da Europa no período pós- Guerra Fria. Os anos que se seguiram ao documento constitutivo de 1999 foram marcados pela falta de independência do Poder Judiciário e concentração do poder nas mãos do então presidente Hugo Chávez. Nesse sentido, assim como se deu a retirada da Comunidade Andina, sem o cumprimento das normativas previstas no Acordo de Cartagena93 em 2006, ignorando-se setores importantes como as empresas privadas, produtores de bens e fornecedores de serviços da economia venezuelana excluindo-os do processo de afastamento do Grupo Andino, foi o processo de aproximação e posterior ingresso ao Mercosul.

De fato, ainda que a Constituição venezuelana de 1999 enuncie e engrandeça os ideais da integração, da criação de uma comunidade de nações com interesses econômicos mútuos além da adoção de organismos supranacionais em favor da agenda integracionista, em seu art. 153, proteja e incentive a liberdade econômica, promova a iniciativa privada em seu art. 11294, deparou-se com outra realidade local.

Em visita realizada em outubro de 2014 à Caracas, através de participação em mesas redondas de debates das quais colaboravam economistas, especialistas em direito comunitário, cientistas do direito e professores da área de relações internacionais, constatou-se a situação real do que ocorre internamente na República Bolivariana da Venezuela.

92 Artigo 153 da Constituição Venezuelana de 1999, disponível eletronicamente em <http://www.ucv.ve/fileadmin/user_upload/auditoria_interna/Archivos/Material_de_Descarga/Constitucion_de_l a_Republica_Bolivariana_de_Venezuela_-_36.860.pdf> Acesso em 20/11/2014.

93 O Acordo de Cartagena é o nome oficial do pacto que foi estabelecido em 1969 na cidade colombiana de Cartagena e que ficou conhecido como Pacto andino. Tinha como objetivo acelerar o desenvolvimento dos países membros através da integração econômica e social. O Chile participou até 1976. A participação do Peru foi suspensa em1993, mas no ano seguinte o país volta a fazer parte da associação juntamente com os demais membros: Bolívia, Colômbia,Equador e Venezuela. Em 2006 a Venezuela rompe com o Grupo Andino e se retira do bloco, dando início às tratativas para ingressar no MERCOSUL.

94 Em tradução livre: Art. 112 da Constituição Venezuelana de 1999 qualquer um pode participar livremente na atividade econômica de sua escolha, sem outros impedimentos que não os previstos nesta Constituição além das restrições estabelecidas por lei, por razões de desenvolvimento humano, segurança, saúde, proteção ambiental e outras de interesse social. O Estado deve promover o setor privado, assegurando a distribuição justa da riqueza, e da produção de bens e serviços que atendam às necessidades população, a liberdade de trabalho, negócios, comércio, indústria, sem prejuízo do seu poder de promulgar medidas para planejar, racionalizar e regular a economia e promover o desenvolvimento global do país. Disponível em: < http://www.ucv.ve/fileadmin/user_upload/auditoria_interna/Archivos/Material_de_Descarga/Constitucion_de_la _Republica_Bolivariana_de_Venezuela_-_36.860.pdf>

No debate realizado na Universidade Simón Bolívar, com os professores Hector Maldonado95 e Carolina Rodrigues96, no dia 15 de outubro de 2014, diversos aspectos a respeito da entrada da Venezuela no Mercosul foram abordados, com destaque para os entraves que dificultam o aprofundamento da agenda de integração na região. O primeiro aspecto levantado por esses estudiosos foi a perspectiva negativa da iniciativa privada em torno da adesão venezuelana ao Mercado Comum do Sul. À margem das políticas de desenvolvimento locais desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, empresas privadas se dizem prejudicadas, principalmente, pelos seguintes motivos: a) aumento das importações originadas dos países vizinhos; b) falta de incentivo ao produtor local e diversificação das cadeias produtivas; c) intervenção do Estado no domínio econômico, através do controle cambial e regulação das importações; d) perseguição política, por se tratar de um setor da economia que historicamente faz oposição ao governo presidencial.

Uma segunda percepção está restrita ao setor público, e ressalta a preocupação da comunidade acadêmica com o cumprimento das leis de forma geral, tanto no que concerne ao respeito à legislação pátria, quanto em especial, aquelas emanadas do Direito Comunitário. Não há, no governo do atual presidente Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez, uma preocupação em cumprir os acordos firmados em âmbito internacional, assim como no plano interno, as decisões têm sido tomadas sempre pró-governo. E apesar da visão otimista, que sempre cercou o Mercosul, dos professores entrevistados na Universidade Simón Bolívar, um terceiro ponto negativo foi abordado como catalisador de tensões para a região: a incompatibilidade do sistema econômico/produtivo vigente na Venezuela atual em comparação com modelos econômicos propostos pelos demais países do bloco. Em transição para um regime nos moldes do socialista – explicitado pela nacionalização/estatização das diversas empresas nacionais do setor produtivo, controle do câmbio, regulação das importações – a Venezuela está, de certa forma, isolada do grupo. No momento atual, se faz necessário uma adequação da economia local para que a economia venezuelana integre-se à economia do Mercosul, já repleta de assimetrias e desigualdades. Ainda que adote uma política de economia planificada, o setor produtivo interno necessita alinhar-se ao projeto de produção e complementaridade que começa a vigorar no bloco. Na opinião dos estudiosos citados é necessário que as políticas desenvolvimentistas envolvam também a iniciativa privada e os demais setores produtivos, com o fito de que esses possam concorrer em

95 Hector Maldonado, Director del Instituto de Altos Estudios de America Latina, ex-Ministro de Estado do governo Rafael Caldeira.

96 Carolina Rodrigues, especialista em Mercosul, Universidad Simon Bolívar, 15/10/2014.

igualdade com as empresas dos países vizinhos, sob pena de inviabilizar a atividade econômica local.

Constatou-se, também, o descaso com as instituições públicas, órgãos governamentais, hospitais e universidades públicas. Muitas delas estão em estado crítico de conservação, carentes de recursos físicos e humanos, além da ausência de segurança nas ruas

Em outro debate realizado in loco, com o professor Javier Rodrigues Sanchez97, especialista em produtividade do Centro de Extensión, Desarrollo Ejecutivo y Consultoría Organizacional (CENDECO), foram discutidas a crise no setor de produção, atividade petroleira, aspectos relevantes do ensino acadêmico e corrupção. Uma grande preocupação dos especialistas da área, segundo o professor, reside no fato de que, desde 2007, o governo não afere os indicadores da indústria nacional, impossibilitando que se obtenham os números reais acerca desse setor da economia. Em 1998, ano que se iniciou a transição para o governo Chávez, existiam 11.198 indústrias cadastradas e em funcionamento. Em 2003, cinco anos depois, esse número se reduziu para menos da metade, resumindo-se a apenas 4.903 indústrias. Ao lado da falta de incentivo ao setor privado, dos 200 anos de República Venezuelana, em mais de 150 vigoraram regimes militares, adversários históricos da iniciativa privada, razão que justifica, em parte, o atraso em todas ou quase todas as cadeias produtivas locais. O professor Sanchez destacou a corrupção endêmica que permeia as instituições públicas no país e criticou os programas assistenciais de distribuição de renda, sob a justificativa de que eles representam um verdadeiro desincentivo ao trabalho, mantendo em níveis elevados as taxas de desemprego. A respeito da atividade petroleira, pondera-se que, apesar de ser a atividade motora do país, responsável por quase a totalidade das receitas auferidas pelo governo central, não consegue abarcar sequer 2% da população economicamente ativa. Ademais, não há planejamento na exploração desse mineral, cuja a preocupação maior é a rentabilidade em curto prazo para financiar os programas assistenciais e os gastos da cúpula do poder. O sistema educacional também foi alvo de críticas por parte da comunidade acadêmica. Foi relatado que o governo federal criou um processo educativo “paralelo” como forma de diminuir custos e tempo para a formação de especialistas, com o claro objetivo de oferecer mais profissionais das diversas áreas à população, ainda que esses não tenham tido a formação devida para exercer a função. Como conseqüência, os profissionais e os estudiosos gabaritados, com formação em nível superior, iniciaram uma

97 Engenheiro industrial, especialista em produtividade, Universidade Andrés Bello.

verdadeira imigração, buscando em outros países, como a Espanha, uma melhor remuneração e condições de trabalho condizentes com a formação acadêmica que tiveram.

Em suma, na análise da história recente e com base nas informações colhidas e percebidas durante pesquisa de campo à Venezuela, constatou-se que a) embora o ordenamento jurídico pátrio esteja pronto para receber as leis do direito comunitário, a sensação de insegurança jurídica, mesmo no cumprimento das leis nacionais, é real e presente na sociedade como um todo [professores, motoristas de taxis, garçons, estudantes, etc.]; b) as políticas públicas de desenvolvimento do país excluíram, ao longo da história, o setor privado do processo desenvolvimentista, deixando-o à margem da cena competitiva do mercado internacional; c) a saída brusca da Comunidade Andina e a rápida aproximação do Mercosul, sem que os diversos setores da sociedade envolvidos participassem do processo, ratificou o posicionamento radical da República Bolivariana da Venezuela e reforçou sua posição de má cumpridora dos acordos internacionais.

Poder-se-ia classificar algumas ações dos presidentes da Venezuela, no contexto do revolucionarismo chavista98 como sendo pós-colonialistas ancoradas em forte ênfase de romper com os laços imperialistas do passado, gerando uma nova realidade para um futuro mais promissor. Existem duas venezuelas que precisam se reconciliar. Nestas duas venezuelas, o elemento étnico – ressaltado por Bolívar, que reconheceu as grandezas e limitações do continente, e, sobretudo sua particularidade com uma elite branca, aristocrata, espanhola; e os nativos, pardos, mestiços, que não se subjugam à pirâmide de poder.

Ribes doutrina que

[... Los Patriotas, al inicio de la guerra de la Independencia, estaban integrados por los hijos de los aristócratas, y fue Bolívar el que se dio cuenta de la importancia de integrar a los pardos; es decir, de tomar en cuenta el mestizaje de nuestra América en el momento de crear una nueva sociedad.

Se logra la Independencia pelo la concepción bolivariana de crear una gran nación latinoamericana no alcanza su cometido. Se mantiene en el papel la vinculación estrecha entre la idea de independencia y la de libertad, pero en la práctica, esta libertad se ve truncada por la ausencia de homogeneidad social derivada del régimen de castas español]99.

98 CASTRO, Thales. Teoria das Relações Internacionais. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012, p. 392.

99 RIBES, María Ramírez. ¿Que es America Latina? Universidad Simón Bolívar, Instituto de Altos Estudios de America Latina, Caracas: Mundo Nuevo Revista de Estudios Latinoamericanos, Año XV – Nº 4 – Octubre- Diciembre 1992[58], p. 547-548.

As etapas do Desenvolvimento do processo de integração passam pelo segmento dos hidrocarbonetos (gás natural e petróleo), estopim de inúmeros debates, de disparidade tributária e étnica que tem tomado contornos sérios, e que utiliza a culpa externa no explorador estrangeiro como fonte de justificativa. A instabilidade étnica e econômico- tributária na Venezuela tem sido objeto de manipulações políticas que precisam ser equacionadas com amplo diálogo entre os principais atores envolvidos.