5. ÖNERİLEN MODELLER VE ÖZELLİKLERİ
5.4 Sekiz Yönlü İlerleme Modeli
5.4.1 Benzetim Adımları
O Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (FOCEM) tem por finalidade aprofundar o processo de integração regional no Cone Sul, por meio da redução das assimetrias, do incentivo à competitividade e do estímulo à coesão social entre os países-membros do bloco. Instituído em 2004 e em atividade desde 2005, o fundo destina-se a corrigir assimetrias estruturais pontuais, bem como a própria convergência estrutural dos países membros do Mercosul. Trata-se de incluir medidas no campo da cooperação internacional, o que impende buscar apoio na Teoria da Integração Econômica de Bela Balassa56, em que sobressai-se a cooperação, que prima pela “supressão das discriminações no que se refere aos movimentos das mercadorias no interior da união”, mas compreende a “[... igualização dos direitos em relação ao comércio]”, e [“... harmonização das políticas econômicas nacionais]” e; das disparidades existentes entre essas políticas57.
55 Informe COSIPLAN 2013. A tabela com situação de cada projeto em novembro de 2013 é parte anexa no final do trabalho. Disponível em http://www10.iadb.org/intal/intalcdi/PE/2013/13515a09.pdf. Acesso em 17/11/2014.
56 BALASSA, Bela. Teoria da Integração Econômica, op. cit., p. 13. 57 Idem, p. 13.
Nesse sentido, a Decisão do Conselho do Mercado Comum 19/04/200458 criou um grupo de Alto Nível, formado por representantes dos Ministérios de Relações Exteriores e dos Ministérios de Economia dos países membros com o objetivo de estudar e pesquisar iniciativas e ações que promovessem a convergência estrutural do grupo, assim como incitar a competitividade dos Estados membros com economia menores. Ademais, esse grupo seria responsável pela criação de um mecanismo de financiamento para tais programas de convergência estrutural da região integrada e fortalecimento do grupo.
Posterior a essa fase de estudos, o Conselho do Mercosul decidiu pela criação, por meio da Decisão 45/0459, de um Fundo de Convergência destinado a apoiar a infraestrutura do bloco. A iniciativa tinha como meta institucional promover a competitividade e a coesão social dos Estados Partes, reduzindo assimetrias, em particular das regiões e países menos desenvolvidos, em conformidade com a Decisão CMC n° 27/0360 e outras decisões pertinentes a impulsionar a convergência estrutural no Mercosul.
Na Decisão CMC 18/05/200461 ficou estabelecido que o Fundo de Convergência fosse dotado de recursos através de contribuições anuais em cotas semestrais proporcionais à média histórica do PIB de cada Estado Parte. As contribuições alocadas são na seguinte proporção: 70% brasileira, 27% argentina, 2% uruguaia e 1% paraguaia, não reembolsável, totalizando 100 milhões de dólares anuais por um período de 10 anos. Estabeleceu-se também a possibilidade de receberem recursos de instituições fora do grupo. Os investimentos são inversamente proporcionais ao poder de contribuição de cada país membro, como forma de se atingir um de seus objetivos institucionais.
Como resposta às frustrações dos países menores por não se beneficiarem de todo da formação do Mercosul, o FOCEM foi criado como ferramenta de fomento para a melhoria da infraestrutura destes países, promovendo a competitividade e criando uma base sólida na economia através da construção de um ambiente propício a novos investimentos.
Embora a iniciativa seja recente e ainda não se consiga visualizar os resultados imediatos, é certo que o FOCEM constitui mecanismo de extrema importância para combater as assimetrias regionais e aprofundar a agenda da integração.
58 Disponível em: FOCEM, http://www.mercosur.int/focem/index.php?id=institucional 59 Disponível em: FECEM, http://www.mercosur.int/focem/index.php?id=institucional
60 A Decisão CMC 27/03 decide pela promoção das regiões menos desenvolvidas e o incremento da competitividade dos sócios menores, através de estudos intencionados à criação de um fundo estrutural para tanto. Disponível em http://www.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec2703p.asp
61 A Decisão CMC 18/05 trata da integração e funcionamento do fundo para a convergência estrutural e fortalecimento da estrutura institucional do Mercosul. Disponível em http://www.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec1805p.asp
Em números concretos, na cúpula do Mercosul, realizada em 2010 em San Juan62, na Argentina, foram aprovados nove projetos63, somados aos 25 que já existiam à época, e que por si só perfazem a cifra de 795 milhões de dólares, dos quais 650 milhões são recursos do próprio fundo. Foram eles: 1) Paraguai (US$ 98 milhões): Recuperação e Pavimentação Asfáltica da Rodovia Concepción, – Puerto Vallemí. A rodovia, no Departamento de Concepción, será a maior do país. 2) Paraguai (US$ 555 milhões): Linha de Transmissão Itaipu – Villa Hayes. A iniciativa binacional terá importância estratégica para o desenvolvimento industrial do Paraguai e assegurará a estabilidade do fornecimento de energia ao país. 3) Uruguai (US$ 106 milhões): Interconexão 500 MW Uruguai – Brasil. 4) Argentina (US$ 16 milhões): Interconexão Iberá – Paso de los Libres. 5) Argentina (US$ 670 mil): Pequenas e médias empresas exportadoras de bens de capital, plantas fabris e serviços de engenharia; 6) Argentina (US$ 7,9 milhões): Edifícios de ensino obrigatório em Santa Fé. Projeto para a reforma de edifícios de escolas públicas; 7) Brasil (US$ 6 milhões): Ampliação do Sistema de Saneamento em Ponta Porã. O projeto aumentará significativamente a quantidade de domicílios com acesso ao sistema municipal de saneamento. 8) Mercosul (US$ 3 milhões): Qualificação de Fornecedores da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás: o Brasil apoiará a capacitação de pequenas e médias empresas dos sócios no setor de petróleo e gás; 9) Mercosul (US$ 3 milhões): Intensificação e Complementação Automotiva no Mercosul: o Brasil estimulará a competitividade de pequenas empresas dos sócios no setor automotivo das regiões metropolitanas de Buenos Aires, Córdoba, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Assunção e Montevidéu.
Apesar de o FOCEM estar inserido num contexto de regionalismo, vinculado a decisões governamentais e concretizado mediante normas e tratados dele decorrentes, primando-se pela aproximação econômica dos Estados-partes, respaldado pelas Constituições, não se percebe um impulso conjunto entre os membros.
O regionalismo deve fortalecer os Estados envolvidos, produzir efeitos uniformes independentemente da força econômica entre eles. O regionalismo permite que os grupos de países mais ricos, que possuem os maiores conglomerados empresariais se robusteçam cada
62 Ademais, a Cúpula de San Juan eliminou a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum e aprovou o Código Aduaneiro do MERCOSUL, além de tratar de outros temas. Conquistas necessárias na busca da efetiva consolidação do bloco como união aduaneira.
63 Dados extraídos do relatório de resultados do Itamaraty referente à Cúpula de San Juan, na Argentina em 2010. Disponível em: http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/principais-resultados-do- xxxix-conselho-do-mercado-comum-san-juan-2-de-agosto-de-2010.
vez mais no âmbito externo, num contexto de desenvolvimento includente, sustentável e sustentado.
Para que isso ocorra, na acepção de Sachs, “é preciso haver uma articulação de espaços de desenvolvimento, desde o nível local (que deve ser ampliado e fortalecido) ao transnacional (que deve ser objeto de uma política cautelosa de integração seletiva, subordinada a uma estratégia de desenvolvimento endógeno) ” 64.
A promoção de parcerias entre todos os atores interessados deve orbitar em torno de um acordo negociado de desenvolvimento sustentável, com harmonização de metas sociais, ambientais e econômicas, a fragilidade entre os parceiros deve ser superada através do planejamento estratégico, do gerenciamento cotidiano, e efetividade dos planos, sem disrupção.
A infraestrutura deve ser complementada pela sustentabilidade social, com a construção de uma estratégia endógena de desenvolvimento com base na questão central do trabalho decente para todos, por meio do emprego ou do auto-emprego na produção de meios de subsistência65.
O repensar coletivo do desenvolvimento socioeconômico em países periféricos e semiperiféricos incluem a análise da soberania estatal, da democracia, da representação minoritária e justiça social internacional.
Imperioso notar que o regionalismo sob a ótica do fortalecimento dos Estados envolvidos no cenário internacional, produz efeitos uniformes independentemente da força econômica dos atores envolvidos66. A América Latina, abundante em riquezas naturais e recursos humanos, não consegue, todavia, transformar-se num paradigma de progresso e bem estar social, e, nem sequer, consegue integrar-se plenamente aos seus vizinhos, muito menos voltar-se para uma integração ao mundo da modernidade e do desenvolvimento.
María Ramírez Ribes alerta para este contexto
¿Qué es lo que há impedido que esto suceda? Y, ¿por qué hoy, a pesar de la acusada conciencia de este impedimento, continúa marginada de los grandes 64 SACHS, Ignacy. Desenvolvimento includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2008, p. 11.
65 ILO. Reducing the decent work deficit : a global challenge, International Labour Conference, 89th Session 2001, Geneva, 2001; ILO. Global employment agenda, Geneva, 2002ª; ILO. Decent work and the informal economy, International Labour Conference, 90th Session 2002, Geneva, 2002b, apud SACHS, Ignacy.
Desenvolvimento includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2008, p. 11.
66 DUTRA JÚNIOR, José Cardoso. Integração Econômica e Direito da Integração: Fundamentos do Direito do Mercosul, Dissertação de Mestrado em Direito, Brasília: Universidade Católica de Brasília, 2006, p. 28.
centros de poder mundial? Nada puede haber más importante que llegar a desentrañar la estructura de este impedimento67.
Apesar do desejo de mudança e transformação não se percebe um impulso para que este processo de integração seja efetivado.
Os números analisados no âmbito do FOCEM apresentam uma breve previsão da alocação de recursos destinados às obras de grande importância para o bloco como um todo, mas não se percebeu o revigoramento das economias. As questões logísticas precisam ser pontuadas, e a econômica e ética devem estar interligadas, visando a reparar as desigualdades passadas, criando uma engrenagem que propicie uma mudança estrutural.
Igualdade, equidade e solidariedade devem mover a engrenagem do desenvolvimento, ampliando o emprego, reduzindo a pobreza e conduzindo os cidadãos a um estágio de bem- estar, com inclusão justa e com a apropriação plena e efetiva da totalidade dos direitos humanos.
Os fracos resultados de atuação da IIRSA e do FOCEM, em 2008, deram origem a um novo processo de integração com a criação da UNASUL.