5. ÖNERİLEN MODELLER VE ÖZELLİKLERİ
6.2 Modelin Matlab Programı Akış Diyagramı ve Çalışması
6.5.1 Dört Yönlü İlerleme Modeli İçin Apartman Modeli
Ao fim do mês de julho de 2012 a cúpula do MERCOSUL, em caráter extraordinário, chancelou a entrada da Venezuela como membro efetivo do bloco. Motivo de intensas discussões. O pedido, feito em meados de 2006, somente foi possível de homologação em decorrência da suspensão temporária do Paraguai do Mercado Comum do Sul, originada da destituição do então presidente Fernando Lugo, por meio de um impeachment, processo deflagrado em 20 de junho de 2012 a pedido de um deputado do Partido Colorado, opositor ao governo de Lugo.
O afastamento paraguaio do bloco veio de encontro aos anseios do Brasil, Argentina e Uruguai, sabendo-se que esses três países já haviam chancelado a entrada da Venezuela no Mercosul e a homologação do ingresso estava pendente aguardando a aprovação do Senado paraguaio. Em 22 de junho de 2012, o então presidente desse país foi destituído pela Câmara dos Senadores do Paraguai, com um placar de 39 votos a favor e 5 contra, em um processo relâmpago (durou apenas dois dias) bastante discutido. O tribunal de julgamento foi constituído no Senado sob a presidência de Jorge Oviedo Matto, declarando o Presidente Fernando Lugo culpado das acusações apresentadas na Câmara100. Embora tenha sido considerado legítimo pelo Tribunal Superior Eleitoral, a destituição do presidente paraguaio gerou uma crise diplomática internacional, sofrendo críticas inclusive da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Ressalte-se, ademais, o apoio de partidários de Lugo, do Secretário-Geral da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), Alí Rodrigues, do Chanceler do Brasil, Antonio Patriota, que pontuaram as violações do processo legal, do caráter explícito de um golpe de estado, e violações que se enquadravam nos artigos 1, 5 e 6 do Protocolo Adicional do
100 ALMEIDA, Wilson; SANTANA, Hadassah Laís. Integração e Democracia: os interesses políticos locais que distorcem o direito internacional e a crise política resultante da suspensão do Paraguai do Mercosul. Revista de
Informação Legislativa, Brasília: Senado Federal, Nº 203, julho-setembro 2014, p. 94.
Tratado Constitutivo da UNASUL sobre o Compromisso com a Democracia. Os chanceleres da UNASUL reafirmaram sua solidariedade ao povo paraguaio respaldando o Presidente constitucional Fernando Lugo, assim como a Organização dos Estados Americanos (OEA), que enfatizou a rapidez no processo e alegou o procedimento uma afronta ao direito de defesa, previsto na Constituição do Paraguai 101.
Apesar de todas as manifestações contrárias ao impeachment do Presidente Lugo, o Tribunal Superior Eleitoral do país considerou o golpe legítimo, em discordância à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, aprofundando a crise diplomática internacional com os países sul-americanos, em especial com os países do bloco do Mercosul102.
O Paraguai, único membro que ainda não havia chancelado o ingresso da Venezuela, dessa forma teve seus direitos (de participar efetivamente do Mercosul) interrompidos, sob a alegação de violação da chamada Cláusula Democrática, justamente o ponto mais discutido acerca do ingresso venezuelano ao bloco. Em 22 de junho de 2012, os Presidentes de Argentina, Brasil e Uruguai aprovaram, na Cúpula de Mendoza e na ausência do Paraguai, o ingresso efetivo da Venezuela no Mercosul.
Formalizada no Protocolo de Ushuaia em julho de 1998, a Cláusula Democrática representa grande avanço na integração sul-americana. Em seu 1° artigo enuncia: “a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados (do Mercosul)”103. Ademais, ressalta-se que o projeto de integração do Cone Sul nasce da necessidade de apaziguar antigos e constantes conflitos locais, principalmente entre Brasil e Argentina, a fim de garantir a estabilidade política na região após o fim dos regimes autoritários que perduraram por quase duas décadas (1960-1980) na maioria dos países do eixo sul-americano. Nesse sentido, o Mercosul é criado paralelamente aos processos de redemocratização na região, tendo imbuído em seus ideais os valores da democracia e do liberalismo104. Garcia ressalta a tortuosa, e inacabada, transição paraguaia para a democracia, que enfrentou sucessivas crises, desde 1966, como a tentativa de
101 PARAGUAI. Constitución de la República del Paraguay. Asunción, 20 jun. 1992. Disponível em: http://www.oas.org/juridico/spanish/par_res3.htm. Acesso em: 21/11/2014.
102 ALMEIDA, Wilson; SANTANA, Hadassah Laís, op. cit., p. 96.
103 Protocolo de Ushuaia sobre o Compromisso Democrático no MERCOSUL, Bolívia e Chile. Disponível em <http://www.mercosur.int/innovaportal/file/110/1/1998_protocolo_de_ushuaia-
compromiso_democratico_port.pdf> Acesso em outubro de 2014.
104 YAMADA, Carolina Midori e DUARTE, João Paulo Gusmão P. Breves notas sobre a entrada da Venezuela no Mercosul. Revista Inter Relações, publicação do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, Ano 13, nº 37, jan. fev. mar. 2013.
golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmozy, dirigida pelo general Lino Oviedo, personagem que, 16 anos mais tarde, teria papel central na derrubada de Fernando Lugo105.
Por conseguinte, a importância do caráter democrático dos Estados membros e dos governos restou demarcada nas matrizes ideológicas do Mercosul, e o episódio de instabilidade política envolvendo o Paraguai ratificou o compromisso de institucionalização da democracia no âmbito do bloco.
Dois anos após a entrada efetiva da Venezuela no Mercosul, os defensores da Cláusula Democrática ainda discutem a incorporação desse país, considerado por muitos um regime autoritário, em razão das atitudes do falecido ex-presidente Hugo Chávez e seu sucessor temporal, Nicolás Maduro. Para os críticos, os governos de Chávez e Maduro, não possuíam e ainda não desenvolveram os requisitos básicos para o seu ingresso no bloco. Nesse sentido, o ex-ministro das relações exteriores do Brasil, Celso Lafer, se posicionou:
“trata-se de um regime voltado para o fortalecimento do Poder Executivo, empenhado no enfraquecimento do Poder Judiciário e do Legislativo, inclusive dos meios de comunicação e as organizações não governamentais, que fomenta a hiperpersonalização do poder do seu chefe. É uma autocracia eletiva e não uma democracia” 106.
Em uma concepção oposta, a cientista política Maria Regina de Lima defende que “o Protocolo de Ushuaia qualifica como instituições democráticas todas aquelas derivadas das concepções de democracia, inclusive de natureza participativa e plebiscitária, como é o caso do modelo venezuelano” 107. Utiliza, dessa forma, a existência de uma oposição em condições de concorrer para validar o sistema político como competitivo e democrático.