Azerbaycan Devlet Hastanelerinin Stokastik Sınır Analizi Metodu ile Değerlendirilmes
6. MO Yöntemi ile Etkinlik Analizler
Conforme já abordado, no Brasil, a Criminalística surgiu e se estruturou no interior das agências policiais. Com o processo de redemocratização do país, que resultou na promulgação da Constituição Federal de 1988 e no fortalecimento da cidadania, das práticas democráticas e dos direitos individuais e humanos, a sociedade passou a exigir mudanças estruturais nas instituições que atuam no Sistema de Justiça Criminal. Dentre essas mudanças, foi proposta a autonomia dos órgãos de Criminalística, mediante sua desvinculação das Polícias Judiciárias. Contudo, conforme ressalta Espíndula (2009), devido à falta de percepção de muitos constituintes quanto à relevância da prova pericial, a Perícia Criminal Oficial não foi inserida no texto constitucional como uma unidade autônoma.
Diante dessa lacuna constitucional, na década seguinte, os peritos buscaram consolidar a autonomia da função pericial no país, em nível estadual. Para Espíndula (2009) e Velho et al (2011), um grande aliado nesse processo foram as instituições defensoras dos direitos humanos, tais como: a Ordem dos Advogados do Brasil, a magistratura, o Ministério Público, as Comissões de Direitos Humanos do Legislativo federal e estadual, o Conselho Federal de Medicina, a Anistia Internacional e diversas organizações não governamentais. Para essas instituições, uma perícia atrelada a um órgão policial, mesmo que necessária as suas atividades, gera suspeição quanto aos resultados dos exames periciais, já que o exercício da função pericial e da função investigativa, de natureza policial, em um mesmo ambiente organizacional pode comprometer o requisito da imparcialidade do perito, principalmente nos casos em que o objeto da análise pericial envolve os demais servidores do mesmo órgão. Por isso, a atividade pericial deve ser realizada com a mais absoluta imparcialidade e rigor científico, contribuindo para a resolução dos crimes com respeito aos direitos individuais.
A imparcialidade da função pericial também tem sido discutida em outros países. Koppl (2007), por exemplo, cita que, dentre oito características das ciências forenses, nos
Autonomia Funcional Autonomia Técnica Autonomia Científica
EUA, que podem comprometer o trabalho da perícia, uma delas diz respeito ao viés ou
tendenciosidade (“bias”) do perito na realização de seus exames, como consequência de sua
vinculação ao órgão policial (law enforcement agencies). Para Koppl, a relação institucional entre o órgão pericial e o policial cria um viés pró-acusação. Em razão disso, há algum tempo já se vem discutindo nos EUA a necessidade de se criar uma estrutura própria e autônoma para a perícia criminal (Nacional Institute of Forensic Science-NAS), conforme propõe recentemente o já mencionado estudo publicado pela NAS (2009).
Nesse contexto, para SILVA (2009), a proximidade, ou mesmo o exercício da função pericial no órgão que realiza a investigação policial, “é mais um fator que contribui para uma maior possibilidade de ingerência na atividade pericial”. Para o jurista Ives Gandra (2008), enquanto o Ministério Público, na função acusatória, e a Polícia Civil, na função investigativa, têm o dever funcional de suspeitar, para bem conduzir e aprofundar a investigação criminal, o trabalho da perícia criminal não pode alicerçar-se na suspeita e nem na acusação, mas na imparcialidade da aferição das provas, razão pela qual deve apresentar natureza técnico- científica e objetiva. Fachone (2008) corrobora com essa ideia ao dizer que a situação de imparcialidade, ou seja, de não parte, é central para a credibilidade da atividade pericial.
Como não foram identificados na pesquisa bibliográfica estudos empíricos que tratem da relação entre a subordinação da Perícia Oficial à Polícia Judiciária e o risco da perda da imparcialidade da atividade pericial, este estudo pretende contribuir com esse debate ao revelar, com base nos resultados da pesquisa de campo, a percepção dos sujeitos da pesquisa quanto à possibilidade da ocorrência desse risco. Para esse fim, a Questão nº 16 levou os respondentes a refletirem se a proximidade física entre o Perito Criminal Federal e os demais policiais que conduzem ou participam das investigações policiais, quando inseridos em um mesmo órgão, pode exercer alguma influência psicológica sobre o perito no sentido de adotar na conclusão dos seus exames, mesmo que de forma involuntária, a tese da investigação policial, comprometendo, assim, o requisito de sua imparcialidade?
Embora não se possa generalizar, além do risco à garantia da imparcialidade, outro motivo identificado na pesquisa bibliográfica que tem fundamentado a busca pela autonomia da Perícia Oficial diz respeito aos poucos investimentos realizados na área pericial pelos gestores das Polícias Judiciárias, além da própria desvalorização da carreira pericial. Durante muito tempo, os investimentos na segurança pública neste país restringiram-se à atividade repressiva do Estado, razão pela qual, a Criminalística tem passado por muitas dificuldades estruturais para o desenvolvimento de seu trabalho, seja em termos de instalações físicas, de estrutura de apoio, de parque tecnológico ou de contratação e treinamento de pessoal.
Para a Associação Brasileira de Criminalística (ABC), diante dessas dificuldades, o marco histórico do movimento em busca de uma nova estrutura para Perícia Criminal Oficial
no Brasil ocorreu com o “I Encontro Nacional de Peritos Oficiais”, realizado em 1988, na
cidade de Goiânia-GO. Ao final desse encontro, ficou definido que a autonomia da Criminalística seria o principal objetivo a ser trabalhado pelos peritos criminais. A partir daí, o movimento ganhou força nos estados e, conforme já mencionado, atualmente, esse processo de autonomia já foi implantado em 17 unidades federadas (ver APÊNDICE B).
Portanto, pode-se dizer que a autonomia da Perícia Oficial no Brasil está associada, de forma conjunta, a quatro motivações básicas, as quais estão direta ou indiretamente vinculadas à própria segurança jurídica do processo penal:
a) estrutural: decorrente da falta de investimentos adequados na atividade pericial, seja em termos de estrutura física, de pessoal ou do parque tecnológico;
b) ontológica: refere-se à necessidade de posicionar os órgãos periciais em uma estrutura que assegure o princípio da imparcialidade na atividade pericial;
c) teleológica: se a função pericial transcende a fase pré-processual e serve de suporte decisório para todos os atores do Sistema de Justiça Criminal (Figura 2), tendo a Justiça como destinatária final de seu produto, por que, então, mantê-la inserida na estrutura da Polícia Judiciária?;
d) corporativa: trata-se da busca de garantias para o cargo de perito criminal e de melhores condições de trabalho em seu dia-a-dia.
Quanto à Perícia Criminal Federal, não foi identificado na pesquisa bibliográfica nenhum registro histórico que demonstre a manifesta intenção dos peritos ou dos gestores da Polícia Federal de desvinculara perícia da estrutura deste órgão policial. Contudo, tem-se observado que os Peritos Criminais Federais, principalmente na figura de sua associação de classe, têm participado de forma mais ativa dos últimos fóruns públicos que debateram a autonomia da Criminalística, a exemplo da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (2009), da Audiência Pública realizada pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, em 29/11/2011, da Audiência Pública realizada pelo CONASP, em 27/02/2012, etc.
Dentre esses fóruns, a 1ª CONSEG é considerada o primeiro grande evento público em que a autonomia da Perícia Oficial foi discutida pelos trabalhadores e gestores da segurança pública do país, assim como pelos representantes da sociedade civil organizada. A partir daí, os debates em torno desse tema têm extrapolado os limites das categorias de classe
e do próprio órgão policial, conforme demonstram a seguir alguns atos normativos e administrativos aprovados pelo Governo Federal nos últimos anos.
2.3.7 A autonomia da Criminalística como uma política nacional de segurança pública