4. UYGULAMA
4.6 Çalışmada Kullanılan Değişkenlerin Volatilite Endeksleri
4.6.2 İMKB Ulusal-100 Endeksi Volatilitesi ile Diğer Değişkenlerin
4.6.3.5 VİMKB Ulusal 100, VİMKB İşlem Miktarı, VTEFE, VSanay
O anticomunismo no Brasil surgiu após a Revolução Russa de 1917, tendo em vista que o evento teve proporções e reações internacionais. Os países capitalistas temiam que as massas proletárias tivessem algum tipo de influência daquilo que ocorrera na Rússia. Deu início, então, a uma série de propagandas anticomunistas nesses países. Na década de 1930 o Brasil contou com o apoio de nações estrangeiras na repressão aos ideais comunistas e depois da Segunda Guerra Mundial o país estabeleceu alianças com os Estados Unidos nos projetos anticomunistas. Sendo assim, os modelos anticomunistas brasileiros eram, sobretudo, estrangeiros, muito embora tenha havido também projetos originais no país. Há várias citações no jornal Mensageiro da Paz a respeito do “perigo que vem da Rússia”. O pastor Athayde Magalhães escreveu a respeito de suas impressões sobre o comunismo
Nunca é demais advertimos sobre as falsas ideologias e sua ação deletéria sobre a sociedade humana que é a fé cristã. Por que devemos combater o comunismo? Quais danos, os processos que êle adota para infiltrar-se nos organismos sócio-econômicos, políticos e educacionais? Historicamente, o Comunismo se filia a Karl Marx. Elaborou as linhas mestras do pensamento comunista. Estas linhas foram prolongadas por pensadores de muitos países, especialmente por Lennine (da Rússia). Foi implantado na Rússia em 1917 e expandiu-se por vários países (MP, n. 18, p. 2, 1964).
Foi a partir de 1950 que a doutrina anticomunista foi mais disseminada na América Latina com o decisivo apoio e financiamento dos Estados Unidos. Entretanto, nesse período o comunismo não era uma preocupação central de governantes como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, tendo em vista que suas prioridades era a industrialização brasileira (MOTTA, 2000). Dessa forma, os Estados Unidos passaram a dialogar sobre o anticomunismo com as forças armadas, religiosos e políticos conservadores; e a imprensa brasileira teve um significativo papel na divulgação da propaganda anticomunista. Nas décadas de 1950 e 1960 a organização religiosa Movimento Por Um Mundo Cristão transmitia em Belo Horizonte um programa de televisão dedicado a divulgar o anticomunismo. No campo da disputa política foi criada a Aliança Eleitoral Pela Família (ALEF), agremiação política dedicada a agregar candidaturas que se mostravam contrárias ao comunismo e a temas como o divórcio.
No início da década de 1960 quando começaram a surgir grupos progressistas no catolicismo, como foi a Juventude Universitária Católica (JUC), a cúpula da Igreja intensificou sua atuação contra as ideias comunistas. Difundiam-se informações que católicos ligados a esses movimentos eram pessoas infiltradas pelos soviéticos a fim de disseminar o comunismo entre brasileiros. As lideranças católicas desconfiavam que esses militantes eram comunistas disfarçados de católicos. Rodrigo Motta (2000) analisou sete Cartas Pastorais nas quais os bispos no Brasil alertavam os fiéis contra o “perigo vermelho”. Dom João Becker, bispo de Porto Alegre, escreveu: O comunismo russo e a civilização christã; Carta Pastoral e
Mandamento do Episcopado Brasileiro sobre o Comunismo Ateu, escrita por vários bispos. O
bispo Gastão Liberal Pinto, de São Carlos, publicou a carta sobre o comunismo: Carta Pastoral
prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista teve a autoria do bispo de Campos,
Dom Antônio de Castro; Dom Geraldo de Proença, então bispo de Diamantina, escreveu a
Carta Pastoral sobre a seita comunista, seus erros, sua ação revolucionária e os deveres dos católicos na hora presente; houve ainda a Carta Pastoral contra o comunismo, dos bispos da
Bahia e O comunismo e o momento nacional, dos bispos do Rio Grande do Sul.
Nesse período, o pastor assembleiano Abraão de Almeida também escreveu um livro relacionado ao comunismo chamado Gogue, Magogue e o Anticristo. Nesse texto, a Rússia é identificada com os reis maus de Gogue e Magogue citados pelo profeta bíblico Ezequiel. Nesse sentido, o Comunismo da União Soviética representaria também o lugar de onde chegaria o Anticristo. Essas doutrinas, além de influenciarem o imaginário religioso anticomunista, também favoreceram o surgimento de inusitadas especulações escatológicas que apontavam o presidente russo Mikhail Gorbachev como um possível Anticristo. Essas crenças que
associavam o comunismo soviético com doutrinas religiosas foram muito difundidas nas ADs, principalmente por intermédio das Lições Bíblicas usadas nas Escolas Dominicais nas décadas de 60,70 e 80.
Desse modo, o comunismo era identificado com a imagem do mal, de modo que no imaginário da época ele traria sofrimento, fome, miséria e escravidão (MOTTA, 2000). Além do sofrimento, os grupos mais conservadores acreditavam que o comunismo acarretaria, acima de tudo, o aumento do pecado, tendo em vista que ele questionava a moral cristã e seria favorável a temas como o amor livre e o aborto. Com efeito, foram atribuídas qualidades maléficas aos comunistas. E, por fim, associou-se o comunismo ao demônio, de modo que sua ascensão faria parte dos propósitos do diabo e por isso era uma trama diabólica. As representações satânicas no comunismo serviam não apenas para influenciar a sensibilidade religiosa das pessoas, mas também para criar um clima de medo e de receio das doutrinas comunistas.
Uma série de representações zoomórficas foi usada para retratar o comunismo; as mais usadas foram serpente, bode e dragão, todas, imagens ligadas ao imaginário religioso. Rodrigo Motta (2000) analisa a imagem da serpente que era usada para representar o comunismo. De imediato, seu significado simbólico remete a um animal que é venenoso e mortal. Como animal que rasteja essa simbologia apontava para a ideia de que os comunistas estariam sempre na espreita para se infiltrarem de maneira ardilosa. Na concepção cristã oriunda da narrativa bíblica de Adão e Eva a serpente é um animal ligado à sedução e ao erotismo e que por consequência levaria ao pecado e à queda. Além de imaginário religioso, houve representações do comunismo de ordem patológica. Expressivos jornais da época diziam que era preciso desintoxicar o organismo nacional do micróbio comunista; outros diziam que era preciso imunizar a nação brasileira da peste vermelha; ou que o comunismo era como um corpo estranho e infeccioso que corria o risco de infectar o organismo social (MOTTA, 2000).
Além desses imaginários havia também aquele ligado a valores morais cristãos, os quais estariam em risco em razão da escalada comunista. Assim, os que se associavam ao comunismo eram considerados corruptos, mentirosos, sedutores, entre outras características. Desse modo, cristãos acreditavam que o comunismo minaria os valores basilares da sociedade. A moral sexual e a estrutura familiar deveriam ser protegidas, diziam os anticomunistas. Esses imaginários ligados a outros fatores políticos e sociais levaram ao golpe civil-militar em 1964. Em 1961 já havia movimentos entre os militares para um possível golpe. Naquele ano, Jânio Quadros renunciou à presidência da República e, na ocasião, seu vice João Goulart estava numa viagem oficial à República Popular da China. Quando o cargo de presidente ficou vago
os ministros do Exército, Marinha e Aeronáutica interviram impedindo que Jango, como o presidente era conhecido, assumisse o governo, pois segundo eles caso isso acontecesse o país entraria num processo de desestabilização e caos. Entretanto, essa manobra dos militares era constitucionalmente ilegal. O então governador do Rio Grande do Sul – Leonel Brizola - liderou um movimento de resistência, de modo que após ampla movimentação e negociações João Goulart tomou posse em setembro de 1961, mas isso se deu mediante um sistema parlamentarista.
A posse de João Goulart significou uma tentativa de reatualizar o legado de Vargas, principalmente mediante o nacional-estatismo (REIS, 2014). Em 1962 é apresentado o programa das reformas de base que eram assim distribuídas: reforma agrária, com o objetivo de terminar com o monopólio da terra e facilitar o surgimento de pequenos proprietários;
reforma urbana com fins a corrigir os problemas oriundos do crescimento desordenado das
cidades; reforma bancária para um maior controle do Estado no sistema financeiro; reforma
eleitoral onde seriam incluídos os analfabetos que nesse período correspondiam à metade da
população adulta do país; reforma do estatuto do capital estrangeiro, com objetivo de limitar a remessa de lucros para o exterior e implementar a estatização de setores da indústria de base (REIS, 2014); e a reforma universitária a fim de democratizar o ensino no Brasil. Esse reformismo gerou debates no país com a presença dos movimentos sociais, tanto na cidade como no campo. Jango precisava retomar os plenos poderes presidenciais, que eram limitados pelo sistema parlamentarista. Assim, em janeiro de 1963 foi realizado um plebiscito onde a maioria da população escolheu a volta do regime presidencialista. Jango, então, recupera seus plenos poderes presidenciais para tentar implementar as reformas que programara.
Nas eleições de 1962 houve um crescimento de forças de direita na Câmara Federal e também nos governos estaduais, de modo que as reformas propostas não agradaram os políticos e setores mais conservadores da sociedade brasileira. Muitos desses temiam a ascensão de lideranças populares. Além disso, não lhes agradavam as reformas que previam a redistribuição da riqueza nacional. Para eles o Brasil estaria prestes a entrar num clima de desordem e caos. Esse sentimento era ainda mais alimentado pela ameaça vermelha. Somavam-se a isso os eventos mundiais no contexto da Guerra Fria: as Revoluções em Cuba e na Argélia; os conflitos no Vietnã e outros tantos movimentos revolucionários de caráter socialista. Enfim, temia-se que o nacional-estatismo levasse o Brasil ao comunismo assim como havia ocorrido em Cuba. A fim de impulsionar as reformas, Jango promoveu um comício em 13 de março no centro do Rio de Janeiro. Na ocasião, 350 mil pessoas ligadas à esquerda estiveram presentes (REIS, 2014). Três dias depois foi realizada em São Paulo a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
Segundo as estimativas dos organizadores do evento, estiveram presentes 500 mil pessoas que representam as direitas; ela recebeu significativo apoio do governador Adhemar de Barros.
O que se seguiu a esses acontecimentos foi a ordem do general Olympio Mourão Filho, em 30 de março de 1964, para que os soldados sediados em Juiz de Fora fossem para o Rio de Janeiro. Segundo eles, era necessário salvar a democracia do comunismo e da corrupção. Mais uma vez, mediante um artigo do jornal Mensageiro da Paz assinado pelo pastor Athayde Magalhães comemorou o ocorrido, pois segundo ele “a Revolução veio desarticular o comunismo, a subversão e a corrupção” (MP, n.19, p. 2, 1964). Jango fugiu do Rio de Janeiro para Brasília e de lá para Porto Alegre. Brizola tentou convencer Jango de se fazer uma resistência ao Golpe; entretanto, o general Ladário Pereira Telhes, que inclusive diz que estaria pronto para lutar, disse que as chances de vitória eram inexistentes (REIS, 2014, p. 78). Para comemorar as direitas saíram às ruas, de modo que em abril de 1964 foi realizada mais uma expressiva Marcha da Família com Deus pela Liberdade pelas ruas do Rio de Janeiro.