4.4. Girdiler ve Çıktılar
4.4.5. Kamu Üniversitelerinde PEBS
4.4.5.3. Verimlilik Analizi
Diferentemente do conhecimento científico, cuja realidade objetiva é refletida no universal, na possibilidade de compreender toda e qualquer relação entre os fenômenos da natureza e suas determinações, Lukács sinaliza que o movimento no qual o artista reflete a realidade objetiva recebe forma no particular. Esta centralidade do particular na estética é resultado do já referido rompimento com a filosofia idealista. O mundo refletido fundamental para a concepção materialista da estética se torna possível a partir de um movimento dialético que atua sob a unidade conteudística e formal do mundo refletido, que inibe qualquer possibilidade de um caráter mecânico e fotográfico do reflexo da realidade. Realidade esta que se apresenta através de questões e problemas socialmente condicionados que se transformam historicamente, como ressalta Lukács (1967a; 1970).
A função mediadora da particularidade que opera na singularidade e na universalidade constitui um ponto médio, um ponto que capta a transitoriedade dos extremos e desvela o
68 reflexo estético, a reprodução da vida material e suas contradições na obra de arte. O reflexo artístico tem sempre como base a sociedade em sua relação com a natureza. Só pode expressar esta natureza sobre a base da sociedade, de forma que as relações materiais da vida suportem a expressividade do reflexo estético, ou inversamente, que o reflexo estético seja em si a realidade refletida (LUKÁCS, 1966a).
A singularidade está estreitamente ligada ao contato primário do homem frente ao objeto e a relação estabelecida deste com outros objetos. Um objeto singular percebido se apresenta diante de nós como conhecido a partir do momento que conseguimos relacionar as características deste objeto frente a outros análogos. Desta forma, assumimos que estes objetos, apesar de singulares, apresentam propriedades que indicam suas conexões (LUKÁCS, 1967a). A percepção e representação que criamos destes traços comuns dos objetos singulares, seus nexos, nos guiam a uma generalização conceitual destes objetos – como é ocorre com a linguagem. No caso da linguagem, Lukács (1967a) destaca que o processo de generalização demanda, anteriormente, um trabalho de captação muito preciso da objetividade, por consequência, uma expressão mais exata possível das determinações específicas do objeto singular em análise, e ao mesmo tempo, abarcando as conexões deste objeto junto a outros.
A universalidade assim colocada em prática é a que eleva as palavras ao nível do conceito, e cria, por outro lado, conexões entre elas – tanto universalizantes quanto singulares – que fazem da frase, de sua estrutura sintática, o verdadeiro fundamento da linguagem13 (LUKÁCS, 1967a, p. 201)
O processo de universalidade e conceituação exposto por Lukács (1967a) na análise da linguagem também contém em si diferenciações que nos permitem captar a peculiaridade da particularidade, tanto na prática quanto na reflexão sobre esta prática. A referência tomada para uma universalidade concreta se situa, de certa forma, próxima à singularidade de um objeto observado, preservando momentos essenciais de uma aparente singularidade imediata. Por outro lado, absorve na própria universalidade a singularidade do objeto, suspendendo-a, de forma que esta só reapareça quando da aplicação dos aspectos gerais a um novo caso singular concreto.
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La generalización así puesta en marcha es la que eleva las palabras a la altura de la conceptualidad, y crea por otra parte entre ellas conexiones – a la vez de generalizadoras y especificadoras – que hacen de la frase, de su estructura sintáctica, el verdadero fundamento del lenguaje.
69 De acordo com Lukács (1967a), a questão da particularidade surge exatamente quando este processo se dá de forma consciente, em sua reação com a singularidade e universalidade, de maneira que a consciência percebe e converte os objetos em pensamento, pensamento este que não representa um ponto final, mas que está diretamente conectado com a realidade. A particularidade não opera como uma universalidade relativa, ou como um caminho que leva o objeto singular à sua universalização (e vice-versa). A particularidade deve ser encarada como “a mediação necesaria – produzida pela esencia da realidade objetiva e imposta por ela ao pensamento – entre a singularidade e a universalidade14” (LUKÁCS, 1967a, p. 202).
O reflexo estético caracteriza a expressão da universalidade operada na particularidade do objeto artístico. Evidentemente que outras nuances implicam a objetividade da forma e do conteúdo artístico. Além disso, deve-se ressaltar que a obra de arte não contém em si todo caráter extensivo de seu objeto real, mas sim expressa em seu conteúdo e forma a totalidade intensiva a partir de mediações em movimento (LUKÁCS, 1966a). A obra de arte, que contém em si o reflexo estético, depende do período, do gênero e da individualidade do artista, mas deve, necessariamente, discutir a totalidade dos problemas de sua época. Ausência desta discussão nas obras sinalizaria a carência de real universalidade e a enunciação de universalidades não retratadas artisticamente – falsas e distorcidas como conteúdo. Sendo a arte uma tomada de consciência do mundo exterior, seu caráter estético se caracteriza como o reflexo da realidade a partir do olhar do artista e da apreensão do objeto artístico (LUKÁCS, 2010).
Esta relação da obra de arte com os problemas da realidade na conversão da singularidade- particularidade e particularidade-universalidade ressoa também na teoria do conhecimento, na qual o real conteúdo é a posição da obra de arte frente a realidade, o modo, a intensidade e a profundidade com que a obra de arte mostra realidade, ou seja, o reflexo estético. É justamente na particularidade que se manifesta esta posição da obra de arte face à realidade, bem como sinaliza Lukács (1970) ao diferenciar o drama e o épico.
Tomemos a diferença entre drama e épica (notadamente em suas formas romanescas modernas). É imediatamente evidente que o drama concebe muito mais universalidade, com relação à épica, suas figuras e suas situações; que os traços da singularidade aparecem nele em muito menor
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la mediación necesaria – producida por la esencia de la realidad objetiva e impuesta por ella al pensamiento – entre la singularidad y la generalidad.
70 número, muito menos detalhadamente; todo detalhe individual tem no drama um acento simbólico-sintomático, que só pode e só deve ocorrer na épica em medida muito menor. (...) Mas, observando bem, vê-se que nestes casos formulavam-se pretensões naturalistas em face do drama ou pretensões formalistas em face da narrativa; que não ocorria um exame ou aprofundamento estético da essência da dramática ou da épica, mas sim tendências ao enrijecimento ou à dissolução de suas formas específicas). Em suma: isto significa que o drama tende geralmente a estabelecer mais perto da universalidade o ponto central da cristalização no particular, enquanto este ponto parece na épica ser impulsionado na direção da singularidade (LUKÁCS, 1970, p. 156-157)
É possível identificar que a distinção entre os gêneros refletem a diferenciação histórica do seu tempo, além da trazerem particularidades distintas no processo de mediação do singular e do universal, ora tendendo a se aproximar de um dos extremos, ora noutro. Para Lukács, caracteriza aqui um velho e difícil problema da estética, ao considerar a unicidade e incomparabilidade da obra de arte, que para Kant de resolvia no belo a partir das regras oferecidas na natureza ao sujeito – donde recobra a figura do gênio em sua plenitude, já mencionada anteriormente. Kant (1995) esboça claramente a impossibilidade de se estabelecer regras para uma lei estética, dado que a obra de arte é, para ele, o singular produto da subjetividade humana. A primazia do belo se dá a partir de uma antinomia. De um lado, o juízo do gosto determina o belo a partir do ângulo de contemplação, sendo esta contemplação pretensiosamente objetiva. Por outro lado, este mesmo juízo não pode ser demonstrado, ocorrendo de forma subjetiva (LIFSCHITZ, 2010).
Lukács (1970) sinaliza que o problema das leis estéticas nas obras de arte permanece, não obstante o pensamento metafísico kantiano. A resposta para está na formulação geral das contradições do desenvolvimento artístico, de forma que o particular, carregado de mediações concretas, possa ser o intermédio concretizante, negando o curso que vai da regra (abstrato universal) ao singular (gênio). O particular é, no reflexo estético, o ponto central organizador de um campo em movimento, tanto ponto de partida quanto de chegada (LUKÁCS, 1967a).
No reflexo estético, a particularidade na arte não é uma instância que pretende se apresentar ao mesmo tempo como ideia e realidade objetiva. A obra de arte, ou seja, a forma autônoma da particularidade, é uma criação humana e não pretender ser a realidade tal qual é a realidade objetiva. A obra de arte se coloca à nossa frente como uma “realidade” a partir das nossas ideias, desejos, de forma que nós não possamos alterá-la; devemos aceitá-la como tal, ou rejeitá-la subjetivamente. O reconhecimento do ser frente à obra de arte e as contradições da
71 vida concreta que a obra apresenta se dão pela elevação da singularidade ao nível da particularidade, a partir da sensibilidade imediata.
Através deste mecanismo a obra emana o particular em cada singularidade; da mesma forma, somente assim a obra pode incorporar e oferecer a esta experimentação a particularidade de um mundo representado. É a partir destes movimentos que a obra reflete a estrutura da realidade objetiva, sendo “um reflexo de nexos e de formas fenomênicas essenciais da própria realidade”, como bem sentencia Lukács (1970, p. 164). Os caminhos percorridos pela verdadeira obra de arte se originam na realidade social, e sua eficácia só é assegurada se esta obra for reconduzida à realidade social.