BÖLÜM 3: ARAŞTIRMA
3.1. Araştırmanın Yöntemi
3.1.3. Verilerin Toplanması
Para responder à questão de pesquisa, optou-se por realizar entre- vistas com vários agentes envolvidos no processo de inclusão escolar – professoras, diretora e membros da Secretaria de Educação e Cultura (coordenadora da área de Educação Especial, Terapeuta Ocupacional e Pedagoga). Tais critérios de seleção dos sujeitos foram considerados para permitir uma visão mais ampla sobre o tema, promovendo os vários
olhares sobre um mesmo assunto.
Sabe-se que os olhares dessas seis participantes, mesmo que distintos em faixa etária, local de trabalho e função exercida, não abrangem toda a extensão sobre a inclusão educacional, mas como aponta André (1996), a pesquisa qualitativa, por sua natureza, pode permitir generalizações.
As participantes selecionadas para esta pesquisa, por questões éticas, não tiveram seus nomes citados, visando manter dessa forma a privacidade de cada uma. Eles serão identificados pelo cargo que ocupam.
Professora 1 – é a professora da 4a série. Tem aproximadamente 30
Específica para o Magistério, mas não foi atuar como docente. Optou por trabalhar em uma indústria da cidade, mas foi dispensada após um ano de serviço. Estando desempregada, resolveu montar um negócio próprio, que não deu certo. Diante da situação, prestou o concurso que a prefeitura estava oferecendo para professores do ensino fundamental (ciclo 1). Passou no concurso e foi chamada para lecionar. Como ficou com receio de que apenas o curso de magistério não fosse o suficiente para lhe fornecer subsídios para o exercício docente, optou por iniciar o curso superior em Pedagogia. Sendo assim, iniciou sua carreira docente junto com sua graduação. Lecionou para a 1a série, durante os três primeiros anos de sua profissão e agora atua junto a uma 4a série.
Professora 2 – é a professora da 3a série. É uma professora que tem
em torno de 50 anos e possui uma trajetória profissional que não se restringe à cidade onde atua no momento. Ela cursou a Habilitação Específica para o Magistério e logo em seguida participou de um curso de especialização para trabalhar com crianças deficientes28 oferecido pelo MEC. Este curso teve a duração de três meses e lhe possibilitou iniciar sua carreira fazendo substituições na APAE. Depois de um ano como substituta, foi convidada por uma amiga para trabalhar em uma escola maternal (rede particular), na qual ficou por seis anos. Durante o tempo em que trabalhou nessa instituição, cursou a graduação em Pedagogia. Prestou concurso para professora da rede municipal de São Paulo, para onde se mudou. Em São Paulo, lecionou por dois anos em uma escola de educação infantil da rede particular, cujo objetivo era garantir a alfabetização. Foi chamada pela prefeitura para trabalhar com as séries iniciais de escolas da periferia e lá atuou por oito anos, sempre alternando a 1a e a 2a séries do
28
ensino fundamental. Em função de ter que se mudar de cidade, ficou oito anos longe das salas de aula.
Quando retornou para sua cidade, na qual a pesquisa foi realizada, começou a fazer substituições na rede municipal e estadual até prestar o concurso que a prefeitura ofereceu para professores das séries iniciais e educação infantil. Passou no concurso e foi chamada para atuar na rede com uma 1a série. Ficou um ano como professora e foi chamada para assumir o cargo de coordenadora pedagógica na mesma escola (a ser inaugurada na ocasião) em que atua. Aceitou o cargo e o exerceu por um ano, retornando para a sala de aula no ano seguinte. Naquela época, prestou um concurso promovido pelo SESI e foi chamada para assumir a 4a série do ensino fundamental. No momento atual ela acumula os dois trabalhos: de manhã na prefeitura e à tarde no SESI.
Diretora – Tem em torno de 40 anos de idade e já atua na rede municipal de ensino há dezoito anos. Iniciou sua carreira docente, através de concurso, como professora efetiva na área de educação infantil, assim que concluiu seu curso de Habilitação Específica para o Magistério. Atuou doze anos como professora de pré-escola e durante este tempo fez a graduação em Pedagogia. Possuindo curso superior e experiência como docente, foi convidada a assumir o cargo de coordenadora pedagógica de um Centro de Atendimento Integrado à Criança, que exerceu por um ano. Ao final deste um ano de experiência como coordenadora pedagógica, foi convidada a assumir a direção de uma escola que seria inaugurada naquela ocasião. Atua nessa escola, como diretora, até o presente momento.
Possui um filho com NEE que não freqüenta a rede regular de ensino. Ela optou por colocá-lo em uma instituição especializada.
Pedagoga – Pedagoga da Secretaria de Educação e Cultura, cujo trabalho é voltado para o combate ao racismo, discriminação e preconceito. Tem aproximadamente 35 anos e iniciou sua carreira há cinco anos como professora das séries iniciais. Durante a graduação em Pedagogia, fez parte de um grupo de estudos da cultura afro-brasileira, para o qual contribuiu como pesquisadora. Após a graduação, ingressou no mestrado, dando continuidade aos estudos relacionados à cultura afro-brasileira, investi- gando as relações raciais, através de histórias de vida de pessoas negras. Quando passou no concurso da prefeitura e começou a lecionar, procurou levar para a sala de aula toda a vivência e experiência adquirida através de seus estudos. Em função de seu desempenho, foi convidada a fazer parte da equipe da Secretaria de Educação e Cultura, que trabalha diretamente com o tema inclusão educacional. A sua atuação consiste em orientações peda- gógicas voltadas tanto para os professores quanto para diretores e, quando necessário, envolve orientações, debates ou algum outro tipo de inter- venção junto aos alunos.
Terapeuta Ocupacional – É Terapeuta Ocupacional da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, que atua junto aos alunos considerados em situação de risco29. Quando estas crianças começam a apresentar um comportamento inadequado, complexo e freqüente dentro da escola, ela é comunicada sobre o fato pela direção da unidade escolar. Tendo conhecimento do caso e analisando sua gravidade, procura entrar em contato com a realidade vivenciada pelo aluno fora da escola, para verificar o que está ocorrendo. Sua intervenção ocorre primeiramente junto às crianças e às famílias, fornecendo, posteriormente, orientações para os professores e a direção.
29
Situação de Risco – para a Terapeuta Ocupacional, crianças que sofrem maus tratos, que foram abu- sadas sexualmente, que vivem na rua ou que já viveram na rua, podem ser consideradas como em situação de risco. São crianças que apresentam, o que ela denomina de vulnerabilidade social.
Tem aproximadamente 30 anos, cursou a graduação em Terapia Ocupacional e fez um curso de aprimoramento para trabalhar com adolescentes em condição infracional, com os quais atuou em torno de dois anos. Há três anos foi chamada para trabalhar na Secretaria de Educação e Cultura, aplicando seus conhecimentos para o público de crianças de Educação Infantil e séries iniciais (1a a 4a série). Nessa ocasião iniciou o mestrado, contemplando a questão de crianças em situação de risco.
Coordenadora – É a coordenadora pedagógica da área de Edu- cação Especial da Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Tem aproximadamente 40 anos, é formada em Terapia Ocupacional e fez mestrado na área de Educação Especial. Tem larga experiência, como terapeuta, no atendimento de crianças com NEE, em instituições de aten- dimento especializado. Já atuou como coordenadora de uma unidade de serviço educacional especializado, na qual mantinha contato direto com os professores que lidavam com os alunos recebidos. Na Secre- taria de Educação e Cultura, é responsável por toda e qualquer decisão que envolva a inclusão de um aluno portador de necessidade especial30 na rede municipal. Coordena o trabalho realizado nas salas de recurso, assim como os 17 (dezessete) professores responsáveis por elas e mais quatro profissionais da equipe de apoio.
Procura orientar os profissionais que trabalhar nas salas de recursos para que estes possam auxiliar os professores das salas de ensino regular. Quando necessário sua intervenção é direcionada à direção ou, se preciso, a equipe de professores da unidade escolar.
Tabela 3 – As participantes.
30
Portador de Necessidade Especial – a Coordenadora indica que os portadores de deficiências sensoriais como deficiência visual, deficiência auditiva, portadores de deficiências múltiplas, física, conduta típica e altas habilidades são considerados portadores de necessidades especiais.
Identificação das participantes
Identificação Idade Formação Profissão Exercida Tempo de Atuação Professora 1 Aproximadamente 30 anos Magistério e Pedagogia Professora 4 anos Professora 2 Aproximadamente 50 anos Magistério, Especia- lização em Defici- entes31 e Pedagogia Professora 22 anos Diretora Aproximadamente 40 anos Magistério e Pedagogia Diretora 18 anos Pedagoga Aproximadamente 35 anos Pedagogia e Mestrado Pedagoga da Secreta- ria de Educação e Cul- tura 5 anos Terapeuta Ocupacional Aproximadamente 30 anos Terapia Ocupacio- nal e Mestrado (cursando) Terapeuta Ocupacio- nal da Secretaria de Educação e Cultura 4 anos Coordenadora Aproximadamente 40 anos Terapia Ocupacio- nal e Mestrado Coordenadora Peda- gógica da área de Edu- cação Especial da Se- cretaria de Educação e cultura
18 anos
Tendo finalizado o capítulo referente aos procedimentos metodo- lógicos, passa-se agora ao capítulo que contemplará a apresentação e análise dos dados coletados.
Foram utilizados três instrumentos para a coleta dos dados: aplicação de questionários, observações e entrevistas.
Estas três ferramentas mostram-se riquíssimas em termos de coleta de informações, complementando-se em vários casos. No entanto, tiveram
31
objetivos distintos no momento da aplicação e, portanto forneceram informações de ordem diversa.