BÖLÜM 2: POLİTİK DAVRANIŞLAR
2.8. Politik Davranışın Sonuçları
Visando responder à questão de pesquisa, alguns caminhos foram percorridos:
• primeiramente foi feito um levantamento das Escolas Municipais de Ensino Básico da rede Municipal com perfil para participar da pesquisa.
O critério estabelecido para a seleção das escolas foi a clientela recebida – esta parte da pesquisa foi realizada nas escolas que se localizam na periferia da cidade e que recebem crianças da zona rural ou da favela. Esta escolha se deu em função de dados referentes à área da Educação Especial e alguns estudos realizados com alunos portadores de neces- sidades educativas especiais (Rosemberg, 1998) indicarem que o maior número de crianças encaminhadas ao ensino especial, ou que ficam no ensino regular apresentando dificuldades de aprendizagem, são meninos, de classe baixa, residentes na periferia, favela ou zona rural e têm entre 9 e 10 anos (geralmente as dificuldades aparecem na 3a série);
• após ter selecionado as escolas com perfil para participar da pesquisa, foi aplicado um questionário às professoras (mulheres em sua totalidade) dessas escolas, identificando o tipo de formação que tiveram, o tempo de experiência, qual o sentimento que tinham em relação ao grupo e o que consideravam como alunos ideais (anexo1). Tal fase foi necessária para se obter uma visão inicial sobre as concepções que os profissionais têm sobre a inclusão e para identificar qual escola teria disponibilidade e interesse em participar da pesquisa e também qual ou quais professoras poderiam ser entrevistadas posteriormente.
Antes de aplicar o questionário, a escola era contatada por tele- fone, agendando um horário para que os objetivos da pesquisa fossem apresentados, tanto para a direção quanto para os professores.
Essa fase foi muito difícil, pois se tornou evidente certa resistência por parte de algumas escolas municipais em participar da pesquisa. Algumas alegavam falta de tempo para que as professoras respondessem ao questionário, outras diziam que a teoria em nada adiantava, que ninguém iria lá dar aula no lugar delas. “Vocês vêm aqui, fazem pesquisa e falam
quem tem que ajudar o que usa cadeira de rodas somos nós. A teoria é bonita, mas a realidade é outra” (relato de uma professora).
Os questionários foram entregues aos professores de três escolas da rede municipal de ensino fundamental selecionadas para a pesquisa, con- forme apontado anteriormente. Uma das escolas selecionadas recebeu o questionário, pediu uma semana para respondê-lo e todas as professoras o entregaram em branco. As 18 professoras da escola se negaram a participar da pesquisa. Segundo relato da diretora, naquele momento, qualquer parti- cipação externa à instituição poderia ser complicada. Mas não explicou por quais motivos. Sinalizou também que a Universidade costuma coletar dados nas escolas e não dar retorno ao local onde a pesquisa foi realizada.
Em uma outra instituição, que aceitou participar da pesquisa, uma das professoras se manteve o tempo todo virada de costas para mim enquanto eu falava sobre o questionário. Quando ele foi entregue para que elas o levassem para casa e o respondessem, ela se negou a pegá- lo. Disse que já tinha muito o que fazer, que não tinha tempo a perder com modismos.
Como o retorno dos questionários aplicados junto às escolas selecio- nadas foi bastante reduzido, ele também foi aplicado às alunas, que já lecionam na rede municipal, de um curso de Pedagogia ministrado na cidade. A opção por aplicar os questionários às professoras cursando Peda- gogia se deu em função de tentar obter uma visão inicial mais abrangente sobre o tema, já que o retorno dos questionários enviados ao público selecionado inicialmente foi reduzido.
No total, foram aplicados 95 questionários, sendo que 34 foram respondidos24 e 61 retornaram em branco. Os resultados obtidos nessa fase podem ser observados na tabela abaixo.
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Este questionário foi aplicado exclusivamente a professores, portanto a equipe da secretaria Municipal de Educação não o respondeu.
Tabela 2
Questionários enviados Questionários respondidos Questionários em branco 95 100% 34 36% 61 64% • Após a análise dos questionários25
, foi verificado que apenas uma das escolas sinalizou interesse e disponibilidade em participar da pesquisa e duas de suas professoras quiseram ser entrevistadas e concordaram que suas aulas fossem observadas.
Essa escola localiza-se em uma zona periférica da cidade. Uma de suas entradas fica em uma rua de terra, de frente para uma região sem nenhum tipo de construção, apenas mato e barrancos. Por essa região foram traçados pequenos caminhos que várias crianças percorrem a pé para ir e vir às aulas. Esses caminhos ligam a escola a um bairro extremamente carente, que antes era tido como favela. O público que freqüenta a escola é do próprio bairro onde ela está localizada e das imediações.
A escola foi uma das escolhidas na cidade para fazer parte do projeto “Escola do Futuro”. Em função disso ela possui26 laboratório de informática, biblioteca comunitária, sala de vídeo, salas de estudo e, dentro em breve, possuirá um ginásio coberto.
As professoras27 que concordaram em participar da entrevista atuam na 3a série e 4a série do ensino fundamental, uma no período da manhã e outra no período da tarde. Além de concordarem em participar da entrevista, ainda permitiram que suas aulas fossem observadas. A observação das aulas visou à compreensão do espaço físico da sala, as relações estabe- lecidas dentro e fora dela, a estrutura física e política da escola, assim como
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O resultado da análise dos questionários encontra-se no próximo capítulo, referente à apresentação dos dados obtidos.
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Salienta-se que apenas foi observada a existência destes espaços. Nesta pesquisa não foi realizada nenhuma investigação sobre a forma e a freqüência de utilização dos mesmos.
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a dinâmica da cultura escolar. Esses aspectos foram considerados rele- vantes, uma vez que poderiam fornecer subsídios para uma melhor com- preensão sobre o que de fato ocorre no contexto escolar, quando o assunto é inclusão escolar.
As observações foram realizadas durante quatro meses, em dias e horários previamente agendados e autorizados pela direção e pelas professoras.
• Além das professoras, também foram realizadas entrevistas com: a) a diretora da escola; b) a responsável, junto à secretaria municipal de educação e cultura, pela área da Educação Especial; c) a terapeuta ecupacional da secretaria de educação e cultura – profissional que trabalha diretamente com crianças consideradas em situações de risco; d) a pedagoga da secretaria de educação e cultura que atua junto à comunidade negra atendida pelas escolas municipais. Salienta-se que esses profissionais fazem parte da equipe que a Secretaria de Edu- cação e cultura tem para lidar com as questões de inclusão no sis- tema regular de ensino.
Optou-se pela entrevista com roteiro semi-estruturado (verificar anexo 2) que, segundo Biasoli Alves (1995), pode favorecer o modo de pensar e agir das pessoas, face aos temas focalizados. O roteiro estabelecido permitiu ao entrevistado e também ao entrevistador, a possibilidade de ir e vir nas perguntas e respostas, visando ao maior número possível de informações que possam contribuir para o alcance dos objetivos propostos.
Considerando os pontos levantados por Bogdan e Biklen (1982), como necessários para a garantia da qualidade de um trabalho pautado em entrevistas, manteve-se:
¾ a consideração pelo entrevistado, respeitando suas possibilidades, deixando-o à vontade quanto aos dias, horários e locais para a entrevista;
¾ respeito às suas respostas, mantendo sigilo e fidedignidade em relação a elas;
¾ cuidado em se evitar a imposição de uma problemática, pois quando o entrevistador conduz sua pesquisa de forma muito diferente do universo de valores e preocupações do entrevistado, este tende a responder aquilo que o outro quer ouvir;
¾ a discrição e paciência, ouvindo os sujeitos, mesmo que por longo tempo.