1. KAMU GELĠRLERĠ ANALĠZĠ
1.6. Vergilemede Adalet
Segundo dados da Pnad/IBGE 2009, o Brasil tem uma população de 57,7 milhões de pessoas com mais de 18 anos que não frequentam escola e que não têm o ensino fundamental completo. Esse contingente poderia ser considerado uma parcela da população a ser atendida pela EJA6.
Partimos da premissa de que a Educação de Jovens e Adultos – EJA é, em sua essência, uma educação inclusiva, pois deve oferecer uma nova oportunidade de educação e integração a uma clientela historicamente marginalizada dos entornos escolares quando do período infanto-juvenil, neste sentido, o próprio MEC reconhece a importância da integração das Tecnologias da Informação e Comunicação no contexto da EJA (MEC, 2002). São pessoas que, inevitavelmente, deixaram de estudar para melhorar as condições de vida da família e, por isso, vem trilhando um percurso baseado no constante trabalho, muitas vezes sem opção de escolha. Fato este, caracterizado pela ausência de uma escolaridade que lhes garanta uma melhor oportunidade de atividade salarial.
A nossa sociedade contemporânea preza pelo apelo ao conhecimento, logo gera competitividade e exclusão e, quanto a isto, percebemos um grupo
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http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=7272&Itemid= acesso em 30/06/2013.
muito suscetível que são os jovens e adultos que procuram a EJA, uma vez que, veem nesta modalidade uma alternativa para atender, em parte, esta necessidade, ou seja, tentar acompanhar as exigências de um contexto constantemente marcado pela inovação da informação e adequação de profissionais ao sistema vigente. Piconez (2002, p. 20-21) aprofunda tal ideia dizendo que:
Numa dimensão pessoal, a volta aos estudos objetiva recuperar a identidade humana e cultural, com o restabelecimento da auto- estima, anteriormente rebaixada pela sociedade, incluindo a própria família. Numa dimensão social, o grande incentivo para volta aos estudos é a vontade de atender às exigências do bem-estar no convívio e nas questões de ética. E, finalmente, numa perspectiva profissional, foram observadas necessidades de compreender os avanços tecnológicos e as novas organizações do trabalho e de vislumbrar ascensão na carreira profissional ou mesmo se proteger do desemprego futuro.
Podemos analisar, através dessa passagem, a necessidade da ação social do professor no cenário educacional, pois há profissionais que ao invés de estarem fazendo ações sociais e contribuindo para se gerar cultura, fazem o mínimo e por isso não há aprendizagem e muito menos novas interpretações e construção de significados.
Sendo assim, agora, para inserir esses indivíduos no contexto social não basta apenas alfabetizá-los, o domínio da leitura e escrita não garantirá a inclusão que eles tanto necessitam, a sociedade atual requer novas maneiras de pensar, expressar, comunicar e agir dentro de um sistema onde a informação articula-se com grande rapidez e dinamismo. Nesse sentido, é preciso letrar digitalmente esse indivíduo para que haja a sua promoção nas diferentes situações sociais.
Quanto a isto, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI (2006, p.8) argumenta, dizendo:
A aprendizagem escolar, ao promover um conhecimento legitimado pela sociedade, só se torna significativa para o(a) aluno(a) se fizer uso e valorizar seus conhecimentos anteriores, se produzir saberes novos, que façam sentido na vida fora da escola, se possibilitar a inserção do jovem e adulto no mundo letrado.
Sendo a escola, provavelmente, a única alternativa de espaço social onde estes sujeitos terão a possibilidade de adquirir essa capacidade crítica e ativa dentro de seu meio, faz-se necessário desenvolver um ambiente propício à integração das novas tecnologias de informação e comunicação, integrando o ensino-aprendizagem da escola à dinâmica de sua via pessoal e profissional.
Para tanto, é preciso ultrapassar os limites da mera codificação de digitação e conhecimentos da aparelhagem informatizada, deve-se possibilitar a estes indivíduos um conhecimento amplo destas tecnologias digitais dentro da esfera educacional, estabelecendo um link com o seu cotidiano, tal ação contextualizada oportunizará a reflexão do conhecimento destas ferramentas, a reprodução delas em diferentes circunstâncias e a formação de múltiplos conhecimentos. Como acrescenta Pereira (2007, p.17):
Precisamos dominar a tecnologia da informação, estou me referindo a computadores, softwares, Internet, correio eletrônico, serviços, etc., que vão muito além de aprender a digitar, conhecer o significado de cada tecla do teclado ou usar um mouse. Precisamos dominar a tecnologia para que, além de buscarmos a informação, sejamos capazes de extrair conhecimento.
Sendo assim, os jovens e adultos da EJA precisam adquirir um encaminhamento que o conduzam ao conhecimento dessa nova forma de utilizar a leitura e a escrita digitalmente, para através dela fazerem pleno uso no meio social. Passo este diferente dos indivíduos que já estão crescendo imersos às novas tecnologias, os chamados nativos digitais7 que chegam às instituições de ensino já conhecendo e sabendo fazer uso das tecnologias de informação e comunicação, uma vez que, são atribuições já inerentes a sua rotina, sejam no ambiente familiar ou nos demais contextos sociais. Para tanto, é imprescindível refletir sobre uma educação que oportunize um ensino ligado a estes novos mecanismos e integrado aos aspectos que norteiam a vida destes discentes de acordo com suas reais necessidades.
7 Segundo Marc Prensky, nativos digitais são aqueles que cresceram cercados por tecnologias digitais. Para eles, a tecnologia analógica do século 20 – como câmeras de vídeo, telefones com fio, informação não conectada (livros, por exemplo), internet discada – é velha. Os nativos digitais cresceram com a tecnologia digital e usaram isso brincando, por isso não têm medo dela, a veem como um aliado. http://www.marcprensky.com/international/Leia%20entrevista%20do%20autor%20da%20expressao%2 0imigrantesdigitais.pdf acesso em 08/06/2013.
O desempenho da equipe pedagógica, principalmente, a dos professores, é a de se desprender do ensino tradicional, este será um passo importante para a transformação da condição destes sujeitos através da oferta de uma verdadeira educação de direito, comprometida em reverter este estagnado quadro de exclusão, do qual estes jovens e adultos vêm fazendo parte há anos na história da educação brasileira.
Nesse sentido, a educação de jovens e adultos passa a ser algo determinante para a formação destes sujeitos que na maioria possuem uma vida baseada no constante trabalho, na força e na luta por uma vida mais digna. Assim, ofertar esta educação de direito que tanto se prega, é seguir com uma abordagem dentro do currículo pedagógico que considere o histórico de vida destes alunos, em seu lar, na sociedade e no seu trabalho. Como bem aponta a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI (2006, p.5):
Os alunos e alunas de EJA trazem consigo uma visão de mundo influenciada por seus traços culturais de origem e por sua vivência social, familiar e profissional. Podemos dizer que eles trazem uma noção de mundo mais relacionada ao ver e ao fazer, uma visão de mundo apoiada numa adesão espontânea e imediata às coisas que vê. Ao escolher o caminho da escola, a interrogação passa a acompanhar o ver desse aluno, deixando-o preparado para olhar. Aberto à aprendizagem, eles vêm para a sala de aula com um olhar que é, por um lado, um olhar receptivo, sensível, e, por outro, é um olhar ativo: olhar curioso, explorador, olhar que investiga, olhar que pensa.
Promover uma educação que parte do resgate da cultura, dos costumes, da vida social é essencial para se estabelecer uma ligação entre o conhecimento da prática cotidiana e a compreensão do mundo.