4. TÜRKĠYE’DE YEREL YÖNETĠMLER
4.3. BüyükĢehir Belediyeleri
4.3.2. BüyükĢehir Belediyesinin Görev ve Yetkileri
De acordo com a discussão desenvolvida, a relação entre o divórcio e a vulnerabilidade do consumidor pode ser evidenciada, se considerarmos que as experiências de consumo vivenciadas em rituais de passagem são impactadas por aspectos multidimensionais capazes de afetar a disposição dos indivíduos para: (1) tomar decisões acertadas, (2) incorporar novos papéis em uma dada estrutura familiar e (3) lidar com as perdas que se materializam durante o processo. Diante dessas e das demais constatações apresentadas, na Figura 8, encontra-se destacado o modelo conceitual da pesquisa; uma proposta preliminar para embasar a fase empírica.
Na figura, inicialmente, encontra-se evidenciada, pela relação entre os ambientes social, cultural e familiar, a perspectiva da família como um sistema integrado e multidimensional. Que sofre influências da sociedade ao mesmo tempo em que também a influencia, por ser a sua célula mater (COSTA, 2012). No ambiente familiar vemos a ligação entre os sujeitos que enfrentam o processo de transição na estrutura da família e a representação do divórcio (evento responsável pelas mudanças estudadas) contida na relação entre os pais.
Como apresentado pela própria questão problema e os objetivos, esta pesquisa empregou esforços empíricos para caracterizar a forma como as experiências de vulnerabilidade emergidas desse contexto impactam as relações de consumo direcionado aos filhos de famílias monoparentais femininas. Por isso, este aspecto foi representado no centro da relação familiar, firmando-se como a ênfase do estudo.
Interligados aos três ambientes (social, cultural e familiar) estão os aspectos trabalhados pelos modelos teóricos elucidados no referencial, e pela discussão desenvolvida ao longo dos capítulos. Destacados em roxo estão os aspectos trabalhados por Baker et al. (2005) e, em verde, a Tipologia de Morgan, Schuler e Stoltman (1995). Estes aspectos são simultaneamente caracterizadores da experiência de vulnerabilidade e externalidades surgidas do divórcio, ou seja, aspectos que, da mesma maneira com que influenciam o fenômeno, também são por ele influenciado.
Especificamente, estão representados os aspectos: (a) monoparentalidade: a estrutura familiar que se forma após o divórcio; (b) família estendida: os novos relacionamentos e filhos; (c) redes de apoio: terceiros que oferecem meios de suporte à família; (d) aspectos financeiros: acesso a recursos e estrutura; (e) características individuais: aspectos Biofísicos e Psicossociais; (f) estados individuais: circunstâncias
que exprimem ou influenciam as condições emocionais e psicológicas dos indivíduos; (g) condições externas: fatores que não estão sob o domínio imediato do consumidor, mas que também irão contribuir com a experiência de consumo; (h) aspectos legais e religiosos: que modelam principalmente os novos papéis sociais desempenhados pelos sujeitos e a expectativa que a sociedade cria em torno destas famílias; além dos (i) novos papéis familiares que os sujeitos passam a desempenhar de acordo com a estrutura resultante do divórcio.
Por fim, como consequência das experiências de vulnerabilidade, encontram-se representadas as opções discutidas por Baker et al. (2005): a resposta de marketing, a própria resposta do consumidor diante da vulnerabilidade, e as políticas públicas que poderão facilitar ou dificultar os próximos encontros de consumo, como exposto pela Figura 7.
Figura 7 - Modelo conceitual da pesquisa
Fonte: Elaboração própria (2016).
Desse modo, entende-se que a passagem pelo divórcio impacta a estrutura da família e condiciona o novo relacionamento entre os sujeitos, mediado, inclusive, por um conjunto de aspectos legais, religiosos, e culturais, por exemplo, que irão modelar as
novas relações familiares. Perante este cenário, acredita-se que, o novo comportamento de consumo da família deve ser observado sob as lentes de marketing, para que se analisem as possíveis experiências de vulnerabilidade emergidas, bem como o impacto que estas experiências desempenham, especialmente, sobre o consumo direcionado aos filhos. Posto isso, o capítulo seguinte apresenta o desenho da fase empírica desta pesquisa.
3 MÉTODO DA PESQUISA
Baseada em uma revisão sobre os estudos da área, Ramires (2004) afirmou que as primeiras pesquisas desenvolvidas acerca do divórcio nas décadas de 1950 e 1970 costumavam a ser guiadas por três suposições gerais: (1) a de que uma estrutura familiar nuclear se fazia necessária para a socialização satisfatória da criança; (2) que a ausência do pai implicaria severas consequências negativas, principalmente, para os filhos homens; e (3) que o divórcio era um evento traumático com efeitos deletérios e duradouros no ajustamento da família. Da mesma forma, Souza (2000) também indicou que as principais pesquisas sobre o tema, especialmente as que foram conduzidas em solo norte-americano, valiam-se, predominantemente, de técnicas baseadas em modelos numéricos para testar a veracidade destes pressupostos, tornando, portanto, o divórcio um tema bem explorado principalmente pela abordagem quantitativa.
A predominância de estudos com estas duas características levou Ramires (2004) e Souza (2000) a evidenciar lacunas metodológicas deixadas pela pouca investigação de outros fatores mediadores e/ou moderadores do divórcio, tais como: as características individuais dos pais e dos filhos; as variáveis internas caracterizadores da rotina familiar; fatores transacionais que acompanham o fenômeno como o declínio econômico, as mudanças de residência, bairro ou escola; e as alterações até mesmo nos círculos sociais. Aspectos que evidenciam clara congruência com o modelo de Baker et al. (2005).
Segundo estas autoras, muitos dos estudos baseados nos pressupostos citados e na abordagem quantitativa, por serem majoritariamente comparativos, pretendiam confirmar as expectativas de déficit no ajustamento das crianças em famílias divorciadas. Para tanto, os pesquisadores exibiam um leque de problemas comportamentais, sociais, acadêmicos e/ou psicológicos, identificados e listados de maneira sistemática após a realização de um confrontamento entre diversos aspectos da família divorciada e da família intacta.
Um fato importante, todavia, é que a aplicabilidade destes pressupostos, ao longo dos anos, verificou-se menos compatível com a realidade. Pois, os estudos longitudinais passaram a confirmar que apenas um terço dos “filhos do divórcio” apresentavam distúrbios manifestados em longo prazo, ou necessidades, por exemplo, de atendimento clínico psicológico especializado (RAMIRES, 2004, p. 185).
Motivadas, portanto, por esta inversão no cenário, “as pesquisas atuais tem buscado também investigar condições de vulnerabilidade e resiliência ligadas ao divórcio” (RAMIRES, 2004, p. 185)16, para compreendê-lo como um processo que
demanda múltiplos ajustes diante de aspectos como: a crise deflagrada pela separação; a vida em uma família monoparental; os novos relacionamentos amorosos dos pais; o nascimento de meios-irmãos; ou o relacionamento com a família ampliada e seus novos hábitos de consumo.
Ao identificar, portanto, as lacunas citadas acredita-se que, a despeito da preferência geral por métodos quantitativos e pressupostos de prejuízos, a compreensão da experiência, dos significados e sentimentos relacionados ao fenômeno em questão precisa ser aprimorada por uma abordagem qualitativa (SOUZA, 2000, p. 137; MERRIAN, 2002 p. 6); escolha utilizada nesta pesquisa. Como característica própria da abordagem qualitativa, o estudo não partiu de hipóteses estabelecidas a priori que exigissem a busca de dados ou evidências que corroborassem ou negassem suposições. Logo, nenhuma categoria de análise foi previamente definida.
Além disso, este estudo pode ser classificado como: (1) empírico, por buscar codificar o lado mensurável da realidade; (2) exploratório, por desejar proporcionar maiores informações sobre a relação entre o divórcio e a vulnerabilidade do consumidor, evidenciando uma nova possibilidade de enfoque para o assunto; e (3) pesquisa de campo, por utilizar métodos de coleta como entrevistas para investigar os pesquisados em seu meio (PRESTES, 2012, p. 28).